A ocasião e a finalidade do ofício de diácono

Nenhum lugar é melhor para nos ajudar a entender o ofício de diácono do que as próprias Escrituras Sagradas ela como base de fé e prática para a vida da igreja, é também a nossa direção e fundamento em todas as doutrinas e ensinos concernentes ao bom andamento e esclarecimento para a igreja.

Em Atos cap6.1-7 vemos a ocasião, a finalidade e a instituição desse ofício tão importante para a vida da comunidade evangélica. Calvino, Comentário de atos, Vl1, “..a função de diácono é uma função excelente e necessária para a vida da igreja”.

Como podemos observar dentro do próprio texto, houve um crescimento muito grande na igreja primitiva e vs1, e por conta disso, os apóstolos pelo que tudo indica é que trabalhavam na manutenção e ajuda ao assistencialismo a pessoas mais carentes daquela igreja, porém, o crescimento da igreja, começou a impedir uma observação mais acurada e perceptível das necessidades dos irmãos, principalmente as viúvas.

E isso gerou um conflito entre duas etnias que conviviam dentro de uma mesma igreja, que eram os:

Helenistas: Os helenistas também eram judeus, judeus que receberam um forte impacto dentro de sua cultura pelos gregos que dominavam a região do oriente quando os hebreus voltaram do exílio.

Os gregos dominaram intensamente aquele local e impuseram sua fala, sua cultura, sua religião e todos os seus costumes de maneira geral sobre a vida de seus dominados.

Alexandre o Grande expandiu seu império gigantescamente, dando continuidade ao propósito de unificação e integração de seu império, começado por Felipe da Macedônia seu pai que morreu logo após ter começado essa grande empreitada, porém, o impacto e a expansão dos domínios se fizeram sentir por muitos anos na vida de vários povos, inclusive dos judeus, que estavam voltando do exílio, babilônico, numa época em que babilônia tornou-se símbolo de poder, imoralidade e grandeza entre os povos.

Então helenista é um termo dado aos judeus que absorveram a cultura e a forma de vida e hábitos dos gregos, e que não conseguiram se ver livre deles, exceto pela entrada do cristianismo em suas vidas, proporcionando a eles uma perspectiva religiosa completamente diferente.

Hebreus: Eram os judeus que mantiveram suas convicções políticas, sociais e seus costumes ainda que impactados pela cultura grega. Os hebreus além do grego sabiam o aramaico e também o hebraico, e que tentaram preservar sua cultura e hábitos mais intensamente que os helenistas, que não tiveram tanto interesse para isso.

Os hebreus provavelmente foram quem evangelizaram os helenistas, porque os helenistas sabiam mais a língua grega e os hebreus ortodoxos sabiam além do grego, o aramaico e o hebraico, e entre eles acabou surgindo um problema, mas um problema que deu origem ao ofício de diácono na igreja primitiva.

 

A raiz do problema

 

A raiz do problema que gerou uma certa insatisfação dentro da igreja, foi a afirmação dos helenistas que suas viúvas, estavam recebendo um tratamento diferenciado da viúva dos hebreus.

Sendo que este tratamento não era para melhor, e é provável que isso já vinha se arrastando por algum tempo porque ao deduzir-se do tempo verbal imperfeito em que a palavra se encontra, ela trás a idéia de que já algum tempo essa negligencia estava acontecendo sem que ninguém tomasse providencia sobre isso vs1. A palavra murmuração dá a conotação de queixume, ato de resmungar.

Havia por parte da igreja desde o seu começo uma preocupação muito grande com o suprir as necessidades e carências das pessoas que por ventura viessem a passar por situações difíceis financeiramente por causa inclusive das perseguições que sofriam por causa do cristianismo e desde cedo houve recomendações dos apóstolos e discípulos que se dividissem bem as coisas arrecadadas para que todos pudessem ver supridas suas necessidades At2.42-47. At4.32-35. Pv17.19, Sl41.1-3.

A igreja era menor, o sistema político e social eram absolutamente diferentes dos de hoje, mas o princípio do cuidado e da ajuda aos carentes da igreja primeiramente permanece. Desde o período VT vemos as viúvas e pessoas carentes da sociedade recebendo ajuda quando necessário da própria comunidade em que vivem Sl9.18. Aos seus Deus dá enquanto dormem é um fato incontestável, e o Sl127.2.

