Ensina-me a amar a tua igreja, ó Deus!

Certa vez, o grupo de música da igreja Batista da Alagoinha esteve cantando no “Domingão do Faustão”. Graças a Deus, há muitos anos não assisto este programa, mas tive a curiosidade de assistir na internet especificamente o vídeo que mostrava o momento em que a Ana Paula Valadão, líder do grupo, foi entrevistada pelo Faustão.

Entre muitas das bobagens que esta senhora falou, teve uma que me chamou a atenção. Ao ser questionada sobre usos e costumes nas igrejas evangélicas, ela disse com um imenso sorriso de felicidade que o evangelicalismo atual é bastante diversificado, sendo assim, “você pode encontrar a igreja que combina com você”. A partir deste raciocínio, surgem então algumas perguntas em nossa mente. A primeira delas é se não existe um padrão ou modelo de igreja que agrada a Deus estabelecido pelo próprio DeusA segunda pergunta é sobre o propósito da igreja, a quem ela deve agradar? Aos homens ou a Deus?

Tenho observado que nos últimos anos as pessoas estão perdendo o respeito, a paixão e o amor pela instituição igreja; cada vez mais se perde o vínculo institucional e denominacional, as pessoas mudam de igreja como se estivessem mudando de roupa e o mais triste em tudo isso é que o critério que elas utilizam para trocar de igreja ou denominação não é a busca pelo conhecimento bíblico, exatamente porque a igreja deixou de ser um local onde se reúne para adorar a Deus e conhecê-lo através de Sua Palavra, mantendo comunhão com Cristo e com os irmãos na fé. Infelizmente grande parte das igrejas virou consultórios psicológicos que procuram apenas resolver os problemas temporais e emocionais de seus membros.

As nossas igrejas estão descaracterizadas do modelo de igreja que Cristo instituiu no Novo Testamento, são carregadas de tradições humanas, crendices, superstições, resquícios do Catolicismo Medieval e até mesmo elementos do Espiritismo Cardecista. A igreja atual é marcada por uma profunda ignorância das Escrituras, pela dramatização dos cultos e práticas secularizadas e ocultistas. É o sabonete santo, é a rosa que cura, é o óleo que liberta; sem falar das mais diversas campanhas de todos os tipos para todos os bolsos e gostos pessoais.

Como se isso não bastasse, algumas pessoas querem ser crentes sem frequentar uma igreja. Querem ser cristãs, mas não querem compromissos com a igreja de Cristo. E outros, na busca por novidades, se esquecem de usar critérios racionais e bíblicos para avaliarem aquilo que ouvem. Por isso, são seduzidos a entrar em qualquer porta, se assentar em qualquer banco da primeira igreja que encontrar pela frente. É comum ouvirmos frases do tipo “você não precisa frequentar uma igreja para ser um Cristão” ou “a igreja que você frequenta não tem importância, o que realmente importante é se você serve a Deus” e, ainda, “Deus não esta em placas de igreja”. Frases que tentam nos convencer de que não importa qual igreja frequentamos para servir a Deus. Mas será que realmente a denominação ou a igreja que você frequenta não importa? Será que Cristo é verdadeiramente glorificado em todas as igrejas que se dizem “evangélicas” espalhadas pelo mundo? Será que o só dizer que prega a Cristo é suficiente para chamarmos de irmão na fé? Será que toda igreja evangélica é bíblica?

É verdade que Jesus não deixou uma igreja institucionalizada aqui neste mundo. Todavia, ele disse algumas coisas sobre a igreja que levaram seus discípulos a se organizarem em comunidades ainda no período apostólico e muito antes de Constantino. A igreja deveria ser edifica sobre a pessoa de Cristo e tudo aquilo que se desviar da verdade de Cristo é qualquer coisa, menos igreja de Cristo, pois existe uma ligação estreita, orgânica e indissolúvel entre Cristo e sua igreja (Mt 16.15-19; 1Pd 2.4-8). E os seus discípulos deveriam se reunir em igreja regularmente para comer o pão e beber o vinho em memória dEle (Lc 22.14-20), pregando o seu evangelho a todas as nações em todo o mundo, fazendo discípulos, batizando-os, ensinando-os a aguardarem tudo o que Ele havia mandando. Assim, a conclusão que chegamos é que:

  1. Cris­tianismo sem igreja não existe. Pode ser até outra religião, composta de pessoas que são incapazes de levarem cativos seus pensamentos à obediência de Cristo, mas não Cristianismo.
  2. Existe um modelo bíblico de igreja e alguns elementos precisam ser evidentes nas igrejas que confessam o nome de Cristo. O primeiro deles é a pregação fiel das Escrituras, o segundo é a ministração correta dos sacramentos e o terceiro a aplicação efetiva da disciplina. Nenhuma igreja pode ser chamada de igreja de Cristo se não existir compromisso com esses princípios norteadores;
  3. Precisa ficar claro que somos os verdadeiros templos de Deus e que a igreja de Cristo é principalmente uma igreja invisível; contudo não podemos menosprezar a instituição igreja que Ele deixou para que nos reuníssemos em adoração a Ele.
  4. Não podemos fazer de nossa igreja uma feira livre, temos que nos conscientizar da importância do templo físico, pois ele é um local para adorar e prestar culto ao Deus verdadeiro. Sendo assim, silencie-se ao entrar no templo, procure aproveitar todos os momentos para ler a Bíblia e ao orar a Deus que está presente. E você que é Pai ensine o seu filho a ter reverência e a se comportar ao entrar na igreja, no templo não é lugar de brincar, de correr, de gritar é local de adorar reverentemente ao Deus vivo.
  5. Seja comprometido com a sua igreja, não seja um telespectador, mas se envolva no trabalho do Senhor, sirva a igreja de Deus com os seus dons, talentos e recursos financeiros.

Rev. Eurípedes de Araújo Dantas

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