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	<title>Igreja Presbiteriana Betânia</title>
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		<title>Teoria da Substituição Penal</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Jul 2011 01:46:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rev. Nelson</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estudos]]></category>

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		<description><![CDATA[A teoria da substituição penal é o ponto de vista sustentado pelos teólogos de linha reformada, que dessa forma explicam o significado da morte de Cristo. De acordo com essa perspectiva, declara-se  que Cristo suportou em nosso lugar a total penalidade que deveríamos pagar. Sua morte vicária, totalmente em favor dos outros, significa que Ele [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A teoria da substituição penal é o ponto de vista sustentado pelos teólogos de linha reformada, que dessa forma explicam o significado da morte de Cristo. De acordo com essa perspectiva, declara-se  que Cristo suportou em nosso lugar a total penalidade que deveríamos pagar. Sua morte vicária, totalmente em favor dos outros, significa que Ele sofreu, não meramente para nosso benefício ou vantagem, mas no nosso lugar.</p>
<p>Essa nomenclatura substituição penal, não aparece no contexto geral das Escrituras, mas é possível entende-la claramente a partir das Escrituras. H.D. Mcdonald esclarece o seguinte a respeito disso: “Portanto percebemos que Cristo representa o caráter do pecador criminoso enquanto, ao mesmo tempo, sua inocência resplandece e torna-se manifesto que ele sofre pelo crime de outro e não pelo seu próprio”.<a href="#1"><sup>[1]</sup></a><a name="1b"></a></p>
<p>É possível observarmos alguns textos bíblicos que nos darão essa idéia para que compreendamos melhor a luz da palavra de Deus a importância de se crer dessa forma. Is.53.1-14; Rm5.5,8; Gl3.13.</p>
<p>A culpa que nos tornou sujeitos à punição foi transferida para o filho de Deus. Todavia, ele mesmo não tinha pecado algum, Jesus morreu como o único culpado sem ter pecado nenhum, o próprio Pilatos condenou-o reconhecendo que Ele não tinha nenhuma falta.</p>
<p>Após uma rápida abordagem nas teorias da Expiação, vejamos agora o que ela significa e o por quê foi necessário que Cristo morresse, qual a causa da expiação, é esse um conceito bíblico?</p>
<h3>Explicação e Base bíblica.</h3>
<p>Podemos definir expiação como: <span style="text-decoration: underline;">a obra que Cristo realizou em sua vida e morte para obter nossa salvação. </span>Essa definição indica que usamos a palavra expiação num sentido mais amplo em que às vezes é utilizado. Ela é usada para demonstrar que Jesus fez muito mais do que morrer e pagar os nossos pecados na cruz, mas também que ele adquiriu benefícios salvíficos magníficos por meio de sua morte.</p>
<h3>Causa e Necessidade da Expiação.</h3>
<p>O amor livre e soberano de Deus foi quem O levou a enviar Jesus seu Filho para pagar a nossa dívida. Esse amor é nascido na vontade soberana de Deus, a atitude de Deus em salvar pecadores é o produto de seu prazer cheio de amor. Cl1.19-23; Gl1.3-4; Ef1.4-5; Is53.10-12.</p>
<p>Mais não se pode perder de vista o seguinte, que o amor de Deus, não pode ser dissociado de Sua Justiça santa. A Escritura Sagrada nos mostra mais abrangentemente que a vontade de Deus, salvar pecadores com uma expiação substitutiva, estava alicerçada no amor e na justiça de Deus. Foi o amor de Deus que providenciou um meio de livramento para os pecadores perdidos serem justificados por intermédio de Cristo. Jo3.16; Rm5.1, o que percebemos é que tanto o amor quanto a justiça de Deus, foram a causa da expiação. Rm3.26; Rm3.24,25.</p>
<h3>Necessidade da Expiação.</h3>
<p>Havia outra maneira de Deus salvar os seres humanos além de mandar seu Filho para morrer em nosso lugar? Antes de responder esta pergunta é preciso dizer que Deus não tinha necessidade nenhuma de salvar ninguém. Deus se basta, Deus é Auto-Suficiente, não precisa dos homens para nada.</p>
<p>Percebam que quando os anjos pecaram, Ele não os poupou do castigo, ao contrário, precipitou-os no abismo de fogo, no inferno. 2Pe2.4. Como fez com os anjos poderia ter feito conosco, e ainda assim nada de errado teria havido com Sua justiça.</p>
<p>Deus poderia ter escolhido não ter salvado ninguém e olhando por esse lado, a expiação não era absolutamente necessária.</p>
<p>Por outro lado, uma vez que Deus, em seu amor, decidiu salvar alguns seres humanos, então várias passagens nas Escrituras indicam que não havia outra maneira de Deus salvar, senão através da morte de Seu Filho.</p>
<p>Portanto a expiação não era absolutamente necessária, mas como conseqüência da decisão divina de salvar alguns homens, a expiação era absolutamente necessária.</p>
<p>John Murray ajuda-nos nessa questão dizendo: “Em uma palavra, embora não fosse inerentemente necessário que Deus salvasse, todavia, desde que a salvação foi propositada, era necessário assegurar esta salvação através de uma satisfação que pudesse ser realizada somente através de um sacrifício substitutivo e uma redenção adquirida por meio de sangue”.<a href="#2"><sup>[2]</sup></a><a name="2b"></a></p>
<p>Portanto vemos que seria impossível para Deus salvar os homens senão por meio desse decreto eterno de enviar seu Filho Jesus. Isso não nos faz limitar Deus de alguma forma, ao contrário fazendo assim mostramos que aquilo que significa não poder para Deus, é para Sua glória e Santidade. <strong>Ex: Deus não pode mentir, Deus não pode agir contra as Palavra, e conseqüentemente Deus não pode salvar o homem sem que Cristo viesse para morrer por ele.</strong><strong></strong></p>
<p>Novamente cito John Murray para nos esclarecer o seguinte: “&#8230;a Escritura nos fornece evidências ou considerações pelas quais podemos concluir que esta é uma das coisas impossíveis ou necessárias para Deus; impossível que ele salve pecadores sem sacrifício vicário e inerentemente necessário, portanto a salvação, livre e soberanemente determinada, seria realizada somente pelo derramamento do sangue do Senhor da glória”.<a href="#3"><sup>[3]</sup></a><a name="3b"></a> Ver Hb2.10,17; Hb1.1-3;2.9-18; 9.9-14,22-28.</p>
<p>O que a lei foi incapaz de fazer por causa da enfermidade de nossa natureza, Deus fez por meio de Cristo, a perdição eterna à qual todos os homens estavam expostos e o remédio dado por Deus em Cristo, como prova de Seu amor, indicam que não havia outra alternativa para a salvação do pecador, senão pela morte expiatória de Jesus, e isso porque Deus determinou fazer dessa maneira. 1Pe1.19.</p>
<h3>A Natureza da Expiação.</h3>
<p>Ao tratarmos da natureza da expiação, convém tentar descobrir alguma categoria abrangente sob a qual os vários aspectos do ensino bíblico possam ser agrupados.  Aqui procuraremos considerar tanto a obediência de Cristo, quanto alguns termos que a Escritura Sagrada expõe com referência à obra expiatória de Cristo tais como: Sacrifico, propiciação, reconciliação e redenção. Analisando também o uso das preposições gregas nesse particular.</p>
<p>A Bíblia considera a obra de Cristo em termos de obediência, e emprega este termo ou conceito que ele envolve com uma freqüência suficiente para justificar a conclusão de que esta obediência é genérica, e, portanto bastante abrangente, a ponto de ser vista como o princípio que unifica ou integra.</p>
<p>Ao olharmos para Is53, vemos naquele texto singular do V.T., que ele delineia todo o curso da expiação de Cristo, mostrando-o, com um papel impar de servo sofredor. Is52.13. Jesus mesmo define o propósito de sua vinda ao mundo em termos que transmitem precisamente a conotação de servo. Jo6.38; Jo110.17,18; Rm5.19; Fl2.7-8; Gl4.4; Hb5.8-9; 2.10.</p>
<p>Esta obediência de Cristo tem sido constantemente qualificada como <strong>obediência passiva </strong>e <strong>obediência ativa. </strong>Vejamos o que isso significa.</p>
<p><strong>Obediência ativa: </strong>Tenhamos o seguinte em mente; se Jesus tivesse conseguido só o perdão dos pecados por nós, não mereceríamos o céu. Nossa culpa teria sido removida, mas estaríamos simplesmente na posição de Adão e Eva antes de terem feito qualquer coisa boa ou má e antes de terem passado um tempo de provação com sucesso.</p>
<p>Para serem estabelecidos em justiça para sempre e terem assegurada a sua eterna comunhão com Deus, Adão e Eva tinham de obedecer a Deus de modo perfeito por um período de tempo. É necessário que o homem seja encontrado justo diante de Deus, para merecer a vida eterna, porém isso lhe é impossível por causa de sua incapacidade de obedecer a Deus plenamente.</p>
<p>Cristo por sua vez fez isso, Jesus tinha de viver uma vida perfeita de obediência a Deus a fim de que pudesse obter justiça por nós. Cristo tinha de obedecer à lei ao longo de toda a sua vida por nós, de modo que os méritos de sua perfeita obediência fossem contados em nosso favor. Fl3.9.</p>
<p>O apóstolo Paulo sabia que o que ele precisava era de uma justiça moral positiva, e isso não podia vir dele mesmo, mas somente por intermédio de Jesus. 1Co1.30. Rm5.19.</p>
<p>Cristo não morreu ‘simplesmente’ por nossos pecados, ele fez muito mais do que isso, ele guardou todos os princípios da lei de Deus, não tropeçando em nenhum deles para assim oferecer justiça diante de Deus por nós. Grudem nos mostra isso dizendo:</p>
<blockquote><p>“Alguns teólogos não têm ensinado que Cristo precisava manter um registro vitalício de obediência perfeita por nós. Têm enfatizado apenas que Cristo tinha de morrer e, dessa forma, receber o castigo pelos nossos pecados. Mas tal posição não explica de modo adequado por que Cristo fez mais do que apenas morrer por nós; ele também se tornou nossa justiça diante de Deus. Jesus disse a João Batista, antes de ser batizado por ele: <em>convém cumprir toda a justiça </em>Mt 3.15”.<a href="#4"><sup>[4]</sup></a><a name="4b"></a></p></blockquote>
<p>Se Cristo não tivesse prestado uma obediência ativa, a própria natureza humana de Jesus teria ficado aquém das justas exigências de Deus, e Cristo não teria competência para fazer expiação a favor de outros.</p>
<p>Jesus não tinha nenhuma necessidade de viver vida de obediência perfeita para Seu próprio bem, ele havia compartilhado amor e comunhão com o Pai  por toda a eternidade e era o seu próprio caráter eternamente digno da boa vontade e deleite do Pai. Então por que é que Jesus teve de colocar-se como cumpridor de todos os princípios da lei?</p>
<p>Por nossa causa, para cumprir aquilo que não pudemos fazer, para fazer por nós o que não temos competência para fazermos por nós mesmos. Se ele não tivesse obedecido por nós, jamais poderíamos receber o favor de Deus. Rm10.3-4; 8.3-4; 2Co5.21.</p>
<p><strong>Obediência Passiva: </strong>Além obedecer à lei de modo perfeito por toda a sua vida em nosso favor, Cristo tomou também sobre si mesmo os sofrimentos necessários para pagar a penalidade pelos nossos pecados.</p>
<p>Num sentido mais amplo, a pena que Cristo suportou ao pagar nossos pecados foi um sofrimento tanto em seu corpo como em sua alma ao longo de toda a sua vida aqui na terra. Embora os sofrimentos de Cristo tenham culminado em sua morte sobre a cruz, toda a sua vida num mundo caído envolveu sofrimento.</p>
<p>Os sofrimentos de Cristo não lhe sobrevieram acidentalmente, nem como resultado de circunstâncias puramente naturais. Foram lançados judicialmente sobre ele como nosso representante que  foi. E portanto não ocorreram no âmbito do imaginário, ao contrário foram sofrimentos reais e penais.</p>
<p>A obediência passiva refere-se, ao ato de Cristo ter sofrido por nossos pecados, mas de modo específico, refere-se à sua morte judicial e representativa na cruz. A obediência passiva não quer dizer que ele tenha sido derrotado, destruído, vencido pela morte, mas sim que Ele deixou-se morrer, cumprindo dessa forma o plano previamente estabelecido por Deus. Jo10.17-18.</p>
<p>A palavra passiva não deve ser entendida como significando passividade pura em tudo o que aconteceu a Ele, mas significa que Ele não reagiu contrariamente ao que veio sobre si mesmo, no clímax do Seu castigo substitutivo, porque ele veio justamente para isso.</p>
<p>Foi pela obediência que ele garantiu a nossa salvação, porque foi pela obediência que ele realizou a obra que a garantiu. A obediência passiva de Cristo pode ser vista em passagens como essas: IS53.6; Rm4.25; 1Pe2.24; 3.18; 1Jo2.2.</p>
<p>Como John Murray belissimamente disse: “Obediência, pois, não é algo que pode ser concebido de forma artificial ou abstrata. É a obediência que atraiu todos os recursos da sua humanidade perfeita, obediência que residia em sua pessoa, e obediência da qual ele é eternamente a incorporação perfeita. A obediência encontra nele a sua virtude e eficácia permanentes. E nós tornamo-nos os beneficiários dela, de fato participantes dela, em virtude de nossa união com ele. É isto que serve para fazer conhecida a importância daquilo que é a verdade central de toda a soteriologia, a saber, união e comunhão com Cristo”.<a href="#5"><sup>[5]</sup></a><a name="5b"></a></p>
<p>A .A .Hodge, também tem muito a colaborar conosco ao dizer o seguinte: “Cristo, por sua obediência e morte, pagou plenamente a dívida de todos aqueles que são assim justificados e fez uma satisfação consumada, real e plenária à justiça de seu Pai no interesse deles”.<a href="#6"><sup>[6]</sup></a><a name="6b"></a></p>
<p>Com isso devemos entender o seguinte; a obediência passiva se refere à penal e a obediência ativa à preceptiva. A obediência de Cristo foi vicária no sentido de que ele carregou todo o juízo de Deus derramado sobre o pecado, e foi vicária no pleno cumprimento das exigências da justiça. A sua obediência tornou-se a base da remissão do pecado e da verdadeira justificação.</p>
<p>Analisemos agora algumas outras categorias específicas por meio das quais a Escritura revela a natureza da expiação.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Sacrifício.</span></p>
<p>Que a obra de Cristo deva ser interpretada como um sacrifício é o ensino claro do NT, e a pergunta é esta: qual a noção de sacrifício que governa o uso abrangente deste termo em sua aplicação à obra de Cristo? Para respondermos esta pergunta precisamos saber qual o conceito ou a noção de sacrifício adotada pelos proclamadores e escritores do NT, conjuntamente a essa pergunta devemos fazer outra que também vai nos clarear a compreensão de forma maior. Qual o conceito veterotestamentário  de sacrifício?</p>
<p>Essa pergunta tem suscitado muita discussão no meio teológico, mas podemos afirmar confiantemente que; <span style="text-decoration: underline;">os sacrifícios veterotestamentários foram basicamente expiatório. </span>Isto significa que eles se referiam ao pecado e à culpa.</p>
<p>John Murray colabora dizendo: “O sacrifício foi a provisão divinamente instituída por meio da qual o pecado podia ser encoberto e a sujeição à maldição e ira divinas removidas”.<a href="#7"><sup>[7]</sup></a><a name="7b"></a></p>
<p>Isso significa que quando o adorador veterotestamentário trazia ao altar a sua oferta, a sua pessoa era substituída por um animal como vítima e pela imposição de mãos sobre a cabeça da oferta, o ofertante transferia simbolicamente para a oferta o seu pecado e sua responsabilidade. Este é portanto o ponto central no qual a transação era realizada.</p>
<p>Murray esclarece isso dizendo: “A noção em essência estava no fato de que o pecado do ofertante era imputado à oferta, e esta recebia a pena de morte como resultado. Ele era como que o pára-raio substitutivo da penalidade ou responsabilidade que o pecado merecia”.<a href="#8"><sup>[8]</sup></a><a name="8b"></a></p>
<p>Todas essas ofertas oferecidas no VT, eram apenas sombras e figuras. Contudo, a noção de expiação é evidente, e esta significação expiatória fornece a base para a interpretação do sacrifício de Cristo. A obra de Cristo é expiatória, sem dúvida expiatória com uma transcendente virtude, eficácia e perfeição que nunca poderia aplicar-se a novilhos e cabritos, porém expiatória segundo as figuras apresentadas no sacrifício ritual do VT.</p>
<p>Para Deus, isto significa que no grande e imaculado sacrifício que Cristo ofereceu, os pecados e responsabilidades daqueles em cujo lugar ele se ofereceu foram transferidos para ele. Novamente quero citar John Murray, que diz: “Pelo motivo desta imputação, ele sofreu e morreu, o justo pelo injusto, para que pudesse trazer-nos à presença de Deus. Por um único sacrifício, ele aperfeiçoou para sempre todos aqueles que são santificados”.<a href="#9"><sup>[9]</sup></a><a name="9b"></a></p>
<p>Alguns textos citados agora, farão um coro ainda maior para que entendamos melhor a provisoriedade dos sacrifícios do VT, e a perfeição absolutamente plena da obra de Jesus. Hb9.6-15; 13.10-13; 9.23-24.</p>
<p>Ao oferecer-se a si mesmo como sacrifício, não podemos negligenciar o fato de por ele ter feito isso, ele também é o sacerdote. O sacerdote não se oferecia, assim também como a oferta por si só não se oferecia, contudo, em Cristo temos esta combinação singular que serve para demonstrar a unicidade de seu sacrifício, o caráter transcendental de seu ofício sacerdotal e a perfeição inerente em sua oferta sacerdotal.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Propiciação.</span></p>
<p>A palavra grega que foi traduzida como <em>propiciação, </em>não aparece com freqüência no NT, este fato pode causar estranheza, especialmente quando consideramos que ela aparece com mais intensidade na tradução grega do VT, e que em nossas versões é a palavra <em>expiação. </em>Creio que deva ser por isso que Charles Hodge disse que: “Expiação e propiciação são termos correlativos”. <a href="#10"><sup>[10]</sup></a><a name="10b"></a></p>
<p>A palavra que é tão comum no grego do AT, em conexão com o ritual de expiação não foi usada tanto pelos escritores do NT. Contudo isso não significa que a obra de Cristo não deva ser interpretada em termos de propiciação, mesmo porque, há textos neotestamentários que usam muitíssimo essa palavra aplicada à obra de Jesus. Rm3.25; Hb2.17; 1Jo2.2; 4.10.</p>
<p>Isso significa sem qualquer dúvida que a obra de Jesus deve ser analisada como obra de propiciação por seus eleitos. Considerando a questão dessa palavra aparecer mais no AT, do que no NT, não anula o significado da obra de expiação, ao contrário isso só denota, sobressai a obra de Cristo, pois mostra que a figura dos sacrifícios é necessariamente interpretado como propiciação.</p>
<p>O Objetivo disso, é dizermos que sacrifício e propiciação permanecem juntos e é por isso que os escritores neotestamentários usam a palavra confirmando que a idéia de propiciação é tão entretecida na estrutura do ritual veterotestamentário que seria impossível entender aquele ato como figura do sacrifício de Cristo se a propiciação não ocupasse lugar semelhante e único no maior e mais perfeito de todos os sacrifícios.</p>
<p>Porém qual o significado de propiciação? Qual é o seu sentido? John Murray esclarece isso dizendo: “No hebraico do Velho Testamento, ela se expressa por uma palavra que significa <strong>cobrir. </strong> Em conexão com esta cobertura, existem três fatos específicos que devem ser observados: (1) é sempre em referência ao pecado que se dá esta cobertura; (2) o efeito desta cobertura é a purificação e o perdão; (3) é perante o Senhor que se dá tanto a cobertura como seu efeito (veja-se especialmente LV4.35; 10.17; 16.30).”<a href="#11"><sup>[11]</sup></a><a name="11b"></a></p>
<p>O que será que isso significa? Significa que o pecado cria uma situação em relação ao Senhor, uma situação que faz a cobertura necessária. Esta referência a Deus em conexão com o pecado, bem como à cobertura dele, precisa ser plenamente apreciada.</p>
<p>No pensamento do VT, há uma só interpretação que podemos dar a esta provisão do ritual do sacrifícios. É o pecado que provoca o santo desprazer ou a ira de Deus. A vingança é a reação da santidade de Deus contra o pecado, e a cobertura é a providência que remove este santo desprazer provocado pelo pecado.</p>
<p>Dessa forma podemos abranger o significado de propiciação ao seguinte: propiciação significa, aplacar, pacificar, conciliar, acalmar sendo que é este o pensamento que é aplicado à expiação realizada por Jesus o Senhor.</p>
<p>Murray, “Propiciação pressupõe a ira e o desprazer de Deus, e o propósito da propiciação é a remoção deste desprazer. Em termo simples, a doutrina da propiciação significa que Cristo propiciou a ira de Deus convenceu a Deus a ser propício para com seu povo”.<a href="#12"><sup>[12]</sup></a><a name="12b"></a></p>
<p>Podemos então perceber que esta propiciação é produto ou melhor, é o fruto do amor divino que a providenciou. 1Jo4.10. A propiciação é a base sobre a qual o amor divino opera, e o canal pelo qual ela flui para alcançar os seus devidos fins, que é cobrir a ira do próprio Deus, e efetuar justiça por nós seu povo eleito. Rm1.18, 1Jo2.1,2.</p>
<p>Como disse Murray, “A expiação é aquele ato que satisfaz as exigências de santidade e justiça. A ira de Deus é a reação inevitável da santidade divina contra o pecado”.<a href="#13"><sup>[13]</sup></a><a name="13b"></a> O pecado causa ojeriza em Deus, que pois é oposto a Sua perfeita santidade, com isso o que lhe resta é repeli-lo pelo fato disso contradizer Sua pessoa.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Reconciliação.</span></p>
<p>A propiciação focaliza nossa  atenção na ira de Deus e na provisão divina para a remoção dessa ira, porém reconciliação focaliza o nosso interesse na nossa alienação de Deus e no método divino para nos restaurar a Sua presença.</p>
<p>O que a reconciliação pressupõe é exatamente a interrupção nas relações entre Deus e o homem. Ela subentende inimizade e alienação sendo que essa alienação não é unilateral, ao contrário é bilateral porque se refere a alienação nossa para com Deus, e a alienação de Deus para conosco. Is59.2.</p>
<p>Inferimos disso o seguinte; que a reconciliação se limita não apenas à santa inimizade de Deus contra nós, mas também à nossa ímpia inimizade contra ele. Esse pensamento não é fictício, ao contrário essa palavra no NT, parece nos dar base para esse tipo de afirmação. Vejamos alguns textos que dizem que nós é quem somos reconciliados com Deus Rm5.10,11; 2Co5.20. Mas quando a voz ativa é empregada, é Deus quem nos reconcilia consigo mesmo. 2Co5.18,19; Ef2.16; Cl1.20,21</p>
<p>Ao observarmos esse ponto não podemos passar desapercebidos para entendermos então que há dois tipos de reconciliação, chamadas de <strong>reconciliação objetiva </strong>e <strong>reconciliação subjetiva.</strong><strong></strong></p>
<p><strong>A reconciliação objetiva,</strong>tem haver com o ato único de Deus, em se reconciliar conosco. A reconciliação objetiva é a remoção da ira de Deus, efetuada pelo próprio Deus, quando Ele mesmo destruiu a barreira de separação entre Ele e nós, por meio de Cristo, nos permitindo entrar novamente diante de Sua presença.</p>
<p>Esse ato é puramente de Deus, depende única e exclusivamente Dele, tem nascedouro em Sua vontade, parte Dele para conosco de forma ímpar e reconciliadora. Ef2.14-17.</p>
<p>Heber Campos clareia ainda mais isso nos fazendo perceber que: “A morte de Cristo na cruz foi a questão chave para que houvesse a reconciliação de Deus com ambos, já que estavam em inimizade entre si e com Deus e Deus com eles. A morte de Cristo destruiu a inimizade. Foi alguma coisa feita sem que eles antes tivessem qualquer atitude de fé ou de arrependimento. A ênfase da Escritura está na reconciliação objetiva”.<a href="#14"><sup>[14]</sup></a><a name="14b"></a> Cl1.19-22.</p>
<p>Não obstante a ênfase da Escritura ser na reconciliação objetiva, não significa, que a subjetiva não exista, ao contrário, a Bíblia também aborda essa questão, mais não como um princípio em si mesmo, mais decorrente de outro, ao passo que no texto lido de Cl, vimos que a reconciliação é feita unicamente por Jesus, em nada participando os homens.<strong></strong></p>
<p><strong>Reconciliação Subjetiva</strong>, esta por sua vez está atrelada ao arrependimento e fé, que nos torna uma nova criatura e agora de inimigos passamos a ser amigos de Deus.</p>
<p>Esse tipo de reconciliação é reflexa isto é, essa reconciliação é uma respostas positiva do homem com quem Deus estava em inimizade, não porque o homem tenha feito algo para lhe assegurar isso, mais sim que Deus o autor da reconciliação chama os homens para se reconciliarem com Ele. Rm5.6-11.</p>
<p>O subjetivismo consiste em voltarmos para Deus nos arrependendo do nosso pecado e crendo que estamos justificados diante de Deus por meio do sangue de Cristo, mais isso só é possível por causa da morte de Cristo que derrubou a parede de inimizade. Portanto a ênfase da Escritura não é a capacidade humana, ao contrário, no poder de Deus, no seu amor, e no ato expiatório de Jesus.</p>
<p>John Murray sintetiza isso muito bem dizendo: “A reconciliação que a Escritura proclama, aquela consumada pela morte de Cristo, visa, pois, à relação de Deus conosco. Ela pressupõe uma relação alienatória e efetua uma relação de favor e paz. Esta nova relação é constituída da remoção da causa da alienação. A causa é o pecado e a culpa. A remoção é realizada na obra vicária de Cristo, quando ele foi feito pecado por nós, para que fôssemos feitos justiça de Deus. Cristo tomou sobre si o pecado e a culpa, a condenação e a maldição daqueles em cujo lugar morreu”.<a href="#15"><sup>[15]</sup></a><a name="15b"></a></p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Redenção.</span></p>
<p>O conceito de redenção não deve ser reduzido à noção geral de libertação. A linguagem da redenção é a linguagem de aquisição e mais especialmente de resgate. E resgate é aquisição de um livramento mediante o pagamento de um valor.</p>
<p>A Escritura Sagrada nos mostra que redenção deve ser interpretada nestes termos. Mt20.28; Mc10.45. Isso leva três fatos que devem ser estabelecidos. 1) a obra que ele veio realizar no mundo é uma obra de resgate; 2) a doação de sua vida foi o preço do resgate; 3) este resgate foi substitutívo em sua natureza.</p>
<p>Vejam o conceito de resgate para John Murray, “Resgate pressupõe alguma forma de servidão ou cativeiro, e redenção implica, pois, na existência de um estado do qual o resgate nos liberta. Assim como o sacrifício é dirigido à necessidade criada por nossa culpa, a propiciação é dirigida à necessidade que surge da ira de Deus, e a reconciliação é dirigida à necessidade que surge por causa da nossa alienação de Deus, assim a redenção é dirigida à servidão à qual o nosso pecado nos entregou”.<a href="#16"><sup>[16]</sup></a><a name="16b"></a></p>
<p>Agora porém os aspectos que a escritura julga a redenção realizada por Cristo para nosso benefício, serão analisadas rapidamente abaixo, se não em sua completude, porém de forma que espero ser clara.</p>
<p>A redenção se aplica a cada aspecto em que somos escravizados, e ela nos libera para uma liberdade que é a liberdade dos filhos de Deus.</p>
<p><strong>A lei. </strong>Esse é um ponto que precisamos observar cuidadosamente. Porque a Escritura não diz que somos redimidos da lei, haja vista que tal afirmação seria uma contradição  à própria lei onde Deus nos manda amá-lo de todo coração e amar o próximo como a nós mesmos. A lei está compreendida nesses dois mandamentos Mt22.40 e o amor é o cumprimento da lei Rm13.10</p>
<p>Quando a bíblia relaciona a redenção com a lei de Deus, ela usa alguns termos que servem para especificar isto.</p>
<p><strong>Maldição da Lei. </strong>Cristo nos resgatou da maldição da lei, se fzendo maldição em nosso lugar. Gl3.13. A maldição da lei, se relaciona com as suas sanções penais que é essencialmente a ira ou a maldição de Deus, o desprazer que pousa sobre cada infração das exigências da lei. Gl3.10.</p>
<p>Quando Cristo morreu substitutivamente por seu povo, Ele resgatou seu povo das penalidades da lei que é a maldição, assumindo em si mesmo essa maldição.</p>
<p><strong>A lei cerimonial. </strong> Os homens do AT, eram nascidos debaixo da lei cerimonial, tendo que cumprir todas as suas prescrições cerimoniais obedecendo a todos os rituais que indicavam algum tipo de salvação. A lei era quem os conduzia, eles eram tutelados, dirigidos por ela. Gl4.2; Gl3.23-24.</p>
<p>O Verbo ao se encarnar, torna-se praticante de todas as leis cerimoniais, com a finalidade de praticá-las. Por que Cristo praticou, e guardou toda a lei por nós, estamos livres da imaturidade e criancice à qual estávamos sujeitos.</p>
<p><strong>A lei das obras. </strong>Cristo nos resgatou da obrigatoriedade de guardarmos a lei como a condição de sermos justificados e aceitos por Deus. Murray nos diz que: “Sem esta redenção não existiria justificação e nem salvação. É a obediência do próprio Cristo que garantiu esta libertação”.<a href="#17"><sup>[17]</sup></a><a name="17b"></a></p>
<p>Em outras palavras, é a obediência ativa e passiva de Cristo que se constituiu no preço desta redenção, obediência ativa e passiva em virtude de ter ele nascido sob a lei, cumprindo todas as exigências da retidão e satisfeito todas as sanções da justiça. Rm5.19</p>
<p><strong>Libertação do pecado. </strong>O sangue do cordeiro é o meio pelo qual fomos resgatados do pecado que ao morrer, pagou a penalidade do pecado. Cristo resgatou sua igreja das penalidades de seu pecado por isso sua igreja nunca mais terá de pagar nada.</p>
<p>Não há culpa a ser jogada por cima dos filhos de Deus, e a corrupção que o poder do pecado exerce sobre nós, também já foi completamente satisfeitos por Jesus. AT20.28; Hb9.12; Ap5.9 ; 1Co15.56; Rm4.15; Ef1.14;4.30;Rm8.30.</p>
<p>A redenção do poder do pecado pode ser chamado de aspecto triunfal da redenção. Em sua obra consumada Cristo fez de uma vez por todas o cumprimento de todas as exigências da lei, logo, aqueles que se unem a ele, estão completamente resgatados do poder do pecado, pois isso é atribuído a todos aqueles que morreram e ressuscitaram com Cristo. Rm6.1-10; 2Co5.14-15; Ef2.17; Cl3.1-4 1Pe4.1-2.</p>
<p>É o fato de ter morrido com Cristo na eficácia de sua morte e ter ressuscitado com ele no poder de sua ressurreição que garante a todo o povo de Deus a libertação do domínio do pecado. Rm6.11.</p>
<p><strong>Libertação do poder do Diabo. </strong>Cristo ao morrer na cruz derrotou terminantemente o diabo já não tem domínio sobre os filhos de Deus, pois Cristo o venceu completamente na cruz. JO12.31, Cl2.15, Hb2.14-15</p>
<p>A obra de Cristo não destruiu somente satanás, mas aquilo que estava sob o poder dele: a morte, por causa do poder da morte que foi dado ao diabo, os homens o temiam, após Cristo ter vencido-o por meio de sua obra, a morte para os cristãos, deveria ser encarada como a libertação dos sofrimentos desta vida e a entrada dos crentes na presença de Deus. Lc22.53.</p>
<p>Num breve resumo, o que vimos quanto a expiação de Cristo, foi que houve toda uma trajetória de situações que culminaram na morte de nosso Senhor Jesus.</p>
<p>O ato expiatório de Cristo, não deve ser visto somente na perspectiva de Sua morte, mais antes disso na sua obediência ativa e passiva, sendo que o sacrifício, a propiciação, a reconciliação e a redenção, são os aspectos de um todo organizado pela trindade, para que Jesus se torna-se um sacrifício perfeito substitutivo cumprindo assim a justiça divina no lugar de seu povo. Agora passaremos a um outro ponto desse trabalho, que servirá ainda mais ao objetivo de mostrar que a obra de Cristo foi completa e vicária.</p>
<p>A morte de Jesus é representativa sendo que sua expiação é tanto <strong>objetiva</strong>, quanto <strong> vicária.</strong><strong></strong></p>
<p><strong>Objetiva, </strong>no sentido em que ela foi feita por Deus e o homem não tem nenhuma parcela de contribuição naquilo que Cristo pagou a Deus por nós.</p>
<p><strong>Vicária, </strong>no sentido de que Cristo cumpriu toda a justiça de Deus, em benefício de Seu povo. Nessa perspectiva essa obra é substitutiva, ou representativa. A justiça de Deus exigia que a penalidade fosse paga, e Deus aceitou o fato de a penalidade ter sido assumida por outra pessoa, que não o pecador, mostrando assim, o amor misericordioso de Deus e ao mesmo tempo seu grandioso senso de justiça punindo os pecados dos homens.</p>
<p>A bíblia nos ensina vários textos onde podemos ver pelo uso das preposições gregas, a expiação vicária as preposições são <strong>anti e huper</strong> tanto uma como a outra podem significar <strong>por, </strong>mais <strong>huper </strong>aparece mais vezes e sua conotação é de: <strong>no luar de, em favor de, pelo. </strong>Analisemos alguns.</p>
<p>Mt20.28 com certeza nestes dói textos essa preposição denota substituição. Em Lc22.19-20 a palavra <strong>huper </strong>também aparece com um sentido de substituição. A conotação é de <strong>em favor de, </strong>mais a substituição não pode ser eliminada pois o sentido é no mínimo duplo pela própria idéia da palavra.</p>
<p>No evangelho de Jo15.13, a idéia da preposição também é de beneficio. Todavia é um beneficio feito de forma substitutiva. Em Rm8.32 vemos também o ato de substituição feito por Jesus pelo seus eleitos, onde Cristo nos livra de recebermos pessoalmente a ira de Deus. A palavra <strong>entregar </strong>neste verso, é expor a morte, e isso é ato substitutivo feito em lugar de seu povo.</p>
<p>Já em Rm5.6-8 todas as vezes em que <strong>huper </strong>aparece, ela nos dá entender que significa <strong>em lugar de. </strong>Nesse texto o que se realça é o fato de Jesus ter morrido no lugar ou em favor de, sendo que essa última traz consigo a idéia de benefício, mais creio ser por causa do benefício da graça, pois a substituição em si é um benefício.</p>
<p>Vejamos 2Co5.14-15. Aque também a noção de substituição é clara. Jesus como o representante do povo, pagou os pecados deles coma própria morte.</p>
<p>A morte vicária de Jesus, significa a morte dos favorecidos também para o pecado.</p>
<p>O texto de 2Co5.20-21 é interessante, pois o uso de <strong>huper </strong>aqui, deve ser compreendida no lugar de Cristo. Nós cristãos, somos embaixadores no lugar de Cristo e representantes do ministério da reconciliação. A nós cabe a tarefa de anunciarmos a Cristo, que tomou nosso lugar na cruz.</p>
<p>Precisamos observar ainda o texto de Gl3.13, nesse verso, até a nossa tradução revista e atualizada é feliz em sua colocação textual pois é dito que ele se fez maldição em nosso lugar.</p>
<p>Heber Campos elucida o emprego destas preposições da seguinte forma: “O significado desta preposição grega, portanto, deve ser determinado pelo seu contexto. Ela pode ser traduzida como benefício ou substituição. É algo imprudente dizer que <strong>huper </strong>sempre significa <strong>em benefício de </strong>ou que simplesmente significa <strong>em lugar de.</strong><strong></strong></p>
<p>Como em nossa língua portuguesa a preposição <strong>por </strong>possui dois significados, assim também acontece com a preposição grega <strong>huper. </strong>Ela pode denotar <em>vantegem </em>ou <em>benefício</em>, isto é, alguma coisa feita <strong>em favor de</strong>, ou pode significar <strong>substituição</strong>”.<a href="#18"><sup>[18]</sup></a><a name="18b"></a></p>
<p>Mas o que não podemos esquecer é que Cristo tanto morreu em nosso lugar, quanto que para nossa benefício, e isso não implica em nenhum tipo de diminuição do objetivo das palavras que é ressaltar que a obra de Cristo é vicária.</p>
<p>A expiação é vicária e não pessoal. Se fosse pessoal o homem não poderia quitar sua dívida diante de Deus, por mais que ele pudesse morrer pelo seu próprio pecado, cumprindo assim a obediência passiva, jamais ele teria condições para cumprir toda a lei de Deus que é sua obediência ativa.</p>
<p>A expiação pessoal é efetuada pela criatura caída e não pode causar nenhum resultado positivo, no resgate de pessoas ou de si mesmo.SL49.7-8 A expiação vicária é feita pelo próprio Deus, que por intermédio de seu filho derrubou a barreira da separação entre Ele e os homens.</p>
<p>A expiação pessoal é oferecida pela parte ofensora, a vicária pela parte ofendida. Que Deus nos ajude a entendermos coisas tão belas e profundas presentes na Escritura Sagrada e assim estejamos crescendo e amando a Deus cada dia mais procurando compreender cada vez mais a sua maravilhosa graça e a sua estranha (por causa de nossa limitação em compreender), mais magnífica misericórdia.</p>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
<p><a name="1"></a><a href="#1b">[1]</a> Donald Mackin, <span style="text-decoration: underline;">Grandes temas da tradição reformada</span>, por H.D.Mcdonald in Modelos de Expiação na teologia reformada, Pendão Real, 1<sup>a</sup> ed.1999, p101.</p>
<p><a name="2"></a><a href="#2b">[2]</a> John Murray, <span style="text-decoration: underline;">Redenção Consumada e Aplicada, </span>CEP, 1<sup>a</sup> ed 1993, p14 – John Murray (1898-1975) foi professor de teologia sistemática do Westminster Theological Seminary em Philadelphia de 1930-1966. Nasceu na Escócia, graduou-se em Glasgow, no Pirnceton Seminary Theological.</p>
<p><a name="3"></a><a href="#3b">[3]</a> Op Cit. P15.</p>
<p><a name="4"></a><a href="#4b">[4]</a> Wayne Grudem, Teologia Sistemática, p474.</p>
<p><a name="5"></a><a href="#5b">[5]</a> John Murray, <span style="text-decoration: underline;">Redenção Consumada e Aplicada, </span>p28.</p>
<p><a name="6"></a><a href="#6b">[6]</a> A .A .Hodge, <span style="text-decoration: underline;">Confissão de Fé de Westminster Comentada, </span>Ed Puritanos, ed 1<sup>a</sup> 1999, p205.</p>
<p><a name="7"></a><a href="#7b">[7]</a> Murray, p29.</p>
<p><a name="8"></a><a href="#8b">[8]</a> Op cit, p29.</p>
<p><a name="9"></a><a href="#9b">[9]</a> Ibidem, p30.</p>
<p><a name="10"></a><a href="#10b">[10]</a> Charles Hodge, <span style="text-decoration: underline;">Systematic Theology, </span>Ed Grand Rapids Michigan, 1979, VL 2 parti III, p478.</p>
<p><a name="11"></a><a href="#11b">[11]</a> John Murray, <span style="text-decoration: underline;">Redenção Consumada e Aplicada, </span>p35.</p>
<p><a name="12"></a><a href="#12b">[12]</a> Ibidem, p35.</p>
<p><a name="13"></a><a href="#13b">[13]</a> Ibidem, p37.</p>
<p><a name="14"></a><a href="#14b">[14]</a> Heber Campos, <span style="text-decoration: underline;">Apostila de Cristologia, </span>p40.</p>
<p><a name="15"></a><a href="#15b">[15]</a> Murray, op. Cit. P47.</p>
<p><a name="16"></a><a href="#16b">[16]</a> Iibidem, p48.</p>
<p><a name="17"></a><a href="#17b">[17]</a> Murray, op.cit.p50.</p>
<p><a name="18"></a><a href="#18b">[18]</a> Heber Campos, <span style="text-decoration: underline;">Apostila Cristologia, </span>p21. Negrito acrescido por mim.</p>
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		<title>Missões</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jul 2011 00:28:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Eventos]]></category>
		<category><![CDATA[Cristo]]></category>
		<category><![CDATA[evangelismo]]></category>
		<category><![CDATA[evento]]></category>
		<category><![CDATA[missões]]></category>

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		<description><![CDATA[Fazer missões é levar o Evangelho de Cristo aos de longe, não se esquecendo dos de perto! Comprometa-se com a obra missionário onde Deus colocou você: proclame o Evangelho de Cristo para a salvação de Mato Grosso! Preletor: Dr. Rev. Davi Charles Gomes Data: 20 e 21 de Agosto de 2011 Dia 20 às 19:30h [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fazer missões é levar o Evangelho de Cristo aos de longe, não se esquecendo dos de perto!</p>
<p>Comprometa-se com a obra missionário onde Deus colocou você: proclame o Evangelho de Cristo para a salvação de Mato Grosso!</p>
<p><strong>Preletor: </strong>Dr. Rev. Davi Charles Gomes</p>
<p><strong>Data: </strong>20 e 21 de Agosto de 2011<br />
Dia 20 às 19:30h / Dia 21 às 9:00h e 19:00h</p>
<p><strong>Local: </strong>Igreja Presbiteriana Betânia<br />
Av. Barão de Melgaço, 2429 &#8211; Centro &#8211; Cuiabá-MT<br />
Fones: (65) 3623-3149 / 9983-7060 / 9983-6804<br />
<a title="www.ipbetania.org.br" href="http://www.ipbetania.org.br">www.ipbetania.org.br</a></p>
<p>Como, porém, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? (Rm 10.14)</p>
<p><a href="http://www.ipbetania.org.br/wp-content/uploads/2011/07/missoes-cartaz.jpg" rel="shadowbox[sbpost-220];player=img;"><img class="alignnone size-full wp-image-224" title="Missões: Cartaz" src="http://www.ipbetania.org.br/wp-content/uploads/2011/07/missoes-cartaz.jpg" alt="" width="600" height="849" /></a></p>
<h3>Ouça aqui os sermões do evento</h3>
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	<h2 class="clear">Sermões (4)</h2>
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	<table class="sermons">
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			<td class="sermon-passage"><a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?book=Apocalipse">Apocalipse</a> 1:4-8 (Parte da série <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?series=3">Conferência Missionária 2011</a>).</td>
		</tr>
		<tr>
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			<td class="embed"></td>
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		<tr>
			<td class="preacher">Pregado por <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?preacher=7">Rev. Davi Charles Gomes</a> em 21 de agosto de 2011 (<a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?service=2">Domingo à Noite</a>). </td>
		</tr>
   			<tr>
			<td class="sermon-title"><a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?sermon_id=85">2 Coríntios 5.1-17</a></td>
		</tr>
		<tr>
			<td class="sermon-passage"><a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?book=2%20Cor%C3%ADntios">2 Coríntios</a> 5:1-17 (Parte da série <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?series=3">Conferência Missionária 2011</a>).</td>
		</tr>
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			<td class="preacher">Pregado por <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?preacher=7">Rev. Davi Charles Gomes</a> em 21 de agosto de 2011 (<a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?service=1">Domingo de Manhã</a>). </td>
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   			<tr>
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			<td class="sermon-passage"><a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?book=Marcos">Marcos</a> 1:1-20 (Parte da série <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?series=3">Conferência Missionária 2011</a>).</td>
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		<tr>
			<td class="preacher">Pregado por <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?preacher=7">Rev. Davi Charles Gomes</a> em 20 de agosto de 2011 (<a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?service=4">Sábado à Noite</a>). </td>
		</tr>
   			<tr>
			<td class="sermon-title"><a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?sermon_id=89">Salmos 51.1-19</a></td>
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			<td class="sermon-passage"><a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?book=Salmos">Salmos</a> 51:1-19 (Parte da série <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?series=3">Conferência Missionária 2011</a>).</td>
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		<tr>
			<td class="preacher">Pregado por <a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?preacher=2">Rev. Dantas</a> em Data desconhecida (<a href="http://www.ipbetania.org.br/sermoes-em-audio/?service=2">Domingo à Noite</a>). </td>
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		<title>Segunda Confissão Helvética</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:27:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Elaborada em 1562 por Heinrich Bullinger, publicada em 1566 por Frederico III da Palatina, adotada pelas Igrejas Reformadas da Suíça, França, Escócia, Hungria, Polônia e outras. &#160; 1. Da Sagrada Escritura como a verdadeira Palavra de Deus Escritura Canônica. Cremos e confessamos que as Escrituras Canônicas dos santos profetas e apóstolos de ambos os Testamentos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Elaborada em 1562 por Heinrich Bullinger, publicada em 1566 por Frederico III da Palatina, adotada pelas Igrejas Reformadas da Suíça, França, Escócia, Hungria, Polônia e outras.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>1. Da Sagrada Escritura como a verdadeira Palavra de Deus </strong></p>
<p><strong><em>Escritura Canônica</em></strong>. Cremos e confessamos que as Escrituras Canônicas dos santos profetas e apóstolos de ambos os Testamentos são a verdadeira Palavra de Deus, e têm suficiente autoridade de si mesmas e não dos homens. O próprio Deus falou aos patriarcas, aos profetas e aos apóstolos, e ainda nos fala a nós pelas Santas Escrituras.</p>
<p>E nesta Escritura Sagrada a Igreja Universal de Cristo tem a mais completa exposição de tudo o que se refere à fé salvadora e à norma de uma vida aceitável a Deus; e a esse respeito é expressamente ordenado por Deus que a ela nada se acrescente ou dela nada se retire.</p>
<p><strong><em>A Escritura ensina plenamente toda a piedade</em></strong>. Julgamos, portanto, que destas Escrituras devem derivar-se a verdadeira sabedoria e piedade, a reforma e o governo das igrejas, também a instrução em todos os deveres da piedade; enfim, a confirmação de doutrinas e a refutação de todos os erros, assim como todas as exortações segundo a palavra do apóstolo: ‘Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão”, etc. (II Tim 3.16-17). E ainda: “Escrevo-te estas cousas”, diz o apóstolo a Timóteo, “para que fiques ciente de como se deve proceder na casa de Deus”, etc. (I Tim 3.14-15).</p>
<p><strong><em>A Escritura é a Palavra de Deus</em></strong>. O mesmo apóstolo diz aos tessalonissenses: “Tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes, não como palavra de homens, e, sim, como, em verdade é, a palavra de Deus”, etc. (I Tes 2.13). E o Senhor disse no Evangelho: “Não sois vós os que falais, mas o Espírito de vosso Pai é quem fala em vós” (Mat 10.20); portanto, “quem vos der ouvidos, ouve-me a mim; e, quem vos rejeitar, a mim me rejeita; quem, porém, me rejeitar, rejeita aquele que me enviou”, (Mat 10.40; Luc 10.16; João 13.20).</p>
<p><strong><em>A pregação da Palavra de Deus é a Palavra de Deus</em></strong>. Portanto, quando esta Palavra de Deus é agora anunciada na Igreja por pregadores legitimamente chamados, cremos que a própria Palavra de Deus é anunciada e recebida pelos fiéis; e que nenhuma outra Palavra de Deus pode ser inventada, ou esperada do céu: e que a própria Palavra anunciada é que deve ser levada em conta e não o ministro que a anuncia, pois, mesmo que este seja mau e pecador, contudo a Palavra de Deus permanece boa e verdadeira.</p>
<p>Nem pensamos que a pregação exterior deve ser considerada infrutífera pelo fato de a instrução na verdadeira religião depender da iluminação interior do Espírito; porque está escrito: “Não ensinará jamais cada um ao seu próximo&#8230; porque todos me conhecerão” (Jer 31.34), e “nem o que planta é alguma cousa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento”, (I Cor 3.7). Pois, ainda que ninguém possa vir a Cristo, se não for levado pelo Pai (cf. João 6.44), se não for interiormente iluminado pelo Espírito Santo, sabemos contudo que é da vontade de Deus que sua palavra seja pregada também externamente. Deus poderia, na verdade, pelo seu Santo Espírito, ou diretamente pelo ministério do anjo, sem o ministério de São Pedro, ter ensinado a Cornélio (cf. At 10.1 ss); não obstante, ele o envia a São Pedro, a respeito de quem o anjo diz: “Ele te dirá o que deves fazer” (cf. At 11.14).</p>
<p><strong><em>A iluminação interior não elimina a pregação exterior</em></strong>. Aquele que ilumina interiormente dando aos homens o Espírito Santo é o mesmo que deu aos discípulos este mandamento: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16.5). E assim, em Filipos, São Paulo pregou a Palavra externamente a Lídia, vendedora de púrpura; mas o Senhor, internamente, abriu o coração da mulher (At 16.14). E o mesmo São Paulo, numa bela gradação, em Rom 10.17, chega, afinal, a esta conclusão: “E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo”.</p>
<p>Reconhecemos, entretanto, que Deus pode iluminar quem ele quiser e quando quiser, mesmo sem ministério externo, pois isso está em seu poder; mas aqui falamos da maneira usual de instruir os homens, que nos foi comunicado por Deus, tanto por mandamento como pelo exemplo.</p>
<p><strong><em>Heresias</em></strong>. Detestamos, portanto, todas as heresias de Artêmon, dos maniqueus, dos valentinianos, de Cerdon e dos marcionitas, os quais negaram que as Escrituras procediam do Espírito Santo; ou não aceitaram algumas partes delas, ou as interpelaram e corromperam.</p>
<p><strong><em>Apócrifos</em></strong>. Contudo, não dissimulamos o fato de que certos livros do Velho Testamento foram chamados Apócrifos pelos antigos autores, e Eclesiásticos por outros, porquanto alguns admitiam que fossem lidos nas igrejas, não, porém, invocados para confirmar a autoridade da fé. Assim também Santo Agostinho, em sua <em>De Civitate Dei</em>, livro 18, cap. 38, observa que “nos livros dos Reis, nomes e livros de certos profetas são citados”; mas acrescenta que “eles não se encontram no Cânon”; e que “os livros que temos são suficientes para a piedade”.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>2. Da interpretação das Escrituras Sagradas;<br />
e dos santos padres, dos concílios e das tradições</strong></p>
<p><strong><em>A verdadeira interpretação da Escritura</em></strong>. O Apóstolo São Pedro disse que as Escrituras Sagradas não são de interpretação particular (II Ped 1.20). Assim não aprovamos quaisquer interpretações; pelo que nem reconhecemos como a verdadeira ou genuína interpretação das Escrituras a que se chama simplesmente a opinião da Igreja Romana, isto é, a que os defensores da Igreja Romana claramente sustentam que deve ser imposta à aceitação de todos. Mas reconhecemos como ortodoxa e genuína a interpretação da Escritura que é retirada das próprias Escrituras segundo o gênio da língua em que elas foram escritas, segundo as circunstâncias em que foram registradas, e pela comparação de muitíssimas passagens semelhantes e diferentes, e que concorda com a regra de fé e amor, e mais contribui para a glória e a salvação dos homens.</p>
<p><strong><em>Interpretação dos santos padres</em></strong>. Por isso, não desprezamos as interpretações dos santos padres gregos e latinos, nem rejeitamos as suas discussões e os seus tratados sobre assuntos sagrados, sempre que concordem com as Escrituras; mas respeitosamente divergimos deles, quando neles encontramos coisas estranhas às Escrituras ou contrárias a elas. E não julgamos fazer-lhes qualquer injustiça nesta questão, visto que todos eles, unanimemente, não procuram igualar seus escritos com as Escrituras Canônicas, mas nos mandam verificar até onde eles concordam com elas ou delas discordam, aceitando o que está de acordo com elas e rejeitando o que está em desacordo.</p>