Há textos nas escrituras como a história da viúva de Sarepta que Deus também alimentou como demonstração de seu cuidado para com a vida de seu povo, ajudando-nos a perceber o princípio da ajuda mútua sempre que tivermos pessoas dentro das nossas igrejas que precisem disso 1Rs17.8..

Enfim a raiz do problema foi a negligencia, o descuido por conta de um crescimento muito rápido da igreja que não estava preparada para receber aquele tipo de transformação de uma instante ao outro com tanta rapidez.

 

A causa dos males sociais dentro da perspectiva reformada

O pecado trouxe muitos problemas para a vida de todos nós, a queda inverteu absolutamente os conceitos de integridade, piedade, amor e unidade na história dos homens de forma geral, e com isso, vemos a ambição dominando o coração dos homens, levando-os a importarem-se consigo próprio e com suas próprias necessidades.

A corrupção miséria e opressão humana são pressupostos na queda do homem, e qualquer explicação que tire a queda do cenário é deturpada e incompleta, porque os males sociais, econômicos, emocionais e tudo mais, é por conta da perversão moral existente no coração humano por causa do pecado.

Nicodemus, Calvino e a responsabilidade social, p8“Para Calvino as causa da pobreza, miséria e opressão, bem como da perversão e da corrupção da sociedade humana, estavam enraizadas na natureza decaída do homem que por sua vez remonta-se à queda no Éden”.

A queda demoliu e removeu em muito o sentido de justiça e misericórdia entre os homens, estabelecendo uma desordem social e um caos econômico por causa da maldição recebida sobre todos nós, com a entrada do pecado no mundo depois da queda Rm8.20-23.

A queda introduziu problemas sociais sérios dentro da sociedade causado pela ganância e ambição dos homens, vemos isso aprofundar-se inclusive nos relacionamentos familiares até mesmo, porque os homens quando negligenciam seus dízimos e o exercício do amor e da compaixão pelos próximo, demonstram na verdade sua incredulidade de que Deus haverá de suprir todas as suas necessidades Mt6.

A ganância, ambição e desumanidade estão tão profundas no coração dos homens após a queda, que vemos nisso, o agravamento de impostos e em países como o nosso o pecado da usura no corações do governantes, que contribuem para que as questões sociais cresçam mais ainda.

Quando a isso, Calvino, Livro 4 cap6.10, diz: “Acresce que as autoridades devem considerar que as taxas  cobradas dos plebeus, os impostos e outras espécies de tributos outra coisa não são senão subsídios da necessidade pública, e que agravar sem justa causa o povo com tais encargos não passa de tirania e de assalto”.

A queda infringiu males na vida do povo de forma geral e a igreja de Cristo deve na medida do possível ter responsabilidade social com os seus carentes para que não haja pessoas com carências básicas dentro de seus contextos.

 

Características espirituais do diácono

 

A queda humana, a desobediência do homem a palavra de Deus gerou, portanto, todos esses desagravos sociais, econômicos, culturais, políticos, emocionais e qualquer que o seja, essas coisas acabaram atingindo como atingem todas as pessoas sejam elas evangélicas ou não.

E a problematização aqui é em decorrência disso, havia pessoas na igreja que enfrentavam dificuldades e que precisavam ser assistidas, mas por parte dos apóstolos, vemos outra necessidade ligada as tarefas deles que era o ensino exclusivo da palavra e a proclamação do evangelho vs2.

O consenso foi geral, os doze chegaram a conclusão que a igreja deveria apontar esses homens, e creio que isso aconteceu por que a convivência da igreja dá aos membros a capacidade de observarem aqueles que são capazes para exercerem determinados ministérios nela.

Os escolhidos seriam aprovados e consagrados ao ministério pelos apóstolos, mas a igreja é quem deveria escolher seus oficiais, o que significa que quando os oficiais não cumprem seus papeis e não evidenciam seus dons para o ofício, a igreja tem uma grande parcela de culpa nisso.

No entanto, a liderança que não ensina e nem mesmo adverte a igreja sobre quais critérios usar para perceber as características espirituais dos oficiais que a compõe, se tornam tão culpados quanto à igreja em si. O começo do ofício foi em decorrência da necessidade surgida na igreja exigido com seu crescimento, que a obra social fosse observada e que pessoas fossem estipuladas para essa obra vs2, os apóstolos não teriam tempo em fazer isso, servir as mesas, ficar encarregados de suprir as necessidades de irmãos carentes.

