Amyraldianismo

O que se segue aqui é um pequeno resumo a respeito de uma doutrina que tem estado presente no meio da Igreja Reformada a muito tempo e que precisa ser repensada e analisada.

Chama-se Amyraldianismo, o sistema criado por Moisés Amyraut, um teólogo Francês (1596-1664), que também recebe o nome de Predestinação Universal Hipotética, Universalismo Hipotético, Post-Redencionista, Universalismo Hipotético da divina graça.

Amyraut se considerava um genuíno intérprete de Calvino e sustentava a idéia de que Deus em Cristo, proveu a salvação para todos, todavia só serão salvos aqueles que se apropriarem da salvação pela fé, que é um dom de Deus.

No seu sistema há uma síntese entre o Universalismo e o Particularismo. Na realidade a sua formulação não passa de um modo semi-calvinista de compreender a obra expiatória de Cristo.

Uma forma de expor este pensamento é: A Salvação é suficiente para todos e eficiente para os que crêem. Estas palavras são provenientes da compreensão dos Agostinianos, que diziam que a morte de Cristo foi suficientemente para todos, eficientemente somente para os eleitos. Por certo muitos de nós já ouvimos esta afirmação em nosso meio, a qual tem sido difundida como puro calvinismo.

B.B.Warfield(1851-1921), chama este Calvinismo de inconsistente. Isto porque, segundo a lógica do raciocínio desta teoria, teríamos que admitir que Deus mandou seu Filho morrer por todos, desejando, todavia, salvar apenas alguns, ou pelo menos sabendo que alguns seriam salvos.

Lewis S. Chafer (1871-1952) faz deste pensamento que ele chama de redencionista ilimitado , a morte de Cristo por  si mesma, não salva ninguém, nem real nem potencialmente, senão que faz a todos os homens salváveis; deste modo, a salvação é realizada somente por Deus no momento em que o indivíduo crê.

Seguindo este raciocínio, teríamos que admitir que a salvação é apenas uma possibilidade, não uma realidade concreta. Devemos ter em mente, que a salvação de Cristo não é abstrata, antes é para um povo específico, para uma realidade concreta.

J.I.Packer, expõe bem o pensamento Bíblico-Reformado quando declara: “Cristo não obteve uma salvação hipotética para crentes hipotéticos, uma mera possibilidade de salvação para qualquer indivíduo que quisesse crer. Antes proveu uma salvação real para todo o seu povo escolhido”, O Antigo Evangelho, S.P., Fiel 1986. Ver também Confissão de Fé de Westminster x. 1 e Catecismo Maior, perguntas 67 e 68.

Portanto a teoria de Amyraut nada mais é do que uma tentativa de síntese do Calvinismo com o Arminianismo. Amyraut encontrou forte oposição entre muitos teólogos Reformados da França, Suíça e Holanda.

Ele foi processado por heresia em três Sínodos nacionais, Aleçon 1637, Charenton 1644-45 e Loudun 1659, obtendo posteriormente a absolvição. Onze anos após sua morte, a sua teologia foi condenada na Formula Consensus Helvética, 1675, a qual negava a expiação universal.

Esta Formula, foi a última Confissão doutrinária da Igreja Reformada na Suíça, encerrando o período de credos Calvinistas. Ela tem sido chamada de Anti-Amyraldensis. Esta Formula teve como um de seus elaboradores, o grande teólogo do século XVII, Francis Turrentini.

Devemos deixar claro, que o que se trata e o que se enfatiza na obra expiatória de Cristo, não se refere ao seu poder, pois se caso fosse esta a questão, não haveria dúvidas em afirmar a  suficiência do sacrifício de Cristo para salvar a todos os homens; antes o que estamos tratando (e temos tentado ser fiéis a Sagradas Escrituras) é que o jogo das palavras, suficiência e eficiência, desloca o foco da questão. Não discutimos o alcance do poder da morte expiatória de Cristo, mas sim o seu objetivo. Por isso, é necessário ter em mente e reafirmar sempre, que Cristo morreu para salvar os seus, deste modo, Sua morte é suficiente e eficaz para salvar todo o Seu povo e somente seu povo, conforme seu decreto eterno.

Vd. IS53.10-11; MT1.21; JO6.37-40,44,65; JO10.14-15, 24-29; JO17.6-26; RM5.12-21; EF5.25-27.

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma Resposta