<p><strong><em>Concílios</em></strong>. Nessa mesma ordem colocam-se também as definições e cânones dos concílios.</p>
<p>Por esse motivo, nas controvérsias religiosas não aceitamos como imposição as simples opiniões dos Santos Padres ou os decretos dos concílios; muito menos, os costumes herdados ou, até, o fato de ser uma opinião partilhada por uma multidão ou consagrada por um longo tempo. Quem é o juiz? Portanto, em questão de fé, não admitimos juiz algum, a não ser o próprio Deus, que, pelas Santas Escrituras, proclama o que é verdadeiro, o que é falso, o que deve ser seguido ou o que deve ser evitado. Assim, apoiamo-nos exclusivamente nos julgamentos de homens espirituais, por eles tomados à Palavra de Deus. Jeremias e outros profetas condenaram severamente os concílios de sacerdotes estabelecidos contra a lei de Deus; e nos advertiram diligentemente que não ouvíssemos os nossos pais, nem trilhássemos os seus caminhos, porque eles, andando segundo suas próprias invenções se desviaram da lei de Deus.</p>
<p><strong><em>Tradições de homens</em></strong>. Rejeitamos, igualmente, as tradições humanas, mesmo que venham adornadas de títulos atraentes, como se fossem divinas e apostólicas, entregues à Igreja de viva voz pelos apóstolos e, como pelas mãos de varões apostólicos, aos bispos que os sucederam, as quais, quando comparadas com as Escrituras delas discrepam, e por essa discrepância revelam que, de modo nenhum, são apostólicas. Como os apóstolos não se contradisseram entre si quanto à doutrina, assim os varões apostólicos não ensinaram nada contrário aos apóstolos. Ao contrário, seria ímpio afirmar que os apóstolos, de viva voz, tivessem ensinado coisas contrárias aos seus escritos. São Paulo afirma claramente que ele ensinava as mesmas coisas em todas as igrejas (I Co 4.17). E mais: “Porque nenhuma outra cousa vos escrevemos, além das que ledes e bem compreendeis” (II Co 1.13). Também, em outra passagem, testifica que ele e seus discípulos &#8211; a saber, os varões apostólicos &#8211; andavam do mesmo modo e, ligados pelo mesmo Espírito, faziam todas as coisas (II Co 12.18). Os judeus também tiveram, no passado, as tradições dos seus anciãos, mas essas tradições foram severamente repetidas pelo Senhor, que mostrou que a sua observância põe entraves à lei de Deus, e que por meio delas Deus é em vão adorado (Mat. 15.1 ss; Mc 7.1 ss)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>3. De Deus, sua unidade e trindade </strong></p>
<p><strong><em>Deus é uno</em></strong>. Cremos e ensinamos que Deus é um em essência ou natureza, subsistindo por si mesmo, todo suficiente em si mesmo, invisível, incorpóreo, imenso, eterno, criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis, o supremo-bem, vivo, vivificador e preservador de todas as coisas, onipotente e supremamente sábio, clemente ou misericordioso, justo e verdadeiro. Abominamos a pluralidade de deuses, porque está claramente escrito: “O Senhor nosso Deus é o único Senhor” (Deut 6.4). “Eu sou o Senhor teu Deus. Não terás outros deuses diante de mim” (Êx 20.2-3). “Eu sou o Senhor, e não há outro; além de mim não há Deus. Deus justo e Salvador não há além de mim” (Is 45.5.21). “Senhor, Senhor Deus compassivo, clemente e longânimo, e grande em misericórdia e fidelidade” (Êx 34.6).</p>
<p><strong><em>Deus é trino</em></strong>. Entretanto, cremos e ensinamos que o mesmo Deus imenso, uno e indiviso é inseparavelmente e sem confusão, distinto em pessoas &#8211; Pai, Filho e Espírito Santo &#8211; e, assim como o Pai gerou o Filho desde a eternidade, o Filho foi gerado por inefável geração, e o Espírito Santo verdadeiramente procede de um e outro, desde a eternidade e deve ser com ambos adorado.</p>
<p>Assim, não há três deuses, mas três pessoas, consubstanciais, co-eternas e co-iguais, distintas quanto às hipóstases e quanto à ordem, tendo uma precedência sobre a outra, mas sem qualquer desigualdade. Segundo a natureza ou essência, acham-se tão unidas que são um Deus, e a essência divina é comum ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.</p>
<p>A Escritura ensina-nos manifesta distinção de pessoas, quando o anjo diz, entre outras coisas, à bem-aventurada Virgem; “Descerá sobre ti o Espírito Santo e o poder do Altíssimo te envolverá com a sua sombra; por isso também o ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Luc 1.35). E, igualmente, no batismo de Cristo, ouve-se uma voz do céu a seu respeito, dizendo: “Este é o meu Filho amado” (Mat 3.17). O Espírito Santo também apareceu em forma de pomba (João 1.32). E, quando o Senhor mesmo mandou os apóstolos batizar, mandou-os batizar “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mat 28.19). Em outra parte do Evangelho, diz ele: “O Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu nome” (João 14.26). E noutro lugar: “Quando, porém, vier o Consolador, que eu vos enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que dele procede, esse dará testemunho de mim”, etc. (João 15.26). Em resumo, recebemos o Credo dos Apóstolos, porque ele nos comunica a verdadeira fé.</p>
<p><strong><em>Heresias</em></strong>. Portanto, condenamos judeus e maometanos, e todos quantos blasfemam da Trindade santa e digna de adoração. Condenamos, também, todas as heresias e os heréticos que ensinam que o Filho e o Espírito Santo são Deus apenas de nome, e ainda que há algo criado e subserviente, ou subordinado a outro, na Trindade, e que nela há algo desigual, maior ou menor, corpóreo ou corporeamente concebido, diferente quanto aos costumes ou à vontade, confuso ou solitário, como se o Filho e o Espírito Santo fossem os sentimentos e propriedades de um Deus o Pai, como pensavam os monarquistas, os novacianos, Praxeas, os patripassianos, Sabélio, Paulo de Samosata, Êcio, Macedônio, os antropomorfitas, Ário e outros semelhantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>4. Dos ídolos ou imagens de Deus, de Cristo e dos santos </strong></p>
<p><strong><em>Imagens de Deus</em></strong>. Visto que Deus como Espírito é, em essência, invisível e imenso, não pode, certamente, ser expresso por qualquer arte ou imagem. Por essa razão, não tememos afirmar com a Escritura que imagens de Deus não passam de mentiras. Assim, rejeitamos não somente os ídolos dos gentios mas também as imagens dos cristãos.</p>
<p><strong><em>Imagens de Cristo</em></strong>. Embora Cristo tenha assumo a natureza humana, não a assumiu para fornecer modelo a escultores e pintores. Afirmou que não veio “revogar a lei ou os profetas” (Mat 5.17). E as imagens são proibidas pela lei e pelos profetas (Deut 4.15; Is 44.9). Afirmou que a sua presença corporal não seria de proveito para a Igreja, e prometeu que estaria junto de nós, para sempre, pelo seu Espírito (João 16.7). Quem, pois, haveria de crer que uma sombra ou semelhança de seu corpo traria qualquer benefício para as almas piedosas? (II Co 5.5). Se ele vive em nós pelo seu Espírito, somos já os templos de Deus (I Co 3.16). Mas, “que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos?” (II Co 6.16).</p>
<p><strong><em>Imagens de santos</em></strong>. E desde que os espíritos bem-aventurados e os santos do céu, quando viviam aqui na terra, rejeitaram qualquer culto de si mesmos (At 3.12 ss; 14.11 ss; Apoc 14.7; 22.9) e condenaram as imagens, poderá alguém achar plausível que os santos e anjos celestiais se agradem com suas imagens, diante das quais os homens se ajoelham, descobrem as cabeças e dispensam outras honras?</p>
<p>Para instruir os homens na religião e relembrá-los das coisas divinas e da sua salvação, o Senhor ordenou que se pregasse o Evangelho (Mc 16.15) &#8211; e não que se pintassem quadros para ensinar os leigos. Instituiu também os sacramentos, mas em nenhum lugar estabeleceu imagens.</p>
<p><strong><em>A escritura dos leigos</em></strong>. Demais, para onde quer que volvamos os olhos, vemos as criaturas de Deus, vivas e verdadeiras ao nosso olhar, as quais, se bem examinadas como convém, causam ao observador uma impressão muito mais viva do que todas as imagens ou pinturas vãs, imóveis, frágeis e mortas, feitas pelos homens, das quais com razão disse o profeta: “Têm olhos, e não vêem” (Sal 115.5).</p>
<p><strong><em>Lactâncio, Epifânio e Jerônimo</em></strong>. Por isso aprovamos a opinião de Lactânio, escritor antigo, que diz: “Indubitavelmente nenhuma religião existe onde há uma imagem”. Afirmamos, também, que o bem-aventurado bispo Epifânio procedeu bem quando, ao encontrar nas portas de uma igreja um véu no qual estava pintada uma figura que se dizia ser de Cristo ou de algum santo, rasgou-o e o arrancou dali, por ver, contra a autoridade da Escritura, a figura de um homem afixada na Igreja de Cristo. Por isso, ele ordenou que dali por diante tais véus, que eram contrários à nossa religião, não fossem afixados na Igreja de Cristo, mas antes fossem removidas essas coisas duvidosas, indignas da Igreja de Cristo e dos fiéis. Além disso, aprovamos esta afirmação de Santo Agostinho sobre a verdadeira religião: “Não seja a nossa religião um culto de obras humanas: os próprios artistas que as fazem são melhores do que elas; no entanto, não devemos adorá-los” (<em>De Vera Religione</em>, IV, 108).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>5. Da adoração, do culto<br />
e da invocação de Deus por Jesus Cristo, único Mediador </strong></p>
<p><strong><em>Somente Deus deve ser adorado e cultuado</em></strong>. Ensinamos que somente o verdadeiro Deus deve ser adorado e cultuado. Esta honra não concedemos a nenhum outro, segundo o mandamento do Senhor: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele darás culto” (Mat 4.10). Sem dúvida, todos os profetas censuraram severissimamente o povo de Israel todas as vezes que este adorou e cultuou deuses estranhos e não o único Deus verdadeiro. E ensinamos que Deus deve ser adorado e cultuado como ele mesmo nos ensinou a cultuá-lo, a saber, “em Espírito e em verdade” (João 4.23 ss), e não com qualquer superstição, mas com sinceridade, segundo a sua Palavra; para que, em tempo algum, não venha ele a dizer-nos: “Quem vos requereu o só pisardes os meus átrios?” (Is 1,12; Jer 6,20). São Paulo também diz: “Deus não é servido por mãos humanas, como se de alguma cousa precisasse”, etc. (At 17,25).</p>
<p><strong><em>Só Deus deve ser invocado pela exclusiva mediação de Cristo</em></strong>. Em todas as crises e provações de nossa vida invocamos somente a ele e isso pela mediação de Jesus Cristo, nosso único mediador e intercessor. Eis o que nos é claramente ordenado: “Invoca-me no dia da angústia: eu te livrarei, e tu me glorificarás” (Sal 50,15). Temos uma promessa generosíssima do Senhor, que disse: “Se pedirdes alguma cousa ao Pai, ele vo-la concederá em meu nome” (João 16,23), e: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mat 11,28). Está escrito: “Como, porém, invocarão aquele em que não creram?” (Rom 10.14). Nós cremos em um só Deus, e só a ele invocamos, e o fazemos mediante Cristo. “Porquanto há um só Deus, diz o Apóstolo, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem” (I Tim 2,5). Também se diz: “Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo”, etc. (I João 2,1).</p>
<p><strong><em>Os santos não devem ser adorados, cultuados ou invocados</em></strong>. Por essa razão não adoramos, nem cultuamos nem invocamos os santos dos céus, nem outros deuses, nem os reconhecemos como nossos intercessores ou mediadores perante o Pai que está no céu. Deus e Cristo, o Mediador, nos são suficientes. Nem concedemos a outros a honra que é devida somente a Deus e ao seu Filho, porque ele claramente disse: “A minha glória, pois, não a darei a outrem” (Is 42.8). E porque São Pedro disse: “Porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”, a não ser o nome de Cristo (At 4,12). Nele, os que dão seu assentimento pela fé não buscam coisa alguma além de Cristo.</p>
<p><strong><em>A honra devida aos santos</em></strong>. Entretanto, não desprezamos os santos nem os tratamos como seres vulgares. Reconhecemo-los como membros vivos de Cristo e amigos de Deus, que venceram gloriosamente a carne e o mundo. Por isso nós os amamos como irmãos e também os honramos; não, porém, com qualquer espécie de culto, mas os encaramos com apreciação e respeito e com justos louvores. Também os imitamos, pois com ardentíssimos anseios e súplicas desejamos ser imitadores da sua fé e das suas virtudes, partilhar com eles a salvação eterna, habitar eternamente com eles na presença de Deus e regozijar-nos com eles em Cristo. Neste ponto aprovamos o que diz Santo Agostinho: “Não seja a nossa religião um culto dos mortos. Pois, se viveram vidas santas, não devemos supor que estejam à procura de tais honras; ao contrário, querem que adoremos aquele por cuja iluminação eles se alegram de que sejamos conservos dos seus méritos. Devem, portanto, ser honrados pela imitação, e não adorados por religião”, etc. (<em>De Vera Religione</em>, LV, 108).</p>
<p><strong><em>Relíquias dos santos</em></strong>. Muito menos cremos que as relíquias dos santos devem ser adoradas ou cultuadas. Aqueles santos antigos pareciam ter honrado suficientemente seus mortos, se de modo decente tinham entregado seus restos mortais à terra, depois que os espíritos subiram ao alto. E consideravam que as mais nobres relíquias de seus ancestrais eram suas virtudes, sua doutrina e sua fé, as quais, como eles as recomendavam pelo louvor dos seus mortos, assim se esforçavam para imitá-las enquanto viviam na terra.</p>
<p><strong><em>Juramento só pelo nome de Deus</em></strong>. Aqueles homens antigos não juravam senão pelo nome do único Deus, Javé, como ordenava a lei divina. Como por ela é proibido jurar pelo nome de deuses estranhos (Êx 23.13; Deut 10.20), assim não juramos em nome dos santos, como se exige de nós. Rejeitamos, portanto, em todas estas questões, uma doutrina que atribui mais do que o devido aos santos que estão nos céus.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>6. Da providência de Deus </strong></p>
<p><strong><em>Todas as coisas são governadas pela providência de Deus</em></strong>. Cremos que tudo o que há no céu e na terra, e em todas as criaturas, é preservado e governado pela providência deste Deus sábio, eterno e onipotente. Davi o testifica e diz: “Excelso é o Senhor acima de todas as nações, e a sua glória acima dos céus. Quem há semelhante ao Senhor nosso Deus, cujo trono está nas alturas; que se inclina para ver o que se passa no céu e sobre a terra?” (Sal 113,4 ss). Outra vez: “Esquadrinhas&#8230; todos os meus caminhos. Ainda a palavra me não chegou à língua, e tu, Senhor, já a conheces toda” (Sal 139, 3 ss). São Paulo também testifica e declara: “Nele vivemos, e nos movemos, e existimos” (At 17, 28), e “dele e por meio dele e para ele são todas as cousas” (Rom 11, 36). Portanto Santo Agostinho, muito acertadamente e segundo a Escritura, declarou em seu livro <em>De Agone Christi</em>, cap. 8: “O Senhor disse: ‘Não se vendem dois pardais por um asse? e nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai’” (Mat 10.29). Assim falando, ele quis mostrar que aquilo que os homens consideram de valor insignificante é governado pela onipotência de Deus. Porquanto aquele que é a verdade diz que as aves do céu são alimentadas por ele e os lírios do campo são vestidos por ele; e diz também, que os cabelos de nossa cabeça estão contados (Mat 6.26 ss).</p>
<p><strong><em>Os Epicureus</em></strong>. Condenamos, portanto, os epicureus que negam a providência de Deus e todos quantos blasfemem dizendo que Deus está ocupado com os céus e nem nos vê, nem vê nossos interesses, nem cuida de nós. Davi, o rei-profeta, também os condenou, quando disse: “Senhor, até quando exultarão os perversos? Dizem: O Senhor não vê; nem disso faz caso o Deus de Jacob. Atendei, ó estúpidos dentre o povo; e vós insensatos, quando sereis prudentes? O que fez o ouvido, acaso não ouvirá? e o que formou os olhos, será que não enxerga?” (Sal 94, 3.7-9).</p>
<p><strong><em>Os meios não devem ser desprezados</em></strong>. Entretanto, não desprezamos como inúteis os meios pelos quais opera a providência divina, mas ensinamos que devemos acomodar-nos a eles, na medida em que nos são recomendados na Palavra de Deus. Eis por que desaprovamos as afirmações temerárias daqueles que dizem que, se todas as coisas são geridas pela providência de Deus, então nossos esforços e diligências são inúteis. Seria o bastante deixarmos tudo ao governo da divina providência e não nos preocuparmos nem fazermos coisa alguma. São Paulo reconhecia que navegava sob a providência de Deus, que lhe dissera: “&#8230;deste testemunho a meu respeito em Jerusalém, assim importa que também o faças em Roma” (At 23.11), e em adição lhe havia prometido: “Porque nenhuma vida se perderá de dentre vós&#8230; pois nenhum de vós perderá nem mesmo um fio de cabelo” (At. 27, 22.34). Todavia, quando os marinheiros estavam pensando em abandonar o navio, ele mesmo disse ao centurião e aos soldados: “Se estes não permanecerem a bordo, vós não podereis salvar-vos” (At 27.31). Deus, que destinou a cada coisa o seu fim, ordenou o começo e os meios pelos quais a coisa atinge seu alvo. Os pagãos atribuem as coisas à fortuna cega e ao acaso incerto. No entanto, São Tiago não deseja que digamos: “Hoje, ou amanhã, iremos para a cidade tal, e lá passaremos um ano, e negociaremos e teremos lucros”, mas aconselha: “Em vez disso, deveis dizer: Se o Senhor quiser, não só viveremos, como faremos isto ou aquilo” (Tiago 4, 13.15). E Santo Agostinho diz: “Tudo o que para os homens vãos, na natureza parece acontecer por acidente, realiza simplesmente a sua Palavra, porque não acontece senão por sua ordem” (<em>Enarrationes in Psalmos</em>, 148). Assim, parecia acontecer por mero acaso quando Saul, enquanto procurava as jumentas de seu pai, inesperadamente se encontrou com o profeta Samuel. Mas previamente o Senhor dissera ao profeta: “Amanhã a estas horas te enviarei um homem da terra de Benjamim” (I Sam 9.16).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>7. Da criação de todas as coisas: dos anjos, do diabo e do homem </strong></p>
<p><strong><em>Deus criou todas as coisas</em></strong>. Este Deus bom e onipotente criou todas as coisas, visíveis e invisíveis, pela sua Palavra co-eterna, e as preserva pelo seu Espírito co-eterno, como Davi testificou, quando disse: “Os céus por sua palavra se fizeram, e pelo sopro de sua boca o exército deles” (Sal 33.6). E, como diz a Escritura, tudo o que Deus fez era muito bom, e foi feito para proveito e uso do homem. Ora, afirmamos que todas aquelas coisas partiram de um princípio.</p>
<p><strong><em>Maniqueus e Marcionitas</em></strong>. Portanto, condenamos os maniqueus e os marcionitas que impiamente imaginaram duas substâncias e duas naturezas, a do bem e a do mal; também dois princípios e dois deuses, um contrário ao outro, um bom e um mau.</p>
<p><strong><em>Dos anjos e do diabo</em></strong>. Entre todas as criaturas, os anjos e os homens são os mais excelentes. Dos anjos declara a Santa Escritura: “Fazes a teus anjos ventos, e a teus ministros, labaredas de fogo” (Sal 104, 4). Diz ainda: “Não são todos eles espíritos ministradores enviados para serviço, a favor dos que hão de herdar a salvação?” (Heb 1, 14). Do Diabo testifica o próprio Senhor Jesus: “Ele foi homicida desde o princípio e jamais se firmou na verdade. Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). Portanto, ensinamos que alguns anjos persistiram na obediência e foram designados para fiel serviço a Deus e aos homens, mas outros caíram pela sua própria vontade e foram precipitados na ruína, tornando-se inimigos de todo o bem e dos fiéis, etc.</p>
<p><strong><em>Do homem</em></strong>. Já do homem diz a Escritura que no princípio ele foi criado bom, à imagem e semelhança de Deus, que Deus o colocou no Paraíso e lhe sujeitou todas as coisas (Gén cap. 2). Isso é o que Davi magnificamente celebra no Salmo 8. Além disso, Deus lhe deu uma esposa e os abençoou. Afirmamos também que o homem consiste de duas substâncias diferentes numa pessoa: de uma alma imortal, que, quando separada do corpo, nem dorme nem morre, e de um corpo mortal que, porém, ressuscitará dos mortos no juízo final, de modo que desde então o homem todo, na vida ou na morte, viva para sempre.</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Condenamos todos os que ridicularizam ou mediante argumentos subtis põem em dúvida a imortalidade das almas, ou dizem que a alma dorme ou é parte de Deus. Em resumo, condenamos todas as opiniões de todos os homens, por mais numerosos que sejam, que ensinam diversamente do que, a respeito da criação, dos anjos e dos demônios, e do homem, nos foi ensinado pelas Santas Escrituras na Igreja apostólica de Cristo.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>8. Da queda do homem, do pecado e sua causa </strong></p>
<p><strong>A queda do homem</strong>. Desde o inicio foi o homem Por Deus criado à imagem de Deus, em justiça e santidade de verdade, bom e reto, mas, por instigação da serpente e pela sua própria culpa, ele se afastou da bondade e da retidão e tornou-se sujeito ao pecado, à morte e a várias calamidades. E qual veio ele a ser pela queda &#8211; isto é, sujeito ao pecado, à morte e a várias calamidades &#8211; tais são todos os que dele descenderam.</p>
<p><strong><em>Pecado</em></strong>. Por pecado entendemos a corrupção inata do homem, que se comunicou ou propagou de nossos primeiros pais, a todos nós, pela qual nós &#8211; mergulhados em más concupiscências, avessos a todo o bem, inclinados a todo o mal, cheios de toda impiedade, de descrenças, de desprezo e de ódio a Deus &#8211; nada de bom podemos fazer, e, até, nem ao menos podemos pensar por nós mesmos. Além disso, à medida que passam os anos, por pensamentos, palavras e obras más, contrárias à lei de Deus, produzimos frutos corrompidos, dignos de uma árvore má (Mat 12,33 ss). Por essa razão, sujeitos à ira de Deus, por nossas próprias culpas, estamos expostos ao justo castigo, de modo que todos nós teríamos sido por Deus lançados fora, se Cristo, o Libertador, não nos tivesse reconduzido.</p>
<p><strong><em>Morte</em></strong>. Por morte entendemos não só a morte corpórea, que todos nós teremos de experimentar uma vez, por causa dos pecados, mas também os suplícios eternos devidos aos nossos pecados e à nossa corrupção. Eis o que diz o apóstolo: “Estando vós mortos nos vossos delitos e pecados&#8230; éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia&#8230; e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo” (Ef 2.1 ss). E também: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Rom 5.12).</p>
<p><strong><em>Pecado original; pecados atuais</em></strong>. Reconhecemos, portanto, que há pecado original em todos os homens. Reconhecemos que todos os outros pecados que deste provêm são chamados, e verdadeiramente são, pecados, qualquer que seja o nome que lhes seja dado &#8211; pecados mortais, veniais ou mesmo aquele que é chamado pecado contra o Espírito Santo, que nunca é perdoado (Mc 3.29; I João 5.16). Confessamos também que os pecados não são iguais: embora surjam da mesma fonte de corrupção e incredulidade, alguns são mais graves que os outros. Como disse o Senhor, haverá mais tolerância para Sodoma do que para a cidade que rejeita a palavra do Evangelho (Mat 10.14 ss; 11.20 ss).</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Condenamos, portanto, todos os que ensinaram o contrário disto, especialmente Pelágio e todos os pelagianos, juntamente com os jovinianos, que, com os estóicos, consideravam todos os pecados como iguais. Em toda esta questão concordamos com Santo Agostinho, que das Escrituras Sagradas extraiu seu ponto de vista e por elas o defendeu. Mais ainda, condenamos Florino e Blasto, contra quem escreveu Irineu, e todos os que fazem Deus o autor do pecado.</p>
<p><strong><em>Deus não é o autor do pecado; e até onde se pode dizer que ele endurece</em></strong>. Está claramente escrito: “Tu não és Deus que se agrade com a iniqüidade. Aborreces a todos que praticam iniqüidade. Tu destróis os que proferem mentira” (Sal 5.4 ss). E de novo: “Quando ele profere a mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso e pai da mentira” (João 8.44). Além disso, há em nós suficiente pecado e corrupção, não sendo necessário que Deus em nós infunda uma nova e ainda maior depravação. Quando, portanto, se diz nas Escrituras que Deus endurece, cega e entrega a uma disposição réproba de mente, deve-se entender que Deus o faz mediante um justo juízo, como um Juiz Vingador e justo. Finalmente, sempre que na Escritura se diz ou parece que Deus faz algo mal, não se diz, por isso, que o homem não pratique o mal, mas que Deus o permite e não o impede, segundo o seu justo juízo, que poderia impedi-lo se o quisesse, ou porque ele transforma o mal do homem em bem, como fez no caso do pecado dos irmãos de José, ou porque ele próprio controla os pecados, para que não irrompam e grassem mais largamente do que convém. Santo Agostinho escreve em seu <em>Enchiridion</em>: “De modo admirável e inexplicável não se faz além da sua vontade aquilo que contra a sua vontade faz. Pois não se faria, se ele não o permitisse. E, no entanto, ele não o permite contra a vontade, mas voluntariamente. O bom não permitiria que se fizesse o mal, a não ser que, sendo onipotente, pudesse do mal fazer o bem”. É isso o que ele diz.</p>
<p><strong><em>Questões curiosas</em></strong>. As demais questões &#8211; tais como, se Deus quis que Adão caísse, ou se o incitou à queda, ou por que não impediu a queda e outras semelhantes &#8211; nós as reconhecemos como curiosas (salvo, talvez, se a impiedade dos heréticos ou de outros homens grosseiros nos leve a explicá-las também, com base na Palavra de Deus, como freqüentemente o fizeram os piedosos doutores da Igreja), sabendo que o Senhor proibiu o homem de comer do fruto proibido e puniu sua transgressão. Sabemos também que as coisas que se fazem não são más com respeito à providência, à vontade e ao poder de Deus, mas com respeito a Satanás e à nossa vontade que se opõe à vontade de Deus.</p>
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<p align="center"><strong>9. Do livre arbítrio e da capacidade humana </strong></p>
<p>Nesta questão, que sempre produziu muitos conflitos na Igreja, ensinamos que se deve considerar uma tríplice condição ou estado do homem.</p>
<p><strong><em>Qual era o homem antes da queda</em></strong>. Há o estado em que o homem se encontrava no princípio, antes da queda; era certamente reto e livre, de modo que podia continuar no bem ou declinar para o mal, mas inclinou-se para o mal e se envolveu a si mesmo e a toda a raça humana em pecado e morte, como se disse acima.</p>
<p><strong><em>Qual se tornou o homem depois da queda</em></strong>. Depois, importa considerar qual se tornou o homem depois da queda. Sem dúvida, seu entendimento não lhe foi retirado, nem foi ele privado de vontade, nem foi transformado inteiramente numa pedra ou árvore; mas seu entendimento e sua vontade foram de tal sorte alterados e enfraquecidos que não podem mais fazer o que podiam antes da queda. O entendimento se obscureceu, e a vontade, que era livre, tornou-se uma vontade escrava. Agora ela serve ao pecado, não involuntária mas voluntariamente. Tanto é assim que o seu nome é “vontade”; não é “não – vontade”.</p>
<p><strong><em>O homem pratica o mal por sua própria vontade</em></strong>. Portanto, quanto ao mal ou ao pecado, o homem não é forçado por Deus ou pelo Diabo, mas pratica o mal espontaneamente e nesse sentido ele tem arbítrio muito livre. Mas o fato de vermos, não raro, que os piores crimes e desígnios dos homens são impedidos por Deus de atingir seus propósitos não tolhe a liberdade do homem na prática do mal, mas é Deus que pelo seu próprio poder impede aquilo que o homem livremente determinou de modo diverso. Assim, os irmãos de José livremente determinaram desfazer-se dele, mas não o puderam, porque outra coisa parecia bem ao conselho de Deus.</p>
<p><strong><em>O homem por si só não é capaz do bem</em></strong>. Com referência ao bem e à virtude, o entendimento do homem, por si mesmo, não julga retamente a respeito das coisas divinas. A Escritura evangélica e apostólica requer regeneração de todos aqueles de entre nós que desejamos ser salvos. Por conseguinte, nosso primeiro nascimento de Adão em nada contribui para nossa salvação. São Paulo diz: “O homem natural não aceita as cousas do Espírito de Deus”, etc. (I Co 2.14). E em outra passagem ele afirma que nós, por nós mesmos, não somos capazes de pensar nada de bom (II Co 3.5). Ora, sabe-se que a mente ou entendimento é a luz da vontade, e quando o guia é cego, é óbvio até onde a vontade poderá chegar. Por isso, o homem ainda não regenerado não tem livre arbítrio para o bem e nenhum poder para realizar o que é bom. O Senhor diz no Evangelho: “Em verdade, em verdade vos digo: Todo o que comete pecado é escravo do pecado” (João 8.34). E o apóstolo São Paulo diz: “Por isso o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar” (Rom 8.7). O entendimento das coisas terrenas, porém, não é inteiramente nulo no homem decaído.</p>
<p><strong><em>Compreensão das artes</em></strong>. Deus em sua misericórdia permitiu que permanecesse o talento natural, apesar de este distar muito daquele que existia no homem antes da queda. Deus manda o homem cultivar o seu talento e, ao mesmo tempo, lhe acrescenta dons e favores. E é manifesto que não fazemos nenhum progresso em todas as artes sem a bênção de Deus. Certamente, a Escritura atribui todas as artes a Deus; e, na verdade, até os pagãos atribuem a origem das artes a deuses, que seriam os seus inventores.</p>
<p><strong><em>Quais são os poderes dos regenerados, e de que modo é livre o seu arbítrio</em></strong>. Finalmente, devemos ver se os regenerados têm e até que ponto têm livre arbítrio. Na regeneração, o entendimento é iluminado pelo Espírito Santo, para que compreenda os mistérios e a vontade de Deus. E a própria vontade não é somente mudada pelo Espírito, mas é também equipado com poderes, de modo, que ela espontaneamente deseje o bem e seja capaz de praticá-la (Rom 8.1 ss). Se não concedermos isso, negaremos a liberdade cristã e introduziremos uma servidão geral. Mas também o profeta registra o que Deus diz: “Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei” (Jer 31.33; Ez 36.26 ss). E o Senhor também diz no Evangelho: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36). E São Paulo também escreve aos filipenses: “Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo, e não somente de crerdes nele” (Fil 1.29). E outra vez: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus” (v. 6). E ainda: “Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (2.13).</p>
<p><strong><em>Os regenerados operam não só passiva, mas ativamente</em></strong>. Entretanto, ensinamos que há duas coisas a serem observadas: Primeiro, que os regenerados, na sua eleição e operação, não agem só passiva mas ativamente. São levados por Deus a fazer por si mesmos o que fazem. Santo Agostinho muito bem afirma que “Deus é nosso ajudador. Mas ninguém pode ser ajudado, se não aquele que faz alguma coisa”. Os maniqueus despojavam o homem de toda ação e o faziam semelhante a uma pedra ou a um pedaço de pau.</p>
<p><strong><em>O livre arbítrio é fraco nos regenerados</em></strong>. Segundo, nos regenerados permanece a fraqueza. Desde que o pecado permanece em nós, e nos regenerados a carne luta contra o espírito até o fim de nossa vida, eles não conseguem realizar livremente tudo o que planejaram. Isso é confirmado pelo apóstolo em Rom 7 e Gal 5. Portanto, é fraco em nós o livre arbítrio por causa dos remanescentes do velho Adão e da corrupção humana inata, que permanece em nós até o fim de nossa vida. Entretanto, desde que os poderes da carne e os remanescentes do velho homem não são tão eficazes que extingam totalmente a operação do Espírito, os fiéis são por isso considerados livres, mas de modo tal que reconhecem a própria fraqueza e não se gloriam de modo algum em seu livre arbítrio. Os fiéis devem ter sempre em mente o que Santo Agostinho tantas vezes inculca, segundo o apóstolo: “o que tendes que não recebestes? Se, pois, o recebestes, por que vos vangloriais, como se não fosse um dom?” A isso ele acrescenta que aquilo que planejamos não acontece imediatamente, pois os resultados das coisas estão nas mãos de Deus. Esta a razão por que São Paulo ora ao Senhor para promover sua viagem (Rom 1.10). E esta é também a razão pela qual o livre arbítrio é fraco.</p>
<p><strong><em>Nas coisas externas há liberdade</em></strong>. Todavia, ninguém nega que nas coisas externas tanto os regenerados como os não-regenerados gozam de livre arbítrio. O homem tem em comum com os outros animais (aos quais ele não é inferior) esta natureza de querer umas coisas e não querer outras. Assim, ele pode falar ou ficar calado, sair de sua casa ou nela permanecer, etc. Contudo, mesmo aqui deve-se ver sempre o poder de Deus, pois essa foi a causa por que Balaão não pôde ir tão longe quanto desejava (Num, cap. 24), e Zacarias, ao voltar do templo, não podia falar como era seu desejo (Luc, cap. 1).</p>
<p><strong><em>Heresias</em></strong>. Nesta questão, condenamos os maniqueus, os quais afirmam que o início do mal, para o homem bom, não foi de seu livre arbítrio. Condenamos, também, os pelagianos, que afirmam que um homem mau tem suficiente livre arbítrio para praticar o bem que lhe é ordenado. Ambos são refutados pela Santa Escritura, que diz aos primeiros: “Deus fez o homem reto”; e aos segundos: “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8.36).</p>
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<p align="center"><strong>10. Da predestinação de Deus e da eleição dos santos </strong></p>
<p><strong><em>Deus nos elegeu pela graça</em></strong>. Deus, desde a eternidade, livremente e movido apenas pela sua graça, sem qualquer respeito humano, predestinou ou elegeu os santos que ele quer salvar em Cristo, segundo a palavra do apóstolo: “Ele nos escolheu nele antes da fundação do mundo” (Ef 1.4); e de novo: “&#8230; que nos salvou, e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos, e manifestada agora pelo aparecimento de nosso Salvador Cristo Jesus” (II Tim 1.9-10).</p>
<p><strong><em>Somos eleitos ou predestinados em Cristo</em></strong>. Portanto, não foi sem medo, embora não por qualquer mérito nosso, mas em Cristo e por causa de Cristo que Deus nos elegeu, para que aqueles que agora se encontram enxertados em Cristo pela fé também sejam eleitos, mas sejam rejeitados aqueles que estão fora de Cristo, segundo a palavra do apóstolo: “Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé; provai-vos a vós mesmos. Ou não reconheceis que Jesus Cristo está em vós? Se não é que já estais reprovados” (II Co 13.5).</p>
<p><strong><em>Somos eleitos para um fim determinado</em></strong>. Finalmente, os santos são eleitos em Cristo por Deus para um fim determinado, que o apóstolo esclarece, quando diz: “Ele nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo&#8230; para o louvor da glória de sua graça” (Ef 1.4-6).</p>
<p><strong><em>Devemos bem esperar acerca de todos</em></strong>. E, embora Deus conheça os que são seus, e nalgum lugar se faça menção do reduzido número dos eleitos, devemos, contudo, bem esperar acerca de todos, e não julgar apressadamente nenhum homem como rejeitado. São Paulo diz aos filipenses: “Dou graças ao meu Deus por tudo que recordo de vós” (ora, ele fala de toda a Igreja dos filipenses), “pela vossa cooperação no Evangelho&#8230; Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fil 1.3-7).</p>
<p><strong><em>Sobre se são poucos os eleitos</em></strong>. E, quando perguntaram ao Senhor se eram poucos os que seriam salvos, ele não respondeu que poucos ou muitos seriam salvos ou condenados, mas antes exortou todo homem a “esforçar-se por entrar pela porta estreita” (Luc 13.24). É como se dissesse: “Não vos compete inquirir com muita curiosidade acerca dessas questões, mas antes esforçar-vos por entrar no céu pelo caminho estreito”.</p>
<p><strong><em>O que deve ser condenado nesse caso</em></strong>. Por isso, não aprovamos as afirmações ímpias de alguns que dizem: “Poucos são os eleitos, e, como eu não sei se estou no número desses poucos, não me privarei dos prazeres”. Outros dizem: “Se sou predestinado ou eleito por Deus, nada me impedirá da salvação, já certamente determinada, seja o que for que eu fizer. Mas, se estou no número dos rejeitados, nenhuma fé ou arrependimento poderá valer-me, visto que a determinação de Deus não pode ser mudada. Portanto, todas as doutrinas e advertências são inúteis”. Mas o ensino do apóstolo contradiz estes homens: “O servo do Senhor deve ser apto para instruir&#8230; disciplinando com mansidão os que se opõem, na expectativa de que Deus lhes conceda não só o arrependimento &#8230; livrando-se eles dos laços do diabo, tendo sido feitos cativos por ele, para cumprirem a sua vontade” (II Tm 2.24-26).</p>
<p><strong><em>As admoestações não são inúteis pelo fato de a salvação vir da eleição</em></strong>. Santo Agostinho também mostra que devem ser pregadas tanto a graça da livre eleição e predestinação como também as admoestações e doutrinas da salvação (<em>De Bono Perseverantiae</em>, cap. 14 ss),</p>
<p><strong><em>Se somos eleitos</em></strong>. Condenamos, portanto, aqueles que, fora de Cristo, perguntam se são eleitos, e o que sobre eles decretou Deus antes de toda a eternidade, pois deve ser ouvida a pregação do Evangelho e deve-se crer nele, e deve-se ter como fora de dúvida que, se alguém crê e está em Cristo, é eleito. Com efeito, o Pai nos revelou em Cristo o eterno propósito da sua predestinação, como ainda há pouco expus, pelo que diz o apóstolo, em II Tim 1.9-10. Deve-se, pois, ensinar e antes de tudo considerar quão grande amor do Pai para conosco nos foi revelado em Cristo. Devemos ouvir o que o próprio Senhor diariamente nos prega no Evangelho, como ele nos chama e diz: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mat 11.28); “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (João 3.16). E ainda: “Não é a vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos” (Mat 18.14).</p>
<p><strong><em>Seja, pois, Cristo o espelho, no qual contemplemos a nossa predestinação</em></strong>. Teremos um testemunho bastante claro e seguro de que estamos inscritos no Livro da Vida, se tivermos comunhão com Cristo, e se ele for nosso e nós dele em verdadeira fé.</p>
<p><strong><em>Tentação sobre a predestinação</em></strong>. Na tentação sobre a predestinação, que é, talvez, mais perigosa do que qualquer outra, console-nos o fato de que as promessas de Deus são universais para os fiéis, pois ele diz: “Pedi, e dar-se-vos-á&#8230; Pois todo o que pede recebe” (Luc 11.9-10). É, finalmente, o que pedimos com toda a Igreja de Deus: “Pai nosso que nos céus” (Mat 6.9). Fomos enxertados no corpo de Cristo, pelo batismo, e da sua carne e do seu sangue nos alimentamos freqüentemente em sua Igreja, para a vida eterna. Fortalecidos por essas bênçãos, segundo o preceito de São Paulo recebemos ordem de operar a nossa salvação com temor e tremor.</p>
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<p align="center"><strong>11. De Jesus Cristo, verdadeiro Deus<br />
e verdadeiro homem, único Salvador do mundo </strong></p>
<p><strong><em>Cristo é verdadeiro Deus</em></strong>. Além disso, ensinamos que o Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, foi, desde a eternidade, predestinado ou pré-ordenado pelo Pai para ser o Salvador do Mundo. E cremos que ele nasceu, não somente quando da Virgem Maria assumiu a carne, nem apenas antes que se lançassem os fundamentos do mundo, mas antes de toda a eternidade e certamente pelo Pai, de um modo inexprimível. Isaías diz: “E da sua linhagem quem dela cogitou?” (cap. 53.8). E Miquéias diz “E cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miq 5.2). Também São João disse no Evangelho: “No principio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”, etc. (cap. 1.1). Portanto, quanto à sua divindade, o Filho é co-igual e consubstancial com o Pai; verdadeiro Deus (Fil 2.11), não de nome ou por adoção ou por qualquer dignidade, mas em substância e natureza, como disse o apóstolo São João: “Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (I João 5.20). São Paulo também diz: “A quem constituiu herdeiro de todas as cousas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu ser, sustentando todas as cousas pela palavra do seu poder” (Heb I.2 ss). E no Evangelho o Senhor mesmo também disse: “Glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (João 17.5). Em outro lugar do Evangelho também está escrito: “Os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque&#8230; também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (João 5.18).</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Abominamos, pois, a doutrina ímpia de Ário e de todos os arianos contra o Filho de Deus, e especialmente as blasfêmias do espanhol, Miguel Serveto, e de todos os servetanos, que Satanás, por meio deles, retirou do inferno, por assim dizer, e vai espalhando por todo o mundo, audaciosa e impiamente.</p>
<p><strong><em>Cristo é verdadeiro homem, tendo verdadeira carne</em></strong>. Cremos também e ensinamos que o eterno Filho do eterno Deus se fez Filho do homem, da semente de Abraão e David, não com concurso carnal do homem, como diz Ébion, mas concebido do Espírito Santo com toda a pureza e nascido da sempre virgem Maria, como a história evangélica cuidadosamente nos explica (Mat, cap.1). E São Paulo diz: “Ele não assumiu a natureza de anjos, mas a da semente de Abraão”. Também o apóstolo São João diz que todo aquele que não crê que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus. Portanto, a carne de Cristo não era nem imaginária nem trazido do céu, como erradamente sonhavam Valentino e Márcion.</p>
<p><strong><em>Alma racional em Cristo</em></strong>. Além disso, nosso Senhor Jesus Cristo não possuiu uma alma desprovida de percepção e de razão, como pensava Apolinário, nem carne sem alma, como ensinava Eudômio, mas alma com sua razão e carne com seus sentidos, pelos quais por ocasião de sua paixão ele suportou dores reais, como ele mesmo testifica quando diz: “A minha alma está profundamente triste até à morte” (Mat 26.38); “Agora está angustiada a minha alma” (João 12.27).</p>
<p><strong><em>Duas naturezas em Cristo</em></strong>. Reconhecemos, portanto, duas naturezas ou substâncias, a divina e a humana, num e no mesmo Senhor nosso Jesus Cristo (Heb, cap. 2). E dizemos que elas estão ligadas e unidas uma com a outra de tal modo que não foram absorvidas, ou confundidas, ou misturadas, mas unidas ou integradas numa pessoa &#8211; com as propriedades das naturezas intactas e permanentes.</p>
<p><strong><em>Não dois, mas um só Cristo</em></strong>. Assim, não adoramos dois, mas um Cristo, o Senhor, um verdadeiro Deus e verdadeiro homem, segundo a natureza divina, consubstancial com o Pai, e segundo a natureza humana, consubstancial com os homens e semelhante a nós em todas as coisas, excepto no pecado (Heb 4.15).</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Certamente abominamos o dogma nestoriano, que de um Cristo faz dois e dissolve a união da Pessoa. Semelhantemente, execramos totalmente a loucura de Eutiques e dos monotelitas ou monofisitas, que destrói a propriedade da natureza humana.</p>
<p><strong><em>A natureza divina de Cristo não sofreu e a humana não está em toda a parte</em></strong>. Portanto, de modo nenhum ensinamos que a natureza divina em Cristo sofreu, ou que Cristo em sua natureza humana ainda está neste mundo e ainda em toda parte. Pois nem pensamos nem ensinamos que a realidade do corpo de Cristo cessou depois de sua glorificação, ou que foi deificado e deificado de tal modo que ele tenha deposto as suas propriedades com respeito ao corpo e à alma, e estes se tenham mudado inteiramente em uma natureza divina e passado a ser uma substância una.</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Por isso, de maneira nenhuma aprovamos ou aceitamos as argúcias sem argúcia, intrincadas e obscuras, de Schwenkfeldt e de semelhantes dizedores de sutilezas, nem suas dissertações pouco consistentes sobre essa questão, nem somos schwenkfeldianos.</p>
<p><strong><em>Nosso Senhor verdadeiramente sofreu</em></strong>. Cremos, além disso, que nosso Senhor Jesus Cristo verdadeiramente sofreu e morreu por nós em carne, como diz São Pedro (I Ped 4.1). Abominamos a impiíssima loucura dos jacobitas e de todos os turcos, que blasfemam do sofrimento do Senhor. Ao mesmo tempo, não negamos que o Senhor da glória foi crucificado por nós, segundo as palavras de São Paulo (I Co 2.8).</p>
<p><strong><em>Comunicação de propriedades de linguagem</em></strong>. Aceitamos e aplicamos pia e respeitosamente a comunicação de propriedades de linguagem derivada da Escritura e usada por toda a antiguidade para explicar e reconciliar passagens aparentemente contraditórias.</p>
<p><strong><em>Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos</em></strong>. Cremos e ensinamos que o mesmo Jesus Cristo nosso Senhor, em sua verdadeira carne na qual fora crucificado e morrera, ressuscitou dos mortos, e que não foi outra carne que ressuscitou, mas a que foi sepultada, nem foi o espírito que subiu ao alto em vez da carne, mas ele reteve seu verdadeiro corpo. Portanto, ainda que os seus discípulos pensassem ver o espírito do Senhor, ele lhes mostrou as mãos e os pés marcados realmente com os sinais dos cravos e das feridas, e ajuntou: “Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo, apalpai-me e verificam, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho” (Luc 24-39).</p>
<p><strong><em>Cristo verdadeiramente subiu ao céu</em></strong>. Cremos que nosso Senhor Jesus Cristo, em sua própria carne, subiu acima de todos os céus visíveis ao supremo céu, isto é, à habitação de Deus e dos bem-aventurados, à destra de Deus o Pai. Embora isso signifique participação igual em glória e majestade, considera-se, contudo, também como um lugar definido, acerca do qual o Senhor, falando no Evangelho, diz: “Vou preparar-vos lugar” (João 14.2). O apóstolo São Pedro também diz: “Ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as cousas” (Act 3.21). E do céu o mesmo Cristo retomará para o juízo, quando a impiedade no mundo estiver no seu máximo e quando o Anticristo, tendo corrompido a verdadeira religião, tiver envolvido todas as coisas com superstição e impiedade, e tiver cruelmente assolado a Igreja com sangue e fogo (Dn, cap. 11). Mas Cristo voltará para reclamar os seus, e pela sua vinda destruir o Anticristo e julgar os vivos e os mortos (Act 17,31). s mortos ressuscitarão (I Tes 4.14 ss), e os que naquele dia (que é desconhecido de todas as criaturas &#8211; Mc 13.32) estiverem vivos serão transformados “num abrir e fechar de olhos”, e todos os fiéis serão arrebatados ao encontro de Cristo nos ares, para assim entrarem com ele nas benditas mansões e viverem para sempre (I Co 15.51 ss). Mas os incrédulos ou os ímpios descerão com os demônios para o inferno a fim de arderem para sempre e nunca serem libertados dos tormentos (Mat 25.46).</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Condenamos, portanto, todos os que negam a ressurreição real da carne (II Tim 2.18), ou que, com João de Jerusalém, contra quem escreveu São Jerônimo, não pensem corretamente acerca dos corpos glorificados. Condenamos também os que ensinam que os demônios e todos os ímpios serão um dia salvos, e que haverá um fim dos castigos. O Senhor declarou com clareza: “Onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga” (Mc 9.44). Condenamos, além disso, os sonhos judaicos de que haverá uma idade áurea na terra antes do Dia do Juízo, e que os piedosos, tendo subjugado todos os seus inimigos ímpios, entrarão na posse de todos os reinos do mundo. Pois a verdade evangélica em Mat, caps. 24 e 25, e Lucas, cap. 18, e o ensino apostólico em II Tes, cap. 2, e II Tim, caps. 3 e 4, apresentam coisa inteiramente diversa.</p>
<p><strong><em>O fruto da morte e ressurreição de Cristo</em></strong>. Além do mais, pela sua paixão e morte e tudo o que, em sua carne e na sua vinda, ele fez e suportou por nossa causa nosso Senhor reconciliou o Pai celestial com todos os fiéis, expiou o pecado, desarmou a morte, arruinou a condenação e o inferno, e, pela sua ressurreição dos mortos, trouxe de novo e restituiu a vida e a imortalidade. Ele é a nossa justiça, a nossa vida e ressurreição, em uma palavra, a plenitude e perfeição de todos os fiéis, a salvação e a mais completa suficiência. O apóstolo diz: “Aprouve a Deus que nele residisse toda a plenitude”, e “Viestes à plenitude da vida nele” (Cl caps. l e 2).</p>
<p><strong><em>Jesus Cristo é o único Salvador do mundo, e o verdadeiro Messias esperado</em></strong>. Ensinamos e cremos que este Jesus Cristo, nosso Senhor, é o único e eterno Salvador do gênero humano, e também do mundo inteiro, em quem pela fé se salvaram todos os que antes da Lei, sob a Lei e sob o Evangelho foram salvos, e em quem se salvarão todos os que ainda vierem a salvar-se até o fim do mundo. É o próprio Senhor quem diz no Evangelho: “O que não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outra parte, esse é ladrão e salteador &#8230; Eu sou a porta das ovelhas” (João 10.1 e 7). E também em outro lugar, no mesmo Evangelho: “Abraão&#8230; viu o meu dia e regozijou-se” (cap. 8.56). O apóstolo São Pedro também diz: “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos”. Cremos, portanto, que seremos salvos mediante a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, como nossos pais o foram (Act 4.12; 10.43; 15.1 1). São Paulo também diz: “Todos eles comeram de um só manjar espiritual, e beberam da mesma fonte espiritual; porque bebiam de uma pedra espiritual que os seguia. E a pedra era Cristo” (I Co 10.3 ss). E assim lemos o que João diz: Cristo era o “Cordeiro que foi morto, desde a fundação do mundo” (Apoc 13.8), e João Baptista testificou que Cristo é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29). Eis por que professamos e pregamos, com toda a clareza, que Jesus Cristo é o único Redentor e Salvador do mundo, o Rei e o Sumo &#8211; Sacerdote, o verdadeiro Messias esperado, aquele santo e bendito que todos os tipos da lei e todos os vaticínios dos profetas prefiguraram e prometeram; e que Deus o designou anteriormente e no-lo enviou, de modo que não devemos esperar nenhum outro. Nem nos resta agora outra coisa que darmos a Cristo toda a glória, nele crermos, somente nele descansarmos, desprezando e rejeitando todas as demais ajudas na vida. Com efeito, decaíram da graça e tornam Cristo vão para si todos os que buscam a salvação em qualquer outra coisa que não somente em Cristo (Gal 5.4).</p>