É provável que o ofício surja aqui e a palavra diácono, aparece aqui no sentido de servir, distribuir. Mas a palavra diácono não se refere exclusivamente a um tipo de serviço, ela significa servir de maneira geral, mas aqui, é empregada no sentido de um ofício relacionado com responsabilidades sociais. E que faria daqueles homens representantes investidos de autoridade para o exercício de seu ofício.

A palavra diácono de modo geral, significa ministério, e relaciona-se com o todo da igreja, no exercício de uma ação em que todos os seus membros estão para servir uns aos outros. Há vários textos que mostram isso. Rm12.7; Rm15.31; 2Co3.7-9. São textos que não mostram o diácono como um oficial ordenado representativamente para o exercício de uma função.

O exercício do serviço em que a palavra diaconia aparece ela é mesmo anterior ao ofício de diácono e enfatiza a idéia de serviço prestado, ou ofefrecido em qualquer situação e momento pelas pessoas. Lc10.40; At1.17; At1.25 e assim por diante.

Mas aqui no caso específico de At6, o trabalho foi instituído oficialmente com o propósito de suprir uma necessidade dentro da igreja e ao mesmo tempo responsabilizar pessoas específicas para um trabalho singular e de muita importância no corpo de Cristo. 1Tm3.13.

Por causa de sua importância precisamos notar que a responsabilidade dos diáconos é indispensável quanto as suas questões éticas e morais, portanto, a bíblia nos ensina sobre algumas características espirituais do diácono que trataremos agora.

 

Característica Moral

1) Ter boa reputação. O significado no sentido original da palavra é homens de bom testemunho, a palavra utilizada é martiroumenous, e é a mesma raiz de martírio, o que demonstra que aqueles homens deveriam não somente ter o bom testemunho da igreja, mas serem reconhecidos fora dela como homens íntegros e corretos em tudo o que fizessem.

O verbo aqui se encontra no presente passivo, que passa a idéia de alguém que tinha a capacitação de Deus sobre si, ou que recebeu essa capacitação de Deus, e ao mesmo tempo, deveria agir constantemente, sempre dando bom testemunho tanto dentro quanto fora da igreja.

O bom testemunho nosso, nunca deve ficar dentro das nossas próprias paredes, devemos viver fora da igreja como se estivéssemos sempre dentro dela, para que jamais envergonhemos o nome de Cristo. A todos os crentes cabe essa responsabilidade, mas aos diáconos, que são oficiais, a responsabilidade é bem maior ainda, porque Deus lhes deu a honra de representarem a igreja de Cristo.

Ter boa reputação, dar bom testemunho, é algo que glorifica o nome do Senhor e nosso propósito maior, é a gloria de Deus exaltando o nosso Senhor através da vida e de todos os nossos afazeres nela. O cristianismo é visto como uma religião formada por qualquer tipo de gente, composto pelas mais diferentes faixa etária e nível intelectual, financeiro e tudo o mais.

Mas as pessoas que fazem parte do cristianismo devem ser vistas como pessoas sérias e corretas em todo o seu procedimento, agindo com constante santidade e fidelidade para não trazer escândalos ao bom nome de Cristo. Essa responsabilidade é de todos nós, mas aos representantes da igreja o peso da cobrança e da pressão é ainda maior. Como mártires, devemos nos dispor a morte por causa do bom nome de Cristo.

 

Características Espirituais

1) Ser cheio do Espírito Santo. Provavelmente o que Lucas está em mente, pode referir-se tanto aos dons espirituais, que os capacitariam melhor para o serviço que estavam sendo selecionados para desempenhar, quanto também a respeito de viver na plenitude do Espírito Santo, com atitudes de bondade, amor e misericórdia pelos outros.

O fruto do Espírito deve permear a vida deles, dirigindo-os a desempenharem melhor o seu ofício. Os diáconos devem aprender sobre essas coisas, e ter atitudes que mostre características de homens cheios do Espírito Santo.

Vemos isso claramente no cap 5Ef a partir do vs18, lugar em que vemos Paulo marcando a vida de todos nós cristãos com a responsabilidade da comunhão e da maturidade cristã, compreendida em sua perspectiva com um vida de santidade. A função de diácono no começo da igreja, era tão importante que eles deveriam exercê-la com temor e reverencia.

Eles cuidariam de pessoas pobres, pessoas carentes, cuidariam de pessoas necessitadas, e, portanto, precisavam ser cheios do Espírito para agirem sempre com mansidão e amparo com esses irmãos carentes.

Podemos negligenciar nossos dons, podemos deixar de usá-los inclusive, por questões de fraqueza e desanimo espiritual e isso pode acontecer com qualquer um de nós, inclusive com diáconos, mas nunca, esses dons poderão ser tirados de nós Rm11.29.

