Eu sou a ressurreição

Falar a respeito da ressurreição creio que seja um dos maiores e mais consoladores temas de todo o cristianismo, isso, pelo fato de que, a ressurreição é o ponto fundamental do ensino a respeito da exaltação da pessoa do nosso Senhor e Cristo. A exaltação de Cristo é marcada pela ressurreição, ascensão, e a destra de Deus. Essas três coisas, são fatores que evidenciam a glória da grandeza de nosso Redentor e Rei e que ao mesmo tempo, aponta para a obra terminada, finalizada e concluída em relação à salvação de seu povo eleito e o que foi feito em beneficio daqueles por quem Cristo morreu.

O ponto da exaltação de Cristo, portanto, pode ser visto dentro desses três atos, assim como o estado de humilhação também pode ser observado da seguinte maneira: crucificação, morte, sepultamento e descida ao Hades. O contraste desse estágio, portanto, é o de exaltação, que marca a demonstração histórica e real da glória de nosso Senhor e Rei Jesus. Assim como Cristo ressuscitou dentre os mortos, aqueles que o amam e o seguem, também não devem temer a morte mais, pois Cristo a venceu. Em 1Co 15.3,4, a palavra de Deus deixa claro a ideia de que Cristo morreu, cumprindo as escrituras, depois ressuscitou de acordo com as escrituras e isso foi tão certo e real, que irmãos como Pedro e os doze, de acordo com o v5, viram o nosso Cristo ressurreto.

E no decorrer do texto, observamos que se Cristo ressuscitou, jamais devemos nos amedrontar com a morte ou pensar que ela seja um fim em si mesmo, pois a própria Palavra do Senhor nos mostrar claramente que, se Cristo ressuscitou, também nós, seus servos e irmãos, ressuscitaremos. Vejam o v52 de 1Co 15: “num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados.”.

O que nos aguarda é a gloria, uma glória conquistada por Cristo, que tira o pavor e o medo do desespero de nossa vida. Se nossa esperança se resume ao que vemos, somos tão infelizes quanto miseráveis, por não conseguirmos visualizar nada de bom e esperançoso do cristianismo e, ainda assim, vivermos nele. Jesus é a ressurreição, por isso, ainda que a dor e o sofrimento causado pela morte sejam intensos, eles podem e devem ser derrotados por aquele que venceu a morte, Jesus Cristo, o Senhor Ressurreição. O significado de Páscoa na cultura judaico cristã aponta nessa direção. Antes de o povo de Israel ser liberto do poder opressor e dominador do Egito, Deus mandou dez pragas sobre aquela poderosa nação com o objetivo de que eles libertassem seu povo. A última praga tinha relação com a morte e seria a morte de todos os primogênitos do Egito. Tudo que tivesse nascido primeiro seria exterminado como demonstração do juízo de Deus sobre um povo rebelde e opressor. Essa história está relatada em seus detalhes em Êx 12 e creio que seja importante a leitura dela. No entanto, o anjo da morte que passaria sobre o Egito numa noite tenebrosa e amedrontado, e que ficaria para sempre marcada na história das nações, não mataria aqueles que tivessem a marca do sangue em suas casas, a marca do sangue de um cordeiro que simbolizava o sangue substitutivo de um animal em lugar do homem.

Todos os de Israel fizeram isso, passaram sangue por cima de suas cabeças, pois era esse o sentido e significado para o qual o sangue apontava. Foi instituída a Páscoa como um sinal de libertação e passagem do povo de Deus para uma outra realidade de vida em sua história. O povo não morreu porque alguém morreu por ele, o povo não padeceu, pois alguém fez um pacto com esse povo, o povo passou para uma nova realidade de vida, deixando a escravidão do deserto e indo para Canaã, terra de Deus.

Alguns aspectos de Cristo como sendo a ressurreição, apontam claramente para a ideia finalizada de Páscoa, que evidencia exatamente todos os benefícios que Cristo nos forneceria. Cristo é a ressurreição e, portanto:

  1. Seu sangue passado sobre nós nos livra da morte. A morte já não precisa ser vista como amedrontador e terrível sobre os filhos de Deus, Cristo derramou seu sangue sobre nós.
  2. Somos parte de seu povo, Deus esta pactuado com seu povo, portanto, o povo de Deus, ainda que passe momentos de angústia e dor, O Senhor é quem nos socorre. Assim como Deus fez no Egito, indo ao amparo de seus servos, Cristo veio para nos amparar da mesma forma.
  3. A Páscoa antiga apontava para um lugar de descanso do povo de Deus, uma terra em que o povo de Deus viveria sem que houvesse escravidão e nem mesmo choro. Em Cristo, a ressurreição nos aponta para um lugar assim, pois há uma terra que nos aguarda, uma terra em que dor e sofrimento não mais existirão, e os servos de Deus devem aguardar isso, com expectativa e esperança. Fomos redimidos da terra amaldiçoada com a morte e a tristeza para irmos a uma terra de paz e gozo em que a morte já não mais existirá.
  4. Deus cuida de Seu povo. O povo de Deus nunca precisa preocupar-se com nada, pois Deus, o Senhor, é quem os alimenta, guarda e protege de seus inimigos. O povo de Israel esperou mais de 400 anos pela redenção e ela veio, assim, os servos de Deus podem descansar de suas fadigas e tristezas na esperança de que um dia, tudo isso, com seus efeitos pecaminosos também deixarão de existir.

Cristo é a ressurreição. E a compreensão disso é graça de Deus, uma graça que nos dá prazer e descanso, ainda que os momentos não sejam tão favoráveis, ainda que sejamos marcados pela dor e decepção, sendo Cristo a ressurreição, podemos ter a certeza de que dias melhores virão.

Que a ideia de ressurreição neste dia em que se comemora a libertação do povo de Deus nos ajude a viver para honrar nosso Redentor.

Rev. Nelson G. Abreu Júnior

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