<p><strong><em>Os credos recebidos de quatro concílios</em></strong>. E, para dizer muito em poucas palavras, cremos de todo o coração, e livremente confessamos à viva voz, tudo o que foi definido com fundamento nas Escrituras Sagradas a respeito do mistério da Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo, compreendido nos Credos e decretos dos quatro primeiros venerandos sínodos reunidos em Niceia, Constantinopla, Éfeso e Calcedônia &#8211; juntamente com o Credo do bem-aventurado Atanásio, e todos os credos similares; e condenamos tudo o que for contrário a eles.</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. E dessa maneira mantemos inviolada ou intacta a fé cristã, ortodoxa e católica, sabendo que nada se contêm nos credos atrás citados que não seja conforme com a Palavra de Deus, e que não contribua, ao mesmo tempo, para uma exposição pura da fé.</p>
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<p align="center"><strong>12. Da lei de Deus </strong></p>
<p><strong><em>A vontade de Deus nos é exposta na lei de Deus</em></strong>. Ensinamos que a vontade de Deus nos é exposta na Lei de Deus: o que ele quer ou não quer que façamos, o que é bom e justo, ou o que é mau e injusto. Portanto, confessamos que a Lei é boa e santa.</p>
<p><strong><em>A lei natural</em></strong>. Esta lei foi escrita nos corações dos homens pelo dedo de Deus (Rom 2.15), e é chamada a lei natural; foi também esculpida pelo dedo de Deus nas duas tábuas de Moisés e mais pormenorizadamente exposta nos livros de Moisés (Êx 20.1 ss; Deut 5.6 ss). Para maior clareza, distinguimos: a lei moral contida no Decálogo ou nas duas Tábuas e expostas nos livros de Moisés; a lei cerimonial, que determina as cerimônias e o culto de Deus; e a lei judiciária, que versa questões políticas e domésticas.</p>
<p><strong><em>A lei é completa e perfeita</em></strong>. Cremos que toda a vontade de Deus e todos os preceitos necessários a cada esfera da vida são nesta lei ensinados com toda a plenitude. De outro modo o Senhor não nos teria proibido de adicionar-lhe ou de subtrair-lhe qualquer coisa; nem nos teria mandado andar num caminho reto diante desta Lei, sem dela nos declinarmos para a direita ou para a esquerda (Deut 4.2; 12.32, 5.32, cf. Num 20-17 e Deut 2.27).</p>
<p><strong><em>Porque foi dada a lei</em></strong>. Ensinamos que esta Lei não foi dada aos homens para que fôssemos justificados pela sua observância, mas antes para que, pelo seu ensino, conhecêssemos nossa fraqueza, nosso pecado e condenação e, perdendo a confiança em nossas forças, nos convertêssemos a Cristo pela fé. O apóstolo diz claramente: “A Lei suscita a ira”; “pela Lei vem o pleno conhecimento do pecado” (Rom 4.15; 3.20); “porque, se fosse promulgada uma Lei que pudesse dar vida, a justiça, na verdade seria procedente da Lei; mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que mediante a fé em Jesus Cristo fosse a promessa concedida aos que crêem&#8230; De maneira que a Lei nos serviu de aio para nos conduzir a Cristo, a fim de que fôssemos justificados por fé” (Gal 3.21 ss).</p>
<p><strong><em>A carne não cumpre a lei</em></strong>. Ninguém poderia ou pode satisfazer a Lei de Deus ou cumpri-la, por causa de fraqueza da nossa carne que adere e permanece em nós até nosso último suspiro. Outra vez diz o apóstolo: “O que fora impossível à Lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado” (Rom 8.3). Portanto, Cristo é o aperfeiçoador da Lei e o nosso cumprimento dela (Rom 10.4), o qual, com o fim de remover a maldição da Lei, foi feito maldição por nós (Gal 3.13). Assim, ele nos comunica, pela fé, o seu cumprimento da Lei, e a sua justiça e obediência nos são imputadas.</p>
<p><strong><em>Até que ponto foi a lei ab-rogada</em></strong>. A Lei de Deus é, pois, ab-rogada na medida em que ela não mais nos condena, nem opera ira em nós. Estamos debaixo da graça e não debaixo da Lei. Além disso, Cristo cumpriu todas as formas da Lei. Daí, vindo o corpo, cessaram as sombras, de modo que agora em Cristo temos a verdade e toda a plenitude. Contudo, de modo nenhum rejeitamos por isso a Lei. Lembramo-nos das palavras do Senhor, que disse: “Não vim para revogar, vim para cumprir” (Mat 5.17). Sabemos que na Lei nos são ensinados os padrões de virtudes e vícios. Sabemos que a Lei escrita, quando explicado pelo Evangelho, é útil à Igreja, e que, portanto, sua leitura não deve ser excluída da Igreja. E, embora a face de Moisés estivesse recoberta com um véu, no entanto o apóstolo diz que o véu foi retirado e abolido por Cristo.</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Condenamos tudo o que os heréticos, antigos e modernos, ensinaram contra a Lei.</p>
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<p align="center"><strong>13. Do Evangelho de Jesus Cristo, das promessas, do espírito e da letra </strong></p>
<p><strong><em>Os antigos tiveram promessas evangélicas</em></strong>. O Evangelho opõe-se à Lei. A Lei opera a ira e anuncia a maldição, enquanto o Evangelho prega a graça e a bênção. São João diz: “Porque a Lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo” (João 1.17). Não obstante, é perfeitamente certo que aqueles que viveram antes da Lei e sob a Lei não estavam totalmente destituídos do Evangelho. Tinham insignes promessas evangélicas, tais como estas: “A semente da mulher te ferirá a cabeça” (Gen 3.15). “Nela serão benditas todas as nações da terra” (Gen 22.18). “O cetro não se arredará de Judá &#8230; até que venha Silo” (Gen 49.10). “O Senhor teu Deus te suscitará um profeta do meio de ti, de teus irmãos” (Deut 18.15; At 3.22) etc.</p>
<p><strong><em>Promessas dúplices</em></strong>. Reconhecemos que duas espécies de promessas foram reveladas aos antigos, como também a nós. Algumas eram de coisas presentes ou terrenas, tais como as promessas da Terra de Canaã e de vitórias, e como, ainda hoje, as promessas do pão quotidiano. Outras eram naquela ocasião, e são ainda agora, de coisas celestiais e eternas, como a graça divina, a remissão de pecados, a vida eterna por meio da fé em Jesus Cristo.</p>
<p><strong><em>Os patriarcas tiveram promessas não só carnais, mas também espirituais</em></strong>. Os antigos não tiveram, em Cristo, apenas promessas externas ou terrenas, mas também espirituais e celestiais. São Pedro diz: “Foi a respeito desta salvação que os profetas indagaram e inquiriram, os quais profetizaram acerca da graça a vós outros destinada” (I Pe 1.10). Donde também o apóstolo São Paulo diz: “O Evangelho de Deus&#8230; foi&#8230; outrora prometido por intermédio dos seus profetas nas Sagradas Escrituras” (Rom 1.2). Por isso é bem claro que os antigos não foram inteiramente destituídos de todo o Evangelho.</p>
<p><strong><em>Que é propriamente o Evangelho?</em></strong> E, embora nossos pais tivessem dessa maneira, nos escritos dos profetas, o Evangelho, pelo qual alcançaram a salvação em Cristo pela fé, contudo, o que se chama propriamente “Evangelho” são as notícias alegres e felizes pelas quais, primeiro por João Baptista, depois por Cristo, o Senhor, e depois pelos apóstolos e seus sucessores, se anunciou aos homens que Deus já realizou o que ele prometera, desde o princípio do mundo, e nos mandou, ou melhor nos deu o seu único Filho e nele a reconciliação com o Pai, a remissão dos pecados, toda a plenitude e a vida eterna. Portanto, a história apresentada pelos quatro evangelistas, explicando como isso foi realizado ou cumprido por Cristo, o que Cristo ensinou e praticou, e que aqueles que crêem nele têm toda a plenitude, e exatamente o que se chama “Evangelho”. A Pregação e os escritos apostólicos, nos quais os apóstolos nos expõem como o Filho nos foi dado pelo Pai, e nele tudo o que diz respeito à vida e à salvação, são também o que se chama corretamente “doutrina evangélica”, de modo que ainda hoje, se sinceramente pregada, não perde o direito a tão preclara designação.</p>
<p><strong><em>Do espírito e da letra</em></strong>. Essa mesma pregação do Evangelho é também chamada pelo apóstolo “o espírito” e “o ministério do espírito”, porque pela fé ela se torna eficaz e viva nos ouvidos, ou melhor, nos corações dos crentes iluminados pelo Espírito Santo (II Co 3.6). A letra, que se opõe ao Espírito, significa tudo o que é externo, mas especialmente a doutrina da Lei, que, sem o Espírito e a fé, produz ira e excita o pecado nas mentes daqueles que não têm uma fé viva. Por isso o apóstolo chama a isso «o ministério da morte». Aqui é pertinente a palavra do apóstolo: “A letra mata, mas o Espírito vivifica”. Falsos apóstolos também pregavam um Evangelho corrompido, misturando-lhe a Lei, como se sem a Lei Cristo não pudesse salvar.</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Assim, afirmavam os ebionitas, descendentes espirituais do herege Ébion, e os nazaritas, que anteriormente eram chamados mineus. A todos estes nós condenamos, e pregamos ao mesmo tempo o puro Evangelho, ensinando que os crentes são justificados só pelo Espírito, e não pela Lei. Uma exposição mais detalhada deste assunto virá sob o título de “justificação”.</p>
<p><strong><em>O ensino do Evangelho não é novo, mas muito antigo</em></strong>. Embora o ensino do Evangelho, comparado com o dos fariseus sobre a Lei, tenha parecido ser uma nova doutrina quando pregado por Cristo a primeira vez, o que também Jeremias profetizou a respeito do Novo Testamento, contudo, ele, na realidade não só era como ainda é, uma velha doutrina (que hoje ela é chamada nova pelos papistas, quando comparada com a doutrina agora recebida entre eles), mas na verdade é a mais antiga de todas no mundo. Com efeito Deus predestinou desde a eternidade salvar o mundo por Cristo, e manifestou ao mundo, através do Evangelho, esta sua predestinação e o seu conselho eterno (II Tim 2.9 ss). Disso é evidente que a religião e a doutrina evangélica, entre quantas já existiram, existem e virão a existir, é a mais antiga de todas. Por isso, afirmamos que todos os que dizem que a religião e a doutrina evangélica é uma fé surgida recentemente, e que não tem mais que trinta anos de existência, erram vergonhosamente e falam coisas indignas do conselho eterno de Deus. A eles se aplica a palavra de Isaías, o profeta: “Ai dos que ao mal chamam bem, que fazem da escuridade luz, e da luz escuridade; põem o amargo por doce, e o doce por amargo!” (Is 5.20).</p>
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<p align="center"><strong>14. Do arrependimento e da conversão do homem </strong></p>
<p><strong><em>A doutrina do arrependimento está ligada ao Evangelho</em></strong>. Pois assim diz o Senhor no Evangelho: “Que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações” (Luc 24.47).</p>
<p><strong><em>Que é arrependimento?</em></strong> Por arrependimento entendemos uma volta atrás da mente no pecador provocado pela Palavra do Evangelho e pelo Espírito Santo, e recebida pela verdadeira fé, com o que o pecador imediatamente reconhece a sua corrupção inata e todos os seus pecados denunciados pela Palavra de Deus; e entristece-se por eles em seu coração, e não apenas os lamenta e francamente confessa diante de Deus com um sentimento de vergonha, mas também com indignação os abomina; cuidando agora zelosamente de emendar-se, num esforço constante em busca da inocência e da virtude, no qual esforço se exercita santamente em todo o resto de sua vida.</p>
<p><strong><em>O arrependimento é verdadeira conversão a Deus</em></strong><em>. </em>E este é o verdadeiro arrependimento, uma sincera volta para Deus e para todo o bem, e uma profunda aversão ao Diabo e a todo o mal.</p>
<p><strong><em>O arrependimento é dom de Deus</em></strong>. Dizemos expressamente que este arrependimento é puro dom de Deus e não uma realização de nossas forças. O apóstolo ordena a um fiel ministro que diligentemente instrua aqueles que se opõem à verdade, “na expectativa de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade” (II Tim 2.25). Lamenta os pecados cometidos. Aquela mulher que lavou os pés do Senhor com suas lágrimas, e São Pedro, que chorou amargamente e lamentou ter negado o Senhor (Luc 7.38; 22.62) mostram claramente como deve ser o espírito de um homem arrependido, lamentando seriamente os pecados que cometeu. Confessa os pecados a Deus. E o filho pródigo e o publicano no Evangelho, quando comparados com o fariseu, apresentam-nos as fórmulas mais adequadas de confessar os nossos pecados a Deus. O primeiro disse: “Pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores” (Luc 15.18 ss). E o segundo, não ousando erguer os olhos ao céu, bate no peito, dizendo: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!” (cap. 18.13). E não temos duvida de que foram aceitos em graça por Deus, pois o apóstolo São João diz: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós” (I João 1.9 ss).</p>
<p><strong><em>Confissão e absolvição sacerdotais</em></strong>. Cremos que é suficiente esta sincera confissão feita só a Deus, ou particularmente entre Deus e o pecador, ou publicamente na Igreja quando se faz a confissão geral de pecados, e que para se obter perdão de pecados não é necessário ninguém confessar seus pecados a um sacerdote, sussurrando-lhe aos ouvidos, para dele ouvir em troca a absolvição, com a imposição das mãos, porque não existe nenhum mandamento nem exemplo disso Santas Escrituras. David testifica e diz: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniqüidade não mais ocultei. Disse: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a iniqüidade do meu pecado” (Sal 32.5). E o Senhor, ao ensinar-nos a orar e ao mesmo tempo a confessar nossos pecados, disse: “Pai nosso que estás nos céus&#8230; perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mat 6.9 e 12). Portanto, é necessário que confessemos nossos pecados a Deus, nosso Pai, e nos reconciliemos com nosso próximo, se o ofendemos. Quanto a esse tipo de confissão, o apóstolo São Tiago diz: “Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros” (Tiag 5.16). Se, contudo, alguém se acha acabrunhado pelo peso de seus pecados e por tentações que o põem perplexo, e procurar conselho, instrução e conforto individualmente, ou de um ministro da Igreja, ou de um outro irmão instruído na Lei de Deus, não desaprovamos. Por outro lado, aprovamos plenamente a confissão de pecados geral e pública, que usualmente se realiza na Igreja e em reuniões de culto, como notamos acima, tanto mais que isso está de acordo com a Escritura.</p>
<p><strong><em>Das chaves do Reino do Céu</em></strong>. Quanto às chaves do Reino de Deus, que o Senhor entregou aos apóstolos, muitos tagarelam inúmeras coisas espantosas, e com elas forjam espadas, lanças, cetros e coroas, e pleno poder sobre os maiores reinos, e, afinal, sobre almas e corpos. Julgando de modo singelo, segundo a Palavra do Senhor, dizemos que todos os que são legitimamente chamados ministros possuem e exercem as chaves, ou o uso das chaves, quando anunciam o Evangelho; isto é, quando ensinam, exortam, confortam, repreendem e exercem a disciplina sobre o povo confiado aos seus cuidados.</p>
<p><strong><em>Abrir e fechar (o Reino)</em></strong>. Desse modo abrem o Reino dos Céus aos obedientes e o fecham aos desobedientes. O Senhor prometeu essas chaves aos apóstolos em Mat, cap.16, e as deu em João, cap. 20, Marcos, cap. 16 e Lucas, cap.24, quando enviou seus discípulos e os mandou pregar o Evangelho a todo o mundo, e perdoar pecados.</p>
<p><strong><em>O ministério da reconciliação</em></strong>. Na carta aos Coríntios diz o apóstolo que o Senhor deu o ministério da reconciliação aos seus ministros (II Co 5.18 ss). E ele explica qual é ele, dizendo que é a pregação ou o ensino da reconciliação. E, tornando suas palavras ainda mais claras, acrescenta que os ministros de Cristo desempenham o ofício de embaixadores em nome de Cristo, como se Deus mesmo por meio deles exortasse o povo a se reconciliar com Deus, sem dúvida nenhuma pela fiel obediência. Portanto, exercem o poder das chaves quando persuadem os homens à fé e ao arrependimento. Assim, reconciliam os homens com Deus.</p>
<p><strong><em>Os ministérios proclamam a remissão de pecados</em></strong>. Assim, eles perdoam pecados. Abrem, assim, o Reino dos Céus e nele introduzem os crentes: mui diferentemente daqueles de quem o Senhor fala no Evangelho: “Ai de vós, intérpretes da lei! porque tomastes a chave da ciência; contudo, vós mesmos não entrastes e impedistes os que estavam entrando” (Luc 11.52).</p>
<p><strong><em>Como os ministros absolvem</em></strong>. Os ministros, portanto, absolvem correta e eficazmente quando pregam o Evangelho de Cristo e nele a remissão de pecados, que é prometida a todo aquele que crê, assim como cada um é batizado, e quando testificam que ela pertence a cada um particularmente. E não julgamos que esta absolvição se torne mais eficaz por ser murmurada no ouvido de alguém ou individualmente sobre a cabeça de alguém. Pensamos, contudo, que a remissão de pecados pelo sangue de Cristo deve ser diligentemente anunciada, e que cada um deve ser avisado de que o perdão de pecados lhe pertence.</p>
<p><strong><em>Diligência na renovação da vida</em></strong>. Ademais os exemplos do Evangelho ensinam-nos quão vigilantes e diligentes devem ser os arrependidos no esforço de renovação de vida e na mortificação do homem velho e despertamento do homem novo. O Senhor disse ao paralítico que ele curara: “Olha que já estás curado; não peques mais, para que não te suceda cousa pior” (João 5.14). De igual modo, disse à adúltera a quem libertou: “Vai, e não peques mais” (cap. 8.11). Sem dúvida, por estas palavras ele não quis dizer que o homem, alguma vez, enquanto ainda vive nesta carne, não peque; mas recomenda vigilância cuidadosa e diligência para que nos esforcemos de todos os modos e supliquemos a Deus em nossas orações para não cairmos nos pecados dos quais como que ressuscitamos, e para não sermos vencidos pela carne, pelo mundo e pelo Diabo. Zaqueu, o publicano, recebido pelo Senhor em graça, exclama no Evangelho: “Senhor, resolvo dar aos pobres a metade dos meus bens; e, se nalguma cousa tenho defraudado alguém, restituo quatro vezes mais” (Luc 19.8). Portanto, do mesmo modo pregamos que restituição e misericórdia, e, até, esmolas, são necessárias para aqueles que verdadeiramente se arrependem, e exortamos todos os homens em toda parte com as palavras do apóstolo: “Não reine, portanto, o pecado em vosso corpo mortal, de maneira que obedeçais às suas paixões; nem ofereçais cada um os membros do seu corpo ao pecado como instrumentos de iniqüidade; mas oferecei-vos a Deus como ressurrectos dentre os mortos, e os vossos membros a Deus como instrumentos de justiça” (Rom 6.12 ss).</p>
<p><strong><em>Erros</em></strong>. Por isso, condenamos todas as afirmações ímpias de alguns que fazem mau uso da pregação do Evangelho e dizem: “É fácil retornar a Deus; Cristo expiou todos os pecados: é fácil o perdão dos pecados; portanto, que mal há em pecar? Nem precisamos estar muito preocupados acerca do arrependimento, etc.” Não obstante, ensinamos sempre que o acesso a Deus está aberto a todos os pecadores, e que ele perdoa todos os pecados a todos os que crêem, exceto o pecado contra o Espírito Santo (Mc 3.29).</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Eis por que condenamos os antigos e modernos novacianos e os cataristas.</p>
<p><strong><em>Indulgências papais</em></strong>. Condenamos, de modo especial, a doutrina lucrativa do Papa sobre a penitência, e contra a sua simonia e as suas indulgências simoníacas usamos o julgamento de São Pedro com respeito a Simão: “O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois julgaste adquirir por meio dele o dom de Deus. Não tens parte nem sorte neste ministério, porque o teu coração não é reto diante de Deus” (At 8.20 ss).</p>
<p><strong><em>Satisfações</em></strong>. Não aprovamos também aqueles que pensam que, pelas suas satisfações, reparam os pecados cometidos. Ensinamos que só Cristo, pela sua morte ou paixão, é a satisfação, a propiciação ou a expiação de todos os pecados (Is. cap. 53; I Co 1.30). Contudo, como já dissemos, não cessamos de insistir na mortificação da carne. Mas acrescentamos que essa mortificação não deve ser orgulhosamente exaltada perante Deus como satisfação pelos pecados, mas deve ser realizada humildemente, de conformidade com a natureza dos filhos de Deus, como uma nova obediência resultante da gratidão pelo livramento e pela satisfação plena obtidos pela morte e satisfação do Filho de Deus.</p>
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<p align="center"><strong>15. Da verdadeira justificação dos fiéis </strong></p>
<p><strong><em>Que é justificação?</em></strong> Segundo o apóstolo no seu tratamento da justificação, justificar significa “perdoar pecados”, “absolver de culpa e castigo”, “receber em graça” e “declarar justo”. Em sua Epístola aos Romanos o apóstolo diz: “É Deus quem os justifica. Quem os condenará?” (Rom 8.33). Justificar e condenar são termos opostos. E nos Atos dos Apóstolos o apóstolo diz: “Tomai, pois, irmãos, conhecimento de que se vos anuncia remissão de pecados por intermédio deste; e por meio dele todo o que crê é justificado de todas as cousas das quais vós não pudestes ser justificados pela lei de Moisés” (At 13.38 ss). Na Lei, assim como nos Profetas, lemos: “Em havendo contenda entre alguns, e vierem a juízo, os juizes os julgarão, justificando ao justo e condenando ao culpado” (Deut 25.1). E em Is. cap. 5: “Ai dos que&#8230; por suborno justificam o perverso”.</p>
<p><strong><em>Somos justificados por causa de Cristo</em></strong>. É absolutamente certo que todos nós somos por natureza pecadores e ímpios, e diante do tribunal de Deus somos acusados de impiedade e réus de morte, mas, só pela graça de Cristo, sem qualquer mérito nosso ou consideração por nós, somos justificados, isto é, absolvidos dos pecados e da morte por Deus, o juiz. Que é, com efeito, mais claro do que o que disse São Paulo? “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Rom 3.23 ss).</p>
<p><strong><em>A justiça imputada</em></strong>. Cristo tomou sobre si mesmo e carregou os pecados do mundo, e satisfez a justiça divina. Portanto, é só por causa dos sofrimentos e ressurreição de Cristo que Deus é propício para com nossos pecados e não no-los imputa, mas imputa-nos como nossa a justiça de Cristo (II Co 5.19 ss; Rom 4.25), de modo que agora não só estamos limpos e purificados de pecados ou somos santos, mas também, sendo-nos dada a justiça de Cristo, e sendo nós assim absolvidos do pecado, da morte ou da condenação, somos finalmente justos e herdeiros da vida eterna. Propriamente falando, portanto, só Deus justifica, e justifica somente por causa de Cristo, não nos imputando os pecados, mas a sua justiça.</p>
<p><strong><em>Somos justificados somente pela fé</em></strong>. E porque recebemos esta justificação, não por quaisquer obras, mas pela fé na misericórdia de Deus e em Cristo, por isso ensinamos e cremos, com o apóstolo, que o pecador é justificado somente pela fé em Cristo e não pela lei ou por quaisquer obras. O apóstolo diz: “Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei” (Rom 3.28). Também: “Porque se Abraão foi justificado por obras, tem de que se gloriar, porém não diante de Deus. Pois, que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça&#8230; Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça” (Rom 4.2 ss; Gén 15.6). E outra vez: “Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie”, etc. (Ef 2.8 ss). Portanto, porque a fé recebe Cristo, nossa justiça, e atribui tudo à graça de Deus em Cristo, por isso a justificação é atribuída à fé, principalmente por causa de Cristo, e não porque ela seja obra nossa, visto que é dom de Deus.</p>
<p><strong><em>Recebemos Cristo pela fé</em></strong>. Além disso, o Senhor mostra sobejamente que recebemos Cristo pela fé, em João, cap. 6, onde ele usa comer por crer, e crer por comer. Pois, como é comendo que recebemos o alimento, assim é crendo que participamos de Cristo. A justificação não é atribuída parcialmente a Cristo ou à fé, e parcialmente a nós. Por conseguinte, não compartilhamos do benefício da justificação em parte por causa da graça de Deus ou de Cristo, e em parte por causa de nós mesmos, de nosso amor, de nossas obras ou de nosso mérito, mas atribuímo-lo totalmente à graça de Deus em Cristo pela fé. Mas também nosso amor e nossas obras não poderiam agradar a Deus, sendo realizados por homens injustos: por isso, é necessário que sejamos justos antes que possamos amar ou praticar obras justas. Somos feitos verdadeiramente justos, como dissemos, pela fé em Cristo, só pela graça de Deus, que não nos imputa os nossos pecados, mas a justiça de Cristo, e por isso, ele nos imputa a fé em Cristo como justiça. Ademais, o apóstolo mui claramente deriva da fé o amor, quando diz: “Ora, o intuito da presente admoestação visa o amor que procede de coração puro e de consciência boa e de fé sem hipocrisia” (I Tim 1.5).</p>
<p><strong><em>Tiago comparado com Paulo</em></strong>. Por isso, aqui falamos, não de uma fé imaginária, vã e inerte ou morta, mas de uma fé viva e vivificante, a qual, por apreender a Cristo, que é vida e vivifica, é viva e se chama “viva” e se mostra viva por obras vivas. E assim São Tiago não contradiz coisa alguma nesta nossa doutrina. É que ele fala de uma fé vã e morta, da qual alguns se vangloriavam, mas que não tinham Cristo vivendo neles pela fé (Tiago 2.14 ss). São Tiago disse que as obras justificam, contudo sem contradizer o apóstolo (do contrário ele teria de ser rejeitado), mas mostrando que Abraão provou sua fé viva e justificadora pelas obras. É isso o que fazem todos os piedosos, confiados, porém, só em Cristo e não em suas próprias obras. O apóstolo ainda diz: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que agora tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. Não anulo a graça de Deus; pois, se a justiça é mediante a lei, segue-se que morre Cristo em vão”, etc. (Gal 2.20).</p>
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<p align="center"><strong>16. Da fé e das boas obras, e da sua recompensa, e do mérito do homem </strong></p>
<p><strong><em>Que é a fé? </em></strong>A fé cristã não é opinião e convicção humana, mas confiança extremamente firme, e o claro e inabalável assentimento do espírito, e finalmente a apreensão certíssima da verdade de Deus apresentadas nas Escrituras e no Credo dos Apóstolos, assim como apreensão do próprio Deus, o supremo bem, e especialmente da promessa de Deus e de Cristo, que é o cumprimento de todas as promessas.</p>
<p><strong><em>A fé é dom de Deus</em></strong>. Mas esta fé é simplesmente um dom de Deus, que só ele pela sua graça, segundo a sua medida, concede aos seus eleitos quando, a quem e quanto ele quer. E ele realiza isso pelo Espírito Santo, pela pregação do Evangelho e pela oração fiel.</p>
<p><strong><em>O aumento da fé</em></strong>. Essa fé pode também ser aumentada por Deus; se assim não fosse, o apóstolo não teria dito: “Senhor: aumenta-nos a fé” (Luc 17.5). Tudo o que até aqui temos dito com respeito à fé, os apóstolos ensinaram antes de nós. São Paulo disse: “Ora, a fé é <em>hypostasis </em>ou a certeza das cousas que se esperam, a <em>elegchos</em>, isto é, a convicção dos fatos que se não vêem” (Heb 11.1). E noutro passo ele diz que todas as promessas de Deus são sim por Cristo, e pelo mesmo Cristo são amém (II Co 1.20). E aos filipenses ele disse que a eles lhes foi dado crer em Cristo (Fil 1.29). Noutro passo: Deus concedeu a cada um a medida da fé (Rom 12.3). Noutro ainda: “Nem todos têm fé” e, “Nem todos obedecem ao Evangelho” (II Tes 3.2; Rom 10.16). Também Lucas atesta, dizendo: “Creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (At 13.48). Eis porque São Paulo também a chama “a fé dos eleitos de Deus” (Tit I.1 ), e outra vez: “A fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Rom 10.17). Em outras partes, com freqüência, manda que os homens orem pedindo fé.</p>
<p><strong><em>Fé eficaz e ativa</em></strong>. O mesmo apóstolo chama a fé “eficaz” e “que atua pelo amor” (Gal 5.6). Ela também acalma a consciência e abre um livre acesso para Deus, de modo que podemos aproximar-nos dele com confiança e dele conseguir o que é útil e necessário. A mesma (fé) conserva-nos no serviço que devemos a Deus e ao próximo, fortalece-nos a paciência na adversidade, molda uma verdadeira confissão e manifesta-a: numa palavra, produz bons frutos de todas as espécies, e boas obras.</p>
<p><strong><em>Das boas obras</em></strong>. Ensinamos que as verdadeiras boas obras nascem de uma fé viva, pelo Espírito Santo, e são praticadas pelos fiéis segundo a vontade ou a regra da Palavra de Deus. Ora, o apóstolo São Pedro diz: “Reunindo a vossa diligência, associai com a vossa fé a virtude; com a virtude, o conhecimento; com o conhecimento, o domínio próprio”, etc. (II Ped 1.5 ss). Dissemos acima que a Lei de Deus, que é sua vontade, estabelece para nós o padrão de boas obras. E o apóstolo diz: “Pois esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que vos abstenhais da prostituição&#8230; e que, nesta matéria, ninguém ofenda nem defraude a seu irmão” (I Tes 4.3 ss).</p>
<p><strong><em>Obras de escolha humana</em></strong>. E na verdade, obras e cultos que escolhemos por nosso arbítrio não são agradáveis a Deus. A estes São Paulo denomina <em>ethelothreskia </em>(CI 2.23). Desses o Senhor diz no Evangelho: “Em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens” (Mat 15.9). Portanto, desaprovamos tais obras, mas aprovamos e estimulamos aquelas que são da vontade e de mandado de Deus.</p>
<p><strong><em>O fim das boas obras</em></strong>. Essas mesmas obras não devem ser praticadas para, por meio delas, ganharmos a vida eterna pois, como diz o apóstolo, a vida eterna é dom de Deus. Nem devem ser elas praticadas por ostentação, o que o Senhor rejeita em Mat, cap. 6, nem para lucro, o que também ele rejeita em Mat, cap. 23, mas para a glória de Deus, para adornar a nossa vocação, para manifestar gratidão a Deus e para benefício do próximo. É assim que Nosso Senhor diz no Evangelho: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus” (Mat S.16). E o apóstolo São Paulo diz: “Que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados” (Ef 4.1). Ainda: “E tudo o que fizerdes, seja em palavra, seja em acção, fazei-o em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai” (Col 3.17); “Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros” (Fil 2.4); “Que aprendam também a distinguir-se nas boas obras, a favor dos necessitados, para não se tornarem infrutíferos” (Tit 3.14).</p>
<p><strong><em>As boas obras não são rejeitadas</em></strong>. Portanto, embora ensinemos com o apóstolo que o homem é justificado pela graça pela fé em Cristo e não por quaisquer boas obras, contudo não menosprezamos nem condenamos as boas obras. Sabemos que o homem não foi criado ou regenerado pela fé, para viver ocioso, mas antes para fazer sem cessar o que é bom e útil. No Evangelho o Senhor diz que uma árvore boa produz bom fruto (Mat 12.33), e que aquele que nele permanece produz muito fruto (João 15.5). O apóstolo diz: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2.10). E ainda: “O qual a si mesmo se deu por nós, a fim de remir-nos de toda iniqüidade, e purificar para si mesmo um povo exclusivamente seu, zeloso de boas obras” (Tit 2.14). Condenamos, portanto, todos os que desprezam as boas obras e vivem a dizer que não precisamos dar atenção a elas e que elas são inúteis.</p>
<p><strong><em>Não somos salvos pelas boas obras</em></strong>. Entretanto, como foi dito acima, não julgamos que somos salvos pelas boas obras nem que elas sejam necessárias para a salvação, de modo que sem elas ninguém já tenha sido salvo. Pois somos salvos somente pela graça e pelo favor de Cristo. As obras procedem, necessariamente, da fé. A salvação é impropriamente atribuída a elas; ao passo que é com absoluta propriedade que ela é atribuída à graça. É bem conhecida a declaração do apóstolo: “E se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça” (Rom 11.6).</p>
<p><strong><em>As boas obras agradam a Deus</em></strong>. As obras que praticamos pela fé são agradáveis a Deus e são por ele aprovadas. Por causa da fé em Cristo, aqueles que praticam boas obras, que sobretudo pelo Espírito Santo são praticadas pela graça de Deus, são agradáveis a Deus. São Pedro diz: “Em qualquer nação, aquele que teme e faz o que é justo lhe é aceitável” (At 10.35). E São Paulo diz: “Não cessamos de orar por vós&#8230; a fim de viverdes de modo digno do Senhor, para o seu inteiro agrado, frutificando em toda boa obra” (Col 1.9 ss).</p>
<p><strong><em>Ensinamos as verdadeiras virtudes, não as falsas e filosóficas</em></strong>. Assim, zelosamente ensinamos as verdadeiras virtudes, não as falsas ou filosóficas, as verdadeiramente boas obras e os genuínos serviços de um cristão. E tanto quanto podemos, diligente e insistentemente as inculcamos a todos os homens, censurando ao mesmo tempo a desídia e hipocrisia dos que com os lábios louvam e professam o Evangelho e o desonram pelas suas vidas ignominiosas. Nesta questão, pomos diante deles as terríveis ameaças de Deus, bem como as suas ricas promessas e generosas recompensas &#8211; exortando, consolando e repreendendo.</p>
<p><strong><em>Deus recompensa as boas obras</em></strong>. Ensinamos que Deus dá uma rica recompensa aos que praticam boas obras, segundo a palavra do profeta: “Reprime a tua voz de choro&#8230; porque há recompensa para as tuas obras” (Jer 31.16; Is. cap. 4). Também o Senhor disse no Evangelho: “Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus” (Mat 5.12), e “Quem der a beber ainda que seja um copo de água fria, a um destes pequeninos &#8230; em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão” (cap. 10.42). Atribuímos, entretanto, esta recompensa, que o Senhor dá, não ao mérito do homem que a recebe, mas à bondade ou generosidade e veracidade de Deus, que a promete e a dá, e que, embora não deva nada a ninguém, contudo prometeu que dará recompensa a seus fiéis adoradores; mas ele lhes dá para que eles o adorem. Além disso, mesmo nas obras dos santos há muitas coisas indignas de Deus e muitas mais que são imperfeitas. Mas, porque Deus recebe em graça e acolhe os que praticam obras por amor a Cristo, confere-lhes a prometida recompensa. A assim que em outro contexto as nossas justiças são comparadas a “trapo de imundícia” (Is 64.6). Também o Senhor diz no Evangelho: “Vós, depois de haverdes feito quanto vos foi ordenado, dizei: Somos servos inúteis, porque fizemos apenas o que devíamos fazer” (Luc 17.10).</p>
<p><strong><em>Os méritos dos homens são nulos</em></strong>. Portanto, embora ensinemos que Deus recompensa as nossas boas ações, todavia ensinamos, ao mesmo tempo, com Santo Agostinho, que Deus não coroa em nós os nossos méritos, mas os seus dons. Por isso dizemos, que qualquer recompensa que recebemos é também graça, e é mais graça que recompensa, porque o bem que fazemos, fazemo-lo mais por Deus do que por nós mesmos, e porque São Paulo diz: “Que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te vanglorias, como se o não tiveras recebido?” (I Co 4.7). E isto é o que o bendito mártir São Cipriano concluiu deste verso: Não devemos gloriar-nos de coisa alguma em nós, visto que nada é propriamente nosso. Condenamos, portanto, os que defendem os méritos dos homens, de modo a esvaziar a graça de Deus.</p>
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<p align="center"><strong>17. Da Igreja de Deus, santa e católica, e do único Cabeça da Igreja. </strong></p>
<p><strong><em>A Igreja sempre existiu e sempre existirá</em></strong>. Visto que Deus desde o princípio quis salvar os homens e trazê-los ao conhecimento da verdade (I Tim 2.4), é absolutamente necessário que a Igreja tenha existido no passado, exista agora e continue até o fim do mundo.</p>
<p><strong><em>Que é a Igreja</em></strong>. A Igreja é a assembléia dos fiéis convocada ou reunida do mundo: é, direi, a comunhão de todos santos, isto é, dos que verdadeiramente conhecem, adoram corretamente e servem o verdadeiro Deus em Cristo, o Salvador, pela palavra e pelo Espírito Santo, e que, finalmente, participam, pela fé, de todos os benefícios gratuitamente oferecidos mediante Cristo. Cidadãos de uma comunidade. São todos eles cidadãos de uma só cidade, vivem sob o mesmo Senhor, sob as mesmas leis, e na mesma participação de todos os benefícios. O apóstolo os chamou “concidadãos dos santos, e&#8230; da família de Deus” (Ef 2.19), denominando “santos” os fiéis na terra (I Co 4.1), que são santificados pelo sangue do filho de Deus. Deve ser entendido inteiramente com relação a estes santos o artigo do Credo: “Creio na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos”.</p>
<p><strong><em>Uma só Igreja em todos os tempos</em></strong>. E, visto que há sempre um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus o Messias, e um só Pastor de todo o rebanho, uma só Cabeça deste corpo, enfim, um só Espírito, uma só salvação, uma só fé, um só testamento ou aliança, segue-se, necessariamente, que existe uma só Igreja. A Igreja Católica. Por isso chamamos “católica” e essa Igreja, porque é universal, e se espalha por todas as partes do mundo, estende-se por todos os tempos e não é limitada pelo tempo ou pelo espaço. Condenamos, portanto, os donatistas, que confinavam a Igreja a não sei que cantos da África, e não aprovamos o clero romano, que vive a propalar que só a Igreja de Roma é Católica.</p>
<p><strong><em>Partes ou formas da Igreja</em></strong>. A Igreja divide-se em diferentes partes ou formas, não por estar dividida ou rasgada em si mesma, mas por ser distinta pela diversidade dos seus membros. Militante e triunfante. Uma é chamada a Igreja Militante e a outra a Igreja Triunfante. A primeira ainda milita na terra e luta contra a carne, o mundo e o Diabo, que é o príncipe deste mundo, e contra o pecado e a morte. A outra, já deu baixa e triunfa no céu depois de ter vencido esses inimigos, e exulta diante do Senhor. Entretanto, essas duas igrejas têm comunhão e união uma com a outra.</p>
<p><strong><em>A Igreja particular</em></strong>. A Igreja Militante na terra tem tido, sempre, muitas igrejas particulares. Contudo, todas estas devem ser referidas à unidade da Igreja católica. Esta Igreja (Militante) foi estabelecida de um modo antes da Lei, entre os patriarcas, de outro modo diferente sob Moisés, pela Lei; e de modo diferente por Cristo, por meio do Evangelho.</p>
<p><strong><em>Os dois povos</em></strong>. Em geral se mencionam dois povos: os israelitas e os gentios, ou aqueles que foram congregados de entre judeus e gentios na Igreja. Há, também, dois Testamentos, o Velho e o Novo. A mesma Igreja para o velho e o novo povo. No entanto, de todos esses povos foi e ainda é só uma a comunidade, uma só a salvação num só Messias, em quem, como membros de um só corpo, sob um só Cabeça, todos estão unidos na mesma fé, participando também do mesmo alimento e da mesma bebida espiritual. Aqui, porém, reconhecemos uma diversidade de tempos e uma diversidade nos sinais do Messias prometido e manifestado; agora, abolidas as cerimônias, a luz brilha sobre nós de maneira mais clara, e bênçãos nos são dadas mais abundantemente, e uma liberdade mais completa.</p>
<p><strong><em>A Igreja, casa do Deus vivo</em></strong>. Esta santa Igreja de Deus é chamada a casa do Deus vivo, construída de pedras vivas e espirituais e fundada sobre uma rocha firme, sobre fundamento que ninguém tem o direito de substituir por um outro, e é, assim chamada “coluna e baluarte da verdade” (I Tim 3.15). A Igreja não erra. Ela não erra, enquanto se apóia sobre a rocha, Cristo, e sobre o fundamento dos profetas e apóstolos. E não é de admirar se ela errar, todas as vezes que abandonar aquele que, só, é a verdade. A Igreja noiva e virgem. A Igreja é também chamada virgem e a noiva de Cristo e, em verdade, única e dileta. O apóstolo diz: “Tenho-vos preparado para vos apresentar como virgem pura a um esposo” (II Co II.2). A Igreja, rebanho de ovelhas. A Igreja é chamada rebanho sob um só pastor, Cristo, segundo Ez, cap. 34, e João, cap. 10. A Igreja corpo de Cristo. É chamada também corpo de Cristo, porque os fiéis são os membros vivos de Cristo, sob Cristo, o Cabeça.</p>
<p><strong><em>Cristo o único cabeça da Igreja</em></strong>. É a cabeça que tem a preeminência no corpo, e dela o corpo todo recebe vida; pelo seu espírito o corpo é em tudo governado; dela, ainda, o corpo recebe incremento e crescimento. Mais ainda, há uma só cabeça do corpo a qual com ele se ajusta. Por isso a Igreja não pode ter nenhuma outra cabeça além de Cristo. Como a Igreja é um corpo espiritual, ela precisa ter também uma cabeça espiritual em harmonia consigo mesma. Não pode ser governada por outro espírito que não seja o Espírito de Cristo. Por conseguinte, São Paulo diz: “Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as cousas ter a primazia” (Col 1.18). E em outro lugar: “Cristo é o cabeça da igreja, sendo este mesmo salvador do corpo” (Ef 5.23). E novamente: Ele é “o cabeça sobre todas as cousas, e o deu à igreja, a qual é o seu corpo, a plenitude daquele que a tudo enche em todas as cousas” (Ef 1.22 ss). Também: “Cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado&#8230; efetua o seu próprio aumento” (Ef 4.15 ss). Por isso não aprovamos a doutrina do clero romano, que faz do seu Pontífice Romano o pastor universal, o cabeça supremo da Igreja Militante aqui na terra, e assim o próprio vigário de Jesus Cristo, que tem, como eles dizem, toda a plenitude de poder e soberana autoridade na Igreja. Cristo o único pastor da Igreja. Ensinamos que Cristo, nosso Senhor, é e continua a ser o único pastor universal e sumo Pontífice diante de Deus seu Pai, e que na Igreja ele mesmo realiza todas as funções de um pontífice ou pastor, até o fim do mundo; [VIGÁRIO] e, conseqüentemente, não necessita de vigário, que é substituto de quem está ausente. Mas Cristo está presente com sua Igreja e é sua cabeça vivificadora. Nenhum primado na Igreja. Ele proibiu, com toda a severidade, aos seus apóstolos e sucessores qualquer veleidade de primado e domínio na Igreja. Portanto, todos os que resistem, opondo-se a essa verdade transparente, e introduzem outro governo na Igreja de Cristo devem ser ligados àqueles, a respeito de quem profetizam os apóstolos de Cristo, São Pedro e São Paulo, em II Ped cap. 2, e Act 20.2, II Co 11.2, II Tes, cap. 2, assim como em outros passos.</p>
<p><strong><em>Nenhuma confusão na Igreja</em></strong>. Contudo, repudiando o cabeça romano, não introduzimos na Igreja de Cristo nenhuma confusão ou perturbação, pois ensinamos que o governo da Igreja, estabelecido pelos apóstolos, nos é suficiente para conservar a Igreja na devida ordem. No princípio, quando a Igreja não tinha esse chefe romano, que hoje, como se diz, a conserva em ordem, não estava em confusão ou desordenada. O chefe romano preserva, na verdade, a sua tirania e a corrupção que foi introduzido na Igreja; e, ao mesmo tempo, ele impede, resiste e, com todas as suas forças, arruína a conveniente reforma da Igreja.</p>
<p><strong><em>Dissentimento e luta na Igreja</em></strong>. Objetam-nos que tem havido várias lutas e dissenssões em nossas Igrejas desde que se separaram da Igreja Romana, e que por isso elas não podem ser igrejas verdadeiras. Como se nunca tivesse havido seitas na Igreja Romana, nem dissenssões e lutas a respeito de religião, e na verdade presentes não tanto nas escolas como nos púlpitos no meio do povo. Sabemos, certamente, que o apóstolo disse: “Deus não é de confusão; e, sim, de paz” (I Co 14.33). E: “porquanto, havendo entre vós ciúmes e contendas, não é assim que sois carnais?” Contudo, não podemos negar que Deus estava na Igreja apostólica e que a Igreja apostólica era Igreja verdadeira, não obstante a existência de combates e dissensões nela. O apóstolo São Paulo repreendeu o apóstolo São Pedro (Gal 2.11 ss), e Barnabé divergiu de Paulo. Grande luta surgiu na Igreja de Antioquia entre os que pregavam o único Cristo, como Lucas registra nos Atos dos Apóstolos, cap. 15. E tem havido, em todos os tempos, graves lutas na Igreja, e os mais eminentes doutores da Igreja divergiram de opinião entre si acerca de importantes assuntos, sem, no entanto, a Igreja deixar de ser aquilo que ela era, por causa de tais contendas. Pois, dessa forma, é do agrado de Deus usar as dissensões que surgem na Igreja para a glória do seu nome, para elucidar a verdade e para que os que são aprovados sejam manifestados (I Co 11.19).</p>
<p><strong><em>Marcas ou sinais da verdadeira Igreja</em></strong>. Ademais, visto que não reconhecemos nenhum outro chefe da Igreja a não ser Cristo, de igual modo não reconhecemos como a verdadeira Igreja qualquer Igreja que se vangloria de o ser; ensinamos, no entanto, que a verdadeira Igreja é aquela em que se encontram as marcas ou sinais da verdadeira Igreja, principalmente a legítima e sincera pregação da palavra de Deus como nos foi deixada nos escritos dos profetas e apóstolos, que nos conduzem todos nós a Cristo, que no Evangelho disse: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna&#8230; De modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele porque não conhecem a voz dos estranhos” (João 10.5, 27, 28).</p>
<p>E aqueles que são assim na Igreja de Deus têm uma fé e um espírito; e por isso adoram o único Deus e só a ele cultuam em espírito e verdade, só a ele amando de todo o coração e de todas as suas forças, só a ele orando por meio de Jesus Cristo, o único Mediador e Intercessor; e não buscam nenhuma justiça e vida fora de Cristo e da fé nele. Pelo fato de reconhecerem a Cristo como o único chefe e fundamento de sua Igreja, apoiando-se nele, renovam-se diariamente pelo arrependimento e, com paciência, carregam a cruz imposta a eles. Além disso, congregados juntos com todos os membros de Cristo por um amor não fingido, revelam que são discípulos de Cristo perseverando no vínculo da paz e da santa unidade. Ao mesmo tempo participam dos sacramentos instituídos por Cristo e a nós entregues pelos seus apóstolos, não os usando de nenhuma outra maneira a não ser como os receberam do próprio Senhor. Aquela palavra do apóstolo São Paulo é bem conhecida de todos: “Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei” (I Co 11.23 ss). Por causa disso, condenamos como alienadas da verdadeira Igreja de Cristo todas aquelas igrejas que não são como ouvimos que devem ser, a despeito do muito que se jactam de uma sucessão de bispos, de unidade e de antiguidade. Além do mais, temos a advertência dos apóstolos de Cristo, para que fujamos da idolatria e de Babilônia (I Co 10.14; I João 5.21), e não tenhamos parte com ela se não queremos ser participantes das pragas de Deus (Apoc 18.4; II Co 6.17).</p>
<p><strong><em>Fora da Igreja de Deus não há salvação</em></strong>. Consideramos a comunhão com a verdadeira Igreja de Cristo coisa tão elevada que negamos que possa viver perante Deus aqueles que não estiverem em comunhão com a verdadeira Igreja de Deus, mas dela se separam. Pois, como não havia salvação fora da arca de Noé, quando o mundo perecia no dilúvio, igualmente cremos que não há salvação certa e segura fora de Cristo, que se oferece para o bem dos eleitos na Igreja; e por isso ensinamos que os que querem viver não podem separar-se da Igreja de Cristo.</p>
<p><strong><em>A Igreja não está limitada aos seus sinais</em></strong>. Entretanto, pelos sinais acima mencionados, não restringimos a Igreja ao ponto de ensinarmos que estão fora dela todos aqueles que ou não participam dos sacramentos, pelo menos não voluntariamente ou por desprezo, mas antes, forçados pela necessidade, involuntariamente se abstêm deles ou deles são privados, ou em quem a fé algumas vezes falha, embora não seja inteiramente extinta e não cesse de todo; ou em quem se encontram as imperfeições e erros devidos à fraqueza. Sabemos que Deus teve alguns amigos no mundo fora da comunidade de Israel. Sabemos do que aconteceu ao povo de Deus no cativeiro da Babilônia, onde foram privados dos seus sacrifícios por setenta anos. Sabemos o que aconteceu a São Pedro, que negou o Mestre, e o que costuma acontecer diariamente aos eleitos de Deus e às pessoas fiéis que se desviam e são fracas. Sabemos, mais, que tipo de igrejas eram as existentes na Galácia e em Corinto nos dias dos apóstolos, nas quais o apóstolo encontrou muitos e sérios pecados; apesar disso ele as chama santas igrejas de Cristo (I Co 1.2; Gal 1.2).</p>
<p><strong><em>A Igreja às vezes parece estar extinta</em></strong>. Sim, muitas vezes acontece que Deus, em seu justo juízo, permite que a verdade da sua Palavra, a fé católica e o culto verdadeiro de Deus sejam de tal forma obscurecidos e deformados, que a Igreja parece quase extinta e não mais existir, como vemos ter acontecido nos dias de Elias (I Reis 19.10, 14), e em outras ocasiões. Não obstante, Deus tem, neste mundo e nestas trevas, os seus verdadeiros adoradores, que não são poucos, chegando mesmo a sete mil e mais (I Reis 19.18, Apoc 7.4, 9). Pois o apóstolo exclama: “O firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo, ‘O Senhor conhece os que lhe pertencem’”, etc. (II Tim 2.19). Vem daí que pode a Igreja de Deus ser designada invisível; não que os homens dos quais ela é formada sejam invisíveis, mas porque, estando oculta de nossos olhos e sendo conhecida só de Deus, ela às vezes secretamente foge ao juízo humano.</p>
<p><strong><em>Nem todos os que estão na Igreja são da Igreja</em></strong>. Por outro lado, nem todos os que são contados no número da Igreja são santos ou membros vivos e verdadeiros da Igreja. Pois há muitos hipócritas que externamente ouvem a palavra de Deus e publicamente recebem os sacramentos, e parecem invocar a Deus somente por meio de Cristo, confessar que Cristo é a sua única justiça, e adorar a Deus e exercer os deveres de caridade e por algum tempo suportar com paciência as desgraças. E, não obstante, interiormente, estão completamente destituídos da verdadeira iluminação do Espírito, de fé e de sinceridade de coração, e de perseverança até o fim. Mas finalmente o caráter destes homens, em sua maior parte, será manifestado. O apóstolo São João diz: “Eles saíram de nosso meio, mas não eram dos nossos; porque, se tivessem sido dos nossos, teriam permanecido conosco” (I João 2.19). Todavia, conquanto simulem piedade, não são da Igreja, ainda que sejam considerados estarem na Igreja, exatamente como os traidores numa república estão incluídos no número de seus cidadãos, antes que sejam descobertos; e, como o joio e a palha se encontram no trigo, e como inchaços e tumores se acham no corpo sadio, quando ao contrário são doenças e deformidades e não genuínos membros do corpo. E assim a Igreja de Deus é muito adequadamente comparada a uma rede que retira peixes de todas as espécies, e a um campo no qual se encontram joio e trigo (Mat 13.24 ss, 47 ss).</p>