Por isso precisamos orar por nossos diáconos e os diáconos também buscar o enchimento do Espírito por meio de uma vida devocional sadia e fortalecedora de sua fé. Esses irmãos tinham a responsabilidade de cuidar das questões materiais de algumas pessoas e das questões espirituais também. Por isso, deviam ser bem qualificados.

 

Algumas características comuns aos que exercem este ofício

 

Quero citar dois exemplos de diáconos com características que entendo ser comuns a homens que exerçam o ofício de diácono.

1) Graça: E o termo graça aqui é muito importante, porque vem de charis, que é uma palavra relacionada com aquilo que recebemos de Deus e passamos aos outros. Alguns autores como John Gill por exemplo no lugar de graça, colocam a palavra fé, mas creio que isso, seja só para apontar que ambas as coisas, são dons do Espírito Santo, que fazem dos homens, pessoas corajosas para testemunhar, sem contudo que eles sejam os senhores do saber, vivendo e buscando confusão e conflito com o próximo.

Calvino também traduz a palavra por fé, e mostra que aqui o sentido é além de um dom para entender a palavra de Deus, ela vem unida ao fato de ser precisamente zelosos com a palavra de Deus.

E isso pode é visto claramente durante todo o texto do cap 7, pois Estevão mostra um conhecimento eloqüente e profundo das verdades bíblicas cap7.1. O conhecimento das verdades de Deus é realmente graça, ninguém, portanto, deveria orgulhar-se disso, usando seu conhecimento para humilhar e colocar-se acima dos outros.

A graça de Deus conforme diz John Stott em seu comentário, faz uma citação de Campbell Morgan que disse que a idéia da palavra, descreve um caráter bondoso, semelhante ao de Cristo. Portanto, essa é uma característica marcante na vida dos diáconos, que mostravam a direção do Espírito em suas vidas, por intermédio da comunhão com Deus vistas em sua maneira de trata as pessoas.

2) Prodígios e Grandes sinais. Essa também era uma característica marcante na vida deles, Filipe em 8:6-8, mais especificamente vemos o detalhamento desses sinais que apontavam para a pessoa de Cristo levando os homens daquela época a verem de fato a realidade da autoridade sobre eles.

Eram homens de Deus, e tinham a graça de Deus sobre eles, testemunhavam com pode que se revertiam em sinais, operações miraculosas. O princípio deve permanecer, os diáconos precisam viver na dependência de Deus sempre de prontidão, tendo a capacidade de nunca duvidarem em sua fé e na ação do Espírito de Deus.

Os prodígios sendo realizados pelos diáconos, funcionavam como casos de manifestação da autoridade apostólica sobre eles, já que receberam seu ofício diretamente das mãos dos apóstolos 6.6.

3) Os diáconos conheciam profundamente as Escrituras Sagradas 8:35, o caso de Felipe aqui é maravilhoso, principalmente quando observamos a falta de conhecimento bíblico dos dias de hoje, em que a superficialidade das coisas são claramente vistas através daqueles que pregam a palavra de Deus.

Tanto Estevão fez um discurso maravilhoso e profundo, altamente explicativo, percorrendo todo o velho testamento, mostrando claramente o Cristo por meio das Escrituras, quanto Felipe seguiu o mesmo caminho.

Os presbíteros precisam conhecer as Escrituras, mas dizer que diáconos não precisam, seria a mesma coisa que dizer que só os pastores devem ler a bíblia, algo que não é verdade.

4) Capacidade de perdoar aqueles que nos fazem mal. Quando somos injuriados e perdoamos creio que aprendemos a ter paz no coração e ao mesmo tempo, mostramos aqueles que estão nos observando, que nosso cristianismo é intenso.

Estevão não fez nada para ninguém, foi injuriado, foi maltratado pelos outros, recebeu pedradas e ainda assim, foi capaz de perdoar. Essas características do diácono são fortes demonstrações de capacidade de relacionamento, como darão com gente, ao mesmo tempo, precisavam ser capazes de agir como edificadores e pacificadores e nunca como gente que perturbe a ordem e crie problemas. At7.60, Mt5.9.

 

Qualificações dos oficiais da igreja a luz de 1Tm 3

 

Neste capítulo veremos Paulo tratando das qualidades dos oficiais da igreja, presbíteros e diáconos, ensinando a Timóteo, alguns pontos importantes na avaliação da vida de pessoas que exercerão os ofícios, que dão aos presbíteros e aos diáconos, a honra de representarem a igreja de Cristo.