<p><strong><em>Não devemos julgar irrefletida e prematuramente</em></strong>. Conseqüentemente, devemos ser muito cuidadosos, não julgando antes da hora, nem tentando excluir e rejeitar ou separar aqueles aos quais o Senhor não quer excluídos nem rejeitados, e nem aqueles que não podemos eliminar sem prejuízo para a Igreja. Por outro lado, devemos estar vigilantes para que, enquanto os piedosos ressonam, os ímpios não ganhem terreno e causem mal à Igreja.</p>
<p><strong><em>A unidade da Igreja não consiste em ritos externos</em></strong>. Além disso, diligentemente ensinamos que se deve tomar grande cuidado naquilo em que consistem de modo especial a verdade e a unidade da Igreja, para não provocarmos nem alimentarmos cismas na Igreja, irrefletidamente. A unidade não consiste em cerimônias e ritos externos, mas antes na verdade e unidade da fé católica. A fé católica não nos é transmitida pelas leis humanas, mas pelas Santas Escrituras, das quais é um resumo o Credo Apostólico. E, assim, lemos nos escritores antigos que havia grande diversidade de cerimônias, mas que eram livres e ninguém jamais pensava que a unidade da Igreja era, desse modo, dissolvida. Assim, ensinamos que a verdadeira harmonia da Igreja consiste em doutrinas e na verdadeira e unânime pregação do Evangelho de Cristo, nos ritos que foram expressamente transmitidos pelo Senhor. E aqui insistimos na palavra do apóstolo: “Todos, pois, que somos perfeitos, tenhamos este sentimento; e, se porventura pensais doutro modo, também isto Deus vos esclarecerá. Todavia, andemos de acordo com o que já alcançamos” (Fil 3.11 ss).</p>
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<p align="center"><strong>18. Dos ministros da Igreja, sua instituição e deveres </strong></p>
<p><strong><em>Deus usa ministros na edificação da Igreja</em></strong>. Deus sempre usou ministros para reunir ou estabelecer para si a Igreja, e para o governo e preservação da mesma; e ainda os usa e sempre os usará, enquanto a Igreja permanecer na terra. Portanto, a origem, a instituição e o ofício de ministros é uma ordenação muito antiga de Deus mesmo e não inovação de homens. Instituição e origem de ministros. É verdade que Deus poderia, pelo seu poder, sem qualquer meio, congregar para si mesmo uma Igreja de entre os homens; mas ele preferiu tratar com os homens pelo ministério de homens. Por isso os ministros devem ser considerados não como ministros apenas por si mesmos, mas como ministros de Deus, visto que por meio deles Deus realiza a salvação de homens.</p>
<p><strong><em>O ministério não deve ser depreciado</em></strong>. Por essa razão, chamamos a atenção dos homens para que tomem cuidado para não atribuirmos o que diz respeito à nossa conversão e instrução ao poder secreto do Espírito Santo, fazendo pouco do ministério eclesiástico. Pois convém termos sempre em mente as palavras do apóstolo: “Como, porém, invocarão aquele</p>
<p>em que não creram? e como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? &#8230; E assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo” (Rom 10.14, 17). E também o que o Senhor disse no Evangelho: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem recebe aquele que eu enviar, a mim me recebe; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou” (João 13.20). De igual modo, um homem da Macedônia, que apareceu numa visão a São Paulo, enquanto este se encontrava na Ásia, secretamente o admoestou dizendo: “Passa à Macedônia, e ajuda-nos” (At 16.9). E em outro lugar o mesmo apóstolo diz: “Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós” (I Co 3.9).</p>
<p>Por outro lado, no entanto, devemos precaver-nos para não atribuirmos demasiado aos ministros e ao ministério; aqui também lembrando-nos das palavras de nosso Senhor no Evangelho: “Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o trouxer” (João 6.44), e as palavras do apóstolo: “Quem é Apolo? e quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um &#8230; Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. De modo que nem o que planta é alguma cousa, nem o que rega, mas Deus que dá o crescimento” (I Co 3. 5, 7). Deus move os corações dos homens. Então, creiamos que Deus nos ensina pela sua palavra, externamente por meio dos seus ministros e internamente move os corações dos seus eleitos à fé pelo seu Espírito Santo; e que, portanto, devemos atribuir a Deus toda a glória de todo este benefício. Mas deste assunto já tratamos no primeiro capítulo desta Explanação.</p>
<p><strong><em>Quem são os ministros e de que sorte são os que Deus deu ao mundo</em></strong>. E em verdade desde o princípio do mundo Deus usou os mais eminentes homens no mundo inteiro (ainda que muitos deles fossem simples na sabedoria terrena ou na filosofia, no entanto na verdadeira teologia eram excelentes), a saber, os patriarcas, com os quais ele falou freqüentemente pelos anjos. Pois os patriarcas eram os profetas e mestres dos seus dias, aos quais, por essa razão, quis Deus que vivessem por vários séculos, para que fossem, por assim dizer pais e luzes do mundo. Foram seguidos por Moisés e os profetas famosos pelo mundo inteiro.</p>
<p><strong><em>Cristo o mestre</em></strong>. Depois destes o Pai celestial enviou o seu Filho unigênito, o mais perfeito mestre do mundo, em quem está escondida a sabedoria de Deus, a qual veio até nós através da mais santa, simples e perfeita de todas as doutrinas. Ele escolheu discípulos para si mesmo, aos quais fez apóstolos. Estes saíram por todo o mundo e em toda parte congregaram igrejas pela pregação do Evangelho, e depois ordenaram pastores ou mestres (doutores) em todas as igrejas do mundo, segundo o mandamento de Cristo; mediante seus sucessores ele ensinou e governou a Igreja até hoje. Portanto, como Deus deu ao seu povo antigo os patriarcas, juntamente com Moisés e os profetas, assim também ao seu povo do Novo Testamento ele enviou seu Filho unigênito e, com ele, os apóstolos e doutores da Igreja.</p>
<p><strong><em>Ministros do Novo Testamento</em></strong>. Além disso, os ministros do novo povo são designados por diversos nomes. São chamados apóstolos, Profetas, evangelistas, bispos, anciãos, pastores e mestres (I Co 12.28; Ef 4.11). Os apóstolos. Os apóstolos não permaneciam num lugar determinado, mas por todo o mundo iam congregando diversas igrejas. Uma vez estas estabelecidos, deixou de haver apóstolos, e, em seu lugar, apareceram pastores, cada um em sua igreja. Profetas. Nos primeiros tempos eram videntes, conhecendo o futuro; mas também interpretavam as Escrituras. Tais homens são encontrados também hoje. Evangelistas. Os escritores da história evangélica eram chamados Evangelistas; mas eram também arautos do Evangelho de Cristo; como o apóstolo São Paulo ordena a Timóteo: “Faze o trabalho de evangelista” (II Tim 4.5). Bispos. Bispos são os supervisores e vigias da Igreja, que administram o alimento e outras necessidades da vida da Igreja. Presbíteros. Os presbíteros são os anciãos e, por assim dizer, os senadores e pais da Igreja, governando-a com sadio conselho. Pastores. Os pastores não só guardam o rebanho do Senhor, como também providenciam as coisas necessárias a ele. Mestres. Os mestres instruem e ensinam a verdadeira fé e piedade. Portanto, os ministros da Igreja podem, agora, ser chamados bispos, anciãos, pastores e mestres.</p>
<p><strong><em>Ordens dos papistas</em></strong>. Com o passar o tempo, muitas outras designações de ministros na Igreja foram introduzidas na Igreja de Deus. Alguns foram ordenados patriarcas, outros arcebispos, outros sufragâneos; também metropolitanos, arquidiáconos, diáconos, subdiáconos, acólitos, exorcismas, cantores, porteiros e não sei quantos outros, como cardeais, reitores e priores; abades maiores e menores; ordens mais elevadas e inferiores. Não estamos preocupados, porém, acerca de todas estas, de como foram uma vez e são agora. Basta-nos a doutrina apostólica no que concerne aos ministros.</p>
<p><strong><em>A respeito dos monges</em></strong>. Como sabemos com certeza que os monges e as ordens, ou seitas de monges, não são instituídas nem por Cristo, nem pelos apóstolos, ensinamos que elas nada valem para a Igreja de Deus; antes são perniciosas. Pois, embora anteriormente fossem toleráveis &#8211; quando eram solitários, ganhando a vida com suas próprias mãos, e não eram carga para ninguém e, como os leigos, eram por toda parte obedientes aos pastores das igrejas &#8211; agora, porém, o mundo todo vê e sabe a que são semelhantes. Eles formulam não sei que votos; mas levam vida totalmente contrária aos seus votos, de modo que os melhores deles merecem ser incluídos entre aqueles de quem o apóstolo fala: “Estamos informados de que entre vós há pessoas que andam desordenadamente, não trabalhando” etc. (II Tes 3.11 ). Portanto, não temos tais pessoas em nossas igrejas, nem ensinamos que devem existir nas igrejas de Cristo.</p>
<p><strong><em>Os ministros devem ser chamados e eleitos</em></strong>. Ninguém deve usurpar a honra do ministério eclesiástico; isto é, apoderar-se dele por suborno ou quaisquer enganos, ou por sua própria escolha. Que os ministros da Igreja sejam chamados e eleitos por eleição legal e eclesiástica; isto é, que sejam eleitos escrupulosamente pela Igreja ou por aqueles que dela receberam delegação para tal fim, na devida ordem, sem qualquer tumulto, divisões ou rivalidade. Não se eleja qualquer um, mas homens idôneos, que se distingam por suficiente cultura sagrada, piedosa eloqüência, sabedoria simples, e por fim, pela moderação e reputação honrada, segundo a regra apostólica fixada pelo apóstolo em I Tim, cap. 3, e Tit, cap. 1.</p>
<p><strong><em>Ordenação</em></strong>. E os que foram eleitos sejam ordenados pelos anciãos com orações públicas e imposição das mãos. Aqui condenamos todos quantos concorrem por conta própria, não sendo nem escolhidos, nem enviados, nem ordenados (Jer. cap. 23). Condenamos os ministros ineptos e os desprovidos dos dons necessários a um pastor.</p>
<p>Ao mesmo tempo, reconhecemos que a inocente simplicidade de certos pastores na Igreja Antiga por vezes aproveitou mais à Igreja do que a erudição multiforme, refinada e elegante mas demasiado infatuada de outros. Por esse motivo não rejeitamos, nem mesmo hoje, a simplicidade honesta de alguns, que não é, porém, de modo algum ignorante.</p>
<p><strong><em>O sacerdócio de todos os crentes</em></strong>. Sem dúvida, os apóstolos de Cristo designam todos os que crêem em Cristo como “sacerdotes”, não por causa de qualquer ofício, mas porque, por Cristo, todos os fiéis, feitos reis e sacerdotes, podemos oferecer sacrifícios espirituais a Deus (Êx 19.6; I Ped 2.9; Apoc 1.6). Portanto, o sacerdócio e o ministério são bem diferentes um do outro. O sacerdócio, como acabamos de dizer, é comum a todos os cristãos; o mesmo não acontece com o ministério. Nem abolimos o ministério da Igreja pelo fato de termos repudiado o sacerdócio papístico da Igreja de Cristo.</p>
<p><strong><em>Sacerdotes e sacerdócio</em></strong>. Sem dúvida nenhuma, na nova aliança de Cristo não existe mais essa forma de sacerdócio como existia entre o povo antigo; o qual incluía unção externa, roupagens santas e inúmeras cerimônias que eram tipos de Cristo, que aboliu tudo isso pela sua vinda e cumprimento desses tipos. Mas ele mesmo permanece o único sacerdote para sempre e para não subtrairmos qualquer coisa dele, não chamamos sacerdote a nenhum dos ministros. Pois o próprio Senhor nosso não nomeou nenhum sacerdote na Igreja do Novo Testamento, que, tendo recebido autoridade do sufragâneo, ofereçam sacrifício diariamente, isto é, a própria carne e sangue do Senhor, pelos vivos e mortos, mas ministros que ensinem e administrem os sacramentos.</p>
<p><strong><em>A natureza dos ministros do Novo Testamento</em></strong>. São Paulo expõe de modo simples e conciso o que devemos pensar dos ministros do Novo Testamento ou da Igreja Cristã, e o que devemos atribuir-lhes: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus” (I Co 4.1). Por isso, o apóstolo quer que estimemos os ministros como ministros. Ora, o apóstolo os chamou <em>hyperétas</em>, “remadores”, que têm os olhos fixos unicamente no timoneiro, e são, assim, homens que não vivem para si mesmos ou segundo sua própria vontade, mas para os outros &#8211; a saber, para os seus senhores, de cujas ordens dependem inteiramente. Pois em todos os seus deveres todo ministro da Igreja recebe ordens, não de satisfazer a sua vontade, mas de executar apenas o que está nos mandamentos recebidos do seu Senhor. E neste caso declarasse, expressamente, quem é o Senhor, isto é, Cristo, a quem os ministros estão sujeitos em todas as questões do ministério.</p>
<p><strong><em>Os ministros, despenseiros dos mistérios de Deus</em></strong>. Contudo, para explicar mais completamente o ministério, o apóstolo acrescenta que os ministros da Igreja são <em>ecónomo</em>s ou despenseiros dos mistérios de Deus. Ora, em muitas passagens, especialmente em Efésios, cap. 3, São Paulo chamou “mistérios de Deus” ao Evangelho de Cristo. E os escritores antigos também chamaram “mistérios” aos sacramentos de Cristo. Assim, é para isto que os ministros da Igreja são vocacionados &#8211; para pregarem o Evangelho de Cristo aos fiéis e para administrarem os sacramentos. Lemos, ainda, em outro lugar do Evangelho, a respeito do “mordomo fiel e prudente” a quem “o senhor confiará os seus conservas para dar-lhes o sustento a seu tempo” (Luc 12.42). Além disso, em outra passagem do Evangelho, um homem parte de viagem para um pais estrangeiro e, deixando sua casa, passa os seus bens e a sua autoridade nesta a seus servos, dando a cada um a sua tarefa.</p>
<p><strong><em>Do poder dos ministros da Igreja</em></strong>. Agora, pois, convém falarmos algo também acerca do poder e do dever dos ministros da Igreja. Sobre esse poder alguns têm discutido diligentemente, e a ele sujeitaram tudo o que há de supremo valor na terra, e o fizeram contrariamente ao mandamento do Senhor, que proibiu aos seus discípulos o domínio e recomendou com insistência a humildade (Luc 22. 24 ss; Mat 18.3 ss; 20.25 ss). Há, na verdade, outro poder que é simples e absoluto, chamado o poder do direito. Segundo esse poder, todas as coisas do mundo inteiro estão sujeitas a Cristo, o Senhor, como ele mesmo declarou, dizendo: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra” (Mat 28.18). E ainda: “Eu sou o primeiro e o último, e aquele que vive; estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do inferno” (Apoc 1.18). Igualmente: “&#8230; aquele que tem a chave de David, que abre e ninguém fechará, e que fecha e ninguém abre” (Apoc 3.7).</p>
<p><strong><em>O Senhor reserva para si o verdadeiro poder</em></strong>. Esse poder o Senhor o reserva para si, e não o transfere a nenhum outro, ficando ao lado ocioso, como espectador, enquanto os seus ministros trabalham. É Isaías que diz: “Porei sobre o seu ombro a chave da casa de David” (Is 22.22). E outra vez: “O governo está sobre os seus ombros” (Is 9.6). Ele não lança o governo sobre os ombros de outros homens, mas ainda conserva e usa o seu próprio poder, governando todas as coisas.</p>
<p><strong><em>O poder do ofício e o ministerial</em></strong>. Entretanto, há outro poder, o do oficio, ou poder ministerial, limitado por aquele que usa do poder pleno. E este é mais semelhante a um ministério do que a um império. As chaves. Um senhor concede poder ao seu mordomo e para isso dá-lhes as chaves, com as quais ele introduz na casa ou dela exclui quem o seu senhor gostaria de introduzir ou excluir. Em virtude desse poder o ministro, pelo seu oficio, realiza aquilo que o Senhor ordenou que ele fizesse, e o Senhor confirma aquilo que ele faz e deseja que o que o seu servo fez seja considerado e reconhecido como se ele mesmo o tivesse feito. Indubitavelmente, é a isto que se referem estas sentenças evangélicas: “Dar-te-ei as chaves do reino dos céus: o que ligares na terra, terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra, terá sido desligado nos céus” (Mat 16.19). Ainda: “Se de alguns perdoardes os pecados, são-lhes perdoados; se lhos retiverdes, são retidos” (João 20.23). Mas, se o ministro não agir em todas as coisas como o Senhor lhe ordenou, mas transgredir os limites da fé, então o Senhor certamente invalida aquilo que ele fez. Eis por que o poder eclesiástico dos ministros da Igreja é aquela função pela qual eles de fato governam a Igreja de Deus, mas fazem todas as coisas na Igreja como o Senhor as ordenou em sua Palavra. Quando essas coisas são feitas, os fiéis as consideram como feitas pelo próprio Senhor. Quanto às chaves, delas já se fez acima uma menção.</p>
<p><strong><em>O poder dos ministros é um e o mesmo em todos</em></strong>. Ora, o mesmo e igual poder ou função é concedido a todos os ministros na Igreja. Certamente, no princípio os bispos ou presbíteros governavam a Igreja em comum; nenhum homem se elevava acima de qualquer outro, ninguém usurpava maior poder ou autoridade sobre seus <em>co-epíscopos</em>. Lembrados das palavras do Senhor “Aquele que dirige seja como o que serve” (Luc 22.26) conservavam-se em humildade, e pelo serviço mútuo ajudavam-se no governo e na preservação da Igreja.</p>
<p><strong><em>A ordem a ser preservada</em></strong>. Entretanto, por causa da preservação da ordem, algum dos ministros convocava reunião da assembléia, e perante ela propunha assuntos a serem apresentados, reunia as opiniões dos demais e, enfim, o quanto estava nele, providenciava para que não surgisse confusão. Assim procedeu São Pedro, segundo lemos nos Atos dos Apóstolos, o qual contudo não era, por essa razão, preferido pelos demais, nem revestido de maior autoridade que os outros. Mui acertadamente disse o Mártir São Cipriano, no seu <em>De Simplicitate Clericorum</em>: “Os outros apóstolos eram, seguramente, o que era Pedro, dotados de semelhante associação de honra e poder; mas, [seu] primado procede da unidade para que a Igreja seja manifesta como sendo uma”.</p>
<p><strong><em>Como e quando um foi colocado diante dos outros</em></strong>. Também São Jerônimo, em seu Comentário à Epístola de Paulo a Tito, diz algo não muito diferente disto: “Antes que começasse a ligação a pessoas em religião, pela instigação do diabo, as igrejas eram governadas pelo conselho comum dos anciãos; mas, depois que cada um passou a pensar que aqueles que ele havia batizado eram seus e não de Cristo, decretou-se que um dos anciãos fosse escolhido e colocado sobre os demais, em quem recairia o cuidado de toda a Igreja, e que se removessem todas as sementes de cismas”. Contudo, São Jerônimo não recomenda este decreto como divino; pois ele logo acrescenta: “Assim como os anciãos sabem pelo costume da Igreja que se acham sujeitos ao que foi posto sobre eles, assim saibam os bispos, que se acham sobre os anciãos mais pelo costume do que pela verdade de uma disposição do Senhor, e que devem governar a Igreja em comum com eles”. Até aqui São Jerônimo. Por conseguinte, ninguém tem o direito de proibir o retorno à antiga constituição da Igreja de Deus, e recorrer a isso com apoio no costume humano.</p>
<p><strong><em>Os deveres do ministro</em></strong>. São vários os deveres dos ministros, no entanto, em geral se restringem a dois, nos quais todos os outros estão incluídos: o ensino evangélico de Cristo e a legítima administração dos sacramentos. É dever dos ministros reunir a assembléia sagrada e nela expor a Palavra de Deus, e aplicar toda a doutrina à razão e ao uso da Igreja, de modo que o que for ensinado seja útil aos ouvintes e edifique os fiéis. É dever dos ministros, afirmo, ensinar os ignorantes e exortar; e estimular os indecisos ou ainda os que caminham lentamente à avançar no caminho do Senhor, consolar e confirmar os pusilânimes, e armá-los contra as multiformes tentações de Satanás; corrigir os que pecam; reconduzir ao caminho os transviados; levantar os caídos; convencer os contradizentes; expulsar do rebanho do Senhor os lobos; repreender, prudente e severamente os crimes e os criminosos; não serem coniventes nem se calarem perante o crime. Mas, além de tudo isso, é seu dever administrar os sacramentos, recomendar o uso justo deles e, pela sã doutrina, preparar todos para recebê-los; conservar também os fiéis numa santa unidade; e impedir os cismas, enfim catequizar os ignorantes, recomendar à Igreja as necessidades dos pobres, visitar, instruir e conservar no caminho da vida os enfermos e os afligidos por várias tentações. Além disso, devem cuidar das orações públicas ou das súplicas em ocasiões de necessidade, juntamente com o jejum, isto é, procurar uma santa abstinência; e cuidar o mais diligentemente possível de tudo o que diz respeito à tranqüilidade, à paz e à salvação das igrejas.</p>
<p>E para que o ministro possa realizar todas estas coisas da melhor maneira e mais facilmente, requer-se especialmente dele que tema a Deus, seja constante na oração, entregue-se à leitura sagrada e, em todas as coisas e em todas as ocasiões, seja vigilante, e pela pureza de vida deixe sua luz brilhar diante de todos os homens.</p>
<p><strong><em>Disciplina</em></strong>. E, visto que a disciplina é absolutamente necessária na Igreja, e que a excomunhão foi outrora usada, entre os antigos, e havia, entre o povo de Deus julgamentos eclesiásticos, nos quais esta disciplina era exercida por homens sábios e piedosos, será também dever dos ministros regular essa disciplina para edificação, de acordo com as circunstâncias dos tempos, do estado público e com a necessidade. Todas as vezes que se deve observar a regra, tudo se deve fazer para edificação, decente e honestamente, sem tirania e divisão. Pois o apóstolo atesta que lhe foi outorgada pelo Senhor autoridade na Igreja “para edificação, e não para destruição” (II Co 10.8). E o Senhor mesmo proibiu arrancar o joio no campo do Senhor, porque haveria o perigo de ser arrancado o trigo juntamente com ele (Mat 13.29 ss).</p>
<p><strong><em>Mesmo os maus ministros devem ser ouvidos</em></strong>. Ademais, detestamos energicamente o erro dos donatistas, que consideram a doutrina e a administração dos sacramentos eficazes ou ineficazes, segundo a vida boa ou má dos ministros. Porquanto sabemos que a voz de Cristo deve ser ouvida, mesmo dos lábios de maus ministros; porque o Senhor mesmo disse: “Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém, não os imiteis nas suas obras” (Mat 23.3). Sabemos que os sacramentos são santificados pela instituição e pela palavra de Cristo, e que são válidos para o fiel, embora administrados por ministros indignos. Sobre este assunto Santo Agostinho, o bem-aventurado servo de Deus, muitas vezes argumentou com base nas Escrituras, contra os donatistas.</p>
<p><strong><em>Sínodos</em></strong>. Apesar disso, deve haver disciplina adequada entre os ministros. Nos Sínodos a doutrina e a vida dos ministros devem ser cuidadosamente examinadas. Os que pecam devem ser repreendidos pelos anciãos e reconduzidos ao caminho certo, se forem curáveis; e, se forem incuráveis, devem ser depostos, e, como lobos, expulsos do rebanho do Senhor pelos verdadeiros pastores. Se são falsos mestres, não podem ser de modo algum tolerados. Nem desaprovamos os concílios ecumênicos, se convocados segundo o exemplo dos apóstolos, para a salvação da Igreja e não para sua destruição.</p>
<p><strong><em>O obreiro é digno do seu salário</em></strong>. Todos os ministros fiéis, como bons obreiros, são também dignos do seu salário e não pecam quando recebem estipêndios e todas as coisas necessárias a eles mesmos e suas famílias. O apóstolo mostra em I Co, cap. 9 e em I Tim, cap. 5, bem como em outras passagens, que tais coisas são, de direito, dadas pela Igreja e recebidas pelos ministros. Os anabaptistas, que condenam e difamam os ministros que vivem do seu ministério, são também refutados pelo ensino apostólico.</p>
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<p align="center"><strong>19. Dos sacramentos e da Igreja de Cristo </strong></p>
<p><strong><em>Os sacramentos (são) adicionais à Palavra e o que são eles</em></strong>. Deus, desde o princípio, acrescentou à pregação da Palavra em sua Igreja os sacramentos ou sinais sacramentais. É o que a Sagrada Escritura claramente testifica. Sacramentos são símbolos místicos, ou ritos santos, ou atos sagrados instituídos pelo próprio Deus, consistindo segundo a sua Palavra, de sinais e de coisas significadas, por meio das quais ele, na Igreja, conserva a memória dos grandes benefícios por ele concedidos ao homem &#8211; renovando-a freqüentemente &#8211; por meio dos quais, também, ele sela as suas promessas e, externamente as representa e, como que nos põe diante dos olhos aquelas coisas que internamente ele nos concede, e assim fortalece e aumenta a nossa fé pela operação do Espírito de Deus em nossos corações. Finalmente, por meio deles, ele nos separa de todos os outros povos e religiões, e nos consagra e nos liga a si só, e nos dá a entender o que ele requer de nós.</p>
<p><strong><em>Alguns são sacramentos do Velho, outros do Novo Testamento</em></strong>. Alguns sacramentos são do velho povo, outros do novo. Os sacramentos do velho povo eram a Circuncisão e o Cordeiro Pascal, que era imolado; por essa razão, ele se relaciona com os sacrifícios celebrados desde o princípio do mundo.</p>
<p><strong><em>O número dos sacramentos do novo povo</em></strong>. Os sacramentos do novo povo são o Batismo e a Ceia do Senhor. Alguns há que reconhecem sete sacramentos do novo povo. Destes, reconhecemos que o arrependimento, a ordenação de ministros &#8211; não a ordenação papista, mas a apostólica &#8211; e o matrimônio são instituições úteis de Deus, não porém sacramentos. A confirmação e a extrema unção são simples invenções dos homens, que a Igreja pode dispensar sem nenhum prejuízo. Na verdade, não as temos em nossas igrejas, pois elas contêm certas coisas que de modo nenhum podemos aprovar. Acima de tudo, detestamos todo o comércio que exercem os romanistas na dispensação dos sacramentos.</p>
<p><strong><em>O autor dos sacramentos</em></strong>. O autor de todos os sacramentos não é nenhum homem, mas Deus somente. Os homens não podem instituir sacramentos. Estes fazem parte do culto de Deus. E não é da competência do homem estabelecer e prescrever o culto de Deus, mas receber e preservar o que por Deus foi entregue. Além disso, os símbolos têm juntas as promessas que requerem fé. E a fé se apóia exclusivamente na Palavra de Deus; e a Palavra de Deus assemelha-se a escritos ou cartas, e os sacramentos a selos, que somente Deus coloca nas cartas.</p>
<p><strong><em>Cristo ainda opera nos sacramentos</em></strong>. E sendo Deus o autor dos sacramentos, assim ele continuamente opera na Igreja, em que os sacramentos são devidamente celebrados; de modo que os fiéis, quando recebem dos ministros os sacramentos, reconhecem que Deus opera em sua própria instituição, e portanto, recebem os sacramentos como da mão do próprio Deus; e os defeitos do ministro (ainda que sejam muito grandes) não podem prejudicá-lo, se eles reconhecem que a integridade dos sacramentos depende da instituição do Senhor.</p>
<p><strong><em>Deve-se distinguir entre o autor e o ministro dos sacramentos</em></strong>. Por conseguinte, na administração dos sacramentos distinguem eles, também claramente, entre o Senhor mesmo e o ministro do Senhor, confessando que a substância dos sacramentos lhes é dada pelo próprio Senhor e os símbolos pelos ministros do Senhor.</p>
<p><strong><em>A essência ou coisa principal nos sacramentos</em></strong>. Mas, a coisa principal que Deus propõe em todos os sacramentos e para a qual todos os piedosos de todos os tempos voltam a atenção que outros chamam substância e matéria nos sacramentos é Cristo o Salvador, o sacrifício único, o Cordeiro de Deus morto desde a fundação do mundo, a rocha, também, da qual todos os nossos pais beberam, por quem todos os eleitos são circuncidados não por mãos, pelo Espírito Santo, e são lavados de todos os seus pecados e alimentados com o próprio corpo e sangue de Cristo para a vida eterna.</p>
<p><strong><em>Semelhança e diferença dos sacramentos do velho e do novo povo de Deus</em></strong>. Com respeito ao que é o principal e a própria matéria, os sacramentos de ambos os povos são iguais. Pois Cristo, o único Salvador e Mediador dos fiéis, é o principal elemento e a própria substância dos sacramentos em ambos; porquanto o mesmo Deus é o autor dos dois sacramentos.</p>
<p>Eles foram dados aos dois povos como sinais e selos da graça e das promessas de Deus, para que tragam à mente e renovem a lembrança dos grandíssimos benefícios de Deus e para que distinguissem os fiéis de todas as outras religiões do mundo; finalmente, para que fossem recebidos espiritualmente pela fé e ligassem à Igreja os participantes, e os lembrassem dos seus deveres. Nesses e em outros pontos semelhantes digo que os sacramentos de ambos os povos não são diferentes como parecem, embora exteriormente o sejam. E, na verdade. no que diz respeito aos sinais, fazemos uma maior distinção. Os nossos são mais firmes e mais duradouros, visto que nunca serão mudados até o fim do mundo. Mais ainda, os nossos testificam que tanto a substância como a promessa foram cumpridas ou consumadas em Cristo; os anteriores significavam o que estava para ser cumprido. Os nossos são também, mais simples e menos complicados, menos pomposos e menos envolvidos com cerimônias. E ainda mais, pertencem a um povo mais numeroso, disperso por toda a face da terra. E, porque são mais excelentes e pelo Espírito Santo despertam maior fé, resultam ainda, em maior abundância do Espírito.</p>
<p><strong><em>Nossos sacramentos sucedem aos antigos, que foram abolidos</em></strong>. Certamente, visto que Cristo, o verdadeiro Messias, nos é apresentado e a abundância da graça é derramada sobre o povo do Novo Testamento, os sacramentos do velho povo de Deus foram abolidos e cessaram; e em seu lugar colocaram-se os símbolos do Novo Testamento &#8211; o Batismo em lugar da Circuncisão, a Ceia do Senhor em lugar do Cordeiro Pascal e dos sacrifícios.</p>
<p><strong><em>Em que consistem os sacramentos</em></strong>. E como outrora os sacramentos consistiam da palavra, do sinal e da coisa significada, assim também agora eles se compõem, por assim dizer, dessas mesmas partes. Pois, a Palavra de Deus os faz sacramentos, o que antes não eram. A consagração dos sacramentos. São consagrados pela Palavra e declarados santificados por aquele que os instituiu. Santificar ou consagrar uma coisa a Deus é dedicá-la a usos sagrados isto é, retirá-la do uso comum ou profano e destiná-la a uso sagrado, pois, os sinais nos sacramentos se derivam do uso comum, de coisas externas e visíveis. No Batismo, o sinal externo é o elemento da água e a ablução visível, feita pelo ministro; a coisa significada é a regeneração e purificação de pecados. Na Ceia do Senhor, o sinal externo é o pão e o vinho, tomados do uso comum do comer e do beber; a coisa significado é o corpo do Senhor que foi entregue, e seu sangue vertido por nós, ou a comunhão do corpo e do sangue do Senhor. Por isso, a água, o pão, o vinho, segundo sua natureza e à parte da instituição divina e do uso sagrado, são somente aquilo que são chamados, e que experimentamos. Mas, quando a Palavra do Senhor lhes é acrescentada, com a invocação do nome divino e a renovação de sua primeira instituição e santificação, então esses sinais são consagrados e se mostram santificados por Cristo. A primeira instituição de Cristo e a consagração dos sacramentos permanece sempre eficaz na Igreja de Deus, de tal modo que aqueles que celebram os sacramentos, não de modo diferente daquele que o Senhor mesmo estabeleceu desde o princípio, ainda hoje desfrutam daquela primeira e sobre-excelente consagração. E por isso, na celebração dos sacramentos, são repetidas as próprias palavras de Cristo.</p>
<p><strong><em>Os sinais recebem o nome das coisas significadas</em></strong>. Porque aprendemos da Palavra de Deus que estes sinais foram instituídos para outro fim, diverso do uso comum, ensinamos que eles agora, em seu santo uso, assumem em si os nomes das coisas significados e não são mais chamados apenas água, pão ou vinho, mas também, regeneração ou o lavar com água e o corpo e sangue do Senhor, ou símbolos e sacramentos do corpo e sangue do Senhor. Não que os símbolos se transformem nas coisas significados ou cessem de ser o que são por sua natureza. Pois de outro modo não poderiam ser sacramentos. Se fossem apenas a coisa significado, não seriam sinais.</p>
<p><strong><em>A união sacramental</em></strong>. Portanto, os sinais adquirem os nomes das coisas, porque são símbolos místicos de coisas sagradas, e porque os sinais e as coisas significados estão sacramentalmente ligados; ligam-se, digo, ou unem-se pela significação mística e pela vontade e conselho daquele que instituiu os sacramentos. A água, o pão e o vinho não são sinais comuns, mas sagrados. E aquele que instituiu a água no batismo não a instituiu com a vontade e intenção de que os fiéis apenas fossem aspergidos pela água do batismo; e aquele que mandou comer o pão e beber o vinho na ceia não queria que os fiéis recebessem apenas pão e vinho sem qualquer mistério, da maneira como comem pão em suas casas, mas, que participassem espiritualmente das coisas significados, sendo pela fé verdadeiramente lavados de seus pecados e participantes de Cristo.</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Portanto, não podemos absolutamente aprovar os que atribuem a santificação dos sacramentos a não sei que propriedades e fórmulas ou ao poder de palavras pronunciadas por alguém que é consagrado e o que tem a intenção de consagrar, ou por outros acidentes quaisquer, que nem Cristo nem os apóstolos nos entregaram por palavras ou exemplo. Nem aprovamos tampouco a doutrina daqueles que falam dos sacramentos apenas como sinais comuns, não santificados nem eficazes. Nem aprovamos os que desprezam o aspecto visível dos sacramentos por causa do invisível, e assim crêem que os sinais são supérfluos porque pensam que já gozam as próprias coisas significados, como dizem que os messalianos sustentavam.</p>
<p><strong><em>A coisa significada não está incluída nos sacramentos nem a eles ligada</em></strong>. Não aprovamos a doutrina daqueles que ensinam que a graça e as coisas significadas estão de tal modo ligadas aos sinais e neles incluídas que, todos aqueles que participarem externamente dos sinais, não importando que espécie de pessoas sejam, são também interiormente participantes da graça e das coisas significados.</p>
<p>No entanto, como não julgamos o valor dos sacramentos pela dignidade ou indignidade dos ministros, assim também não os avaliamos pela condição daqueles que os recebem. Pois, sabemos que o valor dos sacramentos depende da fé e da veracidade e exclusiva bondade de Deus. Assim como a Palavra de Deus permanece a verdadeira Palavra de Deus que, em sendo pregada, não são meras palavras repetidas, mas ao mesmo tempo, as coisas significadas ou anunciadas em palavras são oferecidas por Deus, embora os ímpios e incrédulos as ouçam e compreendam, contudo não aproveitam as coisas significadas, porque não as recebem pela verdadeira fé, assim os sacramentos, que pela Palavra consistem de sinais e de coisas significadas, continuam sendo sacramentos verdadeiros e invioláveis, significando não somente coisas sagradas mas, pelo oferecimento de Deus, as próprias coisas significadas, embora os incrédulos não percebam as coisas oferecidas. Neste caso, a culpa não é de Deus que as dá e as oferece, mas dos homens que as recebem sem fé e de modo ilegítimo, cuja incredulidade, porém, não invalida a fidelidade de Deus (Rom 3.3 ss).</p>
<p><strong><em>O fim para o qual os sacramentos foram instituídos</em></strong>. Desde que o fim para o qual os sacramentos foram instituídos foi também explanado, de passagem, quando logo no começo de nossa exposição se mostrou o que eles são, não há necessidade de se fazer a repetição molesta daquilo que já foi dito. Conseqüentemente, portanto, falaremos agora, separadamente, dos sacramentos do novo povo.</p>
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<p align="center"><strong>20. Do santo batismo </strong></p>
<p><strong><em>A instituição do batismo</em></strong>. O batismo foi instituído e consagrado por Deus. Primeiro João batizou, tendo imergido Cristo na água do Jordão. Dele passou para os apóstolos, que também batizavam com água. Ordenou-lhes expressamente o Senhor que pregassem o Evangelho e batizassem “em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mat 28.19). E nos Atos disse São Pedro aos judeus que perguntaram o que deviam fazer: “&#8230; e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados, e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38). Em conseqüência disso, o batismo é chamado por alguns, sinal de iniciação para o povo de Deus, visto que por ele os eleitos de Deus são consagrados a Deus.</p>
<p><strong><em>Um só batismo</em></strong>. Há um só batismo na Igreja de Deus; e é suficiente ser uma só vez batizado ou consagrado a Deus. Pois o batismo, uma vez recebido, continua por toda a vida; e é o selo perpétuo de nossa adoção.</p>
<p><strong><em>O que significa ser batizado</em></strong>. Ser batizado em nome de Cristo é ser arrolado, incluído e recebido na aliança e na família, e assim na herança dos filhos de Deus; sim, e nesta vida ser chamado segundo o nome de Deus, isto é, ser chamado filho de Deus; ser purificado também da impureza dos pecados, e receber a multiforme graça de Deus para uma vida nova e inocente. O batismo, portanto, retém na memória e renova o grande benefício que Deus dispensou à raça dos mortais. Pois todos nascemos na impureza do pecado e somos filhos da ira. Mas Deus, que é rico em misericórdia, nos purifica gratuitamente dos nossos pecados pelo sangue de seu Filho, e, nele nos adota como seus filhos, e por uma santa aliança nos une a si mesmo e nos enriquece com inúmeros dons, para podermos viver uma nova vida. Todas estas coisas são consignadas pelo batismo. Internamente, somos regenerados, purificados e renovados por Deus mediante o Espírito Santo; e exteriormente recebemos o selo dos maiores dons na água, pela qual são também representados os maiores benefícios, e como que colocados diante dos nossos olhos para serem observados.</p>
<p><strong><em>Somos batizados com água</em></strong>. Por isso, somo batizados, isto é, lavados ou aspergidos com a água visível. Pois a água lava as impurezas, resfria e refresca os corpos quentes e cansados. E a graça de Deus realiza estas coisas para as almas, e o faz de modo invisível ou espiritual.</p>
<p><strong><em>A obrigação do batismo</em></strong>. Deus também nos separa de todas as religiões e povos estranhos pelo símbolo do batismo, e nos consagra a si mesmo como sua propriedade. Confessamos, portanto, nossa fé quando somos batizados, e sujeitamo-nos a Deus pela obediência, mortificação da carne e novidade de vida, e, com isso, alistamo-nos na santa milícia de Cristo para lutarmos durante toda a nossa vida contra o mundo, Satanás e nossa própria carne. Ademais, somos batizados no corpo da Igreja para, com todos os seus membros, podermos de modo distinto, participar de uma só e da mesma religião e dos serviços mútuos.</p>
<p><strong><em>A forma do batismo</em></strong>. Cremos que a mais perfeita forma de batismo é aquela pela qual Cristo foi batizado e pela qual os apóstolos batizaram. Aquilo, portanto, que pelo expediente do homem foi acrescentado posteriormente, e usado na Igreja, não consideramos necessário à perfeição do batismo. Por exemplo, o exorcismo, o uso de velas acesas, óleo, sal, cuspo e outras coisas semelhantes como a idéia de que o batismo deve ser administrado duas vezes por ano com um grande número de cerimônias. Cremos que um só batismo da Igreja foi santificado na primeira instituição realizada por Deus, e que ele é consagrado pela Palavra, e é também eficaz ainda hoje, em virtude da primeira bênção de Deus.</p>
<p><strong><em>O ministro do batismo</em></strong>. Ensinamos que o batismo não deve ser administrado na Igreja por mulheres ou por parteiras. São Paulo vetou à mulher os ofícios eclesiásticos. E o batismo pertence aos ofícios eclesiásticos.</p>
<p><strong><em>Anabatistas</em></strong>. Condenamos os anabatistas, que negam que as criancinhas recém-nascidas dos fiéis devam ser batizadas. Mas, segundo o ensino evangélico, “dos tais é o Reino de Deus”, e as mesmas se encontram na aliança de Deus. Por que, então, não deve o sinal da aliança de Deus ser conferido a elas? Por que não devem aqueles que são propriedade de Deus e estão na sua Igreja ser iniciados pelo santo batismo? Condenamos os anabatistas em outras das suas doutrinas peculiares, que eles sustentam em oposição à Palavra de Deus. Não somos, portanto, anabatistas e nada temos em comum com eles.</p>
<p align="center"><strong>21. Da santa Ceia do Senhor </strong></p>
<p><strong><em>A Ceia do Senhor</em></strong>. A Ceia do Senhor &#8211; também chamada Mesa do Senhor e Eucaristia, isto é, Ação de Graças &#8211; é em geral chamada ceia porque foi instituída por Cristo em sua última ceia, e ainda a representa, e porque nela os fiéis são espiritualmente alimentados e dessedentados.</p>
<p><strong><em>O autor e consagrador da Ceia</em></strong>. O autor da Ceia do Senhor não é nenhum anjo ou homem, mas o próprio Filho de Deus, nosso Senhor Jesus Cristo, que primeiro a consagrou para sua Igreja. Essa consagração ou bênção ainda permanece entre todos quantos celebram não outra ceia, mas aquela mesma, que o Senhor instituiu e na qual eles recitam as palavras da Ceia do Senhor, e em tudo voltam o olhar com verdadeira fé para o único Cristo, e recebem, como de suas mãos, aquilo que recebem pelo ministério dos ministros da Igreja.</p>
<p><strong><em>Um memorial das bênçãos de Deus</em></strong>. Por este rito sagrado o Senhor deseja manter em viva lembrança a maior bênção que concedeu aos mortais, a saber, que pelo dom do seu corpo e pelo derramamento do seu sangue ele perdoou todos os nossos pecados e nos redimiu da morte eterna e do poder do Diabo, e agora nos alimenta com a sua carne e nos dá a beber o seu sangue, os quais, recebidos espiritualmente com verdadeira fé, nos alimentam para a vida eterna. E essa bênção tão grande se renova tantas vezes quantas é celebrada a Ceia do Senhor. Eis o que disse o Senhor: “Fazei isto em memória de mim”. Esta santa Ceia sela, também, para nós, que o próprio corpo de Cristo foi verdadeiramente entregue por nós, e seu sangue vertido para remissão dos nossos pecados, a fim de que em nada a nossa fé venha a vacilar.</p>
<p><strong><em>O sinal e a coisa significada</em></strong>. E isto é visivelmente representado de modo exterior por este sacramento pelo ministrante e, como que exposto aos olhos para ser contemplado, aquilo que pelo Espírito Santo é concedido interiormente na alma de maneira invisível. O pão é exteriormente oferecido pelo ministro, e ouvem-se as palavras do Senhor: “Tomai, comei; este é o meu corpo”; e “Recebei e reparti entre vós. Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue”. Portanto, os fiéis recebem o que é dado pelo ministro do Senhor, e comem o pão do Senhor e bebem do cálice do Senhor. Ao mesmo tempo, pela obra de Cristo por meio do Espírito Santo, interiormente recebem também a carne e o sangue do Senhor e deles se alimentam para a vida eterna. Pois a carne e o sangue de Cristo são o verdadeiro alimento e a verdadeira bebida para a vida eterna; e Cristo mesmo, desde que foi entregue por nós e é nosso Salvador, é o principal elemento na Ceia, e não permitimos que nenhuma outra coisa seja colocada em seu lugar.</p>
<p>Mas, para que se compreenda mais retamente e com clareza corno a carne e o sangue de Cristo são o alimento e a bebida dos fiéis, e são recebidos pelos fiéis para a vida eterna, acrescentaríamos estas poucas coisas. Há mais de uma espécie de comer. Há o comer corporal, pelo qual o alimento é posto pelo homem na boca, mastigado com os dentes e deglutido para o estômago. No passado, os cafarnauenses acharam que a carne do Senhor devia ser comida desse modo, mas são refutados pelo próprio Senhor, em João, cap. 6. Desde que a carne de Cristo não pode ser comida corporalmente, sem infâmia e selvageria, assim ela não é alimento para o estômago. Todos os homens são obrigados a admitir isso. Desaprovamos, portanto, o cânon nos decretos do papa, <em>Ego Berengariust</em> (<em>De Consecrat</em>., <em>Dist</em>. 2). Nem a piedosa antiguidade cria, nem cremos nós que o corpo de Cristo possa ser corporalmente e essencialmente comido pela boca.</p>
<p><strong><em>O comer o Senhor espiritualmente</em></strong>. Há também um comer espiritual do corpo de Cristo; não que pensemos que, por isso, o próprio alimento se mude em espírito, mas o corpo e o sangue do Senhor, embora permanecendo em sua própria essência e propriedade, nos são espiritualmente comunicados, certamente não de modo corporal, mas espiritual, pelo Espírito Santo, que aplica em nós e nos confere estas coisas que nos foram preparadas pelo sacrifício do corpo e do sangue do Senhor por nós, a saber, a remissão de pecados, o livramento e a vida eterna; de tal modo que Cristo vive em nós e nós vivemos nele, sendo que ele nos possibilita recebê-lo pela verdadeira fé para que possa tornar-se, para nós, esse alimento e bebida espirituais, isto é, nossa vida.</p>
<p><strong><em>Cristo como nosso alimento sustenta-nos a vida</em></strong>. Assim como o alimento e a bebida corporal não só refazem e fortalecem nossos corpos, mas também os conservam vivos, também a carne de Cristo, entregue por nós e seu sangue vertido por nós não só refazem e fortalecem nossas almas, mas também as conservam vivas, não na medida em que sejam corporalmente comidos e bebidos, mas na medida em que nos são comunicados espiritualmente pelo Espírito de Deus, como diz o Senhor: “O pão que darei pela vida do mundo, é a minha carne” (João 6.51), e “a carne” (sem dúvida, corporalmente comida) “para nada aproveita; o espírito é o que vivifica” (v. 63). E mais: “As palavras que eu vos tenho dito, são espírito e são vida”.</p>
<p><strong><em>Cristo recebido pela fé</em></strong>. E como devemos, pelo comer, receber alimento em nossos corpos para que ele atue em nós e prove a sua eficácia em nós &#8211; visto que ele não é de comum proveito quando retido fora de nós &#8211; assim é necessário que recebamos Cristo pela fé, para que ele se torne nosso e viva em nós e nós nele. Pois, ele diz: “Eu sou o pão da vida; o que vem a mim, jamais terá fome; e o que crê em mim, jamais terá sede” (João 6.35); e também: “Quem de mim se alimenta, por mim viverá&#8230; permanece em mim e eu nele” (vs. 57, 56).</p>
<p><strong><em>Alimento espiritual</em></strong>. De tudo isto, fica claro que por alimento espiritual não queremos dizer algum alimento imaginário que não se sabe bem o que seja mas o próprio corpo do Senhor dado por nós, que entretanto é recebido pelos fiéis não corpórea, mas espiritualmente pela fé. Nesta questão seguimos o ensino do próprio Salvador, Cristo o Senhor, segundo João, cap. 6</p>
<p><strong><em>O comer é necessário à salvação</em></strong>. E este comer da carne e beber do sangue do Senhor é tão necessário à salvação, que sem ele, nenhum homem pode ser salvo. Mas este comer e beber, espiritualmente, ocorrem também à parte da Ceia do Senhor, sempre e onde quer que o homem creia em Cristo. A isto talvez se aplique a frase de Santo Agostinho: “Por que preparas os dentes e o estômago? Crê e terás comido”.</p>
<p><strong><em>O comer sacramental do Senhor</em></strong>. Além do comer altamente espiritual há também o comer sacramental do corpo do Senhor, pelo qual o crente participa não só espiritual e interiormente do verdadeiro corpo e sangue do Senhor, mas também, pela aproximação à Mesa do Senhor, recebe externamente o sacramento visível do corpo e do sangue do Senhor. Sem dúvida alguma, já antes, quando creu, recebeu o crente o alimento que lhe dá a vida, e ainda o usufrui. Portanto, quando ele agora recebe o sacramento não é que não receba algo. Pois ele progride na comunicação contínua do corpo e do sangue do Senhor, e assim sua fé se aviva e se desenvolve mais e mais, sendo revigorada pelo alimento espiritual. Enquanto vivemos, nossa fé aumenta continuamente. Ora, aquele que, externamente, recebe o sacramento com verdadeira fé, não recebe apenas o sinal, mas também, como dissemos, desfruta a própria realidade. Além disso, obedece ele à instituição e ao mandamento do Senhor, e com mente alegre rende graças pela própria redenção e a da humanidade toda, realizando uma fiel comemoração da morte do Senhor, dando testemunho diante da Igreja, de cujo corpo é membro. Assegura-se também, aos que recebem o sacramento que o corpo do Senhor foi dado e seu sangue derramado, não apenas pelos homens em geral, mas, particularmente por todo fiel comungante, para quem ele é alimento e bebida para a vida eterna.</p>
<p><strong><em>Os incrédulos recebem o sacramento para seu julgamento</em></strong>. Mas, aquele que se aproxima da sagrados da Mesa do Senhor sem fé, participa somente do sacramento e não recebe a essência do sacramento, de onde provém vida e salvação; e tais pessoas participam indignamente da Mesa do Senhor. Ora, os que comem o pão e bebem o cálice do Senhor de modo não digno, tornam-se culpados do corpo e do sangue do Senhor comendo e bebendo para si mesmo condenação (I Co 11.26-29). Não se aproximando com verdadeira fé, desonram a morte de Cristo e, conseqüentemente, comem e bebem condenação para si mesmos.</p>
<p><strong><em>A presença de Cristo na Ceia</em></strong>. Nós, pois, não identificamos o corpo do Senhor e seu sangue com o pão e o vinho a ponto de dizer que o próprio pão é o corpo de Cristo, exceto no sentido sacramental; ou que o corpo de Cristo está oculto corporeamente sob o pão, de modo que deve ser adorado sob a forma de pão; ou ainda que, quem quer que receba o sinal, recebe também a própria realidade. O corpo de Cristo está nos céus, à mão direita do Pai; e, portanto, nossos corações devem elevar-se para o alto e não se fixarem no pão, nem deve o Senhor ser adorado no pão. Contudo, o Senhor não está ausente de sua Igreja, quando esta celebra a Ceia. O sol, que está afastado de nós, nos céus, encontra-se, entretanto, efetivamente presente em nosso meio. Quanto mais o Sol da justiça, Cristo, embora estando ausente de nós nos céus, pelo seu corpo, não estará presente conosco, não corporal, mas, espiritualmente, pela sua operação vivificadora, como ele mesmo declarou, por ocasião da última Ceia, que haveria de estar presente conosco (João, caps. 14, 15 e 16). Decorre dai que não temos uma Ceia sem Cristo, mas uma Ceia incruenta e mística, como foi universalmente chamada pela antiguidade.</p>