Mas para que essa representatividade seja efetivada e repleta de autoridade, uma autoridade que demonstra o compromisso e a integridade de quem ocupa o cargo, esses homens precisavam de evidenciar algumas posturas que validariam e corresponderiam a expectativa da igreja daquela época, colocada em pessoas sérias e verdadeiras. Já falamos de várias qualidades no decorrer do nosso estudo, mas precisamos ainda abordar outras que certificarão com maior intensidade aquelas que já falamos até aqui.

E espero que vocês da igreja sejam observadores para elegerem seus oficiais, a luz daquilo que estão aprendendo em relação a palavra de Deus, tendo nesta palavra a direção para votar ou não, nos representantes da igreja.

Na primeira parte, que vai do vs1-7, Paulo ordena a Timóteo que ficasse atento quanto as pessoas que desejavam o trabalho presbiteral, sendo que esses indivíduos precisavam ter algumas qualificações específicas que ajudassem na escolha deles para o trabalho dentro da igreja.

No entanto, Paulo aborda não só os que representariam a igreja em seu ministério pastoral, mas também no trabalho de organização da igreja internamente e na assistência aos necessitados que, porventura, houvesse nela, que são os diáconos, e assim da mesma maneira que os presbíteros tinham que mostrar vida espiritual no exercício de seus cargos, os diáconos da mesma maneira precisavam ser homens com a mesma estirpe e dignidade. Precisavam como vimos, ter um bom testemunho dos de fora, At6, mas deveriam mostrar dentro da igreja, o temor e o respeito por Deus, por intermédio de atitudes.

Por isso, quando Paulo termina suas ordenanças quanto a questão da vida dos presbíteros da igreja, ele ao começar falando dos diáconos, introduz uma perspectiva de que ainda que houvesse diferenças no exercício do ministério do ofício, tanto os presbíteros quanto os diáconos tinham responsabilidades comuns quanto às posturas que apontariam para seu caráter.

Por esse motivo, Paulo usa  a palavra semelhantemente, no vs8, dando a idéia de que espera-se por parte da igreja e dos irmãos, que os diáconos tenham as mesmas virtudes dos presbíteros no quesito moral, para fazerem aquilo que agrada a Deus em seu trabalho.

O trabalho como já foi dito aqui, dos diáconos é diferente dos presbíteros, e quando os apóstolos instituíram esse trabalho foi com a finalidade de servirem as mesas, cuidar dos necessitados, tendo um envolvimento com a área de assistência social da igreja, ainda que submissos aos presbíteros, por esses serem os encarregados da administração da vida da igreja de forma geral 1Tm5.17.

No entanto as virtudes que um diácono deve ter e que deveria ser na verdade de todo o crente, mas a evidencia e as ordenanças específicas são por causa do ofício que se exerce são:

Respeitáveis: Essa palavra significa, digno de respeito, vem do grego semnos, e aparece em vários lugares da bíblia dando a idéia de alguém com senso de seriedade e dignidade combinada também com o sentido de reverencia, respeito que devemos prestar, mas que a pessoa também deve exigir por seus próprios atos.

Fil4.8, Tt2.2, um homem respeitável é alguém que conquista essa coisas por meio de uma vida de integridade e ética com posições que glorifiquem a Deus em tudo aquilo que fale trazendo glória aquilo ou aquele que representa, aqui no caso especificamente a igreja de Cristo.

Essa palavra que abre o leque de virtudes que Paulo recomenda aqui especificamente sobre os diáconos, trás sobre eles a responsabilidade de fazerem as coisas de Deus com muito zelo, temor e reverência, para que a nobreza do cargo que exercem seja capazes de trazer sobre eles o respeito e a dignidade dos outros.

De uma só palavra: o sentido do vocabulário é dilogos, alguém que diga a verdade a outrem, que não seja dissimulado, dizendo uma coisa para um e outra pra outro. Homens que exercem liderança e agem como mediadores, devem ter uma só palavra.

Não devem nunca quebrar sua palavra, devem procurar sempre cumprir o que dizem, pois ao fazer isso, também recebem o respeito de pessoas que ouvem sua palavra.

Devemos sustentar nossa palavra, ainda que tomemos prejuízo e fiquemos em apuros, ainda que tenhamos que sofrer o dano e passar por dificuldades, precisamos procurar manter nossa palavra, ela não deve ser desacreditada por ambições e falhas em

alguma coisa que envolva nossa vida, ao contrário, os diáconos assim como todos os crentes, devem manter o que dizem. Na medida em que falarmos algo precisamos nos empenhar em poder cumprir, seja em nossas questões particulares, ou mesmo, no desempenho que realizamos no trabalho do Senhor.

Em Mt5.33-37, aprendemos com Jesus que nossa palavra precisa se fazer valer, é necessário que tenhamos uma só palavra, que cumpramos nossos compromisso e expressemos a verdade de nossos relacionamentos quando usamos de nossa língua, pois na medida em que mentimos e ficamos presos pelas mentiras e o descrédito que as pessoas darão a nossa palavra será muito forte.

Não inclinados a muito vinho: O sentido da palavra grega aqui, prosecho, significa; dar atenção a, voltar a mente para, dedicar-se a, as traduções todas, estão relacionadas ao envolvimento com aquilo que fazemos.

Nenhum cristão deve tender ao exagero da bebida, ao envolvimento e domínio que a bebida pode obter sobre sua vida. A idéia é de que um líder não pode ser dirigido, conduzido por este tipo de conduta, que certamente trará o desagrado de Deus sobre a vida da pessoa que age dessa forma. O líder não pode viver dominado, conduzido por nada que não seja a ação do Espírito Santo. 1Tm3.3; Ef5:18.

A bebida trás muitas desgraças para a família, faz mal a saúde, tira a seriedade e a sobriedade das pessoas, isso significa que o exagero da bebida, o descontrole em tomar algo, com certeza trará grandes conseqüências para o lar. Um oficial da igreja é alguém que não deve dar esse tipo de exemplo, em nenhuma hipótese. Is19:14.

Não cobiçosos de sórdida ganância: a tradução aqui, está relacionada com a cobiça pelo ganho, agir de maneira fraudulenta para se adquirir riquezas, dedicar a vida em busca de riquezas. O ofício seja de presbítero ou de diácono não deve basear-se no enriquecimento conforme muitas pessoas fazem no decorrer da história.

Em Tt1.7, veremos que ali o apóstolo faz a mesma advertência aos presbíteros para que tivessem todo o cuidado com o dinheiro para não ser tentados ao roubo e a corrupção. Devemos nos dedicar a glorificação ao nome do Senhor e não em busca de buscar o dinheiro em primeiro lugar. 1Tm6.9

A lista de recomendações feitas aos diáconos continua, e entra numa dimensão mais teológica agora, do que as questões éticas e culturais. E, portanto, vemos Paulo definindo algumas outras posturas que os diáconos precisam ter, relacionadas a Deus e ao próximo nesse instante.

1) conservando o mistério da fé. Percebam que o que é aqui chamado de mistério da fé, está relacionado com o conteúdo daquilo que nós cremos. Jd3, 1Co15.3-8, o cristianismo possui um corpo autoritário de regra prática que serve para nortear a vida do cristão, e na bíblia algumas vezes esse corpo é chamado de vários nomes. Referindo-se aqui, mais especificamente às Escrituras Sagradas Ef2.20, 2Jo9-10.

Paulo aqui está falando deste mistério da fé, palavra usada com a finalidade de referir-se à verdade revelada do evangelho Cl1.26, 2.2 e assim por diante. É provável que alguns líderes da igreja foram enredados por falsos ensinos, a ponto de abandonarem a verdadeira fé, que é a palavra de Deus, e por conta disso, Paulo adverte aqueles irmãos a guardarem, conservarem, protegerem o mistério, da fé.

Mistério por qual motivo? Pelo motivo de que não são as Escrituras e seu santo ensino compreendido e perceptível unicamente pela capacidade humana. As Escrituras e seu conteúdo, são revelações de Deus, o que significa que nenhum homem jamais poderá descobrir isso, por sua própria razão. Mt16.17.

Isso posto, temos a nítida certeza, de que, os diáconos tem acentuada a sua grande responsabilidade de conhecer as Escrituras com muita firmeza e segurança, para que ainda que sejam confrontados por ensinos e mensagens ultrajantes, possam, manter limpa a imagem do evangelho e da fé que professam.

2) consciência limpa. A idéia de alguns comentaristas aqui, é que a consciência desses irmãos deve estar limpa, pura por causa do sangue de Cristo, ou seja, com uma consciência vazia de qualquer ofensa e leviandade contra Cristo, tanto em direção a Deus, quanto em direção ao próximo.