<p><strong><em>Outros propósitos da Ceia do Senhor</em></strong>. Além do mais, na celebração da Ceia do Senhor, somos admoestados a estarmos conscientes de cujo corpo nos tornamos membros, e portanto, a sermos uma só mente com todos os irmãos; a viver uma vida santa e a não nos corrompermos com a iniqüidade e com religiões estranhas; mas, perseverando na verdadeira fé até o fim da vida, esforçarmo-nos para alcançar a excelência da santidade de vida.</p>
<p><strong><em>Preparação para a Ceia</em></strong>. Convém, portanto, que tendo de participar da Ceia, primeiro examinemo-nos a nós mesmos, segundo o mandamento do apóstolo, especialmente quanto à fé que temos, se cremos que Cristo veio para salvar os pecadores e chamá-los ao arrependimento, e se cremos que pertencemos ao número dos que foram libertados e salvos por Cristo; e se estamos resolvidos a mudar nossa vida ímpia, a fim de levarmos uma vida santa e, com o auxílio do Senhor, a perseverar na verdadeira religião e na harmonia com os irmãos, e a render graças devidas a Deus pelo seu livramento.</p>
<p><strong><em>A observância da Ceia com pão e vinho</em></strong>. Julgamos que o rito, a maneira ou forma da Ceia mais simples e excelente seja aquela que mais se aproxime da primeira instituição do Senhor e da doutrina dos apóstolos. Consiste na proclamação da Palavra de Deus, em orações piedosas, na ação do Senhor mesmo, e em sua repetição, comendo do corpo do Senhor, e bebendo de seu sangue; relembrando a morte do Senhor e ele fiel ação de graças; e numa santa participação na união do corpo da Igreja.</p>
<p>Desaprovamos, pois, os que privaram os fiéis de um dos elementos do sacramento, a saber, do cálice do Senhor. Estes pecam seriamente contra a ordem do Senhor, que diz: “Bebei dele todos”; o que ele não disse de modo tão expresso a respeito do pão.</p>
<p>Não estamos discutindo, agora, que espécie de missa existiu outrora entre os antigos, se deve ser tolerada ou não. Mas, dizemos isto abertamente: a missa agora usada em toda a Igreja Romana foi abolida em nossas igrejas por muitas e boas razões, as quais, para sermos breve, não enumeramos agora em pormenores. Não poderíamos aprovar a mudança de uma ação salutar em um espetáculo inútil, e num meio de alcançar mérito, e celebrado por um preço. Nem poderíamos aprovar a afirmação de que na mesma, o sacerdote efetua o próprio corpo do Senhor, e realmente o oferece pela remissão dos pecados dos vivos e dos mortos, e ainda para a honra, veneração e lembrança dos santos no céu, etc.</p>
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<p align="center"><strong>22. Do culto e das reuniões na Igreja </strong></p>
<p><strong><em>Como deve ser o culto</em></strong>. Embora se permita a todos os homens lerem as Escrituras particularmente em casa, pela instrução edificando-se mutuamente na verdadeira religião, no entanto, para que a Palavra de Deus seja anunciada convenientemente ao povo, e se façam publicamente orações e súplicas, bem como sejam os sacramentos administrados de modo próprio, e se levantem ofertas para os pobres e para o pagamento de todas as despesas da Igreja, e para a conservação das relações sociais, é muito necessário que se mantenham as reuniões de culto ou da Igreja. Pois, é certo que na Igreja apostólica e primitiva, havia tais assembléias, freqüentadas por todos os piedosos.</p>
<p><strong><em>As reuniões para culto não devem ser negligenciadas</em></strong>. Todos quantos negligenciam as reuniões de culto, delas ficando ausentes, desprezam a verdadeira religião, devendo ser exortados pelos pastores e magistrados piedosos para não continuarem ausentes dos cultos.</p>
<p><strong><em>As reuniões devem ser públicas</em></strong>. As reuniões da Igreja não devem ser ocultas ou às escondidas, mas públicas e bem freqüentadas, a não ser que a perseguição movida pelos inimigos de Cristo e da Igreja não permita que sejam públicas. Pois, sabemos como sob a tirania dos imperadores romanos, as reuniões da Igreja Primitiva realizavam-se em lugares secretos.</p>
<p><strong><em>Lugares decentes de reunião</em></strong>. Além disso, os lugares onde os fiéis se congregam devem ser decentes, e em tudo próprios para a Igreja de Deus. Portanto, devem-se escolher prédios com bastante espaço ou templos, mas expurgados de tudo o que não seja adequado a uma Igreja. E tudo deve concorrer para o decoro, a necessidade e a piedosa decência, a fim de que nada fique faltando, nada que seja indispensável ao culto e às obras necessárias da Igreja.</p>
<p><strong><em>Nas reuniões, devem-se observar a modéstia e a humildade</em></strong>. E como cremos que Deus não habita em templos feitos por mãos, também sabemos que, por causa da Palavra de Deus e do uso sagrado, os lugares dedicados a Deus e ao seu culto não são profanos, mas sagrados, e os que neles estão presentes devem conduzir-se com reverência e com modéstia, reconhecendo que se encontram em lugar sagrado, na presença de Deus e de seus santos anjos.</p>
<p><strong><em>A verdadeira ornamentação dos santuários</em></strong>. Portanto, todo aparato, orgulho e tudo o que seja impróprio à humildade, à disciplina e à modéstia cristãs, deve ser banido dos santuários e lugares de oração dos cristãos. Pois, a verdadeira ornamentação das igrejas não consiste em marfim, ouro e pedras preciosas, mas na frugalidade, na piedade e nas virtudes daqueles que estão na Igreja. Que todas as coisas sejam feitas com decência e ordem na igreja e, finalmente, que todas as coisas concorram para a edificação.</p>
<p><strong><em>Culto na linguagem comum</em></strong>. Calem-se, pois, todas as línguas estranhas nas reuniões de culto, e sejam todas as coisas expressas na língua do povo, compreendida por todas as pessoas presentes.</p>
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<p align="center"><strong>23. Das orações da Igreja, do cântico e das horas canônicas </strong></p>
<p><strong><em>Vernáculo</em></strong>. Certo é que se permite a quem quer que seja orar em particular em qualquer língua que entenda, mas as orações públicas nas reuniões de culto devem ser feitas em vernáculo, a língua conhecida do povo. Oração. Que todas as orações dos fiéis sejam dirigidas somente a Deus, pela mediação única de Cristo, procedentes da fé e do amor. O sacerdócio de Cristo, o Senhor, e a verdadeira religião proíbem invocar os santos no céu, ou usá-los como intercessores. Devem-se fazer orações pelos magistrados, pelos reis e por todos quantos estão investidos de autoridade, pelos ministros da Igreja e por todas as necessidades das igrejas. Em calamidades, especialmente em se tratando da Igreja, deve-se orar sem cessar, tanto em particular como publicamente.</p>
<p><strong><em>Oração livre</em></strong>. Ademais, deve a oração ser voluntária, sem constrangimento e não buscar recompensa. Não convém mesmo que se limite, supersticiosamente a oração a um lugar, como se não fosse permitido orar em qualquer lugar, exceto num templo. Nem é necessário que as orações públicas sejam as mesmas quanto à forma e ao tempo, em todas as igrejas. Que cada igreja use de liberdade neste sentido. Diz Sócrates, em sua história: “Em todas as regiões do mundo não encontrareis duas igrejas, que concordem inteiramente quanto à oração” (<em>Hist. ecclesiast</em>. V. 22,57). Os autores de tais diferenças &#8211; é de supor-se &#8211; foram aqueles, que se encontravam à frente das igrejas em certas ocasiões. No entanto, se concordam, recomenda-se com insistência que o exemplo seja imitado por outras.</p>
<p><strong><em>O método para as orações públicas</em></strong>. Como em todas as coisas, também nas orações públicas deve haver um padrão, a fim de que não se tornem longas demais e cansativas. A maior parte das reuniões de culto deve, portanto, destinar-se ao ensino evangélico, tomando-se o cuidado para que a congregação não se aborreça com as orações muito longas, de forma que ao chegar a hora de ouvir a pregação do Evangelho, os presentes, já exaustos, deixem a reunião ou queiram suprimi-la. Para tais pessoas o sermão parece muito longo, quando de outra forma, seria breve. Convém pois, que os pregadores saibam manter a medida.</p>
<p><strong><em>Cântico</em></strong>. De igual forma, deve o cântico ser usado com moderação no culto. O Cântico chamado Gregoriano encerra muitas coisas tolas; daí com justa razão ser ele rejeitado por muitas de nossas igrejas. Não se deve condenar as igrejas, que embora tendo bom sermão não têm um bom cântico. Nem todas podem contar com a vantagem de ter boa música. Sabemos pelo testemunho da antiguidade que se o hábito de cantar é muito velho nas Igrejas Orientais, só tardiamente foi aceito no Ocidente.</p>
<p><strong><em>Horas canônicas</em></strong>. A antiguidade nada conhecia das horas canônicas, isto é, das orações preparadas para certas horas do dia, cantadas ou recitadas pelos papistas, o que se comprova pelos seus breviários e por outras fontes. Há nelas não poucos absurdos, dos quais nada direi mais; são elas, com razão, omitidas pelas igrejas que colocaram em seu lugar coisas benéficas para toda a Igreja de Deus.</p>
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<p align="center"><strong>24. Dos dias santos, dos jejuns e da escolha dos alimentos </strong></p>
<p><strong><em>O tempo necessário para o culto</em></strong>. Embora não esteja a religião limitada pelo tempo, contudo não pode ser cultivada ou praticada sem distribuição e arranjo próprio do tempo. Toda igreja, portanto, escolhe determinado horário para as orações públicas, a pregação do Evangelho e a celebração dos sacramentos, não sendo permitido a ninguém transtornar esse horário da igreja a seu bel prazer. Pois, a não ser que algum tempo livre seja reservado ao exercício da religião, sem dúvida os homens absorvidos pelos seus negócios, estariam afastados dela.</p>
<p><strong><em>O Dia do Senhor</em></strong>. Por isso vemos que nas igrejas antigas não havia apenas certas horas da semana destinadas às reuniões, mas que também o Dia do Senhor, desde o tempo dos apóstolos, fora separado para as mesmas, e para o santo repouso, prática essa, acertadamente preservada por nossas igrejas para fins de culto e serviço de amor.</p>
<p><strong><em>Superstição</em></strong>. Neste ponto, entretanto, não cedemos às observâncias dos judeus e às superstições. Pois, não cremos que um dia seja mais santo do que outro, nem pensamos que o repouso em si mesmo seja aceitável a Deus. Além disso, guardamos o Dia do Senhor, e não o sábado como livre observância.</p>
<p><strong><em>As festas de Cristo e dos santos</em></strong>. Ademais, se na liberdade cristã, as igrejas celebram de modo religioso a lembrança do nascimento do Senhor, a circuncisão, a paixão, a ressurreição e sua ascensão ao céu, bem como o envio do Espírito Santo sobre os discípulos, damos-lhes plena aprovação. Não aprovamos, contudo, as festas instituídas em honra de homens ou dos santos. Os dias santificados têm a ver com a primeira Tábua da Lei e só a Deus pertencem. Finalmente, os dias santificados, instituídos em honra dos santos, os quais abolimos, têm muito de absurdo e inútil, e não devem ser tolerados. Entretanto, confessamos que a lembrança dos santos, em hora e lugar apropriados, pode ser recomendada de modo aproveitável ao povo em sermões, e os seus santos exemplos, apresentados como dignos de serem imitados por todos.</p>
<p><strong><em>Jejum</em></strong>. Ora, quanto mais seriamente a Igreja de Cristo condena a gula, a embriaguez e toda a espécie de lascívia e intemperança, tanto mais e com insistência, recomenda-nos o jejum cristão. Pois, jejuar nada mais é do que a abstinência e moderação dos piedosos e uma disciplina, cuidado e castigo de nossa carne, exercitados segundo a necessidade do momento, pelos quais nos humilhamos diante de Deus, privando nossa carne de seu combustível, de modo que possa mais espontânea e facilmente obedecer ao Espírito. Portanto, aqueles que não dão atenção a tais coisas não jejuam, mas imaginam que o fazem se abarrotam o estômago uma vez por dia e a certa hora ou em horário prescrito abstêm-se de certos alimentos, pensando que, pelo fato de terem praticado essa obra agradam a Deus e estão fazendo algo de bom. O jejum vem a ser um auxílio para as orações dos santos e para todas as virtudes. Mas, como se vê nos livros dos profetas, o jejum dos judeus, que se abstinham de alimento, não porém da iniqüidade, não agradava a Deus.</p>
<p><strong><em>Jejum público e particular</em></strong>. Há jejum público e pessoal. Nos tempos antigos celebravam-se jejuns públicos, em tempos de calamidade ou em situações difíceis da Igreja. Abstendo-se totalmente de alimento até o anoitecer, dedicavam-se todo o tempo a santas orações, ao culto a Deus e ao arrependimento. Eles diferiam pouco do luto, havendo freqüente menção do mesmo nos Profetas, especialmente em Joel, cap. 2. Tal jejum deve ser observado ainda hoje, sempre que a Igreja se encontre em situação difícil. Os jejuns particulares podem ser praticados por qualquer um de nós, quando se sente afastado do Espírito. Pois, dessa maneira, priva-se a carne de seu combustível.</p>
<p><strong><em>Características do jejum</em></strong>. Todo jejum deve partir de um espírito livre, espontâneo e realmente humilde, e não simulado, só para conquistar o aplauso ou favor dos homens, e muito menos para que por meio dele pretenda o homem ser merecedor de justiça. Mas, que cada um jejue para este fim &#8211; não dar lugar aos desejos da carne e servir a Deus mais fervorosamente.</p>
<p><strong><em>Quaresma</em></strong>. O jejum da Quaresma tem o testemunho dos antigos, mas não dos escritos apostólicos, pelo que não deve e não pode ser imposto aos fiéis. É certo que no princípio havia várias formas ou costumes de jejum. Por isso, diz Irineu, escritor muito antigo: “Uns pensam que se deve observar o jejum somente um dia, outros, dois dias, outros mais dias, e alguns, quarenta dias. Tal diversidade na observância do jejum não começou em nossos tempos, porém, muito antes de nós por aqueles, suponho, que não se apegavam simplesmente ao que lhes havia sido entregue desde o princípio, mas passaram a outro costume por negligência ou ignorância” (<em>Fragm. </em><em>3</em>, ed. Stieren, I, 824 s). Além disso, Sócrates, o historiador, diz: “Visto que não se encontra nenhum texto antigo acerca deste assunto, penso que os apóstolos o deixaram à opinião de cada pessoa, de modo que cada qual pudesse fazer o que é bom, sem temor ou constrangimento” (<em>Hist. ecclesiast</em>, V. 22,40).</p>
<p><strong><em>A escolha dos alimentos</em></strong>. Quanto à escolha dos alimentos, julgamos que no jejum se deve negar à carne tudo o que possa torná-la mais arrogante e deleitá-la mais, aguçando-lhe o desejo de peixe, ou carne, ou condimentos, ou de guloseimas e bons vinhos. Além do mais, sabemos que todas as criaturas de Deus foram feitas para o uso e serviço dos homens. Tudo o que Deus fez é bom, devendo ser usado no temor de Deus e com moderação (Gen 2.15 s). Diz o apóstolo: “Todas as coisas são puras para os puros” (Tit I.15), e mais: “Comei de tudo o que se vende no mercado, sem nada perguntardes por motivo de consciência” (I Co 10.25). O mesmo apóstolo chama a doutrina daqueles que ensinam abstenção de carnes “doutrina de demônios”; pois “&#8230; alimentos, que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis, e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois, tudo o que Deus criou é bom e, recebido com ações de graça, nada é recusável” (I Tim 4.1 ss).</p>
<p><strong><em>Seitas</em></strong>. Portanto, condenamos inteiramente os tacianos e os encratitas, bem como todos os discípulos de Eustátio, contra quem foi convocado o Sinodo Gangrense.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>25. Da catequese, do conforto e das visitas aos doentes </strong></p>
<p><strong><em>A juventude deve ser instruída na piedade</em></strong>. O Senhor ordenou ao seu povo antigo que tivesse o maior cuidado no sentido de que a mocidade, desde a infância, fosse devidamente instruída, e mais do que isso, expressamente ordenou em sua Lei, que a ensinasse e lhe interpretasse os mistérios dos sacramentos. Sabe-se pelos escritos dos evangelistas bem como dos apóstolos que não é menor o interesse de Deus hoje, pela juventude do povo da nova aliança, pois claramente nos dá testemunho disso, dizendo: “Deixai vir a mim os pequeninos, não os embaraces, porque dos tais é o reino de Deus” (Mc 10.14). Por isso, os pastores das igrejas agem de maneira a mais sábia, quando desde cedo e com cuidado, catequizam a juventude, transmitindo-lhe os primeiros fundamentos da fé, fielmente ensinando-lhe os rudimentos da nossa religião pela explicação dos Dez Mandamentos, do Credo Apostólico, da Oração Dominicial e da doutrina dos sacramentos, com outros princípios semelhantes e tópicos principais da nossa religião. Que a Igreja mostre a sua fé e diligência trazendo as crianças para serem catequizadas, desejosa e feliz de ter seus filhos bem instruídos.</p>
<p><strong><em>A visitação dos doentes</em></strong>. Visto que os homens nunca estão mais expostos às mais penosas tentações do que quando enfraquecidos por enfermidades do espírito ou do corpo, sendo afligidos por elas, não há dúvida de que nada é mais próprio aos pastores das igrejas do que zelar com o maior cuidado pelo bem-estar do rebanho, em doenças ou fraquezas. Portanto, que visitem os enfermos, prontamente, e que sejam chamados em tempo pelos doentes, se as circunstâncias assim o exigirem. Que os confortem e confirmem na verdadeira fé, ajudando-os a lutar contra as perniciosas sugestões de Satanás. Devem também orar pelos doentes no lar, e se necessário, orar por eles também no culto público; e cuidem para que sintam felizes ao partir desta vida. Dissemos anteriormente, que não aprovamos a visitação papista ao doente com a extrema unção, por ser absurda, não tendo a aprovação das Escrituras canônicas.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>26. Do sepultamento dos fiéis e do cuidado que se deve ter com os mortos;<br />
do purgatório e da aparição de espíritos</strong></p>
<p><strong><em>O sepultamento dos corpos</em></strong>. Sendo os corpos dos fiéis o templo do Espírito Santo, que seguramente cremos hão de ser ressuscitados no último dia, as Escrituras mandam que sejam entregues à terra, honrosamente e sem superstição, e também que se façam referências honrosas aos santos, que dormiram no Senhor, bem como se cumpram todos os deveres de piedade familiar para com suas viúvas e órfãos. Não ensinamos que se tenha qualquer outro cuidado com os mortos. Portanto, damos ênfase ao fato de que desaprovamos os cínicos, que negligenciavam os corpos dos mortos e descuidada e desdenhosamente os lançavam à terra, nunca pronunciando uma boa palavra acerca do falecido, ou se preocupando com os seus que ficaram.</p>
<p><strong><em>O cuidado pelos mortos</em></strong>. Por outro lado, não aprovamos aqueles que se preocupam excessiva e indevidamente com os mortos; que, à semelhança dos pagãos, lamentam os seus mortos (embora não censuremos o luto moderado, que o apóstolo permite em I Tes 4.13, julgando até desumano não entristecer-se alguém de modo nenhum); e que oferecem sacrifícios pelos mortos, murmuram certas orações, não sem paramento, com o fim de, por meio de tais cerimônias, libertar os entes queridos dos tormentos em que foram imersos pela morte, e pensam serem capazes assim de libertá-los por meio de tal magia.</p>
<p><strong><em>O estado da alma que deixou o corpo</em></strong>. Cremos que os fiéis, depois da morte do corpo, vão diretamente para Cristo e, portanto, não há necessidade de sufrágios e orações dos vivos pelos mortos, nem de seus ofícios. Igualmente, cremos que os incrédulos são imediatamente lançados no inferno, do qual não há saída possível para os ímpios por quaisquer ofícios dos vivos.</p>
<p><strong><em>Purgatório</em></strong>. O que alguns ensinam a respeito do fogo do purgatório se opõe à fé cristã, a saber, “creio no perdão de pecados e na vida eterna”, e à perfeita purificação mediante Cristo, bem como a estas palavras de Cristo, nosso Senhor: “Em verdade, em verdade vos digo: Quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, não entra em juízo, mas passou da morte para a vida” (João 5.24). E estas: “Quem já se banhou não necessita de lavar senão os pés; quanto ao mais está todo limpo” (João 13.10).</p>
<p><strong><em>A aparição de espíritos</em></strong>. No tocante aos espíritos, ou às almas dos mortos, que algumas vezes aparecem aos vivos e pedem a estes certos trabalhos, pelos quais possam ser libertados, incluímos tais aparições entre os ludíbrios, as artimanhas e os enganos do Diabo, que, como pode transformar-se em anjo de luz, assim se esforça para, ou transtornar a verdadeira fé, ou lançar dúvida sobre a mesma. No Velho Testamento, o Senhor proibiu a busca da verdade com os mortos e toda espécie de contacto com os espíritos (Deut 18.11). Ao rico glutão, que estava em tormentos, como narra a verdade evangélica, se negou a faculdade de voltar a seus irmãos. Assim diz o divino oráculo: “Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos” (Luc 16.29 ss)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>27. Dos ritos, cerimônias e coisas indiferentes </strong></p>
<p><strong><em>Cerimônias e ritos</em></strong>. Ao povo do Velho Testamento foram dadas no passado, certas cerimônias, como uma espécie de instrução para os que estavam sob a Lei, como sob um pedagogo ou tutor. Mas, quando veio Cristo, o Libertador, e a Lei foi abolida, nós os fiéis, não estamos mais debaixo da Lei (Rom 6.14), e as cerimônias desapareceram; por isso os apóstolos não quiseram conservá-las ou restaurá-las na Igreja de Cristo, a tal ponto que, abertamente declararam não desejarem pôr nenhuma carga sobre a Igreja. Portanto, pareceria estarmos introduzindo e restaurando o Judaísmo, se multiplicássemos as cerimônias e os ritos na Igreja de Cristo, segundo o costume da Igreja antiga. Por isso, de nenhum modo aprovamos a opinião daqueles que pensaram que a Igreja de Cristo deve ser regulamentada por diferentes ritos, como uma espécie de treinamento. Pois, se os apóstolos não quiseram impor ao povo cristão cerimônias ou ritos, que foram indicados por Deus, quem, pergunto eu, em perfeito juízo haveria de impor-lhes invenções imaginadas pelo homem? Quanto mais aumenta o volume de ritos na Igreja, tanto mais ela se despoja da liberdade cristã, de Cristo, e de sua fé nele, enquanto o povo busca nos ritos aquilo que deveria buscar somente pela fé no Filho de Deus, Jesus Cristo. Por conseguinte, basta aos crentes, alguns ritos moderados e simples, que não sejam contrários à Palavra de Deus.</p>
<p><strong><em>Diversidade de ritos</em></strong>. Se nas igrejas se encontram ritos diferentes, ninguém deve pensar que por isso estejam as mesmas em desacordo. Diz Sócrates: “Seria impossível colocar junto no papel todos os ritos das igrejas, em todas as cidades e países. Nenhuma religião observa os mesmos ritos, ainda que reconheça a mesma doutrina a respeito deles. Pois, os que pertencem à mesma fé discordam entre si mesmos acerca dos ritos” (<em>Hist. ecclesiast</em>. V. 22, 30, 62). Isto é o que diz Sócrates. E nós, hoje, tendo em nossas igrejas diferentes ritos na celebração da Ceia do Senhor e em algumas outras coisas, contudo não discordamos na doutrina e na fé; nem é, por esse fato, rasgada em pedaços a unidade e a comunidade de nossas igrejas. Sempre tiveram as igrejas sua liberdade em tais ritos, como sendo coisas indiferentes. O mesmo fazemos nós hoje.</p>
<p><strong><em>Coisas indiferentes</em></strong>. Mas, ao mesmo tempo as admoestamos a se manterem em guarda, a fim de não considerarem indiferentes coisas que de fato não o são, como querem alguns em relação à missa e ao uso das imagens em lugares de culto. “Indiferente”, escreveu São Jerônimo a Santo Agostinho, “é aquilo que não é bom nem mau, de modo que, se você o fizer ou não fizer, não é justo nem injusto”. Portanto, quando para dar validade às coisas indiferentes se torce a confissão de fé, deixam as mesmas de ser indiferentes. São Paulo mostra que está certo o homem comer carne, desde que alguém não o informe de que foi oferecida aos ídolos; pois, de outra forma estaria errado, visto que comendo, parece aprovar a idolatria (I Co 8.9 ss; 10.25 ss).</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>28. Dos bens da Igreja </strong></p>
<p><strong><em>Os bens da Igreja e seu justo uso</em></strong>. A Igreja de Cristo conta com recursos provindos da generosidade de príncipes e da liberalidade dos fiéis, que doaram seus bens à Igreja. Necessita a Igreja de tais recursos, e desde os tempos antigos têm-nos tido para a manutenção de tudo o que lhe é necessário. Ora, o verdadeiro uso dos bens da Igreja era outrora, e ainda o é, o de manter o ensino nas escolas e nas reuniões religiosas, bem como o culto, ritos e edifícios sagrados; manter mestres, discípulos e ministros, juntamente com outras coisas necessárias, e especialmente ajudar a alimentar os pobres. Administração. Além disso, homens sábios e tementes a Deus, destacados na administração dos negócios devem ser escolhidos para administrar legitimamente os bens da Igreja.</p>
<p><strong><em>O mau uso dos bens da Igreja</em></strong>. Mas, se por uma calamidade ou por causa da ousadia, ignorância ou avareza de alguns, os bens da Igreja forem malbaratados, devem ser restaurados para o uso sagrado por homens fiéis e sábios. Pois, não se pode ser conivente com o abuso, o que seria o maior sacrilégio. Portanto, ensinamos que as escolas e instituições, que se tenham corrompido na doutrina, no culto e na moral, devem ser reformadas, e que o serviço aos pobres deve ser organizado de uma forma responsável, prudente e de boa fé.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>29. Do celibato, casamento e administração dos negócios domésticos. </strong></p>
<p><strong><em>Pessoas solteiras</em></strong>. Os que têm do céu o dom do celibato, de modo que, de coração ou de toda a alma podem ser puros e continentes e não são levados pelos ardores do sexo, sirvam ao Senhor nessa vocação, enquanto se sentirem dotados do dom divino. E não se julguem melhores do que os outros, mas sirvam o Senhor continuamente em simplicidade e humildade (I Co 7.7 ss). Estes estão mais aptos a lidar com as coisas divinas do que aqueles que se distraem com os interesses particulares de uma família. Mas, no caso de ser-lhes retirado o dom, e sentirem um durável ardor, lembrem-se das palavras do apóstolo: “É melhor casar do que viver abrasado” (I Co 7.9).</p>
<p><strong><em>Casamento</em></strong>. O casamento (que é o remédio da incontinência e é a própria continência) foi instituído pelo Senhor Deus mesmo, que o abençoou da maneira mais generosa, e que desejou que o homem e a mulher se unissem um ao outro inseparavelmente e vivessem juntos em completo amor e concórdia (Mat 19.4 ss). Sobre isso sabemos o que disse o apóstolo: “Digno de honra entre todos seja o matrimônio, bem como o leito sem mácula” (Heb 13,4). E outra vez: “Se a virgem se casar, por isso não peca” (I Co 7.28).</p>
<p><strong><em>As seitas</em></strong>. Condenamos, portanto, a poligamia e os que condenam o segundo casamento.</p>
<p><strong><em>Como deve ser contraído o casamento</em></strong>. Ensinamos que o casamento deve ser contraído legalmente no temor do Senhor, e não contra as leis, que proíbem certos graus de consangüinidade, a fim de que o casamento não seja incestuoso. O casamento deve ser feito com o consentimento dos pais, ou dos que estão em lugar dos pais, e acima de tudo para o fim para o qual o Senhor instituiu o casamento. Além disso, devem conservar-se santos, com a máxima fidelidade, piedade, amor e pureza dos que se uniram. Portanto, evitem-se as discussões, as dissenções, a lascívia e o adultério.</p>
<p><strong><em>Fórum matrimonial</em></strong>. Devem estabelecer-se cortes legais na Igreja, tendo juizes santos, que possam cuidar dos casamentos, reprimir a impureza e a imprudência, diante dos quais se resolvam os conflitos matrimoniais.</p>
<p><strong><em>A criação dos filhos</em></strong>. Devem os filhos ser criados pelos pais, no temor do Senhor; e devem os pais prover o sustento dos seus filhos, lembrando-se do que disse o apóstolo: “Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos de sua própria casa, tem negado a fé, e é pior do que o descrente” (I Tm 5.8). Mas, devem principalmente ensinar a seus filhos para terem uma carreira ou profissões honestas com que possam manter-se a si mesmos. Devem conservá-los afastados da ociosidade, e em tudo inculcar neles a verdadeira fé em Deus, a fim de que, pela falta de confiança ou demasiada segurança ou pela feia avareza venham a tornar-se dissolutos, e a fracassar na vida.</p>
<p>Aliás, é muito certo que as obras praticadas pelos pais com verdadeira fé, mediante os deveres domésticos e administração de sua casa, são, aos olhos de Deus, santas e verdadeiramente boas obras. Não são menos agradáveis a Deus do que as orações, os jejuns e as obras de beneficência. Pois, assim ensinou o apóstolo em suas epístolas, especialmente nas dirigidas a Timóteo e a Tito. E com o mesmo apóstolo incluímos entre os ensinos de demônios a doutrina dos que proíbem o casamento e abertamente o criticam ou indiretamente o desacreditam, como se não fosse santo e puro.</p>
<p>Execramos também, a vida impura dos solteiros, a lascívia secreta ou às claras, e a fornicação dos hipócritas, que simulam continência, sendo os mais incontinentes de todos. A todos estes julgará Deus. Não desaprovamos as riquezas dos que as possuem, quando são piedosos e fazem bom uso delas. Mas, rejeitamos a seita dos Apostólicos, etc.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p align="center"><strong>30. Da magistratura </strong></p>
<p><strong><em>A magistratura vem de Deus</em></strong>. A magistratura em todas as suas formas foi instituída por Deus mesmo para a paz e a tranqüilidade do gênero humano, devendo pois, ter o lugar mais importante no mundo. Se o magistrado for inimigo da Igreja poderá entravar a sua ação e perturbá-la muito; mas sendo amigo ou membro da Igreja, torna-se o mais útil e excelente entre os seus membros, podendo ajudá-la muito e dar-lhe assistência melhor do que todos os demais.</p>
<p><strong><em>O dever do magistrado</em></strong>. O principal dever do magistrado é garantir e preservar a paz e a tranqüilidade pública. Indubitavelmente, ele nunca realizará isso com tanto sucesso como quando é de fato temente a Deus e religioso. Quer isso dizer, quando segundo o exemplo dos mais santos reis e príncipes do povo do Senhor, promove o magistrado a pregação da verdade e a fé sincera, extirpa as mentiras e toda a superstição, juntamente com toda impiedade e idolatria e defende a Igreja de Deus. Certamente, ensinamos que o cuidado da religião pertence especialmente ao santo magistrado.</p>
<p>Tenha ele, pois, em suas mãos a Palavra de Deus, tomando cuidado de que não se ensine nada contrário à mesma. Governe também o povo, que lhe foi confiado por Deus, por meio de boas leis, elaboradas segundo a Palavra de Deus, conservando-o na disciplina, no dever e na obediência. Exerça o seu ofício de magistrado, julgando com justiça. Não faça acepção de pessoas, nem aceite subornos. Proteja as viúvas, os órfãos e os aflitos. Use sua autoridade para punir os criminosos e até bani-los, bem como aos impostores e bárbaros. Pois, não é sem motivo que ele traz a espada. (Rom 13.4).</p>
<p>Portanto, desembainhe a espada de Deus contra todos os malfeitores, sediciosos, ladrões, homicidas, opressores, blasfemadores, perjuros, e contra todos aqueles, a quem Deus lhe ordenou punir e mesmo executar. Reprima os hereges incorrigíveis (verdadeiramente heréticos), que não cessam de blasfemar contra a majestade de Deus, e de perturbar e mesmo pôr em perigo a Igreja de Deus.</p>
<p><strong><em>Guerra</em></strong>. E, se for necessário preservar pela guerra a segurança do povo, que o magistrado declare guerra em nome de Deus, desde que tenha primeiramente procurado por todos os meios possíveis fazer a paz, não podendo pois, salvar seu povo a não ser pela guerra. Quando, pela fé pratica o magistrado estas coisas, serve a Deus por aquelas obras, que são verdadeiramente boas, e recebe a bênção do Senhor.</p>
<p>Condenamos os Anabaptistas que, ao negarem possa o cristão exercer o ofício de magistrado, negam também que o homem possa ser, com justiça, condenado à morte pelo magistrado, ou que este possa declarar guerra, ou que se prestem juramentos ao magistrado, e coisas semelhantes.</p>
<p><strong><em>O dever dos súditos</em></strong>. Como Deus efetua a segurança do povo através do magistrado, a quem deu ao mundo para ser como uma espécie de pai, assim ordena a todos os súbditos que reconheçam este favor de Deus no magistrado. Que os súditos, pois, honrem e respeitem o magistrado como ministro de Deus; que o estimem, colaborem com ele, orem por ele como por um pai, e obedeçam às suas decisões justas e legítimas. Finalmente, paguem fiel e prontamente todos os impostos e taxas e todos os demais direitos. E se a segurança pública do país e a justiça o exigirem, e vir-se o magistrado obrigado a empreender uma guerra, dêem até suas vidas e derramem o seu sangue pela segurança pública e pela do magistrado. E o façam em nome de Deus, espontaneamente, com bravura e alegria. Pois, quem se opõe ao magistrado provoca contra si mesmo a severa ira de Deus.</p>
<p><strong><em>Seitas e sedições</em></strong>. Condenamos, portanto, todos quantos desprezam o magistrado &#8211; os rebeldes, os inimigos do estado, os vilões sediciosos, enfim, todos os que aberta ou astuciosamente se recusam a cumprir qualquer das obrigações, que lhes competem. Oramos a Deus, nosso mui misericordioso Pai do Céu, para que abençoe os governantes, a nós e a todo o seu povo, mediante Jesus Cristo, nosso único Senhor e Salvador, a quem seja o louvor e a glória, e as ações de graças, para todo o sempre. Amém.</p>
<p>&nbsp;</p>
<div>
<hr align="left" size="1" width="33%" />
</div>
<p>Retirado da Biblioteca Reformada ARPAV &#8211; http://www.geocities.com/arpav/bibliotec</p>
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		<title>Os Cânones de Dort</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:24:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[OS CINCO ARTIGOS DE FÉ SOBRE O ARMINIANISMO* 1º CAPÍTULO DA DOUTRINA: A DIVINA ELEIÇAO E REPROVAÇÃO* Artigo 1 &#8211; Toda a humanidade é condenável perante DeusTodos os homens pecaram em Adão, estão debaixo da maldição de Deus e são condenados à morte eterna. Por isso ninguém teria sido injustiçado se ele tivesse resolvido deixar toda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>OS CINCO ARTIGOS DE FÉ SOBRE O ARMINIANISMO*</p>
<p>1º CAPÍTULO DA DOUTRINA:<br />
A DIVINA ELEIÇAO E REPROVAÇÃO*<br />
</strong><br />
Artigo 1 &#8211; Toda a humanidade é condenável perante DeusTodos os homens pecaram em Adão, estão debaixo da maldição de Deus e são condenados à morte eterna. Por isso ninguém teria sido injustiçado se ele tivesse resolvido deixar toda a raça humana no pecado e sob a maldição e decidido condená-la por causa do seu pecado, de acordo com as palavras do apóstolo: &#8230; para que se cole toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus&#8230; pois todos pecaram e carecem da glória de Deus&#8230;, e &#8230; o salário do pecado é a morte &#8230; (Rm 3.19,23; 6.23).</p>
<p>Artigo 2 &#8211; O envio do Filho de Deus</p>
<p>Mas nisto se manifestou o amor de Deus em nós, em haver Deus enviado o seu Filho unigênito ao mundo &#8230;. &#8230; para que todo o que nele crê não pereça, mos tenha a vida eterna. (lJo 4.9; Jo 3.16).</p>
<p>Artigo 3 &#8211; A pregação do Evangelho</p>
<p>Para que os homens sejam conduzidos à fé, Deus envia, em sua misericórdia, mensageiros dessa alegre boa nova a quem e quando ele quer. Pelo ministério deles, os homens são chamados ao arrependimento e à fé no Cristo crucificado. Porque &#8230; como crerão naquele de quem nada ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão se não forem enviados? (Rm 10.14,15).</p>
<p>Artigo 4 &#8211; Um duplo resultado</p>
<p>A ira de Deus permanece sobre aqueles que não crêem no Evangelho. Mas aqueles que o aceitam e abraçam a Jesus, o Salvador, com uma fé verdadeira e viva, são redimidos por ele da ira de Deus e da perdição, e presenteados com a vida eterna (Jo 3.36; Mc 16.16).</p>
<p>Artigo 5 &#8211; A causa da incredulidade e a fonte da fé</p>
<p>Em Deus não está, de forma alguma, a causa ou culpa dessa incredulidade. 0 homem tem essa culpa, assim como a de todos os demais pecados. Mas a fé em Jesus Cristo e também a salvação por meio dele são dons gratuitos de Deus, como está escrito: Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus&#8230;(Ef 2.8).</p>
<p>Semelhantemente, Porque vos foi concedida a graça de &#8230; crer em Cristo (Fp 1.29).</p>
<p>Artigo 6 &#8211; Decreto eterno de Deus</p>
<p>Deus nesta vida concede a fé a alguns enquanto não concede a outros. Isto procede do eterno decreto de Deus. Porque as Escrituras dizem que ele &#8230; faz estas coisas conhecidas desde séculos&#8230; e que &#8230; ele faz todas as coisas conforme o conselho da sua vontade &#8230; (At 15.18; Ef 1. 11). De acordo com este decreto, ele graciosamente quebranta os corações dos eleitos, por duros que sejam, e os inclina a crer. Pelo mesmo decreto, entretanto, segundo seu justo juizo, ele deixa os não-eleitos em sua própria maldade e dureza de coração. E aqui especialmente nos é manifesta a profunda, misericordiosa e ao mesmo tempo justa distinção entre homens que estão sob a mesma condição de perdição. Este é o decreto da eleição e reprovação* revelado na Palavra de Deus.</p>
<p>Ainda que os homens perversos, impuros e instáveis o deturpem, para sua própria perdição, ele dá um inexprimível conforto para as pessoas santas e tementes a Deus.</p>
<p>Artigo 7 &#8211; Eleição definida</p>
<p>Esta eleição é o imutável propósito de Deus, pelo qual ele, antes da fundação do mundo, escolheu um número grande e definido de pessoas para a salvação, por graça pura. Estas são escolhidas de acordo com o soberano bom propósito de sua vontade, dentre todo o gênero humano, decaído, por sua própria culpa, de sua integridade original para o pecado e a perdição. Os eleitos não são melhores ou mais dignos que os outros, mas envolvidos na mesma miséria. São escolhidos, porém, em Cristo, a quem Deus constituiu, desde a eternidade, Mediador e Cabeça de todos os eleitos e fundamento da salvação. E, para salvá-los por Cristo, Deus decidiu dá-los a ele e efetivamente chamá-los e atrai-los à sua comunhão por meio da sua Palavra e de seu Espírito. Em outras palavras, ele decidiu dar-lhes verdadeira fé em Cristo, justificá-los, santificá-los, e depois, tendo-se guardado poderosamente na comunhão de seu Filho, finalmente glorificá-los. Deus fez isto para a demonstração de sua misericórdia e para o louvor da riqueza de sua gloriosa graça. Como está escrito &#8230; assim como nos escolheu nele, antes do fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da glória de sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no Amado&#8230; E em outro lugar: E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também, glorificou (Ef 1.4-6; Rm 8.30).</p>
<p>Artigo 8 &#8211; Um só decreto de eleição</p>
<p>Esta eleição é múltipla, mas ela é uma e a mesma de todos os que são salvos tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento. Pois a Escritura nos prega o único bom propósito e conselho da vontade de Deus, pelo qual ele nos escolheu desde a eternidade, tanto para a graça como para a glória, assim também para a salvação e para o caminho da salvação, o qual preparou para que andássemos nele (Ef 1. 4,5; 2. 10).</p>
<p>Artigo 9 &#8211; Eleição não baseado em fé previste</p>
<p>Esta eleição não é baseada em fé prevista, em obediência de fé, santidade ou qualquer boa qualidade ou disposição, que seria uma causa ou condição previamente requerida ao homem para ser escolhido. Ao contrário, esta eleição é para a fé, a santidade, etc. Eleição, portanto, que é a fonte de todos os bens da salvação e, finalmente tem, a própria vida eterna como seu fruto. É conforme o testemunho do apóstolo: Ele &#8230; nos escolheu&#8230; não por sermos mas &#8230; para sermos santos e irrepreensíveis perante ele &#8230; (Ef 1.4).</p>
<p>Artigo 10 &#8211; Eleição baseada no bom propósito de Deus</p>
<p>A causa desta eleição graciosa é somente o bom propósito de Deus. Este bom propósito não consiste no fato de que dentre todas as condições possíveis Deus tenha escolhido certas qualidades ou ações dos homens como condição para a salvação. Mas este bom propósito consiste no fato de que Deus adotou certas pessoas dentre a multidão inteira de pecadores para ser sua propriedade.</p>
<p>Como está escrito: E ainda não eram os gêmeos nascidos nem tinham praticado o bem ou o mal&#8230; já lhe fora dito a ela (Rebeca): 0 mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei a Jacó, porém me aborreci de Esaú. E &#8230; creram os que haviam sido destinados para a vida eterna (Rm 9.11-13; At 13.48).</p>
<p>Artigo 11 &#8211; Eleição imutável</p>
<p>Como Deus é supremamente sábio, imutável, o­nisciente e Todo-Poderoso, assim sua eleição não pode ser cancelada e depois renovada, nem alterada, revogada ou anulada; nem mesmo podem os eleitos ser rejeitados ou o número deles ser diminuído.</p>
<p>Artigo 12 &#8211; A certeza da eleição</p>
<p>Os eleitos recebem, no devido tempo, a certeza da sua eterna e imutável eleição para a salvação, ainda que em vários graus e em medidas desiguais. Eles não a recebem quando curiosamente investigam os mistérios e profundezas de Deus. Mas eles a recebem quando observam em si mesmos, com alegria espiritual e gozo santo, os infalíveis frutos de eleição indicados na Palavra de Deus, tais como uma fé verdadeira em Cristo, um temor filial para com Deus, tristeza por seus pecados contra a vontade de Deus e fome e sede de justiça.</p>
<p>Artigo 13 &#8211; 0 valor desta certeza</p>
<p>A consciência e a certeza desta eleição daria aos filhos de Deus maior motivo para se humilharem perante ele, para adorarem a profundidade de sua misericórdia, para se purificarem e para amarem ardentemente aquele que primeiro tanto os amou. Contudo não é absolutamente verdade que esta doutrina da eleição e a reflexão sobre a mesma os façam relaxar na observação dos mandamentos de Deus ou rendam segurança falsa. No justo julgamento de Deus isto ocorre freqüentemente àqueles que se vangloriam levianamente da graça da eleição ou facilmente falam acerca disso, mas se recusam andar nos caminhos dos eleitos.</p>
<p>Artigo 14 &#8211; Como a eleição deve ser ensinada</p>
<p>A doutrina da divina eleição, segundo o mui sábio conselho de Deus, foi pregada pelos profetas, por Cristo mesmo e pelos apóstolos, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento, e depois escrita e entregue a nós através das Escrituras Sagradas. Por isso, também hoje esta doutrina deve ser ensinada no seu devido tempo e lugar na Igreja de Deus, para a qual ela foi particularmente destinada. Ela deve ser ensinada com espírito de discrição, de modo reverente e santo, sem curiosa investigação dos caminhos do Altíssimo, para a glória do santo nome de Deus e consolação vivificante do seu povo.</p>
<p>Artigo 15 &#8211; Reprovação* descrita</p>
<p>A Escritura Sagrada mostra e recomenda a nós esta graça eterna e imerecida sobre nossa eleição, especialmente quando, além disso, testifica que nem todos os homens são eleitos; alguns, pois, são preteridos na eleição eterna de Deus. De acordo com seu soberano, justo, irrepreensível e imutável bom propósito, Deus decidiu deixá-los na miséria comum em que se lançaram por sua própria culpa, não lhes concedendo a fé salvadora e a graça da conversão. Para mostrar sua justiça, decidiu deixá-los em seus próprios caminhos e debaixo do seu justo julgamento e, finalmente, condená-los e puni-los eternamente, não apenas por causa de sua incredulidade, mas também por todos os seus pecados, para mostrar sua justiça. Este é o decreto da reprovação, o qual não torna Deus o autor do pecado (tal pensamento é blasfêmia!), mas o declara o temível, irrepreensível e justo Juiz e Vingador do pecado.</p>
<p>Artigo 16 &#8211; Como a doutrina do reprovação* deve ser recebida</p>
<p>Há pessoas que não sentem fortemente a fé viva em Cristo, nem firme confiança no coração, nem paz na boa consciência, nem zelo pela obediência filial e pela glorificação de Deus por meio de Cristo.</p>
<p>Apesar disso elas usam os meios pelos quais Deus prometeu operar tais coisas em nós. Elas não devem desanimar quando a reprovação for mencionada nem contar a si mesmas entre os reprovados. Pelo contrário, devem continuar diligentemente no uso desses meios, desejando fervorosamente dias de graça mais abundante e esperando-os com reverência e humildade. Não devem se assustar de maneira nenhuma com a doutrina da reprovação os que desejam seriamente se converter a Deus, agradar só a ele e serem libertos do corpo de morte, mas ainda não podem chegar no ponto que gostariam no caminho da piedade e da fé. 0 Deus misericordioso prometeu não apagar a torcida que fumega, nem esmagar a cana quebrada. Mas esta doutrina é certamente assustadora para os que não contam com Deus e o Salvador Jesus Cristo e se entregaram completamente às preocupações do mundo e aos desejos da carne, enquanto não se convertem seriamente a Deus.</p>
<p>Artigo 17 &#8211; Filhos de crentes que morrem na infância</p>
<p>Devemos julgar a respeito da vontade de Deus com base na sua Palavra. Ela testifica que os filhos de crentes são santos, não por natureza mas em virtude da aliança da graça, na qual estão incluídos com seus pais. Por isso os pais que temem a Deus não devem ter dúvida da eleição e salvação de seus filhos, que Deus chama desta vida ainda na infância.</p>
<p>Artigo 18 &#8211; Protesto não, e sim, adoração</p>
<p>Àqueles que reclamam contra esta graça de eleição imerecida e a severidade da justa reprovação nós replicamos com esta sentença do apóstolo: Quem és tu, ó homem para discutires com Deus?! (Rm 9.20). E com esta palavra do Salvador: Porventura não me é lícito fazer o que quero do que é meu? (Mt 20.15). Nós, entretanto, adorando reverentemente estes mistérios, exclamamos com o apóstolo: Ó profundidade do riqueza, tanto do sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juizos e quão inescrutáveis os seus caminhos! Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? Ou quem primeiro lhe deu a ele para que lhe venha a ser restituído? Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém (Rm 11.33)</p>
<p><strong>REJEIÇÃO DE ERROS<br />
</strong><br />
Tendo explicado a doutrina ortodoxa de eleição e reprovação, o Sínodo rejeita os seguintes erros:</p>
<p>Erro 1 &#8211; A vontade de Deus para salvar aqueles que crerem e perseverarem na fé e na obediência da fé é o decreto inteiro e total da eleição para a salvação. Nada mais sobre este decreto foi revelado na Palavra de Deus.</p>
<p>Refutação &#8211; Este erro engana aos simples e claramente contradiz a Escritura. Ela testifica não apenas que Deus salvará aqueles que crêem mas também que escolheu pessoas específicas desde a eternidade. Nesta vida ele dará a esses eleitos a fé em Cristo e a perseverança, que ele não dá a outros; como está escrito: Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo (Jo 17.6).</p>
<p>&#8230;e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna (At 13.48), &#8230; como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele &#8230; (Ef 1.4).</p>
<p>Erro 2 &#8211; Há vários tipos de eleição divina para a vida eterna. Uma é geral e indefinida, e outra é particular e definida. Esta última eleição ou é incompleta, revogável, não-decisiva e condicional, ou é completa, irrevogável, decisiva e absoluta. Do mesmo modo, há uma eleição para a fé e outra para a salvação. Portanto a eleição pode ser para a fé justificante, sem ser decisiva para a salvação.</p>
<p>Refutação &#8211; Isto é uma invenção da mente humana, sem nenhuma base na Escritura. Essa invenção corrompe a doutrina da eleição e quebra a corrente de ouro da nossa salvação. E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou (Rm 8.30).</p>
<p>Erro 3 &#8211; 0 bom propósito de Deus do qual a Escritura fala na doutrina da eleição não significa que ele escolheu certas pessoas e não outras, mas que ele, dentre todas as condições possíveis (inclusive as obras da lei), ou seja, dentre todas as possibilidades, escolheu como condição de salvação o ato de fé, que é, de si mesmo, sem mérito, e a obediência imperfeita da fé. Na sua graça ele a considera como obediência perfeita e digna da recompensa da vida eterna.</p>
<p>Refutação &#8211; Este erro perigoso invalida o bom propósito de Deus e o mérito de Cristo, e desvia as pessoas, por questões inúteis, da verdade da justificação graciosa e da simplicidade da Escritura. Ele acusa de falsidade esta declaração do apóstolo: &#8230; que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos (2 Tm 1.9).</p>
<p>Erro 4 &#8211; A eleição para a fé depende das seguintes condições prévias: o homem deve fazer uso adequado da luz da natureza e deve ser piedoso, humilde, submisso e qualificado para a vida eterna.</p>
<p>Refutação &#8211; Assim parece que a eleição depende destas coisas. Isto tem o sabor do ensinamento de Pelágio* e está em conflito com o ensino do apóstolo em Efésios 2.3-9: &#8230; entre os quais também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo -pela graça sois salvos e juntamente com ele nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros a suprema riqueza da sua graça e bondade para conosco em Cristo Jesus, Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.</p>
<p>Erro 5 &#8211; A eleição incompleta e não-definida de certas pessoas para a salvação se baseou nisto:</p>
<p>Deus previu que elas começariam a crer, se converteriam, viveriam em santidade e piedade, e que até continuariam nisto por algum tempo. Eleição completa e definitiva de pessoas, porém, ocorreu porque Deus previa que elas perseverariam em fé, conversão, santidade e piedade até o fim. Isto é, constitui a dignidade graciosa e evangélica pela qual a pessoa que é escolhida é mais digna que outra que não é escolhida. Conseqüentemente a fé, a obediência de fé, a piedade e a perseverança não são frutos da imutável eleição para glória. São condições e causas previamente requeridas e previstas como cumpridas naqueles que serão eleitos completamente. Só com base nestas condições ocorre a eleição imutável para a glória.</p>