A vida dos servos de Deus em geral e de maneira específica precisa voltar-se a uma vida de conversações adequadas e convenientes ao evangelho de Cristo, o mesmo evangelho que enfeita nossas conversas e palavras.  Cl3.8…

Prestamos contas em nossa vida, prestamos contas aqueles que nos olham, que nos observam, e o nosso exemplo deve cativar os outros a praticar aquilo que é bom, abandonando aquilo que é mal. 1Co11.1

A influencia que exercemos na vida das outras pessoas, é fundamental tanto para que o bom nome de Cristo seja exaltado, quanto também para que o bom nome de Cristo seja desonrado. E Deus nunca terá por inocente aquele que usa o nome de Deus em vão. Dt20.

Todos os crentes de maneira geral devem viver com a mais absoluta sensação de que suas vidas, é uma vida que se fundamenta no testemunho e na boa reputação que será um convite aqueles que nos observam e nos seguem, por isso, os diáconos precisam praticar atos bons, evitando sempre aquilo que pode manchar o bom nome de Cristo.

3) ser experimentados. Isto daqui é muito sério e se fosse praticado com mais intensidade evitaríamos muitos aborrecimentos. Infelizmente esse requisito nem sempre é seguido, o que acaba por gerar oficiais que ao invés de benção serão problemáticos na edificação e construção de uma igreja melhor.

A questão aqui, não é que eles deveriam ser testados já ordenados e dentro do ministério, e sim, deveriam ser provados antes, observados tanto em suas atitudes exteriores quanto em suas posturas internas por meio de seu caráter, e se eles mostrassem-se corretos eles seriam aprovados, escolhidos e chamados, e depois investidos 1Tm5.22.

Ninguém chega em uma empresa, a não ser em novelas e sem a mínima experiência logo alcança cargos de gerencia ou mesmo de direção. Ouvi uma história de um jovem cujo pai era um industrial, que para exercer o cargo elevado na empresa de seu pai, teve que passar até mesmo pelo cargo de faxineiro, para aprender a valorizar as pessoas sejam elas quem fossem.

Na igreja, pessoas para exercerem cargos de ofício precisam de uma observação mais apurada, e terem maturidade até mesmo se forem indicadas para algum desses cargos, entenderem que não é a hora, ninguém pode exercer cargo para brigar e reivindicar por classes ou por pessoas, essa nunca é a motivação correta, devemos sempre nos empenhar em buscar o reino de Deus e as coisas Dele antes que as nossas. 1Co1.10.

Nunca devemos fazer nada no reino de Deus, utilizando-nos da rebeldia de nossos desejos egoístas, ao contrário, a experiência e os anos e os testes, são necessários para prosseguirmos adiante no reino de Deus, servindo o Senhor da Igreja com total desprendimento como bons despenseiros de Deus 1co4.2.

4) Maridos de uma só mulher, é uma outra característica muito importante nos dias de hoje, vs12.  A poligamia, o adultério eram coisas  muito comuns naquela época, e o que Paulo está dizendo é que os homens que exercem cargo na igreja, não poderiam  na própria ter mais que um casamento.

Precisavam ser responsáveis quanto à suas posturas maritais, para jamais buscarem um casamento exceto em caso de adultério ou viuvez. A incidência entre os judeus de casos de adultério eram bem intensos, mas o que vemos aqui, é que as qualificações de um diácono passa pela perspectiva de uma vida de exemplo familiar.

Dentro da cultura egípcia, de acordo com John Gill, os sacerdotes casavam-se e trocavam de esposas com muita naturalidade e sem o mínimo de receio, mas numa perspectiva cristã, onde a ética é orientada pela palavra de Deus, devemos fazer o máximo de esforço possível para tratarmos nossa esposas e considerarmos o casamento como uma instituição divina para a glória de Deus e a santidade humana.

Em 3.2 quando Paulo já avisa sobre as questões do casamento e a responsabilidade de cuidar de sua esposa e de sua proteger a sua aliança, Timóteo recebe do apóstolo a ordem qualificadora, que serviria para eliminar a perda de padrão na própria vida dos oficiais.

Ser marido de uma só mulher está relacionado a honra da família, a castidade e pureza da vida, ao respeito e a santa disciplina que poderemos exercer e conviver em nossas casas sendo exemplo aos nossos próprios filhos da importância de seguirmos a palavra de Deus na construção de nossos lares e na edificação e solidez das nossa famílias cristãs.

Como um filho honrará seu pai e sua mãe se estes não servem como exemplos e não são padrão para sua prole? O mandamento de honrar pai e mãe não faz restrições a forma com que isso deve acontecer. O mandamento não diz que essa honra é motivada por ações positivas que nossos pais desempenham por nós, mas é uma honra incondicional Dt20.5.

Por outro lado, em Cl3.21, Paulo observa o quanto é necessário que os pais também não irritem seus filhos para que estes não vejam em seu pais exemplos negativos e distorcidos da palavra de Deus. Portanto todo cuidado é pouco quando a questão é família pois devemos manter o pacto firmado em nossos casamentos se quisermos servir de exemplo a partir de nossas casas.

Eles se relacionariam com vários tipos de gente, inclusive mulheres e algumas delas jovens, e precisavam ser moralmente íntegros em suas atitudes para jamais agirem com suspeitas de ninguém.

5) Governe bem seus filhos e a própria casa, ao marido cabe a responsabilidade de exercer sua função de cabeça de sua casa. O governo de seu lar, é uma demonstração do compromisso que o oficial tem de testemunho de sua própria casa.

O decoro em sua família o respeito de seus filhos, um convívio pacifico e harmonioso com todos os membros de sua casa, são reflexos do compromisso que se tem com Deus.

Os filhos devem obediência a seus pais, precisam aprender isso e nunca devem desrespeitar e jogar na responsabilidade dos pais os atos errados que eles praticam. Em nossa casas nossos filhos nos observam, fazem o que fazemos, agem e ficam a nossa espreita para ver se praticaremos aquilo que os mandamos fazer.

Um autoridade firme, um governo forte, não é aqueles que ameaça e obriga as pessoas fazerem o que quisermos sem a preocupação se aquilo que mandamos é aquilo que vivemos, ao contrário, nossa palavras engrossam as fileiras não pela força, mas pela autoridade experiencial que os nossos vêem em nós.

Por isso, governar bem os filhos e a casa, é ter sob controle aquilo que acontece tanto no âmbito moral, quanto no financeiro e espiritual. Precisamos retomar atividades espirituais em nossa casa. Il Pergunta sobre o que fazer para educar os filhos, devocional.

Creio que o exemplo negativo de Davi, de Eli ou de Rebeca, só servirão para nos mostrar o que devemos abolir de nossas casas e famílias, quando quisermos que o governo de nossa casa, descanse sob o controle daquilo que agrade a Deus. Os diáconos tinham uma tarefa muito peculiar e difícil pela frente, e ser exemplo dentro de casa, já seria uma grande tarefa a ser perseguida no percurso da realização legal e correta de seu ofício.

Uma pessoa que trabalharia na dispensa do Senhor, como seu guardião, deveria também, ter controle das coisas que acontecem dentro de sua própria casa. E como cabeça de seu lar, mostrar à sua casa o quanto, é fundamental ter controle sobre suas finanças e prioridades.

6) Os que desempenharem bem, alcançam preeminência e intrepidez. Essas palavras são muito significativas e retratam a necessidade que temos em servir a Deus com absoluta inteireza de coração, sabendo que para Deus sempre devemos caminhar em busca daquilo que é o melhor.

O bom desempenho do serviço a Deus, é algo inegociável e sem o mínimo de recompensa paga por qualquer quantia de dinheiro nosso. Se quando desempenhamos bons papeis naquilo que fazemos, quando reconhecem nossas capacidades, recebemos por mérito e conseguimos aumento de salário e um adicional aqui e outro ali.

Quando fazemos para Deus as coisas, podemos ter a certeza de que o Senhor nos recompensará em muito mais. Ele se agrada em fazer isso pelos seus servos. A palavra preeminência pode ser traduzida por coragem, e está coragem está ligada ao testemunho dado ao nome de Cristo, sendo que aqueles que o confessam, são grandemente abençoados por Deus Mt10.32.

Ter coragem para usar o ofício para o bem, numa correção sabia e verdadeira, sem influencias pressupostas, sempre levarão homens sérios que zelam pelo bom andamento dos trabalhos de Deus a tomar direção que agradem a Deus e também ao seu próximo.

E essas palavras também passam a idéia de incentivo e satisfação para os oficiais que desempenham bem seus papeis na história do serviço ao seu Senhor. Por isso assim como os próprios irmãos diáconos Estevão e Felipe não negaram a Cristo em nenhuma situação, que nós testemunhemos e agrademos ao Senhor buscando executar bem o papel de servos.

 

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