<p>Refutação &#8211; Este erro está em conflito com toda a Escritura que repete constantemente para nossos ouvidos e corações, estas e semelhantes afirmações: a eleição não [se dá] por obras mas por aquele que chama&#8230; (Rm 9. 11), &#8230; e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna; (At 13.48) &#8230; nos escolheu nele antes da fundação do mundo para sermos santos e irrepreensíveis perante ele&#8230; (Ef 1.4); não fôstes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros&#8230; (Jo 15. 16); &#8230; se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Rm 11. 6). Nisto consiste o amor, não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou, e enviou o seu filho&#8230; (Mo 4. 10).</p>
<p>Erro 6 &#8211; Nem toda eleição para a salvação é imutável. Alguns dos eleitos podem perder-se e de fato se perdem eternamente, não obstante qualquer decreto de Deus.</p>
<p>Refutação &#8211; Este erro grosseiro faz Deus mutável, destrói o conforto dos crentes quanto à constância de sua eleição e contradiz a Escritura: os eleitos não podem ser enganados (Mt 24.24). E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu&#8230; (Jo 6.39); E aos que predestinou a esses também chamou; e aos que chamou a esses justificou; e aos que justificou a esses também glorificou (Rm 8.30).</p>
<p>Erro 7 &#8211; Nesta vida não há fruto, consciência ou certeza da eleição imutável para a glória, exceto a certeza que depende de uma condição mutável e incerta.</p>
<p>Refutação &#8211; Falar acerca de uma certeza incerta é não apenas absurdo mas também contrário à experiência dos santos. Sentindo sua eleição, eles se regozijam junto com o apóstolo e glorificam este beneficio de Deus (cf. Ef 1. 12). Conforme o mandamento de Cristo eles se regozijam junto com os discípulos por seus nomes estarem escritos nos céus (Lc 10.20). Eles colocam a consciência de sua eleição contra os dardos inflamados das tentações do diabo, quando perguntam: Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? (Rm 8.33).</p>
<p>Erro 8 &#8211; Deus não decidiu, simplesmente com base em sua justa vontade, deixar ninguém na queda de Adão e no estado comum de pecado e condenação. Nem decidiu preterir ninguém quando deu a graça, necessária para a fé e a conversão.</p>
<p>Refutação &#8211; Pois isto é certo: Logo, tem ele misericórdia de quem quer, e também endurece a quem lhe apraz (Rm 9.18). E também isto: &#8230; Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido (Mt 13. 11). Igualmente: &#8230; Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e do terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi de teu agrado (Mt 11.25,26).</p>
<p>Erro 9 &#8211; Deus envia o Evangelho a um povo mais que a um outro, não meramente e somente por causa do bom propósito de sua vontade, mas por ser este melhor e mais digno que o outro, ao qual o Evangelho não é comunicado.</p>
<p>Refutação &#8211; Moisés nega isto quando se dirige ao povo de Israel dizendo: Eis que os céus e os céus dos céus são do SENHOR teu Deus, a terra e tudo o que nela há. Tão somente o SENHOR se afeiçoou a teus pais para os amar: a vós outros, descendentes deles, escolheu de todos os povos, como hoje se vê(Dt 10.14,15). E Cristo diz :Ai de ti, Corazim ! Ai de ti, Betsaida ! Porque, se em Tiro e em Sidorn se tivessem operado os milagres que em vós se fizeram, há muito que elas se teriam arrependido, com pano de saco e cinza (Mt 11.21).</p>
<p><strong>2º CAPÍTULO DA DOUTRINA:<br />
A MORTE DE CRISTO E A REDENÇÃO DO HOMEM POR MEIO DELA<br />
</strong><br />
Artigo 1 &#8211; A Justiça de Deus exige punição</p>
<p>Deus é não só supremamente misericordioso mas também supremamente justo. E como ele se revelou em sua Palavra, sua justiça exige que nossos pecados, cometidos contra sua infinita majestade, sejam punidos nesta vida e na futura, em corpo e alma. Não podemos escapar dessas punições a menos que seja satisfeita a justiça de Deus.</p>
<p>Artigo 2 &#8211; A satisfação cumprida por Cristo</p>
<p>Por nós mesmos, entretanto, não podemos cumprir tal satisfação nem podemos livrar a nós mesmos da ira de Deus. Por isso Deus, em sua infinita misericórdia, deu seu Filho único como nosso fiador. Por nós, ou em nosso lugar, ele foi feito pecado e maldição na cruz para que pudesse satisfazer a Deus por nós.</p>
<p>Artigo 3 &#8211; 0 valor infinito da morte de Cristo</p>
<p>Esta morte do Filho de Deus é o único e perfeito sacrifício pelos pecados, de valor e dignidade infinitos, abundantemente suficiente para expiar os pecados do mundo inteiro.</p>
<p>Artigo 4 &#8211; Sua morte tem valor infinito</p>
<p>Essa morte é de tão grande poder e valor porque quem se submeteu a ela era não apenas homem verdadeiro e perfeitamente santo, mas também o filho único de Deus. Ele é Deus eterno e infinito junto ao Pai e ao Espírito Santo. Assim devia ser nosso Salvador. Além disso ele sentiu, ao morrer, a ira e a maldição de Deus que nós merecemos pelos nossos pecados.</p>
<p>Artigo 5 &#8211; A proclamação universal do Evangelho</p>
<p>A promessa do Evangelho é que todo aquele que crêr no Cristo crucificado não pereça, mas tenha a vida eterna. Esta promessa deve ser anunciada e proclamada sem discriminação a todos os povos e a todos os homens, aos quais Deus, em seu bom propósito, envia o Evangelho com a ordem de que se arrependam e creiam.</p>
<p>Artigo 6 &#8211; Por que alguns não crêem</p>
<p>Muitos que têm sido chamados pelo Evangelho não se arrependem nem crêem em Cristo, mas perecem na incredulidade. Isto não acontece por causa de algum defeito ou insuficiência no sacrificio de Cristo na cruz, mas por culpa deles próprios.</p>
<p>Artigo 7 &#8211; Por que outros crêem</p>
<p>Mas aqueles que verdadeiramente crêem e pela morte de Cristo são libertos e salvos dos seus pecados e da perdição, recebem tal beneficio apenas por causa da graça de Deus, que lhes é dada, em Cristo, desde a eternidade. Deus não deve a ninguém tal graça.</p>
<p>Artigo 8 &#8211; A eficácia da morte de Cristo</p>
<p>Pois este foi o soberano conselho, a vontade graciosa e o propósito de Deus, o Pai, que a eficácia vivificante e salvifica da preciosissima morte de seu Filho fosse estendida a todos os eleitos. Daria somente a eles a justificação pela fé e por conseguinte os traria infalivelmente à salvação. Isto quer dizer que foi da vontade de Deus que Cristo, por meio do sangue na cruz (pelo qual ele confirmou a nova aliança), redimisse efetivamente, de todos os povos, tribos, línguas e nações, todos aqueles e somente aqueles que foram escolhidos desde a eternidade para serem salvos e lhe foram dados pelo Pai. Deus quis que Cristo lhes desse a fé, que ele mesmo lhes conquistou com sua morte, juntamente com outros dons salvificos do Espírito Santo. Deus quis também que Cristo os purificasse de todos os pecados por meio do seu sangue, tanto do pecado original como dos pecados atuais, que foram cometidos antes e depois de receberem a fé. E que Cristo os guardasse fielmente até o fim e finalmente os fizesse comparecer perante o próprio Pai em glória, sem mácula, nem ruga (Ef 5.27).</p>
<p>Artigo 9 &#8211; 0 cumprimento do conselho de Deus</p>
<p>Este conselho, procedendo do amor eterno de Deus aos eleitos, tem sido poderosamente cumprido, desde o começo do mundo até hoje, ainda que as &#8220;portas do inferno&#8221; em vão tentem frustrálo. 0 conselho de Deus também continuará a ser cumprido. No devido tempo os eleitos serão unidos em um só rebanho, e sempre haverá uma Igreja de crentes fundada no sangue de Cristo. Esta Igreja ama firmemente seu Salvador (o qual como noivo deu na cruz sua própria vida por sua noiva), serve a ele com perseverança e o glorifica agora e para sempre.</p>
<p><strong>REJEIÇÃO DE ERROS<br />
</strong><br />
Tendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:</p>
<p>Erro 1 &#8211; Deus, o Pai, destinou seu Filho à morte na cruz sem um decreto definido de determinadas pessoas. Mesmo que a redenção por Cristo, conquistada de fato, nunca tivesse sido aplicada a nem uma só pessoa, o que ele alcançou pela sua morte podia ter sido necessário, proveitoso e valioso e podia permanecer perfeito, completo e intacto em todas as suas partes.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta doutrina é uma ofensa à sabedoria do Pai, ao mérito de Cristo e é contrária à Escritura. Pois o nosso Salvador afirma: &#8230; dou a minha vida pelas ovelhas e eu as conheço&#8230; (Jo 10. 15, 27). E o profeta fala acerca do Salvador: &#8230; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do SENHOR prosperará nas suas mãos (Is 53. 10). Finalmente, este erro invalida o artigo de fé pelo qual confessamos a Igreja universal de Cristo.</p>
<p>Erro 2 &#8211; Não era propósito da morte de Cristo que&#8217; ele confirmasse de fato a nova aliança da graça pelo seu sangue. Mas era somente propósito que conquistasse para o Pai o mero direito de estabelecer de novo uma aliança com o homem, seja de graça, seja de obras, conforme a vontade do Pai.</p>
<p>Refutação &#8211; Isto contradiz a Escritura que ensina que Cristo se tornou o Fiador e Mediador de uma aliança superior, isto é, da nova aliança. Um testamento* só se concretiza em caso de morte (Hb 7.22 e 9.15,17).</p>
<p>Erro 3 &#8211; Por sua satisfação ao Pai, Cristo não mereceu para ninguém a salvação segura nem a fé pela qual esta satisfação para salvação é efetivamente aplicada. Ele apenas obteve para o Pai a possibilidade ou a vontade perfeita, para tratar de novo com o homem e para prescrever novas condições conforme sua vontade. Depende entretanto da livre vontade do homem preencher essas condições. Portanto poderia acontecer que ninguém ou todos os homens preenchessem tais condições.</p>
<p>Refutação &#8211; Aqueles que ensinam este erro desprezam a morte de Cristo e não reconhecem de maneira nenhuma o seu mais importante resultado ou benefício. Eles evocam do inferno o erro pelagiano*.</p>
<p>Erro 4 &#8211; A nova aliança da graça, que Deus. o Pai, mediante a morte de Cristo, estabeleceu com o homem, não consiste em que nós estamos justificados diante de Deus e salvos pela fé se ela aceita o mérito de Cristo. Ela consiste no fato de que Deus revogou a exigência de perfeita obediência à lei e considera agora a própria fé e a obediência de fé, ainda que imperfeitas, como a perfeita obediência à lei. Ele acha, em sua graça, que elas sejam dignas da recompensa da vida eterna.</p>
<p>Refutação &#8211; Os que ensinam isto contradizem a Escritura: &#8230; sendo justificados gratuitamente, por sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus, a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé&#8230; (Rm 3.24,25). Eles introduzem, junto com o impio Socino*, uma nova e estranha justificação do homem diante de Deus, contrária ao consenso da Igreja inteira.</p>
<p>Erro 5 &#8211; Todas as pessoas têm sido aceitas por Deus, de tal maneira que estão reconciliadas com ele e participam da aliança. Por isso ninguém está sujeito à condenação ou será condenado por causa do pecado original. Todos estão livres da culpa deste pecado.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta opinião contraria a Escritura que ensina que nós somos por natureza filhos da ira (Ef 2.3).</p>
<p>Erro 6 &#8211; Deus, por sua parte, quer dar a todas as pessoas igualmente os beneficios conquistados pela morte de Cristo. Entretanto algumas obtêm o perdão dos pecados e a vida eterna, e outras não. Esta distinção depende de sua própria livre vontade que se junta à graça que é oferecida sem distinção. Mas não depende do dom especial da misericórdia que nelas opera tão poderosamente que elas se apropriem dessa graça, diferentemente das outras pessoas.</p>
<p>Refutação &#8211; Os que assim ensinam abusam da distinção entre aquisição e apropriação da salvação para implantar esta opinião nas mentes de pessoas imprudentes e sem experiência. Enquanto eles simulam apresentar esta distinção da maneira correta, procuram induzir na mente do povo o perigoso veneno dos erros pelagianos*.</p>
<p>Erro 7 &#8211; Cristo não podia nem precisava morrer de fato, por aqueles a quem Deus amou supremamente e elegeu para a vida eterna, visto que estes não precisavam da morte de Cristo.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta doutrina contradiz o apóstolo, que declara: 0 Filho de Deus me amou e a si mesmo se entregou por mim (GI2.20). Igualmente: Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu&#8230; por eles (Rm 8.33, 34). E o Salvador assegura: &#8230; dou a minha vida pelas minhas ovelhas (Jo 10.15). E mais: 0 meu mandamento é este, que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. (Jo 15.12, 13).</p>
<p><strong>3o E 4o CAPíTULOS DA DOUTRINA:<br />
A CORRUPÇÃO DO HOMEM, A SUA CONVERSÃO A DEUS E COMO ELA OCORRE<br />
</strong><br />
Artigo 1 &#8211; 0 resultado do queda</p>
<p>No princípio o homem foi criado à imagem de Deus. Foi adornado em seu entendimento com o verdadeiro e salutar conhecimento de Deus e de todas as coisas espirituais. Sua vontade e seu coração eram retos, todos os seus afetos, puros; portanto, era o homem completamente santo. Mas, desviando-se de Deus sob instigação do diabo e pela sua livre vontade, ele se privou desses dons excelentes. Em lugar disso trouxe sobre si cegueira, trevas terríveis, leviano e perverso juizo em seu entendimento; malícia, rebeldia e dureza em sua vontade e em seu coração; e ainda impureza em todos os seu afetos.</p>
<p>Artigo 2 &#8211; Corrupção espalhada</p>
<p>Depois da queda, o homem corrompido gerou filhos corrompidos. Então a corrupção, de acordo com o justo julgamento de &#8216; Deus, passou de Adão até todos os seus descendentes, com exce ção de Cristo somente. Não passou por imitação, como os antigos pelagianos afirmavam, mas por procriação da natureza corrompida.</p>
<p>Artigo 3 &#8211; Incapacidade total do homem</p>
<p>Portanto, todos os homens são concebidos em pecado e nascem como filhos da ira, incapazes de qualquer ação que o salve, inclinados para o mal, mortos no pecado e escravos do pecado. Sem a graça do Espírito Santo regenerador não desejam nem tampouco podem retornar a Deus, corrigir sua natureza corrompida ou ao menos estar dispostos a essa correção.</p>
<p>Artigo 4 &#8211; A Insuficiência da luz da natureza</p>
<p>É verdade que há no homem depois da queda um resto de luz natural. Assim ele retém ainda alguma noção sobre Deus, sobre as coisas naturais e a diferença entre honra e desonra e pratica alguma virtude e disciplina exterior. Mas o homem está tão longe de chegar ao conhecimento salvífico de Deus e à verdadeira conversão por meio desta luz natural que ele não a usa apropriadamente nem mesmo em assuntos cotidianos. Antes, qualquer que seja esta luz, o homem a polui totalmente, de maneiras diversas, e a detém pela injustiça. Assim, ele se faz indesculpável perante Deus.</p>
<p>Artigo 5 &#8211; A insuficiência da lei</p>
<p>0 que foi dito à luz da natureza vale também com relação à lei dos Dez Mandamentos, dada por Deus através de Moisés, particularmente aos judeus. A lei revela como é grande o pecado e mais e mais convence o homem de sua culpa, mas não aponta o remédio nem dá a força para sair dessa miséria. A lei ficou sem força pela carne e deixa o transgressor sob a maldição. Por esta razão o homem não pode obter a graça salvadora através da lei.</p>
<p>Artigo 6 &#8211; A necessidade do Evangelho</p>
<p>Aquilo que nem a luz natural nem a lei podem fazer, Deus o faz pelo poder do Espírito Santo e pela pregação ou ministério da reconciliação, que é o Evangelho do Messias. Agradou a Deus usar este Evangelho para salvar os crentes, tanto na antiga quanto na nova aliança.</p>
<p>Artigo 7 &#8211; Por que o Evangelho é enviado a alguns e a outros não</p>
<p>No Antigo Testamento Deus revelou a poucas pessoas este mistério da sua vontade. No Novo Testamento, entretanto, ele retirou a distinção entre os povos e revelou o mistério a muito mais pessoas. Esta distribuição distinta do Evangelho não é motivada pela maior dignidade de um certo povo, nem pelo melhor uso da luz da natureza, mas pelo soberano bom propósito e amor imerecido de Deus. Portanto eles, que recebem tão grande graça, além e ao contrário de tudo que merecem, devem reconhecer isto com coração humilde e agradecido. Mas eles devem, com o após~ tolo, adorar a severidade e justiça dos julgamentos de Deus sobre aqueles que não recebem esta graça, mas não devem, de maneira nenhuma, investigá-los curiosamente.</p>
<p>Artigo 8 &#8211; 0 sério chamado pelo Evangelho</p>
<p>Tantos quantos; são chamados pelo Evangelho, o são seriamente. Porque Deus revela séria e sinceramente em sua Palavra o que lhe agrada, a saber, que aqueles que são chamados venham a ele. Ele também seriamente promete descanso para a alma e vida eterna a todos que a ele vierem e crerem.</p>
<p>Artigo 9 &#8211; Por que alguns que são chamados não vêm</p>
<p>Muitos são chamados através do ministério do Evangelho, mas não vêm nem são convertidos. A culpa não é do Evangelho, nem de Cristo, que é oferecido pelo Evangelho, nem de Deus, que os chama através do Evangelho e inclusive lhes confere vários dons. A culpa é deles mesmos. Alguns não aceitam a Palavra da vida por descuido. Outros de fato a recebem, mas não em seus corações e, por isso, quando desaparece a alegria de sua fé temporária, viram as costas à Palavra. Ainda outros sufocam a semente da Palavra com os espinhos dos cuidados e prazeres deste mundo e não produzem nenhum fruto. Isto é o que o Salvador ensina na parábola do semeador (cf. Mt 13).</p>
<p>Artigo 10 &#8211; Por que outros que são chamados vêm</p>
<p>Outros que são chamados pelo ministério do Evangelho vêm e são convertidos. Isto não pode ser atribuído ao homem, como se ele se distinguisse por sua livre vontade de outros que receberam a mesma e suficiente graça para fé e conversão, como a heresia orgulhosa de Pelágio afirma. Mas isto deve ser atribuído a Deus: como ele os escolheu em Cristo desde a eternidade, assim ele os chamou efetivamente no tempo. Ele lhes dá fé e arrependimento; ele os livra do poder das trevas e os transfere para o reino de seu Filho.</p>
<p>Tudo isso ele faz a fim de que proclamem as grandes virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz e se gloriem, não em si mesmos, mas no Senhor, como é o testemunho geral dos escritos apostólicos (CI 1. 13; 1 Pe 2.9; 1 Co 1.31).</p>
<p>Artigo 11 &#8211; Como ocorre a conversão</p>
<p>Deus realiza seu bom propósito nos eleitos e opera neles a verdadeira conversão da seguinte maneira: ele faz com que ouçam o Evangelho mediante a pregação e poderosamente ilumina suas mentes pelo Espírito Santo de tal modo que possam entender corretamente e discernir as coisas do Espírito de Deus. Mas, pela operação eficaz do mesmo Espírito regenerador, Deus também pene~ tra até os recantos mais íntimos do homem. Ele abre o coração fechado e enternece o que está duro, circuncida o que está incircunciso e introduz novas qualidades na vontade. Esta vontade estava morta, mas ele a faz reviver; era má, mas ele a torna boa; estava indisposta, mas ele a torna disposta; era rebelde, mas ele a faz obediente, ele move e fortalece esta vontade de tal forma que, como uma boa árvore, seja capaz de produzir frutos de boas obras (I Cor 2.14).</p>
<p>Artigo 12 &#8211; 0 caráter divino do regeneração</p>
<p>Esta conversão é aquela regeneração, renovação, nova criação, ressurreição dos mortos e vivificação, tão exaltada nas Escrituras, a qual Deus opera em nós, sem qualquer contribuição de nossa parte. Mas esta regeneração não é efetuada pela pregação apenas, nem por persuasão moral. Nem ocorre de tal maneira que, havendo Deus feito a sua parte, resta ao poder do homem ser regenerado ou não regenerado, convertido ou não convertido. Ao contrário, a regeneração é uma obra sobrenatural, poderosíssima, e ao mesmo tempo agradabilíssima, maravilhosa, misteriosa e indizível. De acordo com o testemunho da Escritura, inspirada pelo próprio autor dessa obra, regeneração não é inferior em poder à criação ou à ressurreição dos mortos. Conseqüentemente todos aqueles em cujos corações Deus opera desta maneira maravilhosa são, certamente, infalível e efetivamente regenerados e de fatopassam a crer. Portanto a vontade que é renovada não apenas é acionada e movida por Deus mas, sob a ação de Deus, torna-se ela mesma atuante. Por isso também se diz corretamente que o homem crê e se arrepende mediante a graça que recebeu.</p>
<p>Artigo 13 &#8211; A regeneração é incompreensível</p>
<p>Como Deus opera, os crentes, enquanto vivos, não podem entender completamente. Entretanto, estão tranqüilos, sabendo e sentindo que por esta graça de Deus eles crêem com o coração e amam seu Salvador.</p>
<p>Artigo 14 &#8211; Fé, um dom de Deus</p>
<p>A fé nada mais é, portanto, que um dom de Deus. Isto significa que Deus a oferece à livre vontade do homem, mas que ela é, de fato, conferida ao homem e nele infundida. Não é um dom no sentido de que Deus apenas concede poder para crer e depois espera da livre vontade do homem o consentimento para crer ou o ato de crer. Ao contrário, é um dom no sentido de que Deus efetua no homem tanto a vontade de crer quanto o ato de crer. Ele opera tanto o querer como o realizar; sim, ele opera tudo em todos (Ef</p>
<p>2.8; Fp 2.13).</p>
<p>Artigo 15 &#8211; Atitude cristã com respeito à graça imerecida de Deus</p>
<p>Esta graça Deus não deve a ninguém. Em troca de quê seria ele devedor ao homem? Quem teria primeiro dado a ele para que pudesse ser retribuído? 0 que poderia Deus dever a alguém que nada tem de si mesmo a não ser pecado e falsidade? Aquele, portanto, que recebe esta graça deve e rende eterna gratidão a Deus. Porém, quem não recebe esta graça nem valoriza estas coisas espirituais e tem prazer na sua própria situação ou numa falsa segurança, em vão se gaba de ter o que não tem. Além disso, quanto aos que manifestam sua fé e corrigem suas vidas, nós devemos julgar e falar da maneira mais favorável, de acordo com o exemplo dos apóstolos, pois não conhecemos o âmago dos corações. Quanto aos que ainda não foram chamados, nós devemos orar a Deus em seu favor, pois ele é que chama à existência as coisas que não existem. De maneira nenhuma, porém, podemos ter uma atitude orgulhosa para com eles, como se nós tivéssemos conquistado nossa posição distinta (Rm 11.35).</p>
<p>Artigo 16 &#8211; A vontade do homem não é eliminada mas vivificada</p>
<p>0 homem não deixou, apesar da queda, de ser homem dotado de intelecto e vontade; e o pecado, que tem penetrado em toda a raça humana, não privou o homem de sua natureza humana, mas trouxe sobre ele depravação e morte espiritual. Assim também a graça divina da regeneração não age sobre os homens como se fossem máquinas ou robôs, e não destrói a vontade e as suas propriedades, ou a coage violentamente. Mas a graça a faz reviver espiritualmente, traz-lhe a cura, corrige-a e a dobra de forma agradável e ao mesmo tempo poderosa. Como resultado, o­nde dominava rebelião e resistência da carne, agora, pelo Espírito, começa a prevalecer uma pronta e sincera obediência. Esta é a verdadeira renovação espiritual e liberdade da vontade. E se o admirável autor de todo bem não agisse desse modo conosco, o homem não teria esperança de levantar-se da sua queda por meio de sua livre vontade, pela qual ele, quando ainda estava em pé, se lançou na perdição.</p>
<p>Artigo 17 &#8211; 0 uso dos meios</p>
<p>A todo-poderosa operação de Deus pela qual ele produz e sustenta nossa vida natural não exclui mas requer o uso de meios, pelos quais ele quis exercer seu poder, de acordo com sua infinita sabedoria e bondade. Da mesma maneira a mencionada operação sobrenatural de Deus, pela qual ele nos regenera, de modo nenhum exclui ou anula o uso do Evangelho, que o mui sábio Deus ordenou para ser a semente da regeneração e o alimento da alma. Por esta razão os apóstolos e os mestres que os sucederam, piedosamente instruíram o povo acerca da graça de Deus, para sua glo.ria e para humilhação de toda soberba do homem. Ao mesmo tempo eles não descuidaram de manter o povo, pelas santas admoestações do Evangelho, sob a ministração da Palavra, dos sacramentos e da disciplina.</p>
<p>Por isso aqueles que hoje ensinam ou aprendem na igreja não devem ousar tentar a Deus, separando aquilo que ele em seu bom propósito quis preservar inteiramente unido. Pois a graça é conferida através de admoestações, e quanto mais prontamente desempenhamos nosso dever, tanto mais este beneficio de Deus, que opera em nós, se manifesta gloriosamente e sua obra prossegue da melhor maneira. A Deus somente seja dada toda glória eternamente, tanto pelos meios quanto pelo fruto e eficácia da salvação. Amém.</p>
<p><strong>REJEIÇÃO DE ERROS<br />
</strong><br />
Tendo explicado a doutrina ortodoxo, o Sínodo rejeita os seguintes erros:</p>
<p>Erro 1 &#8211; É impróprio dizer que o pecado original em si é suficiente para condenar toda a raça humana ou merecer castigo temporal e eterno.</p>
<p>Refutação &#8211; Isto contradiz o apóstolo que declara: Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens porque todos pecaram. (Rm 5.12). E o verso 16 diz: &#8230; o julgamento derivou de uma só ofensa, para a condenação. E em Romanos 6.23: 0 salário do pecado é a morte.</p>
<p>Erro 2 &#8211; Os dons espirituais ou as boas qualidades e virtudes, tal como a bondade, a santidade e a justiça, não podiam estar na vontade do homem quando no princípio foi criado. Por isso também não podiam ter sido separados da sua própria vontade quando caiu.</p>
<p>Refutação &#8211; Este erro é contrário à descrição da imagem de Deus que o apóstolo dá em Efésios 4.24, dizendo que ela consiste em justiça e santidade, que sem dúvida estão na vontade.</p>
<p>Erro 3 &#8211; Na morte espiritual os dons espirituais não são separados da vontade do homem. Porque a vontade como tal nunca tem sido corrompida, mas apenas atrapalhada pelo obscurecimento do entendimento e pela desordem das afeições. Se estes obstáculos forem removidos, a vontade pode exercer seu livre poder inato*. A vontade é por si mesma capaz de desejar e escolher ou não toda espécie de bem que lhe for apresentada.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta é uma novidade e um engano, e tende a exaltar os poderes da livre vontade, contrário ao que o profeta Jerernias; declara no cap. 17.9: Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto&#8230; E o apóstolo Paulo escreve: Entre os quais (os filhos da desobediência) também todos nós andamos outrora, segundo as inclinações da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos&#8230; (Ef 2.3).</p>
<p>Erro 4 &#8211; 0 homem não-regenerado não é realmente ou totalmente morto em pecados, ou privado de toda capacidade para fazer o bem. Ele ainda pode ter fome e sede de justiça e vida, e pode oferecer sacrifício de espírito contrito e quebrantado que agrada a Deus.</p>
<p>Refutação &#8211; Estas afirmações são contrárias ao testemunho claro da Escritura: Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados (Ef 2.1; cf. v.5). E, &#8230; era continuamente mau todo o desígnio do seu coração (Gn 6.5; cf. 8.21). Além do mais, somente os regenerados e os bem-aventurados têm fome e sede da libertação da miséria e da vida, e oferecem a Deus um sacrifício de espírito quebrantado (SI 51.19 e Mt 5.6).</p>
<p>Erro 5 &#8211; 0 homem degenerado e carnal bem pode usar a graça comum (na que se constitui a luz natural), ou os dons que ainda lhe foram deixados após a queda. Assim ele, sozinho, pode gradualmente alcançar uma graça maior, isto é, a graça evangélica ou salvadora, e a própria salvação. Dessa forma Deus, por seu lado, mostra-se pronto a revelar Cristo a todo homem, porque a todos ele administra suficiente e efetivamente os meios necessários para conhecer Cristo, para crer e se arrepender.</p>
<p>Refutação &#8211; Tanto a experiência de todas as épocas como a Escritura testificam que isto não é verdade. Mostra a sua palavra a Jacó, as suas leis e os seus preceitos a Israel. Não fez assim a nenhuma outra nação; todos ignoram os seus preceitos. (SI 147.19,20). E ainda &#8230; o qual nos gerações passadas permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos (At 14.16). E Paulo e seus companheiros foram impedidos pelo Espírito Santo de pregar a Palavra no Ásia, defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu (At 16.6,7).</p>
<p>Erro 6 &#8211; Na verdadeira conversão do homem, Deus não pode infundir novas qualidades, novos poderes ou dons na vontade humana. Portanto a fé, que é o começo da conversão, e que nos dá o nome de crentes, não é uma qualidade ou um dom outorgado por Deus mas apenas um ato do homem. Somente com respeito ao poder para alcançar a fé, pode-se dizer que é um dom.</p>
<p>Refutação &#8211; Este ensinamento contradiz a Sagrada Escritura quando declara que Deus infunde em nossos corações novas qualidades de fé, obediência e experiência de seu amor: Na mente lhes imprimirei as minhas leis, também nos corações lhas inscreverei&#8230; Qr 31.33). E &#8230; derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seco&#8230; (Is 44.3). E ainda &#8230; o amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado (Rm 5.5). 0 ensinamento arminiano* também contraria a prática constante da Igreja, que ora com o profeta: Converte-me, e serei convertido (Jr 31.18).</p>
<p>Erro 7 &#8211; Esta graça pela qual somos convertidos a Deus é apenas um apelo gentil. Ou (como alguns explicam) esta maneira de agir, que consiste em aconselhar, é a mais nobre maneira de converter o homem e está mais em harmonia com a natureza deste. Não há razão por que tal graça persuasiva não seja suficiente para tomar espiritual o homem natural. Em verdade, Deus não produz o consentimento da vontade a não ser através deste tipo de apelo moral. 0 poder da operação divina supera a ação de Satapás, Deus prometendo bens eternos e Satanás apenas bens temporais.</p>
<p>Refutação &#8211; Isto é Pelagianismo* por completo, e contrário a toda Escritura que conhece, além desse apelo moral, outra operação, muito mais poderosa e divina: a ação do Espírito Santo na conversão do homem: Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro em vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne (Ez 36.26).</p>
<p>Erro 8 &#8211; Na regeneração do homem Deus não usa os poderes de sua o­nipotência de maneira a dobrar a vontade do homem, à força e infalivelmente, para a fé e a conversão. Mesmo sendo realizadas todas as operações da graça que Deus possa usar para converter o homem e mesmo que Deus tenha a intenção e a vontade de regenerá-lo, o homem ainda pode resistir a Deus e ao Santo Espírito. De fato freqüentemente resiste, chegando a impedir totalmente sua regeneração. Portanto ser ou não ser regenerado permanece no arbítrio do homem.</p>
<p>Refutação &#8211; Isto é nada mais nada menos que anular todo o poder da graça de Deus em nossa conversão e sujeitar a operação do Deus Todo-Poderoso à vontade do homem. É contrário ao que os apóstolos ensinam: cremos &#8230; segundo a eficácia do força do seu poder.. (Ef 1. 19), e &#8230; para que nosso Deus cumpra&#8230; com poder todo propósito de bondade e obra de fé&#8230; (2 Ts 1. 11), e também &#8230; pelo seu divino poder nos têm sido doadas todas as coisas que conduzem à vida e à piedade&#8230; (2 Pe 1.3).</p>
<p>Erro 9 &#8211; Graça e livre vontade são as causas parciais que operam juntas no início da conversão. Pela ordem destas causas a graça não precede à operação da vontade do homem. Deus não ajuda efetivamente a vontade do homem para sua conversão, enquanto a própria vontade do homem não se move e decide se converter.</p>
<p>Refutação &#8211; A Igreja Antiga há muito tempo já condenou esta doutrina dos Pelagianos*, de acordo com a palavra do apóstolo: Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia (Rm 9.16). Também: Pois quem é que te faz sobressair? E que tens tu que não tenhas recebido? (1 Cor 4.7). E ainda: &#8230; porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade (Fp 2.13).</p>
<p><strong>5o CAPÍTULO DA DOUTRINA:<br />
A PERSEVERANÇA DOS SANTOS<br />
</strong><br />
Artigo 1 &#8211; 0 regenerado não está livre do seu pecado</p>
<p>Aqueles que, de acordo com o seu propósito, Deus chama à comunhão do seu Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, e regenera pelo seu Santo Espírito, ele certamente os livra do domínio e da escravidão do pecado. Mas nesta vida, ele não os livra totalmente da carne e do corpo de pecado (Rm 7.24).</p>
<p>Artigo 2 &#8211; Pecados diários de fraqueza</p>
<p>Portanto, pecados diários de fraqueza surgem e até as melhores obras dos santos são imperfeitas.</p>
<p>Estes são para eles constante motivo para humilhar-se perante Deus e refugiar-se no Cristo crucificado. Também são motivo para mais e mais mortificar a carne através do espírito de oração e através dos Santos exercícios de piedade, e ansiar pela meta da perfeição. Eles fazem isto até que possam reinar com o Cordeiro de Deus nos céus, finalmente livres deste corpo de morte.</p>
<p>Artigo 3 &#8211; Deus preserva os seus</p>
<p>Por causa dos seus pecados remanescentes e também por causa das tentações do mundo e de Satanás, aqueles que têm sido convertidos não poderiam perseverar nesta graça se deixados ao cuidado de suas próprias forças. Mas Deus é fiei: misericordiosamente os confirma na graça, uma vez conferida eles, e poderosamente os preserva [na sua graça] até o fim.</p>
<p>Artigo 4 &#8211; Os santos podem cair em pecados sérios</p>
<p>0 poder de Deus, pelo qual ele confirma e preserva os verdadeiros crentes na graça, é tão grande que isto não pode ser vencido pela carne. Mas os convertidos nem sempre são guiados e movidos por Deus, e assim eles poderiam, em certos casos, por sua própria culpa, desviar-se da direção da graça e ser seduzidos pelos desejos da carne e segui-los. Devem, portanto, vigiar constantemente e orar para que não caiam em tentação. Quando não vigiarem e orarem, eles podem ser levados pela carne, pelo mundo e por Satanás para sérios e horríveis pecados. Isto ocorre também muitas vezes pela justa permissão de Deus. A lamentável queda de Davi, Pedro e outros santos, descrita na Sagrada Escritura, demonstra isso.</p>
<p>Artigo 5 &#8211; Os efeitos de tais pecados sérios</p>
<p>Por tais pecados grosseiros, entretanto, eles causam a ira de Deus, se tornam culpados de morte, entristecem o Espírito Santo, suspendem o exercício da fé, ferem profundamente suas consciências e algumas vezes perdem temporariamente a sensação da graça. Mas quando retornam ao reto caminho por meio de arrependimento sincero, logo a face paternal de Deus brilha novamente sobre eles.</p>
<p>Artigo 6 &#8211; Deus não permite que seus eleitos se percam</p>
<p>Pois Deus, que é rico em misericórdia, de acordo com o imutável propósito da eleição, não retira completamente o seu Espírito dos seus, mesmo em sua deplorável queda. Nem tampouco permite que venham a cair tanto que recaiam da graça da adoção e do estado de justificados. Nem permite que cometam o pecado que leva à morte, isto é, o pecado contra o Espírito Santo e assim sejam totalmente abandonados por ele, lançando-se na perdiçao eterna.</p>
<p>Artigo 7 &#8211; Deus quer renovar os eleitos para arrependimento</p>
<p>Pois, em primeiro lugar, em tal queda, Deus preserva neles sua Imperecível semente da regeneração, a fim de que esta não pereça nem seja lançada fora. Além disso, através da sua Palavra e de seu Espírito, ele certamente os renova efetivamente para arrependimento. Como resultado eles se afligem de coração, entristecendo-se com Deus pelos pecados que têm cometido; procuram e obtêm pela fé, com coração contríto, o perdão pelo sangue do Mediador; e experimentam novamente a graça de Deus, que se reconcilia com eles que, através da fé adoram sua misericórdia. E aí em diante eles se empenham mais diligentemente pela sua salvação com temor e tremor.</p>
<p>Artigo 8 &#8211; A graça do trino Deus preserva</p>
<p>Assim, não é por seus próprios méritos ou força, mas pela imerecida misericórdia de Deus que eles não caem totalmente da fé e da graça e nem permanecem caldos ou se perdem definitivamente. Quanto a eles, isto facilmente poderia acontecer e aconteceria sem dúvida. Quanto a Deus, porém, isto não pode acontecer de modo nenhum. Pois seu decreto não pode ser mudado, sua promessa não pode ser quebrada, seu chamado em acordo com seu propósito não pode ser revogado. Nem o mérito, a intercessão ou a preservação de Cristo podem ser invalidados, e a selagem do Espírito tampouco pode ser frustada ou destrulda.</p>
<p>Artigo 9 &#8211; A certeza desta preservação</p>
<p>Os crentes podem estar certos e estão certos dessa preservação dos eleitos para a salvação e da perseverança dos verdadeiros crentes na fé. Esta certeza ocorre de acordo com a medida de sua fé, pela qual eles crêem que são e permanecerão verdadeiros e vivos membros da Igreja, e que têm o perdão dos pecados e a vida eterna.</p>
<p>Artigo 10 &#8211; 0 fundamento desta certeza</p>
<p>Esta certeza não vem de uma revelação especial, sem a Palavra ou fora dela, mas vem da fé nas promessas de Deus, que ele revelou abundantemente em sua Palavra para nossa consolação; vem também do testemunho do Espírito Santo, testificando com o nosso espírito que somos filhos e herdeiros de Deus; e, finalmente, vem do zelo sério e santo por uma boa consciência e por boas obras. E se os eleitos não tivessem neste mundo a sólida consolação de obter a vitória e esta garantia infalível da glória eterna, seriam os mais miseráveis de todos os homens (Rm 8.16,17).</p>
<p>Artigo 11 &#8211; Esta certeza nem sempre é sentida</p>
<p>No entanto, a Escritura testifica que os crentes nesta vida têm de lutar contra várias dúvidas da carne e, sujeitos a graves tentações, nem sempre sentem plenamente esta confiança da fé e certeza da perseverança. Mas Deus, que é Pai de toda a consolação, não os deixa ser tentados além de suas forças, mas com a tentação proverá também o livramento e pelo Espírito Santo novamente revive neles a certeza da perseverança (lCo 10.13).</p>
<p>Artigo 12 &#8211; Esta certeza não leva à acomodação</p>
<p>Entretanto, esta certeza de perseverança não faz de maneira nenhuma com que os verdadeiros crentes se orgulhem e se acomodem. Ao contrário, ela é a verdadeira raiz da humildade, reverência filial, verdadeira piedade, paciência em toda luta, orações fervorosas, firmeza em carregar a cruz e confessar a verdade e alegria sólida em Deus. Além do mais, a reflexão deste benefício é para eles um estímulo para praticar séria e constantemente a gratidão e as boas obras, como é evidente nos testemunhos da Escritura e nos exemplos dos santos.</p>
<p>Artigo 13 &#8211; Esta certeza produz diligência</p>
<p>Quando pessoas são levantadas de uma queda (no pecado) começam a reviver a confiança na perseverança. Isto não produz descuido ou negligência na piedade delas. Em vez disto produz maior cuidado e diligência para guardar os caminhos do Senhor, já preparados, para que, andando neles, possam preservar a certeza da perseverança. Quando fazem isto, o Deus reconciliado não retira de novo sua face delas por causa do abuso da sua bondade paternal (a contemplação dela é para os piedosos mais doce que a vida e sua retirada mais amarga que a morte), e elas não cairão em tormentos mais graves da alma (Ef 2. 10).</p>
<p>Artigo 14 &#8211; Incluído o uso de meios</p>
<p>Tal como agradou a Deus iniciar sua obra da graça em nós pela pregação do evangelho, assim ele a mantém, continua e aperfeiçoa pelo ouvir e ler do Evangelho, pelo meditar nele, pelas suas exortações, ameaças e promessas, e pelo uso dos sacramentos.</p>
<p>Artigo 15 &#8211; Este doutrina é odiado por Satanás mos amado pela Igreja</p>
<p>Deus revelou abundantemente em sua Palavra esta doutrina da perseverança dos verdadeiros crentes e santos e da certeza dela para a glória do seu Nome e para a consolação dos piedosos. Ele a imprime nos corações dos crentes, mas a carne não pode entendêIa. Satanás a odeia, o mundo zomba dela, os ignorantes e hipócritas dela abusam, e os heréticos a ela se opõem. A Noiva de Cristo, entretanto, sempre tem-na amado ternamente e defendido constantemente como um tesouro de inestimável valor. Deus, contra quem nenhum plano pode se valer e nenhuma força pode prevalecer, cuidará para que a Igreja possa continuar fazendo isso. Ao único Deus, Pai, Filho e Espírito Santo, sejam a honra e a glória para sempre. Amém!</p>
<p><strong>REJEIÇÃO DE ERROS<br />
</strong><br />
Tendo explicado a doutrina ortodoxa, o Sínodo rejeita os seguintes erros:</p>
<p>Erro 1 &#8211; A perseverança dos verdadeiros crentes não é resultado da eleição ou um dom de Deus obtido pela morte de Cristo. É uma condição da nova aliança, que o homem deve cumprir pela sua livre vontade antes da assim chamada eleição decisiva e justifícação.</p>
<p>Refutação &#8211; A Escritura Sagrada testifica que a perseverança provém da eleição e é dada aos eleitos pelo poder da morte, ressurreição e intercessão de Cristo: a eleição o alcançou; e os mais foram endurecidos&#8230; (Rm 11.7). Também: Aquele que não poupou a seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. Quem os condenará? É Cristo quem morreu, ou antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. Quem nos separará do amor de Cristo? (Rm 8.32, 35).</p>
<p>Erro 2 &#8211; Deus de fato provê os crentes de suficientes forças para perseverar e está pronto para preservar tais forças neles, se estes cumprirem seu dever; mas ainda que todas estas coisas tenham sido estabelecidas como necessárias para perseverar na fé e que Deus as use para preservar a fé, ainda assim dependerá da vontade humana perseverar ou não.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta idéia é abertamente pelagiana*. Enquanto deseja libertar o homem, o faz usurpador da honra de Deus. Combate o consenso geral da doutrina evangélica que retira do homem todo motivo de orgulho e atribui todo louvor por este benefício somente à graça de Deus.</p>
<p>É também contrário ao apóstolo que declara: &#8230;o qual também vos confirmará até.ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo (1 Cor 1.8).</p>
<p>Erro 3 &#8211; Crentes verdadeiramente regenerados não só podem perder completa e definitivamente a fé justificadora, a graça e a salvação, mas de fato as perdem freqüentemente e assim se perdem eternamente.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta opinião invalida a graça, a justificação, a regeneração e contínua preservação por Cristo. Ela écontrária às palavras expressas do apóstolo Paulo: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco, pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira (Rm 5.8,9).</p>
<p>É contrária ao apóstolo João: Todo aquele que é nascido de Deus não vive na prático do pecado; pois o que permanece nele é a divina semente; ora, esse não pode viver pecando porque é nascido de Deus (1 Jo 3.9). Também é contrária às palavras de Jesus Cristo: Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão. Aquilo que meu Pai me deu é maior do que tudo; e da mão do Pai ninguém pode arrebatar (Jo 10.28, 29).</p>
<p>Erro 4 &#8211; Verdadeiros crentes regenerados podem cometer o pecado que leva à morte, ou o pecado contra o Espírito Santo.</p>
<p>Refutação &#8211; Após o apóstolo João ter falado no 59 capítulo de sua primeira carta, versos 16 e 17, sobre aqueles que pecam para a morte e de ter proibido de orar por eles, logo acrescenta no verso 18:</p>
<p>Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado, antes, aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno não o toca.</p>
<p>Erro 5 &#8211; Sem uma revelação especial não podemos ter nesta vida nenhuma certeza da perseverança futura.</p>
<p>Refutação &#8211; Por tal doutrina o seguro consolo dos crentes verdadeiros nesta vida é tirado, e as dúvidas dos seguidores do papa são novamente introduzidas na igreja. As Escrituras Sagradas, entretanto, sempre deduzem esta segurança, não a partir de uma revelação especial e extraordinária, mas a partir das marcas dos Mos de Deus e das promessas mui firmes dele. Especialmente o apóstolo Paulo ensina isto:&#8212;nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus que há em Cristo Jesus, nosso Senhor (Rm 8:39). E João escreve: E aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus, e Deus nele. E nisto conhecemos que ele permanece em nós, pelo Espírito que nos deu (1 Jo 3.24).</p>
<p>Erro 6 &#8211; Por sua própria natureza a doutrina da certeza da perseverança e da salvação causa falsa segurança e prejudica a piedade, os bons costumes, orações e outros santos exercícios. Ao contrário, é louvável duvidar desta certeza.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta falsa doutrina ignora o efetivo poder da graça de Deus e a atuação do Santo Espírito, que habita em nós. Contradiz o apóstolo João que, em palavras explícitas, ensina o contrário: Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque havemos de vê-lo como ele é. E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro (1 Jo 12,3). Ainda mais, ela é refutada pelos exemplos dos santos tanto no Antigo como no Novo Testamento que, não obstante estarem certos de sua perseverança e salvação, continuaram em oração e outros exercícios de piedade.</p>
<p>Erro 7 &#8211; A fé daqueles que crêem apenas por um tempo não é diferente da fé justificadora e salvadora, a não ser com respeito à sua duração.</p>
<p>Refutação &#8211; Em Mateus 13.20-23 e Lucas 8.13-15 Cristo mesmo indica claramente, além da duração, uma tríplice diferença entre os que crêem só por um tempo e os verdadeiros crentes. Ele declara que o primeiro recebe a semente em terra rochosa, mas o último em bom solo, ou seja, em bom coração; que o primeiro é sem raiz, mas o último tem firme raiz; que o primeiro não tem fruto, mas o último produz fruto em várias medidas, constante e perseverantemente.</p>
<p>Erro 8 &#8211; Não é absurdo o fato de alguém, tendo perdido sua primeira regeneração, nascer de novo e mesmo freqüentemente nascer de novo.</p>
<p>Refutação &#8211; Esta doutrina nega que a semente de Deus, pela qual somos nascidos de novo, seja incorruptível. Isto é contrário ao testemunho do apóstolo Pedro: &#8230; pois fostes regenerados, não de semente corruptível, mas de incorruptível&#8230; (lPe 1.23).</p>
<p>Erro 9 &#8211; Cristo em lugar algum orou para que os crentes perseverassem infalivelmente na fé.</p>
<p>Refutação &#8211; Isto contradiz ao próprio Cristo, que disse: Eu, porém, roguei por ti (Pedro) para que a tua fé não desfaleça (Lc 22.32). Também contradiz o apóstolo João que declara que Cristo não orava somente pelos apóstolos, mas também por todos aque~ les que viessem a crer por meio da palavra deles: Pai Santo, guar- da-os em teu nome, que me deste&#8230; Não peço que os tires do mundo; e sim, que os guardes do mal (Jo 17.11,15).</p>
<p><strong>CONCLUSÃO<br />
</strong><br />
Esta é a declaração clara, simples e sincera da doutrina ortodoxa com respeito aos Cinco Artigos da Fé disputados na Holanda; e esta é a rejeição dos erros pelos quais as Igrejas têm sido perturbadas, por algum tempo. 0 Sínodo de Dort julga estarem as presentes declarações e rejeições de acordo com a Palavra de Deus e com a confissão das Igrejas Reformadas. Assim torna-se evidente que alguns agiram muito imprópria e contrariamente a toda verdade, eqüidade e amor, desejando persuadir o povo do seguinte:</p>
<p>- A doutrina das Igrejas Reformadas no tocante à predestinação e aos demais pontos relacionados a ela, por seu caráter e tendência, desvia os corações dos homens da verdadeira religião.</p>
<p>- Ela é um ópio diabólico para a carne, bem como fortaleza para Satanás, o­nde este permanece à espera de todos, fere multidões, atingindo mortalmente a muitos com os dardos tanto do desespero quanto da falsa segurança.</p>
<p>- Faz de Deus o autor injusto do pecado, um tirano e hipócrita; é nada mais do que renovados Estoicismo*, Maniqueísmo*, Libertinismo* e Islamismo*.</p>
<p>- Conduz a um pecaminoso descuido porque faz as pessoas crerem que nada pode impedir a salvação dos eleitos, não importando como vivam e que, portanto, podem tranqüilamente cometer os crimes mais horríveis. Por outro lado, se os reprovados tivessem produzido todas as obras dos santos, isto não poderia nem ao menos contribuir para a salvação deles.</p>
<p>- A mesma doutrina ensina que Deus tem predestinado e criado a maior parte da humanidade para a condenação eterna só por um ato arbitrário de sua vontade sem levar em conta qualquer pecado.</p>
<p>- Da mesma maneira pela qual a eleição é a fonte e a causa da fé e das boas obras, a reprovação é a causa da incredulidade e da impiedade.</p>
<p>Muitos filhos inocentes de pais crentes são arrancados do seio de suas mães e tiranicamente lançados no inferno, de tal modo que nem o sangue de Cristo, nem o batismo, nem as orações da Igreja no ato do batismo lhes podem ser proveitosos.</p>
<p>Há muitas outras coisas semelhantes que as Igrejas Reformadas não apenas não confessam mas também repelem de todo o coração.</p>
<p>Portanto, este Sínodo de Dort conclama em nome do Senhor a todos os que piedosamente invocam o nosso Salvador Jesus Cristo, que não julguem a fé das Igrejas Reformadas a partir das calúnias juntadas daqui e dali, nem tampouco a partir de declarações pessoais de alguns professores, modernos ou antigos, que muitas vezes são citadas em má fé, distorcidas e explicadas de forma oposta ao seu sentido real.</p>
<p>Pelo contrário, deve-se julgar a fé das Igrejas Reformadas pelas Confissões públicas destas Igrejas e pela presente declaração da doutrina ortodoxa, confirmada pelo consenso unânime de cada um dos membros de todo o Sínodo.</p>
<p>Além do mais, o Sínodo adverte os caluniosos para que considerem o severo julgamento de Deus que os aguarda, por darem falso testemunho contra tantas igrejas e contra as Confissões delas, por conturbar a consciência dos fracos e por tentar colocar sob suspeita, aos olhos de muitos, a comunidade dos verdadeiros crentes.</p>
<p>Finalmente, este Sínodo exorta todos os conversos ao evangelho de Cristo a comportar-se em santo temor e piedade diante de Deus quando lidarem com esta doutrina em escolas e igrejas.</p>
<p>Ao ensiná-la, tanto pela palavra falada quanto escrita, devem procurar a glória de Deus, a santidade de vida e a consolação das almas aflitas. Seus pensamentos e palavras sobre a doutrina devem estar em concordância com a escritura, de acordo com a analogia. da fé. E devem abster-se de usar qualquer frase que exceda os limites prescritos pelo genuíno sentido das Escrituras Sagradas para não dar aos frívolos sofistas* boas oportunidades para atacar ou caluniar a doutrina das Igrejas Reformadas.</p>
<p>Que o Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, o qual está sentado à direita do Pai e envia seus dons aos homens, nos santifique na verdade. Que ele traga à verdade os que se desviaram dela., cale a boca dos caluniosos da sã doutrina e equipe os ministros fiéis da sua Palavra com o Espírito de sabedoria e discrição, para que tudo que falem possa ser para a glória de Deus e a edificação dos ouvintes. Amém.</p>
<p><strong>GLOSSÁRIO<br />
</strong><br />
Este glossário pretende explicar alguns termos difíceis e nomes; pouco conhecidos que se encontram no texto dos Cânones de Dort.</p>
<p>Arminianos, Arminianismo: Leia na introdução aos Cinco Artigos, à página 8.</p>
<p>Estoicismo: 0 termo designa um grupo de filósofos gregos e romanos antigos que cultivavam o ideal do homem impassível diante da dor e da adversidade. A conclusão dos Cinco Artigos de Fé se refere a este termo porque os adversários da doutrina reformada diziam, na época, que ela faz de Deus um ser impassível e sem emoções, o que seria, de fato, um renovado Estoicismo. Mas os Cinco Artigos mostram justamente o grande amor de Deus em sua eleição soberana e graciosa.</p>
<p>Inato: Indica algo que nasce com a pessoa ou que per tence à natureza do homem. Por exemplo: É ina to ao homem fazer perguntas. A doutrina arminiana ensina que o homem ainda tem um livre poder inato de escolher o bem (Cap. 3/4, Re jeição de erros, Erro 3). Os Cinco Artigos de Fé sobre o arminianismo ensinam que o homem, estando morto em seus pecados, não tem mais tal poder inato (Cf. Ef 2. 1).</p>
<p>Islamismo: A Conclusão dos Cinco Artigos de Fé menciona esta designação da religião fundada por Maomé, na Arábia. Esta religião se chama também &#8220;muçulmana&#8221;. Uma característica desta religião é seu fatalismo: o homem é nada mais que um pedaço de pau nas mãos de Alá (o &#8220;deus&#8221; do islamismo). A vontade de Alá mata a vontade do homem. Na época do Sínodo de Dort, os adversários da doutrina reformada diziam que ela faz de Deus um tirano injusto, igual ao &#8220;deus&#8221; do islamismo. Mas os Cinco Artigos mostram que a doutrina reformada não tem nada a ver com fatalismo muçulmano porque o espírito de Deus renova a vontade do Homem. A vontade do homem pecador e de fato morta, mas pela graça de Deus o crente tem uma vontade viva, disposta a cumprir a vontade de Deus.</p>
<p>Libertinismo: Este termo designa um tipo de pensamento e comportamento que não permite regras morais fixas. A Conclusão dos Cinco Artigos de Fé se refere a este termo porque o Sínodo de Dort era acusado de fazer de Deus um hipócrita sem moralidade, elegendo e não elegendo sem norma alguma. Mas a doutrina reformada confessa que Deus é totalmente justo em todos os seus decretos.</p>
<p>Maniqueísmo: A Conclusão dos Cinco Artigos usa esta designação da doutrina do persa Mani (séc.III) sobre a qual se criou uma seita religiosa. Ela ensina que o universo foi cria-do e é dominado por dois princípios opostos: o bem e o mal. Os adversários da doutrina reformada achavam que ela mantinha crença em duas forças, a do bem (eleição) e a do mal (reprovação). Mas não há duas forças iguais: Deus, embora não seja o autor do pecado, domina o pecado e o mal.</p>
<p>Pelágio, Pelagianismo, Pelagiano: Encontramos estes termos várias vezes no texto dos Cinco Artigos. O pelagianismo tem sua origem nos fins do século IV com o ensinamento de Pelágio, um britânico que foi professor em Roma e em Jerusalém. Pelágio era o grande adversário de Agostinho e enfatizava que o homem é capaz de dar os primeiros passos em direção à salvação mediante os seus próprios esforços, fora e antes da graça especial de Deus. Pelágio só podia ensinar isto negando a depravação total do homem e acreditando no livre arbítrio do homem. Consideramos pelagiana toda doutrina que segue esta linha de pensamento. No fundo, a doutrina arminiana é também pelagiana.</p>
<p>Reprovação: Trata-se do decreto justo de Deus pelo qual ele decidiu não salvar um deterninado número de pessoas, deixando-as na miséria de seus pecados em que elas se lançaram por culpa própria. Leia também a explicação no artigo 15 do capítulo 1.</p>
<p>Socino: Fausto Socino (1539-1604) nasceu na Itália mas trabalhou a segunda parte da sua vida na Polônia. Ele era um teólogo com muitas idéias heréticas. Ele pertencia aos unitaristas que negam a doutrina da trindade. Os Cinco Artigos de Fé ( Cap . 2, Refutação do Erro 4) se referem a ele por causa da sua falsa doutrina de que o homem é justifica do perante Deus por arrependimento e boas obras.</p>
<p>Sofistas: Literalmente, &#8220;sábios&#8221;; mas Os Cinco Artigos de Fé, em sua Conclusão, se referem a pessoas tão hábeis em argumentar que, mesmo com falsos argumentos, são capazes de convencer e enganar as pessoas.</p>
<p>Testamento: Um testamento é um documento pessoal que contém declarações de última vontade, por exemplo, sobre o património. Fundamental para um testamento é que ele só entre em vigor com a morte da pessoa que o fez. Assim fala também Hebreus 9.15-17 se referindo à morte de Cristo. Com a morte de Cristo entrou em vigor o testamento dele, ou seja, a nova aliança. Este vigor ou efeito real da morte de Cristo era negado pelos arminianos. Veja Cap. 2, Refutação do Erro 2 dos Cinco Artigos da Fé.</p>
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		<title>Os 39 Artigos de Religião do Anglicanismo</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:20:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[ARTIGO I – DA FÉ NA SANTÍSSIMA TRINDADE. Há um único Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, sem partes nem paixões, de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>ARTIGO I – DA FÉ NA SANTÍSSIMA TRINDADE.</strong></p>
<p>Há um único Deus, vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, sem partes nem paixões, de infinito poder, sabedoria e bondade; Criador e Conservador de todas as coisas visíveis e invisíveis. E na unidade desta Divindade há três Pessoas, da mesma substância, poder e eternidade: o Pai, o Filho, e o Espírito Santo.</p>
<p><strong>ARTIGO II – DO VERBO OU FILHO DE DEUS, QUE SE FEZ VERDADEIRO HOMEM<br />
</strong><br />
O Filho, que é o Verbo do Pai, gerado ab aeterno do Pai, verdadeiro e sempiterno Deus, e consubstancial com o Pai, tomou a natureza humana no ventre da bendita Virgem e da sua substância; de sorte que as duas inteiras e perfeitas Naturezas, isto é, divina e humana, se reuniram em uma Pessoa, para nunca mais se separarem, das quais resultou Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro Homem; que verdadeiramente padeceu, foi crucificado, morto e sepultado, para reconciliar seu Pai conosco, e ser vítima não só pela culpa original, mas também pelos atuais pecados dos homens.</p>
<p><strong>ARTIGO III – DA DESCIDA DE CRISTO AO HADES<br />
</strong><br />
Assim como Cristo morreu por nós, e foi sepultado; assim também deve ser crido que desceu ao Hades.</p>
<p><strong>ARTIGO IV – DA RESSURREIÇÃO DE CRISTO<br />
</strong><br />
Cristo verdadeiramente ressurgiu dos mortos e tomou de novo o seu corpo, com carne, ossos e tudo o mais pertencente à perfeição da natureza humana; com o que subiu ao Céu, e lá está assentado, até que volte a julgar todos os homens, no derradeiro dia.</p>
<p><strong>ARTIGO V – DO ESPÍRITO SANTO<br />
</strong><br />
O Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, é da mesma substância, majestade e glória que o Pai e o Filho, verdadeiro e eterno Deus.</p>
<p><strong>ARTIGO VI &#8211; DA SUFICIÊNCIA DAS ESCRITURAS SAGRADAS PARA A SALVAÇÃO<br />
</strong><br />
A Escritura Sagrada contém todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma seja crido como artigo de fé ou julgado como requerido ou necessário para a salvação. Pelo nome de Escritura Sagrada entendemos os Livros canônicos do Velho e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer dúvida na Igreja.</p>
<p>DOS NOMES E NÚMEROS DOS LIVROS CANÔNICOS</p>
<p>Gênesis,<br />
Êxodo<br />
Levítico<br />
Números<br />
Deuteronômio<br />
Josué<br />
Juízes<br />
Ruth<br />
Primeiro Livro de Samuel<br />
Segundo Livro de Samuel<br />
Primeiro Livro de Reis<br />
Segundo Livro de Reis<br />
Primeiro Livro de Crônicas<br />
Segundo Livro de Crônicas<br />
Primeiro Livro de Esdras<br />
Segundo Livro de Esdras<br />
Ester<br />
Jó<br />
Salmos<br />
Provérbios<br />
Eclesiastes ou Pregador<br />
Cântico dos Cânticos<br />
Os quatro Profetas Maiores<br />
Os doze Profetas Menores</p>
<p>E os outros Livros (como diz Jerônimo) a Igreja os lê para exemplo de vida e instrução de costumes; mas não os aplica para estabelecer doutrina alguma; tais são os seguintes:</p>
<p>Terceiro livro de Esdras<br />
Quarto Livro de Esdras<br />
Livro de Tobias<br />
Livro de Judite<br />
O restante dos livros de Ester<br />
Livro da Sabedoria<br />
Jesus, filho de Sirac<br />
O Profeta Baruch<br />
O Cântico dos Três Mancebos<br />
A história de Suzana<br />
De Bel e o dragão<br />
Oração de Manasses<br />
Segundo Livro de Macabeus</p>
<p>Recebemos e contamos por canônicos todos os Livros do Novo Testamento, como são comumente recebidos.</p>
<p><strong>ARTIGO VII – DO VELHO TESTAMENTO<br />
</strong><br />
O Velho Testamento não é contrário ao Novo; porquanto em ambos, tanto Velho como Novo, se oferece a vida eterna ao gênero humano, por Cristo, que é o único mediador entre Deus e o homem sendo ele mesmo Deus e homem. Portanto não devem ser ouvidos os que pretendem que os antigos pais só esperaram promessas transitórias. Ainda que a Lei de Deus, dada por meio de Moisés, no que respeita a Cerimônia e Ritos, não obrigue os cristãos, nem devem ser recebidos necessariamente os seus preceitos civis em nenhuma comunidade; todavia, não há cristão algum que esteja isento, da obediência aos Mandamentos que se chamam Morais.</p>
<p><strong>ARTIGO VIII – DOS CREDOS<br />
</strong><br />
O Credo Niceno e o que ordinariamente se chama Símbolo dos Apóstolos devem ser inteiramente recebidos e cridos; porque se podem provar com autoridade muito certas da Escritura Sagrada.</p>
<p><strong>ARTIGO IX – DO PECADO ORIGINAL<br />
</strong><br />
O pecado original não consiste na imitação de Adão (como vãmente pregado pelos Pelagianos); é, porém, a falta e corrupção da Natureza de todo o homem gerado naturalmente da semente de Adão; pelas quais o homem dista muitíssimo da retidão original e é de sua própria natureza inclinado ao mal, de sorte que toda a carne sempre cobiça contra o espírito; e, por isso, toda pessoa que nasce neste mundo merece a ira e condenação de Deus. E esta infecção da natureza ainda permanece também nos que são regenerados, pela qual o apetite carnal chamado em grego Phrônema sarkós (que uns interpretam sabedoria, outros sensualidade, outros afeição e outros desejo carnal), não sujeito à Lei de Deus e apesar de que não há condenação para os que crêem e são batizados, contudo o Apóstolo confessa que a concupiscência e luxúria têm de si mesmas a natureza do pecado.</p>
<p><strong>ARTIGO X – DO LIVRE ARBÍTRIO<br />
</strong><br />
A condição do homem depois da queda de Adão é tal que ele não pode converter-se e preparar-se a si mesmo por sua própria força natural e boas obras, para a fé e invocação a Deus. Portanto não temos o poder de fazer boas agradáveis e aceitáveis a Deus, sem que a graça de Deus por Cristo nos previna, para que tenhamos boa vontade, e coopere conosco enquanto temos essa boa vontade.</p>
<p><strong>ARTIGO XI – DA JUSTIFICAÇÃO DO HOMEM<br />
</strong><br />
Somos reputados justos perante Deus, somente pelo mérito do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo pela Fé, e não por nossos próprios merecimentos e obras. Portanto, é doutrina mui saudável e cheia de consolação a de que somos justificados somente pela Fé, como se expõe mais amplamente na Homília da Justificação.</p>
<p><strong>ARTIGO XII – DAS BOAS OBRAS<br />
</strong><br />
Ainda que as boas obras, que são os frutos da fé, e seguem a justificação, não possam expiar os nosso pecados, nem suportar a severidade do Juízo de Deus; são, todavia, agradáveis e aceitáveis a Deus em Cristo, e brotam necessariamente duma verdadeira e viva fé; tanto que por elas se pode conhecer tão evidentemente uma fé viva como uma árvore se julga pelo fruto.</p>
<p><strong>ARTIGO XIII – DAS OBRAS ANTES DA JUSTIFICAÇÃO<br />
</strong><br />
As obras feitas antes da graça de Cristo, e da inspiração do seu espírito, não são agradáveis a Deus, porquanto não procedem da fé em Jesus Cristo; nem fazem os homens dignos de receber a graça, nem (como dizem os autores escolásticos) merecem a graça de côngruo; muito pelo contrário visto que elas não são feitas como Deus quis e ordenou que fossem feitas, não duvidamos terem elas a natureza do pecado.</p>
<p><strong>ARTIGO XIV – DAS OBRAS DE SUPEREROGAÇÃO<br />
</strong><br />
As obras voluntárias, que excedem os mandamentos de Deus, e que se chamam Obras de Supererogação, não se pode ensinar sem arrogância e impiedade; porque por elas declaram os homens que não só rendem a Deus tudo a que são obrigados, mas também a favor dele fazem mais do que, como rigoroso dever, lhes é requerido; ainda que Cristo claramente disse: Quando tiveres feito tudo o que vos está ordenado dizei: Somos servos inúteis.</p>
<p><strong>ARTIGO XV – DE CRISTO, ÚNICO SEM PECADO<br />
</strong><br />
Cristo, na verdade de nossa natureza foi feito semelhante a nós em todas as coisas exceto no pecado, do qual foi totalmente isento, tanto na sua carne como no Seu espírito. Ele veio para ser o Cordeiro imaculado, que, pelo sacrifício de si mesmo uma vez oferecido tirasse os pecados do mundo; e o pecado (como diz S. João) não estava nele. Porém nós, os demais homens, posto que batizados, e nascidos de novo em Cristo, ainda pecamos em muitas coisas; e se dissermos que não temos pecado, a nós mesmos nos enganamos, e não há verdade em nós.</p>
<p><strong>ARTIGO XVI – DO PECADO DEPOIS DO BATISMO<br />
</strong><br />
Nem todo pecado mortal voluntariamente cometido depois do Batismo é pecado contra o Espírito Santo, e irremissível. Pelo que não se deva negar a graça do arrependimento aos que tiverem caído em pecado depois do Batismo. Depois de termos recebido o Espírito Santo, podemos apartar-nos da graça concedida, e cair em pecado, e pela graça de Deus levantar-nos de novo e emendar nossas vidas. Devem, portanto, ser condenados os que dizem que já não podem pecar mais, enquanto aqui vivem, ou os que negam a oportunidade de perdão às pessoas verdadeiramente arrependidas.</p>
<p><strong>ARTIGO XVII – PREDESTINAÇÃO E ELEIÇÃO<br />
</strong><br />
A predestinação para a vida é o eterno propósito de Deus, pelo qual (antes de lançados os fundamentos do mundo) tem constantemente decretado por seu conselho, a nós oculto, livrar da maldição e condenação os que elegeu em Cristo dentre o gênero humano, e conduzi-los por Cristo à salvação eterna, como vasos feitos para a honra. Por isso os que se acham dotados de um tão excelente benefício de Deus, são chamados segundo o propósito de Deus, por seu Espírito operando em tempo devido; pela graça obedecem à vocação; são justificados gratuitamente; são feitos filhos de Deus por adoção; são criados conforme à imagem de Seu Unigênito Filho Jesus Cristo; vivem religiosamente em boas obras, e enfim chegam, pela misericórdia de Deus, à felicidade eterna.</p>
<p>Assim como a pia consideração da Predestinação, e da nossa Eleição em Cristo, é cheia de um doce, suave, e inexplicável conforto para as pessoas devotas, e os que sentem em si mesmos a operação do Espírito de Cristo, mortificando as obras da carne, e seus membros terrenos, e levantando o seu pensamento às coisas altas e celestiais, não só porque muito estabelece e confirma a sua fé na salvação eterna que hão de gozar por meio de Cristo, mas porque veemente acende o seu amor para com Deus; assim para as pessoas curiosas e carnais, destituídas do Espírito de Cristo, o ter de contínuo diante dos seus olhos a sentença da Predestinação de Deus, é um princípio muitíssimo perigoso, por o­nde o Diabo as arrasta ao desespero, ou a que vivam numa segurança de vida impuríssima, não menos perigosa que a desesperação.</p>
<p>Além disso devemos receber as promessas de Deus de modo que nos são geralmente propostas nas Escrituras Sagradas; e seguir em nossas obras a vontade de Deus, que nos é expressamente declarada na Sua Palavra.</p>
<p><strong>ARTIGO XVIII – DE OBTER A SALVAÇÃO ETERNA UNICAMENTE PELO NOME DE CRISTO<br />
</strong><br />
Devem ser também tidos por amaldiçoados os que se atrevem a dizer que todo o homem será salvo pela lei ou seita que professa, contanto que seja cuidadoso em modelar sua vida segundo essa lei e o lume da natureza. Porque a Escritura Santa somente nos propõe o nome de Jesus Cristo, como único meio pelo qual os homens se hão de salvar.</p>
<p><strong>ARTIGO XIX – DA IGREJA<br />
</strong><br />
A Igreja visível de Cristo é uma congregação de fiéis, na qual é pregada a pura Palavra de Deus, e são devidamente administrados os Sacramentos conforme à Instituição de Cristo em todas as coisas que necessariamente se requerem neles.<br />
Assim como a Igreja de Jerusalém, de Alexandria, e de Antioquia erraram; assim também a Igreja de Roma errou, não só quanto às suas práticas, ritos e cerimônias, mas também em matéria de fé.</p>
<p><strong>ARTIGO XX – DA AUTORIDADE DA IGREJA<br />
</strong><br />
A Igreja tem poder de decretar Ritos ou Cerimônias, e autoridade nas controvérsias da Fé, todavia não é lícito à Igreja ordenar coisa alguma contrária à Palavra de Deus escrita, nem expor um lugar da Escritura de modo que repugne a outro. Portanto, se bem que a Igreja seja testemunha e guarda da Escritura Sagrada, todavia, assim como não é lícito decretar coisa alguma contra ela, também não se deve obrigar a que seja acreditada coisa alguma, que nela não se encontra, como necessária para a salvação.</p>
<p><strong>ARTIGO XXI – DA AUTORIDADE DOS CONCÍLIOS GERAIS<br />
</strong><br />
[O vigésimo primeiro artigo dos precedentes é omitido porque é, em parte, dum caráter local e civil, e é provido, no tocante às restantes partes dele, em outros artigos.]</p>
<p><strong>ARTIGO XXII– DO PURGATÓRIO<br />
</strong><br />
A doutrina romana relativa ao Purgatório, Indulgências, Veneração e Adoração tanto de imagens como de relíquias, e também à invocação dos Santos, é uma coisa fútil e vãmente inventada, que não se funda em testemunho algum da Escritura, mas ao contrário repugna à Palavra de Deus.</p>
<p><strong>ARTIGO XXIII – DA MINISTRAÇÃO NA IGREJA<br />
</strong><br />
A ninguém é lícito tomar sobre si o cargo de pregar publicamente, ou administrar os Sacramentos na Congregação, antes que seja legalmente chamado, e enviado a executá-lo. E devemos julgar por legalmente chamados e enviados aqueles que tiverem sido escolhidos e chamados para esta obra pelos homens revestidos publicamente de autoridade, dada à eles na Congregação, para chamar e enviar Ministros à Vinha do senhor.</p>
<p><strong>ARTIGO XXIV – DA LÍNGUA VERNÁCULA DO CULTO<br />
</strong><br />
Repugna evidentemente a Palavra de Deus, e ao uso da Igreja Primitiva dizer Orações Públicas na Igreja, ou administrar os Sacramentos em língua que o povo não entende.</p>
<p><strong>ARTIGO XXV – DOS SACRAMENTOS<br />
</strong><br />
Os Sacramentos instituídos por Cristo não são unicamente designações ou indícios da profissão dos Cristãos, mas antes testemunhos certos e firmes, e sinais eficazes da graça, e da boa vontade de Deus para conosco pelos quais ele opera invisivelmente em nós, e não só vivifica, mas também fortalece e confirma a nossa fé nele.</p>
<p>São dois os Sacramentos instituídos por Cristo nosso Senhor no Evangelho, isto é, o Batismo e a Ceia do Senhor.</p>
<p>Os cinco vulgarmente chamados Sacramentos, isto é, Confirmação, Penitência, Ordens, Matrimônio, e Extrema Unção, não devem ser contados como Sacramento do Evangelho, tendo em parte emanado duma viciosa imitação dos Apóstolos, e sendo em parte estados de vida aprovados nas Escrituras; não tem, contudo, a mesma natureza de Sacramentos peculiar ao Batismo e à Ceia do Senhor, porque não tem sinal algum visível ou cerimônia instituída por Deus.<br />
Os Sacramentos não foram instituídos por Cristo para servirem de espetáculo, ou serem levados em procissão, mas sim para devidamente os utilizarmos. E só nas pessoas que dignamente os recebem é que produzem um saudável efeito ou operação; mas os que indignamente os recebem adquirem para si mesmos a condenação, como diz São Paulo.</p>
<p><strong>ARTIGO XXVI – DA INDIGNIDADE DOS MINISTROS, A QUAL NÃO IMPEDE O EFEITO DOS SACRAMENTOS </strong></p>
<p>Ainda que na Igreja visível os maus sempre estejam misturados com os bons, e às vezes os maus tenham a principal autoridade na Administração da Palavra e dos Sacramentos; todavia, como o não fazem em seu próprio nome, mas no de Cristo, e em comissão e por autoridade dele administram, podemos usar do seu Ministério, tanto em ouvir a Palavra de Deus, como em receber os Sacramentos. Nem o efeito da ordenança de Cristo é tirado pela sua iniquidade, mas a graça dos dons de Deus diminui para as pessoas que com fé e devidamente recebem os Sacramentos que se lhe administram; os quais são eficazes por causa da instituição e promessa de Cristo, apesar de serem administrados por homens maus.</p>
<p>Não obstante, à disciplina da Igreja pertence que se inquira acerca dos Ministros maus, e que sejam estes acusados por quem tenha conhecimento de seus crimes; e sendo, enfim, reconhecidos culpados, sejam depostos mediante justa sentença.</p>
<p><strong>ARTIGO XXVII – DO BATISMO<br />
</strong><br />
O Batismo não só é um sinal de profissão e marca de diferença, com que se distinguem os Cristãos dos que o não são, mas também um sinal de Regeneração ou Nascimento novo, pelo qual, como por instrumento, os que recebem o Batismo devidamente, são enxertados na Igreja; as promessas da remissão dos pecados, e da nossa adoção como filhos de Deus pelo Espírito Santo, são visivelmente marcadas e seladas, a fé é confirmada, e a graça aumentada por virtude da oração de Deus.O Batismo das crianças deve conservar-se de qualquer modo na Igreja como sumamente como à instituição de Cristo.</p>
<p><strong>ARTIGO XXVIII – DA CEIA DO SENHOR<br />
</strong><br />
A Ceia do Senhor não só é um sinal de mútuo amor que os cristãos devem Ter uns para com os outros; mas antes é um Sacramento da nossa Redenção pela morte de Cristo, de sorte que para os que devida e dignamente, e com fé o recebem, o pão que partimos é uma participação do Corpo de Cristo; e de igual modo o Cálice de Bênção é uma participação do Sangue de Cristo.<br />
A Transubstanciação (ou mudança da substância do Pão e Vinho) na Ceia do Senhor, não se pode provar pela Escritura Sagrada; mas antes repugna às palavras terminantes da Escritura, subverte a natureza do Sacramento, e tem dado ocasião a muitas superstições. O Corpo de Cristo é dado, tomado, e comido na Ceia, somente dum modo celeste e espiritual. E o meio pelo qual o Corpo de Cristo é recebido e comido na Ceia é a Fé.<br />
O Sacramento da Ceia do Senhor não foi pela ordenança de Cristo reservado, nem levado em procissão, nem elevado, nem adorado.</p>
<p><strong>ARTIGO XXIX – DOS ÍMPIOS, QUE NÃO COMEM O CORPO DE CRISTO NA CEIA DO SENHOR<br />
</strong><br />
Os ímpios, e os destituídos da fé viva, ainda que carnal e visivelmente comprimam com os dentes (como diz Santo Agostinho) o Sacramento do Corpo e Sangue de Cristo; nem por isso são de maneira alguma participantes de Cristo: mas antes, para sua condenação, comem e bebem o sinal ou Sacramento de uma coisa tão importante.</p>
<p><strong>ARTIGO XXX – DE AMBAS AS ESPÉCIES<br />
</strong><br />
O Cálice do Senhor não se deve negar aos Leigos; porque ambas as partes do Sacramento do Senhor, por instituição e ordem de Cristo, devem ser administradas a todos os cristãos igualmente.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXI – DA ÚNICA OBLAÇÃO DE CRISTO CONSUMADA NA CRUZ<br />
</strong><br />
A oblação de Cristo uma só vez consumada é a perfeita redenção, propiciação, e satisfação por todos os pecados, tanto originais como atuais, do mundo inteiro; e não há nenhuma outra satisfação pelos pecados, senão esta unicamente. Portanto os sacrifícios das Missas, nos quais vulgarmente se dizia que o Sacerdote oferecia Cristo para a remissão da pena ou culpa, pelos vivos ou mortos, são fábulas blasfemas e enganos perigosos.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXII – DO CASAMENTO DE SACERDOTES<br />
</strong><br />
Os Bispos, Presbíteros e Diáconos não são obrigados, por preceito algum da lei de Deus, a votar-se ao estado celibatário, ou abster-se do matrimônio; portanto é-lhes lícito, como aos demais Cristãos, casar como entenderem, se julgarem que isso lhes é mais útil à piedade.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXIII &#8211; COMO DEVEMOS EVITAR AS PESSOAS EXCOMUNGADAS<br />
</strong><br />
Aquele que por denúncia pública da Igreja for justamente separado da unidade da Igreja, e suspenso da Comunhão, deve ser tido por Pagão e Publicano por todos os fiéis, até que seja mediante penitência recebido nas Igreja por um juíz que tenha autoridade para isso.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXIV – DAS TRADIÇÕES DA IGREJA<br />
</strong><br />
Não é necessário que as tradições e Cerimônias sejam em toda parte as mesmas, ou totalmente semelhantes; porque em todos os tempos tem sido diversas, e podem ser alteradas segundo as diversidades dos países, tempo e costumes dos homens, contanto que nada se estabeleça contrário à Palavra de Deus. Todo aquele que por seu particular juízo, com ânimo voluntário e deliberado, quebrar manifestamente as Tradições e Cerimônias da Igreja, que não são contrárias à Palavra de Deus, e se acham estabelecidas e aprovadas pela autoridade comum, (para que outros temam fazer o mesmo), deve ser publicamente repreendido, como quem ofende a ordem comum da Igreja, fere a autoridade do Magistrado, e vulnera as consciência dos irmãos débeis.<br />
Toda a Igreja particular ou nacional tem autoridade, para ordenar, mudar e abolir as Cerimônias ou Ritos da Igreja, instituídos unicamente pela autoridade humana, contanto que tudo se faça para edificação.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXV – DAS HOMÍLIAS<br />
</strong><br />
O Segundo livro das Homílias, cujos títulos reunimos abaixo deste artigo, contém doutrina pia, saudável e necessária para estes tempos, como também o primeiro livro das Homílias, publicado ao tempo de Eduardo VI; e portanto julgamos que devem ser lidas pelos Ministros, diligente e distintamente nas Igrejas, para que sejam entendidas pelo povo.</p>
<p>DOS NOMES DAS HOMÍLIAS</p>
<p>1. Do uso correto da Igreja.<br />
2. Contra o perigo da idolatria.<br />
3. Do reparo e asseio das Igrejas.<br />
4. Das boas obras: principalmente jejum.<br />
5. Contra a glutonaria e embriaguez.<br />
6. Contra o luxo do vestuário.<br />
7. Da oração<br />
8. Do lugar e Templo da Oração.<br />
9. De como Orações e Sacramentos se devem ministrar em língua conhecida<br />
10. Da reverente estima à Palavra de Deus.<br />
11. Das esmolas.<br />
12. Da natividade de Cristo.<br />
13. Da Paixão de Cristo.<br />
14. Da ressurreição de Cristo.<br />
15. Da digna recepção do Sacramento do Corpo de Cristo.<br />
16. Dos dons do Espírito Santo.<br />
17. Para os dias de Rogações.<br />
18. Do estado do matrimônio.<br />
19. Do arrependimento.<br />
20. Contra a ociosidade.<br />
21. Contra a rebelião</p>
<p>[Este Artigo é recebido nesta Igreja enquanto declara que os livros das Homílias são explicações da doutrina cristã, e se destinam à instrução na piedade e moralidade. As referências à constituição e leis da Inglaterra são, porém, consideradas implacáveis às circunstâncias desta Igreja pelo que está suspensa também a ordem para leitura das referidas Homílias nas Igrejas, até que se proceda à revisão que se impõe, para livrá-las tanto de palavras obsoletas como das referências de natureza local.]</p>
<p><strong>ARTIGO XXXVI – DA SAGRAÇÃO DE BISPOS E MINISTROS<br />
</strong><br />
O livro da Sagração de Bispos, e Ordenação de Presbíteros e Diáconos, estabelecido pela Convenção Geral desta Igreja em 1792 contém tudo quanto é necessário para a referida Sagração e Ordenação; nem há nele coisa alguma que seja por si mesma supersticiosa e ímpia. E, por conseqüência, todos aqueles que são sagrados ou ordenados segundo a referida Fórmula, decretamos que todos eles são reta, canônica e legalmente ordenados.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXVII – DO PODER DOS MAGISTRADOS CIVIS<br />
</strong><br />
O poder do Magistrado Civil estende-se a todos os homens, tanto Clérigo como Leigos, em todas as coisas temporais; porém não tem autoridade alguma em coisa puramente espirituais. E temos por dever de todos os homens que professam o Evangelho o renderem obediência respeitosa à Autoridade Civil, que é regular e legitimamente constituída.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXVIII &#8211; DE QUE NÃO SÃO COMUNS OS BENS ENTRE CRISTÃOS<br />
</strong><br />
As riquezas e bens dos cristãos não são comuns quanto ao direito, título e posse, como falsamente apregoam certos anabatistas. Todos, no entanto, das coisas que possuem devem dar liberalmente esmola aos pobres, segundo o seu poder.</p>
<p><strong>ARTIGO XXXIX – DO JURAMENTO DUM CRISTÃO<br />
</strong><br />
Assim como confessamos que o Juramento vão e temerário é proibido aos cristãos por nosso Senhor Jesus Cristo, e por Tiago, seu apóstolo, assim também julgamos que a religião cristã de nenhum modo proíbe que uma pessoa jure quando o Magistrado o exige em causa de fé e caridade; contanto que isto se faça segundo a doutrina do profeta, em justiça, juízo e verdade.</p>
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		<title>Os 28 Artigos da Breve Exposição das Doutrinas Fundamentais do Cristianismo</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:19:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Síntese Doutrinária do Congregacionalismo Art. 1º &#8211; Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus Existe um só Deus(1), vivo e pessoal(2); suas obras no céu e na terra manifestam, não meramente que existe, mas que possui sabedoria, poder e bondade tão vastos que os homens não podem compreender(3); conforme sua soberana e livre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Síntese Doutrinária do Congregacionalismo</h2>
<p><strong>Art. 1º &#8211; Do Testemunho da Natureza quanto à Existência de Deus</strong><br />
Existe um só Deus(1), vivo e pessoal(2); suas obras no céu e na terra manifestam, não meramente que existe, mas que possui sabedoria, poder e bondade tão vastos que os homens não podem compreender(3); conforme sua soberana e livre vontade, governa todas as coisas(4).</p>
<p>(1) Dt.6:4; (2) Jr 10:10; (3) Sl 8:1; (4) Rm 9:15,16</p>
<p><strong>Art. 2º &#8211; Do Testemunho da Revelação a Respeito de Deus e do Homem</strong><br />
Ao testemunho das suas obras Deus acrescentou informações(5) a respeito de si mesmo(6) e do que requer dos homens(7). Estas informações se acham nas Escrituras do Velho e do Novo Testamento(*) nas quais possuímos a única regra perfeita para nossa crença sobre o Criador, e preceitos infalíveis para todo o nosso proceder nesta vida(8).</p>
<p>(5) Hb 1:1; (6) Ex 34-5-7; (7); II Tm.3.15,16; (8); Is.8.19,20.<br />
(*) Os livros apócrifos não são parte da Escritura devidamente inspirada.</p>
<p><strong>Art. 3º &#8211; Da Natureza dessa Revelação<br />
</strong>As Escrituras Sagradas foram escritas por homens santos, inspirados por Deus, de maneira que as palavras que escreveram são as palavras de Deus(9). Seu valor é incalculável(10), e devem ser lidas por todos os homens(1).</p>
<p>(9) II Pe 1:19-21; (10) Rm 3:1,2. (1) Jo 5:39.</p>
<p><strong>Art. 4º &#8211; Da Natureza de Deus<br />
</strong>Deus o Soberano Proprietário do Universo é Espírito(2), Eterno(3), Infinito(4) e Imutável(5) em sabedoria(6), poder(7), santidade(8), justiça(9), bondade(10) e verdade(1).</p>
<p>(2) Jo 4:24; (3) Dt 32:40; (4) Jr 23:24; (5) Ml 3; (6) Sl 146:5; (7) Gn 17:1; (8) Sl 144:17; (9) Dt 32: 4; (10) Mt 19:17; (1) Jo 7:28.</p>
<p><strong>Art. 5º &#8211; Da Trindade da Unidade<br />
</strong>Embora seja um grande mistério que existam diversas pessoas em um só Ente, é verdade que na Divindade exista uma distinção de pessoas indicadas nas Escrituras Sagradas pelos nomes de Pai, Filho e Espírito Santo(2) e pelo uso dos pronomes Eu, Tu e Ele, empregados por Elas, mutuamente entre si(3).</p>
<p>(2) Mt 28:19: (3) Jo 14:16,17</p>
<p><strong>Art. 6º &#8211; Da Criação do Homem<br />
</strong>Deus, tendo preparado este mundo para a habitação do gênero humano, criou o homem(4), constituindo-o de uma alma que é espírito(5), e de um corpo composto de matérias terrestres(6). O primeiro homem foi feito à semelhança de Deus(7), puro, inteligente e nobre, com memória, afeições e vontade livre, sujeito Àquele que o criou, mas com domínio sobre todas as outras criaturas deste mundo(8).</p>
<p>(4) Gn 1:2-27; (5) Ec 12:7; (6) Gn 2:7; (7) Gn 1:26,27; (8) Gn 1:28</p>
<p><strong>Art. 7º &#8211; Da Queda do Homem<br />
</strong>O homem assim dotado e amado pelo Criador era perfeitamente feliz(9), mas tentado por um espírito rebelde (chamado por Deus, Satanás), desobedeceu ao seu Criador(10); destruiu a harmonia em que estivera com Deus, perdeu a semelhança divina; tornou-se corrupto e miserável, deste modo vieram sobre ela a ruína e a morte(1).</p>
<p>(9) Gn 1:31; (10) Gn 2: 16,17; (1) Rm 5:12.</p>
<p><strong>Art. 8º &#8211; Da Conseqüência da Queda<br />
</strong>Estas não se limitam ao primeiro pecador. Seus descendentes herdaram dele a pobreza, a desgraça a inclinação para o mal e a incapacidade de cumprir bem o que Deus manda(2); por conseqüência todos pecam, todos merecem ser condenados, e de fato todos morrem(3).</p>
<p>(2) Sl 50:7; (3) I Co 15:21</p>
<p><strong>Art. 9º &#8211; Da Imortalidade da Alma<br />
</strong>A alma humana não acaba quando o corpo morre. Destinada por seu Criador a uma existência perpétua, continua capaz de pensar, desejar, lembrar-se do passado e gozar da mais perfeita paz e regozijo; e também de temer o futuro, sentir remorso e horror e sofrer agonias tais, que mais quereria acabar do que continuar a existir(4); o pecado da rebelião contra o seu Criador, merece para sempre esta miséria, que é chamada por Deus de segunda morte(5).</p>
<p>(4) Lc 16:20-31; (5) Ap 21:8</p>
<p><strong>Art. 10º &#8211; Da Consciência e do Juízo Final<br />
</strong>Deus constituiu a consciência juiz da alma do homem(6). Deu-lhes mandamentos pelos quais se decidissem todos os casos(7), mas reservou para si o julgamento final, que será em harmonia com seu próprio caráter(8). Avisou aos homens da pena com que com punirá toda injustiça, maldade, falsidade e desobediência ao seu governo(9); cumprirá suas ameaças, punindo todo pecado em exata proporção à culpa(10).</p>
<p>(6) Rm 2:14,15; (7) Mt. 22:36-40; (8) Sl 49:6; (9) Gl 3:10; (10) II Co 5:10</p>
<p><strong>Art. 11º &#8211; Da Perversidade do Homem e do Amor de Deus<br />
</strong>Deus vendo a perversidade, a ingratidão e o desprezo com que os homens lhe retribuem seus benefícios e o castigo que merecem(1), cheio de misericórdia compadeceu-se deles; jurou que não desejava a morte dos ímpios(2); além disso, tomou-os e mandou declarar-lhes, em palavras humanas, sua imensa bondade para com eles; e quando os pecadores nem com tais palavras se importavam, ele lhes deu a maior prova do seu amor(3) enviando-lhes um salvador que os livrasse completamente da ruína e miséria, da corrupção e condenação e os restabelecesse para sempre no seu favor(4).</p>
<p>(1) Hb 4:13; (2) Ez 33:11; (3) Rm 5:8,9; (4) II Co 5: 18-20.</p>
<p><strong>Art. 12º &#8211; Da Origem da Salvação<br />
</strong>Esta Salvação, tão preciosa e digna do Altíssimo (porque está perfeitamente em harmonia com seu caráter) procede do infinito amor do Pai, que deu seu unigênito Filho para salvar os seus inimigos(5).</p>
<p>(5) I Jo 4:9</p>
<p><strong>Art. 13º &#8211; Do Autor da Salvação<br />
</strong>Foi adquirida, porém, pelo Filho, não com ouro, nem com prata, mas com Seu sangue(6), pois tomou para Si um corpo humano e alma humana(7) preparados pelo Espírito Santo no ventre de uma virgem(8); assim, sendo Deus e continuando a sê-Lo se fez homem(9). Nasceu da Virgem Maria, viveu entre os homens(10), como se conta nos evangelhos, cumpriu todos os preceitos divinos(1) e sofreu a morte e a maldição como como o substituto dos pecadores(2), ressuscitou(3) e subiu ao céu(4). Ali intercede pelos seus remidos(5) e para valer-lhes tem todo o poder no céu e na terra(6). É nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo(7), que oferece, de graça, a todo o pecador o pleno proveito de sua obediência e sofrimentos, e o assegura a todos os que, crendo nEle, aceitam-no por Seu Salvador(8).</p>
<p>(6) I Pe1:18,19; (7) Hb 2:14; (8) Mt 1:20; (9) Jo 1:1,14; (10) At 10:38; (1) I Pe 2:22; (2) Gl 3:13; (3) Mt 28:5,6; (4) Mc 16:19; (5) Hb 7:25; (6) Mt 28:18; (7) At 5:31; (8) Jo 1:14.</p>
<p><strong>Art. 14º &#8211; Da Obra do Espírito Santo no Pecador<br />
</strong>O Espírito Santo enviado pelo Pai(9) e pelo Filho(10), usando das palavras de Deus(1), convence o pecador dos seus pecados e da ruína(2) e mostra-lhe e excelência do Salvador(3), move-o a arrepender-se, a aceitar e a confiar em Jesus Cristo. Assim produz uma grande mudança espiritual chamada nascer de Deus(4). O pecador nascido de Deus está desde já perdoado, justificado e salvo; tem a vida eterna e goza das bênçãos da Salvação(5).</p>
<p>(9) Jo 14:16,26; (10) Jo 16:7; (1) Ef 6:17; (2) Jo 16:8; (3) Jo 16:14; (4) Jo1:12,13; (5) Gl 3:26</p>
<p><strong>Art. 15º &#8211; Do Impenitente<br />
</strong>Os pecadores que não crerem no Salvador e não aceitarem a Salvação que lhes está oferecida de graça, hão de levar a punição de suas ofensas(6), pelo modo e no lugar destinados para os inimigos de Deus(7).</p>
<p>(6) Jo 3:36; (7) II Ts 1: 8,9</p>
<p><strong>Art. 16º &#8211; Da Única Esperança de Salvação<br />
</strong>Para os que morrem sem aproveitar-se desta salvação, não existe por vir além da morte um raio de esperança(8). Deus não deparou remédio para os que, até o fim da vida neste mundo, perseveraram nos seus pecados. Perdem-se. Jamais terão alívio(9).</p>
<p>(8) Jo 8:24; (9) Mc 9:42,43</p>
<p><strong>Art. 17º &#8211; Da Obra do Espírito Santo no Crente<br />
</strong>O Espírito santo continua a habitar e a operar naquele que faz nascer de Deus(10); esclarece-lhe a mente mais e mais com as verdades divinas(1), eleva e purifica-lhe as afeições adiantando nele a semelhança de Jesus(2), estes fruto do espírito são prova de que passaram da morte para a vida, e que são de Cristo(3).</p>
<p>(10) Jo 14:16,17; (1) Jo 16:13; (2) II Co 3:18; (3) Gl 5:22,23</p>
<p><strong>Art. 18º &#8211; Da União do Crente com Cristo e do Poder para o Seu Serviço. </strong><br />
Aqueles que tem o Espírito de Cristo estão unidos com Cristo(4), e como membro do seu corpo recebem a capacidade de servi-Lo(5). Usando desta capacidade, procuram viver, e realmente vivem, para a glória de Deus, seu Salvador(6).</p>
<p>(4) Ef 5:29,30 ( 5) Jo 15:4,7 (6) I Co 6:20</p>
<p><strong>Art. 19º &#8211; Da União do Corpo de Cristo </strong><br />
A Igreja de Cristo no céu e na terra é uma(7) só e compõe-se de todos os sinceros crentes no Redentor(8), os quais foram escolhidos por Deus, antes de haver mundo(9), para serem chamados e convertidos nesta vida e glorificados durante a eternidade(10).</p>
<p>(7) Ef 3:15; (8) I Co 12:13; (9) Ef 1:11; (10) Rm 8: 29,30.</p>
<p><strong>Art. 20º &#8211; Dos Deveres do Crente<br />
</strong>É obrigação dos membros de uma Igreja local, reunirem-se(1) para fazer oração e dar louvores a Deus, estudarem sua Palavra, celebrarem os ritos ordenados por Ele, valerem um dos outros e promoverem o bem de todos os irmãos; receberem(2) entre si como membros aqueles que o pedem e que parecem verdadeiramente filhos de Deus pela fé; excluírem(3) aqueles que depois mostram a sua desobediência aos preceitos do Salvador que não são de Cristo; e procurarem o auxílio e proteção do Espírito Santo em todos os seus passos(4).</p>
<p>(1)Hb 10:25; (2) Rm 14:1; (3) I Co 5:3-5; (4) Rm 8:5,16.</p>
<p><strong>Art. 21º &#8211; Da Obediência dos Crentes<br />
</strong>Ainda que os salvos não obtenham a salvação pela obediência à lei senão pelos merecimentos de Jesus Cristo(5), recebem a lei e todos os preceitos de Deus como um meio pelo qual Ele manifesta sua vontade sobre o procedimento dos remidos(6) e guardam-nos tanto mais cuidadosa e gratamente por se si acharem salvos de graça(7).</p>
<p>(5) Ef 2:8,9; (6) I Jo 5:2,3; (7) Tt 3:4-8.</p>
<p><strong>Art. 22º &#8211; Do Sacerdócio dos Crentes e dos Dons do Espírito<br />
</strong>Todos os crentes sinceros são sacerdotes para oferecerem sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo(8), que é o Mestre(9), Pontífice(10) e Único Cabeça de sua Igreja(1); mas como Governador de sua casa(2) estabeleceu nela diversos cargos(3) como de Pastor(4), Presbítero(5), Diácono(6), e Evangelista; para eles escolhe e habilita, com talentos próprios, aos que ele quer para cumprirem os deveres desses ofícios(7), e quando existem devem ser reconhecidos pela igreja e preparados e dados por Deus(8).</p>
<p>(8) I Pe 2:5-9; (9) Mt 23:8-10; (10) Hb 3:1; (1) Ef. 1:22; (2) Hb 3:6; (3) I Co 12:28; (4) Ef 4:2; (5) I Tm 3:1-7; (6) I Tm 3: 8-13; (7) I Pe 5:1; (8) Fl 2:29.</p>
<p><strong>Art. 23º &#8211; Da Relação de Deus para com Seu Povo<br />
</strong>O Altíssimo Deus atende as orações(9) que, com fé, e, em nome de Jesus, único Mediador(10) entre Deus e os homens, lhe são apresentadas pelos crentes, aceita os louvores(1) e reconhece como feito a Ele, todo o bem feito aos Seus(2).</p>
<p>(9) Mt 18:19; (10) I Tm 2:5; (1) Cl 3:16,17; (2) Mt 25:40,45; (3) Hb 10:1; (4) At 10:47,48; (5) Mt 26:26-28.</p>
<p><strong>Art. 24º &#8211; Da Cerimônia e dos Ritos Cristãos<br />
</strong>Os ritos judaicos, divinamente instruídos pelo Ministério de Moisés , eram sombras dos bens vindouros e cessaram quando os mesmos bens vieram(3): os ritos cristãos são somente dois: o batismo com água(4) e a Ceia do Senhor(5).</p>
<p><strong>Art. 25º &#8211; Do Batismo com Água<br />
</strong>O batismo com água foi ordenado por Nosso Senhor Jesus Cristo como figura do batismo verdadeiro e eficaz, feito pelo Salvador , quando envia o Espírito Santo para regenerar o pecador(6). Pela recepção do batismo com água, a pessoa declara que aceita os termos do pacto em que Deus assegura as bênçãos da salvação(7).</p>
<p>(6) Mt. 3:11; (7) At 2:41</p>
<p><strong>Art. 26º &#8211; Da Ceia do Senhor<br />
</strong>Na Ceia do Senhor foi instituída pelo Senhor Jesus Cristo, o pão e o vinho representam vivamente ao coração do crente o corpo que foi morto e o sangue derramado no Calvário(8); participar do pão e do vinho representa o fato de que a alma recebeu seu Salvador. O crente faz isso em memória do Senhor, mas é da sua obrigação examinar-se primeiro fielmente quanto a sua fé, seu amor e o seu procedimento(9).</p>
<p>(8) I Co 10:16; (9) I Co 11:28,29.</p>
<p><strong>Art. 27º &#8211; Da Segunda Vinda do Senhor<br />
</strong>Nosso Senhor Jesus Cristo virá do céu como homem(10), em Sua própria glória(1) e na glória de Seu Pai(2), com todos os santos e anjos; assentar-se-á no trono de Sua glória e julgará todas as nações.</p>
<p>(10) At 1:11; (1) Mt 25:31; (2) Mt 16:27</p>
<p><strong>Art. 28º &#8211; Da Ressurreição para a Vida ou para a Condenação<br />
</strong>Vem a hora em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus e ressuscitarão(3); os mortos em Cristo ressurgirão primeiro(4); os crentes que neste tempo estiverem vivos serão mudados(5), e sendo arrebatados estarão para sempre com o Senhor(6), os outros também ressuscitarão, mas para a condenação(7).</p>
<p>(3) Jo 5:25-29; (4) I Co 15:22,23;(5) I Co 15:51,52; (6) I Ts 4:16; (7) Jo 5:29.</p>
<p>Os Vinte e oito artigos da &#8221; BREVE EXPOSIÇÃO DAS DOUTRINAS FUNDAMENTAIS DO CRISTIANISMO &#8221; foram lavrados pelo Dr. Robert Reid Kalley e aprovados em 02 de julho de 1876 e este documento, de memorável valor histórico, consagrou-se como síntese doutrinária das Igrejas Evangélicas Congregacionais do Brasil.</p>
<p>A aceitação destas &#8220;Doutrinas Fundamentais &#8221; serviu de base para rejeição de várias doutrinas anti-bíblicas e encorajou os congregacionais ao crescimento e a implantação sólida e definitiva desta Grande Denominação.</p>
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		<item>
		<title>Didaqué &#8211; A Instrução dos Doze Apóstolos</title>
		<link>http://www.ipbetania.org.br/didaque-a-instrucao-dos-doze-apostolos/</link>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:18:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Ano 145-150 O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE CAPÍTULO I 1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ano 145-150<br />
<strong><br />
O CAMINHO DA VIDA E O CAMINHO DA MORTE<br />
CAPÍTULO I<br />
</strong><br />
1Existem dois caminhos: o caminho da vida e o caminho da morte. Há uma grande diferença entre os dois. 2Este é o caminho da vida: primeiro, ame a Deus que o criou; segundo, ame a seu próximo como a si mesmo. Não faça ao outro aquilo que você não quer que façam a você.</p>
<p>3Este é o ensinamento derivado dessas palavras: bendiga aqueles que o amaldiçoam, reze por seus inimigos e jejue por aqueles que o perseguem. Ora, se você ama aqueles que o amam, que graça você merece? Os pagãos também não fazem o mesmo? Quanto a você, ame aqueles que o odeiam e assim você não terá nenhum inimigo.</p>
<p>4Não se deixe levar pelo instinto. Se alguém lhe bofeteia na face direita, ofereça-lhe também a outra face e assim você será perfeito. Se alguém o obriga a acompanhá-lo por um quilometro, acompanhe-o por dois. Se alguém lhe tira o manto, ofereça-lhe também a túnica. Se alguém toma alguma coisa que lhe pertence, não a peça de volta porque não é direito.</p>
<p>5Dê a quem lhe pede e não peças de volta pois o Pai quer que os seus bens sejam dados a todos. Bem-aventurado aquele que dá conforme o mandamento pois será considerado inocente. Ai daquele que recebe: se pede por estar necessitado, será considerado inocente; mas se recebeu sem necessidade, prestará contas do motivo e da finalidade. Será posto na prisão e será interrogado sobre o que fez&#8230; e daí não sairá até que devolva o último centavo.<br />
6Sobre isso também foi dito: que a sua esmola fique suando nas suas mãos até que você saiba para quem a está dando.</p>
<p><strong>CAPÍTULO II<br />
</strong><br />
1O segundo mandamento da instrução é:</p>
<p>2Não mate, não cometa adultério, não corrompa os jovens, não fornique, não roube, não pratique a magia nem a feitiçaria. Não mate a criança no seio de sua mãe e nem depois que ela tenha nascido.</p>
<p>3Não cobice os bens alheios, não cometa falso juramento, nem preste falso testemunho, não seja maldoso, nem vingativo.</p>
<p>4Não tenha duplo pensamento ou linguajar pois o duplo sentido é armadilha fatal.</p>
<p>5A sua palavra não deve ser em vão, mas comprovada na prática.</p>
<p>6Não seja avarento, nem ladrão, nem fingido, nem malicioso, nem soberbo. Não planeje o mal contra o seu próximo.</p>
<p>7Não odeie a ninguém, mas corrija alguns, reze por outros e ame ainda aos outros, mais até do que a si mesmo.</p>
<p><strong>CAPÍTULO III<br />
</strong><br />
1Filho, procure evitar tudo aquilo que é mau e tudo que se parece com o mal.</p>
<p>2Não seja colérico porque a ira conduz à morte. Não seja ciumento também, nem briguento ou violento, pois o homicídio nasce de todas essas coisas.</p>
<p>3Filho, não cobice as mulheres pois a cobiça leva à fornicação. Evite falar palavras obscenas e olhar maliciosamente já que os adultérios surgem dessas coisas.</p>
<p>4Filho, não se aproxime da adivinhação porque ela leva à idolatria. Não pratique encantamentos, astrologia ou purificações, nem queira ver ou ouvir sobre isso, pois disso tudo nasce a idolatria.</p>
<p>5Filho, não seja mentiroso pois a mentira leva ao roubo. Não persiga o dinheiro nem cobice a fama porque os roubos nascem dessas coisas.</p>
<p>6Filho, não fale demais pois falar muito leva à blasfêmia. Não seja insolente, nem tenha mente perversa porque as blasfêmias nascem dessas coisas.</p>
<p>7Seja manso pois os mansos herdarão a terra.</p>
<p>8Seja paciente, misericordioso, sem maldade, tranquilo e bondoso. Respeite sempre as palavras que você escutou.</p>
<p>9Não louve a si mesmo, nem se entrege à insolência. Não se junte com os poderosos, mas aproxima dos justos e pobres.</p>
<p>10Aceite tudo o que acontece contigo como coisa boa e saiba que nada acontece sem a permissão de Deus.</p>
<p><strong>CAPÍTULO IV<br />
</strong><br />
1Filho, lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente o­nde a soberania do Senhor é anunciada.</p>
<p>2Procure estar todos os dias na companhia dos fiéis para encontrar forças em suas palavras.</p>
<p>3Não provoque divisão. Ao contrário, reconcilia aqueles que brigam entre si. Julgue de forma justa e corrija as culpas sem distinguir as pessoas.</p>
<p>4Não hesite sobre o que vai acontecer.</p>
<p>5Não te pareças com aqueles que dão a mão quando precisam e a retiram quando devem dar.</p>
<p>6Se o trabalho de suas mãos te rendem algo, as ofereça como reparação pelos seus pecados.</p>
<p>7Não hesite em dar, nem dê reclamando porque, na verdade, você sabe quem realmente pagou sua recompensa. reverência, como à própria imagem de Deus.</p>
<p>12Deteste toda a hipocrisia e tudo aquilo que não agrada o Senhor.</p>
<p>13Não viole os mandamentos dos Senhor. Guarde tudo aquilo que você recebeu: não acrescente ou retire nada.</p>
<p>14Confesse seus pecados na reunião dos fiéis e não comece a orar estando com má consciência. Este é o caminho da vida.</p>
<p><strong>CAPÍTULO V<br />
</strong><br />
1Este é o caminho da morte: primeiro, é mau e cheio de maldições &#8211; homicídios, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatria, magias, feitiçarias, rapinas, falsos testemunhos, hipocrisias, coração com duplo sentido, fraudes, orgulho, maldades, arrogância, avareza, palavras obscenas, ciúmes, insolência, altivez, ostentação e falta de temor de Deus.</p>
<p>2Nesse caminho trilham os perseguidores dos justos, os inimigos da verdade, os amantes da mentira, os ignorantes da justiça, os que não desejam o bem nem o justo julgamento, os que não praticam o bem mas o mal. A calma e a paciência estão longe deles. Estes amam as coisas vãs, são ávidos por recompensas, não se compadecem com os pobres, não se importam com os perseguidos, não reconhecem o Criador. São também assassinos de crianças, corruptores da imagem de Deus, desprezam os necessitados, oprimem os aflitos, defendem os ricos, julgam injustamente os pobres e, finalmente, são pecadores consumados. Filho, afaste-se disso tudo.</p>
<p><strong>CAPÍTULO VI<br />
</strong><br />
1Fique atento para que ninguém o afaste do caminho da instrução, pois quem faz isso ensina coisas que não pertencem a Deus.</p>
<p>2Você será perfeito se conseguir carregar todo o jugo do Senhor. Se isso não for possível, faça o que puder.</p>
<p>3A respeito da comida, observe o que puder. Não coma nada do que é sacrificado aos ídolos pois esse culto é destinado a deuses mortos.</p>
<p><strong>A CELEBRAÇÃO LITÚRGICA<br />
CAPÍTULO VII<br />
</strong><br />
1Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.</p>
<p>2Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente.</p>
<p>3Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.</p>
<p>4Antes de batizar, tanto aquele que batiza como o batizando, bem como aqueles que puderem, devem observar o jejum. Você deve ordenar ao batizando um jejum de um ou dois dias.</p>
<p><strong>CAPÍTULO VIII<br />
</strong><br />
1Os seus jejuns não devem coincidir com os dos hipócritas. Eles jejuam no segundo e no quinto dia da semana. Porém, você deve jejuar no quarto dia e no dia da preparação.</p>
<p>2Não reze como os hipócritas, mas como o Senhor ordenou em seu Evangelho. Reze assim: &#8220;Pai nosso que estás no céu, santificado seja o teu nome, venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai nossa dívida, assim como também perdoamos os nossos devedores e não nos deixes cair em tentação, mas livrai-nos do mal porque teu é o poder e a glória para sempre&#8221;.</p>
<p>3Rezem assim três vezes ao dia.</p>
<p><strong>CAPÍTULO IX<br />
</strong><br />
1Celebre a Eucaristia assim:</p>
<p>2Diga primeiro sobre o cálice: &#8220;Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da santa vinha do teu servo Davi, que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre&#8221;.</p>
<p>3Depois diga sobre o pão partido: &#8220;Nós te agradecemos, Pai nosso, por causa da vida e do conhecimento que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.</p>
<p>4Da mesma forma como este pão partido havia sido semeado sobre as colinas e depois foi recolhido para se tornar um, assim também seja reunida a tua Igreja desde os confins da terra no teu Reino, porque teu é o poder e a glória, por Jesus Cristo, para sempre&#8221;.</p>
<p>5Que ninguém coma nem beba da Eucaristia sem antes ter sido batizado em nome do Senhor pois sobre isso o Senhor disse: &#8220;Não dêem as coisas santas aos cães&#8221;.</p>
<p><strong>CAPÍTULO X<br />
</strong><br />
1Após ser saciado, agradeça assim:</p>
<p>2&#8243;Nós te agradecemos, Pai santo, por teu santo nome que fizeste habitar em nossos corações e pelo conhecimento, pela fé e imortalidade que nos revelaste através do teu servo Jesus. A ti, glória para sempre.</p>
<p>3Tu, Senhor o­nipotente, criaste todas as coisas por causa do teu nome e deste aos homens o prazer do alimento e da bebida, para que te agradeçam. A nós, orém, deste uma comida e uma bebida espirituais e uma vida eterna através do teu servo.</p>
<p>4Antes de tudo, te agradecemos porque és poderoso. A ti, glória para sempre.</p>
<p>5Lembra-te, Senhor, da tua Igrreja, livrando-a de todo o mal e aperfeiçoando-a no teu amor. Reúne dos quatro ventos esta Igreja santificada para o teu Reino que lhe preparaste, porque teu é o poder e a glória para sempre.</p>
<p>6Que a tua graça venha e este mundo passe. Hosana ao Deus de Davi. Venha quem é fiel, converta-se quem é infiel. Maranatha. Amém.&#8221;</p>
<p>7Deixe os profetas agradecerem à vontade.</p>
<p><strong>A VIDA EM COMUNIDADE<br />
CAPÍTULO XI<br />
</strong><br />
1Se vier alguém até você e ensinar tudo o que foi dito anteriormente, deve ser acolhido.</p>
<p>2Mas se aquele que ensina é perverso e ensinar outra doutrina para te destruir, não lhe dê atenção. No entanto, se ele ensina para estabelecer a justiça e conhecimento do Senhor, você deve acolhê-lo como se fosse o Senhor.</p>
<p>3Já quanto aos apóstolos e profetas, faça conforme o princípio do Evangelho.</p>
<p>4Todo apóstolo que vem até você deve ser recebido como o próprio Senhor.</p>
<p>5Ele não deve ficar mais que um dia ou, se necessário, mais outro. Se ficar três dias é um falso profeta.</p>
<p>6Ao partir, o apóstolo não deve levar nada a não ser o pão necessário para chegar ao lugar o­nde deve parar. Se pedir dinheiro é um falso profeta.</p>
<p>7Não ponha à prova nem julgue um profeta que fala tudo sob inspiração, pois todo pecado será perdoado, mas esse não será perdoado.</p>
<p>8Nem todo aquele que fala inspirado é profeta, a não ser que viva como o Senhor. É desse modo que você reconhece o falso e o verdadeiro profeta.</p>
<p>9Todo profeta que, sob inspiração, manda preparar a mesa não deve comer dela. Caso contrário, é um falso profeta.</p>
<p>10Todo profeta que ensina a verdade mas não pratica o que ensina é um falso profeta.</p>
<p>11Todo profeta comprovado e verdadeiro, que age pelo mistério terreno da Igreja, mas que não ensina a fazer como ele faz não deverá ser julgado por você; ele será julgado por Deus. Assim fizeram também os antigos profetas.</p>
<p>12Se alguém disser sob inspiração: &#8220;Dê-me dinheiro&#8221; ou qualquer outra coisa, não o escutem. Porém, se ele pedir para dar a outros necessitados, então ninguém o julgue.</p>
<p><strong>CAPÍTULO XII<br />
</strong><br />
1Acolha toda aquele que vier em nome do Senhor. Depois, examine para conhecê-lo, pois você tem discernimento para distinguir a esquerda da direita.</p>
<p>2Se o hóspede estiver de passagem, dê-lhe ajuda no que puder. Entretanto, ele não deve permanecer com você mais que dois ou três dias, se necessário.</p>
<p>3Se quiser se estabelecer e tiver uma profissão, então que trabalhe para se sustentar.</p>
<p>4Porém, se ele não tiver profissão, proceda de acordo com a prudência, para que um cristão não viva ociosamente em seu meio.</p>
<p>5Se ele não aceitar isso, trata-se de um comerciante de Cristo. Tenha cuidado com essa gente!</p>
<p><strong>CAPÍTULO XIII<br />
</strong><br />
1Todo verdadeiro profeta que queira estabelecer-se em seu meio é digno do alimento.</p>
<p>2Assim também o verdadeiro mestre é digno do seu alimento, como qualquer operário.</p>
<p>3Assim, tome os primeiros frutos de todos os produtos da vinha e da eira, dos bois e das ovelhas, e os dê aos profetas, pois são eles os seus sumos-sacerdotes.</p>
<p>4Porém, se você não tiver profetas, dê aos pobres.</p>
<p>5Se você fizer pão, tome os primeiros e os dê conforme o preceito.</p>
<p>6Da mesma maneira, ao abrir um recipiente de vinho ou óleo, tome a primeira parte e a dê aos profetas.</p>
<p>7Tome uma parte de seu dinheiro, da sua roupa e de todas as suas posses, conforme lhe parecer oportuno, e os dê de acordo com o preceito.</p>
<p><strong><br />
CAPÍTULO XIV<br />
</strong><br />
1Reúna-se no dia do Senhor para partir o pão e agradecer após ter confessado seus pecados, para que o sacrifício seja puro.</p>
<p>2Aquele que está brigado com seu companheiro não pode juntar-se antes de se reconciliar, para que o sacrifício oferecido não seja profanado.<br />
3Esse é o sacrifício do qual o Senhor disse: &#8220;Em todo lugar e em todo tempo, seja oferecido um sacrifício puro porque sou um grande rei &#8211; diz o Senhor &#8211; e o meu nome é admirável entre as nações&#8221;.</p>
<p><strong><br />
CAPÍTULO XV<br />
</strong><br />
1Escolha bispos e diáconos dignos do Senhor. Eles devem ser homens mansos, desprendidos do dinheiro, verazes e provados pois também exercem para vocês o ministério dos profetas e dos mestres.</p>
<p>2Não os despreze porque eles têm a mesma dignidade que os profetas e os mestres.</p>
<p>3Corrija uns aos outros, não com ódio, mas com paz, como você tem no</p>
<p>Evangelho. E ninguém fale com uma pessoa que tenha ofendido o próximo; que essa pessoa não escute uma só palavra sua até que tenha se arrependido.<br />
4Faça suas orações, esmolas e ações da forma que você tem no Evangelho de nosso Senhor.</p>
<p><strong>O FIM DOS TEMPOS<br />
CAPÍTULO XVI<br />
</strong><br />
1Vigie sobre a vida uns dos outros. Não deixe que sua lâmpada se apague, nem afrouxe o cinto dos rins. Fique preparado porque você não sabe a que horas nosso Senhor chegará.</p>
<p>2Reúna-se com freqüência para que, juntos, procurem o que convém a vocês; porque de nada lhe servirá todo o tempo que viveu a fé se no último instante não estiver perfeito.</p>
<p>3De fato, nos últimos dias se multiplicarão os falsos profetas e os corruptores, as ovelhas se transformarão em lobos e o amor se converterá em ódio.</p>
<p>4Aumentando a injustiça, os homens se odiarão, se perseguirão e se trairão mutuamente. Então o sedutor do mundo aparecerá, como se fosse o Filho de Deus, e fará sinais e prodígios. A terra será entregue em suas mãos e cometerá crimes como jamais foram cometidos desde o começo do mundo.</p>
<p>5Então toda criatura humana passará pela prova de fogo e muitos, escandalizados, perecerão. No entanto, aqueles que permanecerem firmes na fé serão salvos por aquele que os outros amaldiçoam.</p>
<p>6Então aparecerão os sinais da verdade: primeiro, o sinal da abertura no céu; depois, o sinal do toque da trombeta; e, em terceiro, a ressurreição dos mortos. 7Sim, a ressurreição, mas não de todos, conforme foi dito: &#8220;O Senhor virá e todos os santos estarão com ele&#8221;. 8Então o mundo assistirá o Senhor chegando sobre as nuvens do céu.</p>
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		<title>Declaração de Fé de Calcedônia</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:17:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
				<category><![CDATA[Confissões]]></category>

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		<description><![CDATA[Ano 451 d.C. (&#8230;) Todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial [hommoysios] ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ano 451 d.C.</p>
<p>(&#8230;) Todos nós, perfeitamente unânimes, ensinamos que se deve confessar um só e mesmo Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, perfeito quanto à divindade, perfeito quanto à humanidade, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, constando de alma racional e de corpo; consubstancial [hommoysios] ao Pai, segundo a divindade, e consubstancial a nós, segundo a humanidade; “em todas as coisas semelhante a nós, excetuando o pecado”, gerado segundo a divindade antes dos séculos pelo Pai e, segundo a humanidade, por nós e para nossa salvação, gerado da Virgem Maria, mãe de Deus [Theotókos];</p>
<p>Um só e mesmo Cristo, Filho, Senhor, Unigênito, que se deve confessar, em duas naturezas, inconfundíveis e imutáveis, conseparáveis e indivisíveis;[1] a distinção da naturezas de modo algum é anulada pela união, mas, pelo contrário, as propriedades de cada natureza permanecem intactas, concorrendo para formar uma só pessoa e subsistência [hypóstasis]; não dividido ou separado em duas pessoas. Mas um só e mesmo Filho Unigênito, Deus Verbo, Jesus Cristo Senhor; conforme os profetas outrora a seu respeito testemunharam, e o mesmo Jesus Cristo nos ensinou e o credo dos padres nos transmitiu.</p>
<p>_____<br />
Henry Bettenson, Documentos da Igreja Cristã (SP: ASTE/Simpósio, 1998), p. 101.<br />
[1] Em dyo physesin, asygchytôs, atréptôs, adiairétôs, achôristôs.<br />
Enviado a nós pelo Pastor Batista Franklin Ferreira.</p>
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		<title>Declaração de Chicago Sobre a Inerrância da Bíblia</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:16:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Declaração a seguir discorre sobre a doutrina da inerrância das Escrituras, esclarecendo-nos sobre o que isso vem a ser  e advertindo-nos contra a sua negação. Estamos convencidos de que negá-la é ignorar o testemunho dado por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, e rejeitar aquela submissão às reivindicações da própria palavra de Deus. Diante da enxurrada de desvios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A Declaração a seguir discorre sobre a doutrina da inerrância das Escrituras, esclarecendo-nos sobre o que isso vem a ser  e advertindo-nos contra a sua negação. Estamos convencidos de que negá-la é ignorar o testemunho dado por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, e rejeitar aquela submissão às reivindicações da própria palavra de Deus. Diante da enxurrada de desvios doutrinários que tem invadido a Igreja, é dever de cada crente manter-se firmemente apegado à Escritura, tendo como certa a sua suficiência e a sua inerrância.</p>
<p><strong>A Declaração de Chicago Sobre a Inerrância da Bíblia</p>
<p>Prefácio<br />
</strong><br />
A autoridade das Escrituras é um tema chave para a igreja cristã, tanto desta quanto de qualquer outra época. Aqueles que professam fé em Jesus Cristo como Senhor e Salvador são chamados a demonstrar a realidade de seu discipulado cristão mediante obediência humilde e fiel à Palavra escrita de Deus. Afastar-se das Escrituras, tanto em questões de fé quanto em questões de conduta, é deslealdade para com nosso Mestre. Para que haja uma compreensão plena e uma confissão correta da autoridade das Sagradas Escrituras é essencial um reconhecimento da sua total veracidade e confiabilidade.</p>
<p>A Declaração a seguir afirma sob nova forma essa inerrância das Escrituras, esclarecendo nosso entendimento a respeito dela e advertindo contra sua negação. Estamos convencidos de que nega-la é ignorar o testemunho dado por Jesus Cristo e pelo Espírito Santo, e rejeitar aquela submissão às reivindicações da própria palavra de Deus, submissão esta que caracteriza a verdadeira fé cristã. Entendemos que é nosso dever nesta hora fazer esta afirmação diante dos atuais desvios da verdade da inerrância entre nossos irmãos em Cristo e diante do entendimento errôneo que esta doutrina tem tido no mundo em geral.</p>
<p>Esta Declaração consiste de três partes: uma Declaração Resumida, Artigos de Afirmação e Negação, e uma Explanação. Preparou-se a Declaração durante uma consulta de três dias de duração, realizada em Chicago, nos Estados Unidos. Aqueles que subscreveram a Declaração Resumida e os Artigos desejam expressar suas próprias convicções quanto à inerrância das Escrituras e estimular e desafiar uns aos outros e a todos os cristãos a uma compreensão e entendimento cada vez maiores desta doutrina. Reconhecemos as limitações de um documento preparado numa conferência rápida e intensiva e não propomos que esta Declaração receba o valor de um credo. Regozijamo-nos, no entanto, com o aprofundamento de nossas próprias convicções através dos debates que tivemos juntos, e oramos para que esta Declaração que assinamos seja usada para a glória de Deus com vistas a uma nova reforma na Igreja no que tange a sua fé, vida e missão.</p>
<p>Apresentamos esta Declaração não num espírito de contenda, mas de humildade e amor, o que, com a graça de Deus, pretendemos manter em qualquer diálogo que, no futuro, surja daquilo que dissemos. Reconhecemos (&#8230;) que muitos que negam a inerrância das Escrituras não apresentam em suas crenças e comportamento as conseqüências dessa negação, e estamos conscientes de que nós, que confessamos essa doutrina, freqüentemente a negamos em nossa vida, por deixarmos de trazer nossos pensamentos e orações, tradições e costumes, em verdadeira sujeição à Palavra divina.</p>
<p>Qualquer pessoa que veja razões, à luz das Escrituras, para fazer emendas às afirmações desta Declaração sobre as próprias Escrituras (sob cuja autoridade infalível estamos, enquanto falamos), é convidada a fazê-lo. Não reivindicamos qualquer infalibilidade pessoal para o testemunho que damos, e seremos gratos por qualquer ajuda que nos possibilite fortalecer este testemunho acerca da Palavra de Deus.</p>
<p><strong>A COMISSÃO DE REDAÇÃO<br />
</strong></p>
<p><strong>Uma Breve Declaração<br />
</strong><br />
Deus, sendo Ele Próprio a Verdade e falando somente a verdade, inspirou as Sagradas Escrituras a fim de, desse modo, revelar-Se à humanidade perdida, através de Jesus Cristo, como Criador e Senhor, Redentor e Juiz. As Escrituras Sagradas são o testemunho de Deus sobre Si mesmo.</p>
<p>As Escrituras Sagradas, sendo apropria Palavra de Deus, escritas por homens preparados e supervisionados por Seu Espírito, possuem autoridade divina infalível em todos os assuntos que abordam: devem ser cridas, como instrução divina, em tudo o que afirmam; obedecidas, como mandamento divino, em tudo o que determinam; aceitas, como penhor divino, em tudo que prometem.</p>
<p>O Espírito Santo, seu divino Autor, ao mesmo tempo no-las confirma através de Seu testemunho interior e abre nossas mentes para compreender seu significado.</p>
<p>Tendo sido na sua totalidade e verbalmente dadas por Deus, as Escrituras não possuem erro ou falha em tudo o que ensinam, quer naquilo que afirmam a respeito dos atos de Deus na criação e dos acontecimentos da história mundial, quer na sua própria origem literária sob a direção de Deus, quer no testemunho que dão sobre a graça salvadora de Deus na vida das pessoas.</p>
<p>A autoridade das Escrituras fica inevitavelmente prejudicada, caso essa inerrância divina absoluta seja de alguma forma limitada ou desconsiderada, ou caso dependa de um ponto de vista acerca da verdade que seja contrário ao próprio ponto de vista da Bíblia; e tais desvios provocam sérias perdas tanto para o indivíduo quanto para a Igreja.</p>
<p><strong>Artigos de Afirmação e Negação</p>
<p>Artigo I.</p>
<p></strong>Afirmamos que as Sagradas Escrituras devem ser recebidas como a Palavra oficial de Deus.</p>
<p>Negamos que a autoridade das Escrituras provenha da Igreja, da tradição ou de qualquer outra fonte humana.</p>
<p><strong>Artigo II.<br />
</strong><br />
Afirmamos que as Sagradas Escrituras são a suprema norma escrita, pela qual Deus compele a consciência, e que a autoridade da Igreja está subordinada à das Escrituras.</p>
<p>Negamos que os credos, concílios ou declarações doutrinárias da Igreja tenham uma autoridade igual ou maior do que a autoridade da Bíblia.</p>
<p><strong>Artigo III.<br />
</strong><br />
Afirmamos que a Palavra escrita é, em sua totalidade, revelação dada por Deus.</p>
<p>Negamos que a Bíblia seja um mero testemunho a respeito da revelação, ou que somente se torne revelação mediante encontro, ou que dependa das reações dos homens para ter validade.</p>
<p><strong>Artigo IV<br />
</strong><br />
Afirmamos que Deus, que fez a humanidade à Sua imagem, utilizou a linguagem como um meio de revelação.</p>
<p>Negamos que a linguagem humana seja limitada pela condição de sermos criaturas, a tal ponto que se apresente imprópria como veículo de revelação divina. Negamos ainda mais que a corrupção, através do pecado, da cultura e linguagem humanas tenha impedido a obra divina de inspiração.</p>
<p><strong>Artigo V</strong></p>
<p>Afirmamos que a revelação de Deus dentro das Sagradas Escrituras foi progressiva.</p>
<p>Negamos que revelações posteriores, que podem completar revelações mais antigas, tenham alguma vez corrigido ou contrariado tais revelações. Negamos ainda mais que qualquer revelação normativa tenha sido dada desde o término dos escritos do Novo Testamento.</p>
<p><strong>Artigo VI<br />
</strong><br />
Afirmamos que a totalidade das Escrituras e todas as suas partes, chegando às próprias palavras do original, foram por inspiração divina.</p>
<p>Negamos que se possa corretamente falar de inspiração das Escrituras, alcançando-se o todo mas não as partes, ou algumas partes mas não o todo.</p>
<p><strong>Artigo VII<br />
</strong><br />
Afirmamos que a inspiração foi a obra em que Deus, por Seu Espírito, através de escritores humanos, nos deus Sua palavra. A origem das Escrituras é divina. O modo como se deu a inspiração permanece em grande parte um mistério para nós.</p>
<p>Negamos que se possa reduzir a inspiração à capacidade intuitiva do homem, ou a qualquer tipo de níveis superiores de consciência.</p>
<p><strong>Artigo VIII<br />
</strong><br />
Afirmamos que Deus, em Sua obra de inspiração, empregou as diferentes personalidades e estilos literários dos escritores que Ele escolheu e preparou.</p>
<p>Negamos que Deus, ao fazer esses escritores usarem as próprias palavras que Ele escolheu, tenha passado por cima de suas personalidades.</p>
<p><strong>Artigo IX</strong></p>
<p>Afirmamos que a inspiração, embora não outorgando o­nisciência, garantiu uma expressão verdadeira e fidedigna em todas as questões sobre as quais os autores bíblicos foram levados a falar e a escrever.</p>
<p>Negamos que a finitude ou a condição caída desses escritores tenha, direta ou indiretamente, introduzido distorção ou falsidade na Palavra de Deus.</p>
<p><strong>Artigo X<br />
</strong><br />
Afirmamos que, estritamente falando, a inspiração diz respeito somente ao texto autográfico das Escrituras, o qual, pela providência de Deus, pode-se determinar com grande exatidão a partir de manuscritos disponíveis. Afirmamos ainda mais que as cópias e traduções das Escrituras são a Palavra de Deus na medida em que fielmente representam o original.</p>
<p>Negamos que qualquer aspecto essencial da fé cristã seja afetado pela falta dos autógrafos. Negamos ainda mais que essa falta torne inválida ou irrelevante a afirmação da inerrância da Bíblia.</p>
<p><strong>Artigo XI<br />
</strong><br />
Afirmamos que as Escrituras, tendo sido dadas por inspiração divina, são infalíveis, de modo que, longe de nos desorientar, são verdadeiras e confiáveis em todas as questões de que tratam.</p>
<p>Negamos que seja possível a Bíblia ser, ao mesmo tempo infalível e errônea em suas afirmações. Infalibilidade e inerrância podem ser distinguidas, mas não separadas.</p>
<p><strong>Artigo XII</strong></p>
<p>Afirmamos que, em sua totalidade, as Escrituras são inerrantes, estando isentas de toda falsidade, fraude ou engano.</p>
<p>Negamos que a infalibilidade e a inerrância da Bíblia estejam limitadas a assuntos espirituais, religiosos ou redentores, não alcançando informações de natureza histórica e científica. Negamos ainda mais que hipóteses científicas acerca da história da terra possam ser corretamente empregadas para desmentir o ensino das Escrituras a respeito da criação e do dilúvio.</p>
<p><strong>Artigo XIII<br />
</strong><br />
Afirmamos a propriedade do uso de inerrância como um termo teológico referente à total veracidade das Escrituras.</p>
<p>Negamos que seja correto avaliar as Escrituras de acordo com padrões de verdade e erro estranhos ao uso ou propósito da Bíblia. Negamos ainda mais que a inerrância seja contestada por fenômenos bíblicos, tais como uma falta de precisão técnica contemporânea, irregularidades de gramática ou ortografia, descrições da natureza feitas com base em observação, referência a falsidades, uso de hipérbole e números arredondados, disposição tópica do material, diferentes seleções de material em relatos paralelos ou uso de citações livres.</p>
<p><strong>Artigo XIV<br />
</strong><br />
Afirmamos a unidade e a coerência interna das Escrituras.</p>
<p>Negamos que alegados erros e discrepâncias que ainda não tenham sido solucionados invalidem as declarações da Bíblia quanto à verdade.</p>
<p><strong>Artigo XV</strong></p>
<p>Afirmamos que a doutrina da inerrância está alicerçada no ensino da Bíblia acerca da inspiração.</p>
<p>Negamos que o ensino de Jesus acerca das Escrituras possa ser desconhecido sob o argumento de adaptação ou de qualquer limitação natural decorrente de Sua humanidade.</p>
<p><strong>Artigo XVI<br />
</strong><br />
Afirmamos que a doutrina da inerrância tem sido parte integrante da fé da Igreja ao longo de sua história.</p>
<p>Negamos que a inerrância seja uma doutrina inventada pelo protestantismo escolástico ou que seja uma posição defendida como reação contra a alta crítica negativa.</p>
<p><strong>Artigo XVII<br />
</strong><br />
Afirmamos que o Espírito Santo dá testemunho acerca das Escrituras, assegurando aos crentes a veracidade da Palavra de Deus escrita.</p>
<p>Negamos que esse testemunho do Espírito Santo opere isoladamente das Escrituras ou em oposição a elas.</p>
<p><strong>Artigo XVIII<br />
</strong><br />
Afirmamos que o texto das Escrituras deve ser interpretado mediante exegese histórico-gramatical, levando em conta suas formas e recursos literários, e que as Escrituras devem interpretar as Escrituras.</p>
<p>Negamos a legitimidade de qualquer abordagem do texto ou de busca de fontes por trás do texto que conduzam a um revigoramento, desistorização ou minimização de seu ensino, ou a uma rejeição de suas afirmações quanto à autoria.</p>
<p><strong>Artigo XIX<br />
</strong><br />
Afirmamos que uma confissão da autoridade, infalibilidade e inerrância plenas das Escrituras é vital para uma correta compreensão da totalidade da fé cristã. Afirmamos ainda mais que tal confissão deve conduzir a uma conformidade cada vez maior à imagem de Cristo.</p>
<p>Negamos que tal confissão seja necessária para a salvação. Contudo, negamos ainda mais que se possa rejeitar a inerrância sem graves conseqüências, quer para o indivíduo quer para a Igreja.</p>
<p><strong>Explanação<br />
</strong><br />
Nossa compreensão da doutrina da inerrância deve dar-se no contexto mais amplo dos ensinos das Escrituras sobre si mesma. Esta explanação apresenta uma descrição do esboço da doutrina, na qual se baseiam nossa breve declaração e os artigos.</p>
<p><strong>Criação, Revelação e Inspiração<br />
</strong><br />
O Deus Triúno, que formou todas as coisas por Sues proferimentos criadores e que a tudo governa pela Palavra de Sua vontade, criou a humanidade à Sua própria imagem para uma vida de comunhão consigo mesmo, tendo por modelo a eterna comunhão da comunicação dentro da Divindade. Como portador da imagem de Deus, o homem deve ouvir a Palavra de Deus dirigida a ele e reagir com a alegria de uma obediência em adoração. Além da auto-revelação de Deus na ordem criada e na seqüência de acontecimentos dentro dessa ordem, desde Adão os seres humanos têm recebido mensagens verbais dEle, quer diretamente, conforme declarado nas Escrituras, quer indiretamente na forma de parte ou totalidade das próprias Escrituras.</p>
<p>Quando Adão caiu, o Criador não abandonou a humanidade ao juízo final, mas prometeu salvação e começou a revelar-Se como Redentor numa seqüência de acontecimentos históricos centralizados na família de Abraão e que culminam com a vida, morte, ressurreição, atual ministério celestial e a prometida volta de Jesus Cristo. Dentro desse arcabouço, de tempos em tempos Deus tem proferido palavras específicas de juízo e misericórdia, promessa e mandamento, a seres humanos pecaminosos, de modo a conduzi-los a um relacionamento, uma aliança, de compromisso mútuo entre as duas partes, mediante o qual Ele os abençoa com dons da graça, e eles O bendizem numa reação de adoração. Moisés, que Deus usou como mediador para transmitir Suas palavras a Seu povo à época do êxodo, está no início de uma longa linhagem de profetas em cujas bocas e escritos Deus colocou Suas palavras para serem entregues a Israel. O propósito de Deus nesta sucessão de mensagens era manter Sua aliança ao fazer com que Seu povo conhecesse Seu Nome, isto é, Sua natureza, e tantos preceitos quanto os propósitos de Sua vontade, quer para o presente, que para o futuro. Essa linhagem de porta-vozes proféticos da parte de Deus culminou em Jesus Cristo, a Palavra encarnada de Deus, sendo Ele um profeta (mais do que um profeta, mas não menos do que isso), e nos apóstolos e profetas da primeira geração de cristãos. Quando a mensagem final e culminante de Deus, Sua palavra ao mundo a respeito de Jesus Cristo, foi proferida e esclarecida por aqueles que pertenciam ao círculo apostólico, cessou a seqüência de mensagens reveladas. Daí por diante, a Igreja devia viver e conhecer a Deus através daquilo que Ele já havia dito, e dito para todas as épocas.</p>
<p>No Sinai, Deus escreveu os termos de Sua aliança em tábuas de pedra, como Seu testemunho duradouro e para ser permanentemente acessível, e ao longo do período de revelação profética e apostólica levantou homens para escreverem as mensagens dadas a eles e através deles, junto com os registros que celebravam Seu envolvimento com Seu povo, além de reflexões éticas sobre a vida em aliança e de formas de louvor e oração em que se pede a misericórdia da aliança. A realidade teológica da inspiração na elaboração de documentos bíblicos corresponde à das profecias faladas: embora as personalidades dos escritores humanos se manifestassem naquilo que escreveram, as palavras foram divinamente dadas. Assim, aquilo que as Escrituras dizem, Deus diz; a autoridade das Escrituras é a autoridade de Deus, pois Ele é seu derradeiro Autor, tendo entregue as Escrituras através das mentes e palavras dos homens escolhidos e preparados, os quais, livre e fielmente, &#8220;falaram da parte de Deus movidos pelo Espírito Santo&#8221; (2 Pe 1.21). Deve-se reconhecer as Escrituras Sagradas como a Palavra de Deus em virtude de sua origem divina.</p>
<p><strong>Autoridade: Cristo e a Bíblia<br />
</strong><br />
Jesus Cristo, o Filho de Deus, que é a Palavra (Verbo) feita carne, nosso Profeta, Sacerdote e Rei, é o Mediador último da comunicação de Deus ao homem, como também o é de todos os dons da graça de Deus. A revelação dada por Ele foi mais do que verbal; Ele também revelou o Pai mediante Sua presença e Seus atos. Suas palavras, no entanto, foram de importância crucial, pois Ele era Deus, Ele falou da parte do Pai, e Suas palavras julgarão ao todos os homens no último dia.</p>
<p>Na qualidade de Messias prometido, Jesus Cristo é o tema central das Escrituras. O Antigo Testamento olhava para Ele no futuro; o Novo Testamento olha para trás, ao vê-lo em Sua primeira vinda, e para frente em Sua segunda vinda. As Escrituras canônicas são o testemunho divinamente inspirado e, portanto, normativo, a respeito de Cristo. Deste modo, não é aceitável alguma hermenêutica em que Cristo não seja o ponto central. Deve-se tratar as Escrituras Sagradas como aquilo que são em essência: o testemunho do Pai a respeito do Filho encarnado.</p>
<p>Parece que o cânon do Antigo Testamento já estava estabelecido à época de Jesus. Semelhantemente, o cânon do Novo Testamento está encerrado na medida em que nenhuma nova testemunha apostólica do Cristo histórico pode nascer agora. Nenhuma nova revelação (distinta da compreensão que o Espírito dá acerca da revelação existente) será dada até que Cristo volte. O cânon foi criado no princípio por inspiração divina. A parte da Igreja foi discernir o cânon que Deus havia criado, não elaborar o seu próprio cânon. Os critérios relevantes foram e são: autoria (ou Sua confirmação), conteúdo e o testemunho confirmador do Espírito Santo.</p>
<p>A palavra cânon, que significa regra ou padrão, é um indicador de autoridade, o que significa o direito de governar e controlar. No cristianismo a autoridade pertence a Deus em Sua revelação, o que significa, de um lado, Jesus Cristo, a Palavra viva, e, de outro, as Sagradas Escrituras, a Palavra escrita. Mas a autoridade de Cristo e das Escrituras são uma só. Como nosso Profeta, Cristo deu testemunho de que as Escrituras não podem falhar. Como nosso Sacerdote e Rei, Ele dedicou Sua vida terrena a cumprir a lei e os profetas, até ao ponto de morrer em obediência às palavras da profecia messiânica. Desta forma, assim como Ele via as Escrituras testemunhando dEle e de Sua autoridade, de igual modo, por Sua própria submissão às Escrituras, Ele testemunhou da autoridade delas. Assim como Ele se curvou diante da instrução de Seu Pai dada em Sua Bíblia (nosso Antigo Testamento), de igual maneira Ele requer que Seus discípulos assim o façam, todavia não isoladamente, mas em conjunto com o testemunho apostólico acerca dEle, testemunho que ele passou a inspirar mediante a Sua dádiva do Espírito Santo. Desta maneira, os cristãos revelam-se servos fiéis de seu Senhor, por se curvarem diante da instrução divina dada nos escritos proféticos e apostólicos que, juntos, constituem nossa Bíblia.</p>
<p>Ao confirmarem a autoridade um do outro, Cristo e as Escrituras fundem-se numa única fonte de autoridade. O Cristo biblicamente interpretado e a Bíblia centralizada em Cristo e que O proclama são, desse ponto de vista, uma só coisa. Assim como a partir do fato da inspiração inferimos que aquilo que as Escrituras dizem, Deus diz, assim também a partir do relacionamento revelado entre Jesus Cristo e as Escrituras podemos igualmente declarar que aquilo que as Escrituras dizem, Cristo diz.</p>
<p><strong>Infalibilidade, Inerrância, Interpretação<br />
</strong><br />
As Escrituras Sagradas, na qualidade de Palavra inspirada de Deus que dá testemunho oficial acerca de Jesus Cristo, podem ser adequadamente chamadas de infalíveis e inerrantes. Estes termos negativos possuem especial valor, pois salvaguardam explicitamente verdades positivas.</p>
<p>Infalível significa a qualidade de não desorientar nem ser desorientado e, dessa forma, salvaguarda em termos categóricos a verdade de que as Santas Escrituras são uma regra e um guia certos, seguros e confiáveis em todas as questões.</p>
<p>Semelhantemente, inerrante significa a qualidade de estar livre de toda falsidade ou engano e, dessa forma, salvaguarda a verdade de que as Santas Escrituras são totalmente verídicas e fidedignas em todas as suas afirmações.</p>
<p>Afirmamos que as Escrituras canônicas sempre devem ser interpretadas com base no fato de que são infalíveis e inerrantes. No entanto, ao determinar o que o escritor ensinado por Deus está afirmando em cada passagem, temos de dedicar a mais cuidadosa atenção às afirmações e ao caráter do texto como sendo uma produção humana. Na inspiração Deus utilizou a cultura e os costumes do ambiente de seus escritores, um ambiente que Deus controla em Sua soberana providência; é interpretação errônea imaginar algo diferente.</p>
<p>Assim, deve-se tratar história como história, poesia como poesia, e hipérbole e metáfora como hipérbole e metáfora, generalização e aproximações como aquilo que são, e assim por diante. Também se deve observar diferenças de práticas literárias entre os períodos bíblicos e o nosso: visto que, por exemplo, naqueles dias, narrativas são cronológicas e citações imprecisas eram habituais e aceitáveis e não violavam quaisquer expectativas, não devemos considerar tais coisas como falhas, quando as encontramos nos autores bíblicos. Quando não se esperava nem se buscava algum tipo específico de precisão absoluta, não constitui erro o fato de ela existir. As Escrituras são inerrantes não no sentido de serem totalmente precisas de acordo com os padrões atuais, mas no sentido de que validam suas afirmações e atingem a medida de verdade que seus autores buscaram alcançar.</p>
<p>A veracidade das Escrituras não é negada pela aparição, no texto, de irregularidades gramaticais ou ortográficas, de descrições fenomenológicas da natureza, de relatos de afirmações falsas (por exemplo, as mentiras de Satanás), ou as aparentes discrepâncias entre uma passagem e outra. Não é certo jogar os chamados fenômenos das Escrituras contra o ensino da Escritura sobre si mesma. Não se devem ignorar aparentes incoerências. A solução delas, o­nde se possa convincentemente alcança-las, estimulará nossa fé, e, o­nde no momento não houver uma solução convincente disponível, significativamente daremos honra a Deus, por confiar em Sua garantia de que Sua Palavra é verdadeira, apesar das aparências em contrário, e por manter a confiança de que um dia se verá que elas eram enganos.</p>
<p>Na medida em que toda a Escritura é o produto de uma só mente divina, a interpretação tem de permanecer dentro dos limites da analogia das Escrituras e abster-se de hipóteses que visam corrigir uma passagem bíblica por meio de outra, seja em nome da revelação progressiva ou do entendimento imperfeito por parte do escritor inspirado.</p>
<p>Embora as Sagradas Escrituras em lugar algum estejam limitadas pela cultura, no sentido de que seus ensinos carecem de validade universal, algumas vezes estão culturalmente condicionadas pelos hábitos e pelas idéias aceitas de um período em particular, de modo que a aplicação de seus princípios, hoje em dia, requer um tipo diferente de ação (por exemplo, na questão do corte de cabelo e do penteado das mulheres, cf. 1 Co 11).</p>
<p><strong>Ceticismo e Crítica<br />
</strong><br />
Desde a Renascença, e mais especificamente desde o Iluminismo, têm-se desenvolvido filosofias que envolvem o ceticismo diante das crenças cristãs básicas. É o caso do agnosticismo, que nega que Deus seja cognoscível; do racionalismo, que nega que Ele seja incompreensível; do idealismo, que nega que Ele seja transcendente; e do existencialismo, que nega a racionalidade de Seus relacionamentos conosco. Quanto esses princípios não bíblicos e antibíblicos infiltram-se nas teologias do homem a nível das pressuposições, como freqüentemente acontecem hoje em dia, a fiel interpretação das Sagradas Escrituras torna-se impossível.</p>
<p><strong>Transmissão e Tradução<br />
</strong><br />
Uma vez que em nenhum lugar Deus prometeu uma transmissão inerrante da Escritura, é necessário afirmar que somente o texto autográfico dos documentos originais foi inspirado e manter a necessidade da crítica textual como meio de detectar quaisquer desvios que possam ter se infiltrado no texto durante o processo de sua transmissão. O veredicto dessa ciência é, entretanto, que os textos hebraicos e grego parecem estar surpreendentemente bem preservados, de modo que tempos amplo apoio para afirmar, junto com a Confissão de Westminster, uma providência especial de Deus nessa questão e em declarar que de modo algum a autoridade das Escrituras corre perigo devido ao fato de que as cópias que possuímos não estão totalmente livres de erros.</p>
<p>Semelhantemente, tradução alguma é perfeita, nem pode sê-;p, e todas as traduções são um passo adicional de distanciamento dos autographa. Porém, o veredicto da lingüística é que pelo menos os cristãos de língua inglesa estão muitíssimo bem servidos na atualidade com uma infinidade de traduções excelentes e não têm motivo para hesitar em concluir que a Palavra verdadeira de Deus está ao seu alcance. Aliás, em vista da freqüente repetição, nas Escrituras, dos principais assuntos de que elas tratam e também em vista do constante testemunho do Espírito Santo a respeito da Palavra e através dela, nenhuma tradução séria das Santas Escrituras chegará a de tal forma destruir seu sentido, a ponto de tornar inviável que elas façam o seu leitor &#8220;sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus&#8221; (2 Tm 3.15).</p>
<p><strong>Inerrância e Autoridade<br />
</strong><br />
Ao confiarmos que a autoridade das Escrituras envolve a verdade total da Bíblia, estamos conscientemente nos posicionando ao lado de Cristo e de Seus apóstolos, aliás, ao lado da Bíblia inteira e da principal vertente da história da igreja, desde os primeiros dias até bem recentemente. Estamos preocupados com a maneira casual, inadvertida e aparentemente impensada como uma crença de importância e alcance tão vastos foi por tantas pessoas abandonada em nossos dias.</p>
<p>Também estamos cônscios de que uma grande e grave confusão é resultado de parar de afirmar a total veracidade da Bíblia, cuja autoridade as pessoas professam conhecer. O resultado de dar esse passo é que a Bíblia que Deus entregou perde sua autoridade e, no lugar disso, o que tem autoridade é uma Bíblia com o conteúdo reduzido de acordo com as exigências do raciocínio crítico das pessoas, sendo que, a partir do momento em que a pessoa deu início a essa redução, esse conteúdo pode em princípio ser reduzido mais e mais. Isto significa que, no fundo, a razão independente possui atualmente a autoridade, em oposição ao ensino das Escrituras. Se isso não é visto e se, por enquanto, ainda são sustentadas as doutrinas evangélicas fundamentais, as pessoas que negam a total veracidade das Escrituras podem reivindicar uma identidade com os evangélicos, ao mesmo tempo em que, metodologicamente, se afastaram da posição evangélica acerca do conhecimento para um subjetivismo instável, e não acharão difícil ir ainda mais longe.</p>
<p>Afirmamos que aquilo que as Escrituras dizem, Deus diz. Que Ele seja glorificado. Amém e amém.</p>
<p>_____<br />
Retirado do apêndice do livro O ALICERCE DA AUTORIDADE BÍBLICA<br />
James Montgomery Boice<br />
Páginas 183 a 196<br />
Editado por: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova<br />
Edição: 1989; Reimpressão: 1997<br />
Todos os direitos reservados pela editora – Reproduzido com autorização<br />
Fone: 0xx11 5666-1911 – E-mail: evnsp@uol.com.br</p>
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		<title>Credo Atanasiano</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:16:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Histórico O Credo de Atanásio é incorretamente é atribuído a Atanásio, um dos pais da Igreja, e um dos maiores defensores da divindade de Cristona igreja cristã primitiva. Não se sabe ao certo quando e o­nde este credo foi composto. Alguns historiadores acreditam que tenha surgido na França, por volta do sexto ou sétimo século. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Histórico</strong><br />
O Credo de Atanásio é incorretamente é atribuído a Atanásio, um dos pais da Igreja, e um dos maiores defensores da divindade de Cristona igreja cristã primitiva.</p>
<p>Não se sabe ao certo quando e o­nde este credo foi composto. Alguns historiadores acreditam que tenha surgido na França, por volta do sexto ou sétimo século. Outros sustentam que tenha sido escrito algum tempo antes, no Norte da África.</p>
<p>Em seu conteúdo, o Credo Atanasiano resume, em breves e enfáticas afirmações, a doutrina da Santíssima Trindade e, em particular, da pessoa de Cristo, que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem em uma só pessoa. Lutero disse que o Credo Atanasiano é a maior produção da igreja cristã desde os tempos dos apóstolos.</p>
<p><strong>O Credo<br />
</strong>Aquele que quiser ser salvo, antes de tudo deverá ter a verdadeira fé cristã. Aquele que não a conservar em sua totalidade e pureza, sem dúvida perecerá eternamente.</p>
<p>E a verdadeira fé cristã é esta: que honremos um único Deus na Trindade e a Trindade na Unidade, não confundido as pessoas nem dividindo a sustância divina. Pois uma é a pessoa do pessoa do Pai, outra a do Filho e outra a do Espírito Santo; mas o Pai, o Filho e o Espírito Santo são um único Deus, iguais em glória e majestade eterna.</p>
<p>Qual o Pai, tal o Filho, tal o Espírito Santo. O Pai é incriado, o Filho é incriado, o Espírito Santo é incriado.</p>
<p>O Pai é incomensurável, o Filho é incomensurável, o Espírito Santo é incomensurável. O Pai é eterno, O Filho é é eterno, o Espírito Santo é eterno.</p>
<p>Contudo, não são três Eternos, mas um único Eterno. Do mesmo modo, não três Incriados, nem três Incomensuráveis,<br />
mas um único Incriado e um único incomensurável.</p>
<p>Da mesma maneira, o Pai é todo-poderoso, o Filho é todo-poderoso, o Espírito Santo é todo-poderoso; contudo, não são três Todo-poderosos, mas um único Todo-poderoso. Assim, o Pai é Deus, o Filho é Deus, o Espírito Santo é Deus; todavia, não são três Deuses, mas um único Deus.</p>
<p>Deste modo, o Pai é Senhor, o Filho é Senhor, o Espírito Santo é Senhor; entretanto, não são três Senhores, mas um único Senhor.<br />
Visto que, segundo a verdade cristã, nos importa confessar cada pessoa por sua vez como sendo Deus e Senhor, é-nos proibido pela fé cristã dizer que há três Deus e três Senhores.</p>
<p>O Pai por ninguém foi feito, nem criado, nem gerado. O Filho provém apenas do Pai, não foi feito, nem criado, mas gerado.<br />
O Espírito Santo não foi feito,nem criado, nem gerado pelo Pai pelo Filho, mas deles procede.</p>
<p>Logo, é um único Pai, não são três Pais; um único Filho, não três Filhos; um único Espírito Santo, não três Espíritos Santos.E nesta Trindade nenhuma pessoa é anterior ou posterior, nenhuma maior ou menor, mas todas as três pessoas são coeterna e iguais entre si; de modo que, como foi dito, em tudo seja honrada a Trindade na Unidade e a Unidade na Trindade.</p>
<p>Portanto, quem quiser ser salvo, deverá pensar assim da Trindade. Entretanto, é necessário para a salvação eterna crer também fielmente na humanação de nosso Senhor Jesus Cristo.</p>
<p>Esta é, portanto, a fé verdadeira: crermos e confessarmos que nosso Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, é Deus e Homem. É Deus da substância do Pai, gerado antes dos tempos, e Homem da substância de sua mãe, nascido no tempo; Deus perfeito e Homem perfeito, subsistindo em alma racional e carne humana.<br />
Igual ao Pai segundo a divindade e menor do que o Pai segundo a sua humanidade. Ainda que é Deus e Homem, nem por isso são dois, mas um único Cristo. Um só, não pela transformação da divindade em humanidade, mas mediante a recepção da humanidade na divindade. É, de fato, um só, não pela fusão das duas substâncias, mas por unidade de pessoa. Pois, assim como corpo e alma racional constituem um único homem, Deus e homem é um único Cristo, o qual padeceu pela nossa slavação, desceu ao inferno, no terceiro dia ressuscitou dos mortos. Subiu ao céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos.<br />
E quando vier, todos os homens hão de ressuscitar com os seus corpos e dar contas de seus próprios atos, e aqueles que fizeram o bem irão para a vida eterna, mas aqueles que fizeram o mal, para o fogo eterno.</p>
<p>Esta é a verdadeira fé cristã. Aquele que não crer com firmeza e fidelidade, não poderá ser salvo.</p>
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		<title>Credo Apostólico</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:15:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Creio em Deus Pais, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra. Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Creio em Deus Pais, Todo-Poderoso, Criador do Céu e da Terra.</p>
<p>Creio em Jesus Cristo, Seu único Filho, nosso Senhor, o qual foi concebido por obra do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado; desceu ao Hades; ressurgiu dos mortos ao terceiro dia; subiu ao Céu; está sentado a mão direita de Deus Pai Todo-Poderoso, donde há de vir para julgar os vivos e os mortos.</p>
<p>Creio no Espírito Santo; na Santa Igreja Católica (=Universal); na Comunhão dos Santos; na Remissão dos Pecados; na Ressurreição do Corpo; na Vida Eterna.</p>
<p>Amém!</p>
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		<title>Confissão de Fé Valdense de 1544</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Jul 2011 16:14:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Edinha</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cremos que há um só Deus, que é Espírito – o Criador de todas as coisas – o Pai de tudo, que é sobre tudo, e por tudo e em tudo; o qual deve ser adorado em espírito e em verdade – do qual dependemos continuamente, e a quem rendemos louvor por nossa vida, alimento, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Cremos que há um só Deus, que é Espírito – o Criador de todas as coisas – o Pai de tudo, que é sobre tudo, e por tudo e em tudo; o qual deve ser adorado em espírito e em verdade – do qual dependemos continuamente, e a quem rendemos louvor por nossa vida, alimento, abrigo, saúde, enfermidade, prosperidade, e adversidade. Nós O amamos por ser a fonte de toda bondade; e O reverenciamos pois é o ser sublime, que sonda e prova os corações dos filhos dos homens.</p>
<p>Cremos que Jesus Cristo é o Filho e a imagem do Pai – que nEle habita toda a plenitude da Deidade, e que por Ele somente conhecemos ao Pai. Ele é o nosso Mediador e advogado; e não há outro nome dado debaixo do céu em que possamos ser salvos. Em Seu nome somente nos achegamos ao Pai; não nos utilizamos de orações além daquelas contidas nas Sagradas Escrituras, ou das que estão em concordância com elas.</p>
<p>Cremos no Espírito Santo como o Consolador, que procede do Pai e do Filho, por cuja inspiração somos ensinados a orar, sendo renovados por Ele em nossas mentes; quem nos faz novas criaturas para as boas obras, e de quem recebemos o conhecimento da verdade.</p>
<p>Cremos que há somente uma igreja santa, que compreende a assembléia dos eleitos e fiéis que existiram desde o principio do mundo e que existirão até o fim. O Senhor Jesus Cristo é o cabeça dessa igreja – ela é governada por Sua Palavra e guiada pelo Espírito Santo. Na igreja é necessário que os cristãos tenham comunhão. Cristo intercede por Ela sem cessar, e Sua oração por ela é a mais aceitável diante de Deus, sem a qual de fato não haveria possibilidade de salvação.</p>
<p>Sustentamos que os ministros da igreja devem ser irrepreensíveis tanto na vida como na doutrina; se se prova o contrário, eles devem ser depostos de seu ofício, e substituídos por outros; e que nenhuma pessoa pode presumir de tomar esta honra para si mesma senão aquele que é chamado por Deus como o foi Arão – que os deveres dos tais são alimentar o rebanho de Deus, não por lucro, ou como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas como exemplos para o rebanho, em palavra, em conversas, em caridade, em fé e em castidade.</p>
<p>Afirmamos que os reis, príncipes e governadores são os ministros designados por Deus, aos quais temos que obedecer [em todo assunto legal e civil], porque portam a espada para defender o inocente e castigar aquele que faz o mal; essa é a razão por que devemos honrá-los e pagar-lhes tributo.Ninguém pode se excluir desse poder e autoridade, como vemos no exemplo do Senhor Jesus Cristo, o qual voluntariamente pagou o tributo, sem tomar para si mesmo jurisdição alguma do poder temporal.</p>
<p>Cremos que a ordenança do batismo em águas é o sinal visível e externo que representa aquilo que, pela virtude da operação invisível de Deus está dentro de nós – isto é, a renovação de nossas mentes, e a mortificação dos nossos membros por meio da fé em Jesus Cristo. E por essa ordenança somos recebidos na santa congregação do povo de Deus, havendo professado e declarado nossa fé e novidade de vida.</p>
<p>Mantemos que a ceia do Senhor é uma comemoração dos (e em agradecimento pelos) benefícios que temos recebido por Seus sofrimentos e morte – e que deve ser recebida em fé e amor – examinando-nos a nós mesmos, de forma que possamos comer o pão e beber do vinho, como está escrito nas Sagradas Escrituras.</p>
<p>Sustentamos que o matrimônio foi instituído por Deus, que é santo e honorável, e que não deve ser proibido a ninguém, se não houver restrição por parte da Palavra de Deus.</p>
<p>Asseguramos que todos aqueles em que habita o temor de Deus serão guiados a agradá-lo, e a abundar em boas obras [do Evangelho], as quais deus preparou de antemão para que andássemos nelas – amor, gozo, paz, paciência, benignidade, bondade, mansidão, sobriedade, e todas as demais boas obras a que se exorta nas Sagradas Escrituras.</p>
<p>Por outro lado, confessamos que consideramos nosso dever ter cuidado com os falsos mestres, cujo objetivo é desviar as mentes dos homens da adoração verdadeira de Deus, e levá-los a pôr sua confiança na criatura, ao se apartarem das boas obras do Evangelho, e colocarem sua atenção nas invenções dos homens.</p>
<p>Temos o Antigo e Novo Testamento como nossa regra de vida, e concordamos com a confissão de fé [normalmente conhecida como] o Credo dos Apóstolos.</p>
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