O Evangelho é da paz e, muitas vezes, da divisão também!

Tomai, pois, conhecimento de que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. E eles a ouvirão. Ditas estas palavras, partiram os judeus, tendo entre si grande contenda. (At 28.28,29)

É difícil falarmos em divisões, em segregação, seja ele de que nível for. Há segregações raciais, a guerra da Apartheid que perdurou elasticamente até o final dos anos 90, e que já diminuiu muito, serviu para criar muitas feridas no coração dos negros da África do Sul, em relação aos brancos colonizadores que tentavam dominar o país através da força imposta pela própria Inglaterra. E os grandes conflitos facciosos, divisionistas, que perduram séculos entre os Árabes e os Israelenses e que vez por outra dão um ar de relativo controle amigável até que uma gota seja o suficiente para gerar novamente todo um problema de conflitos gigantescos. Divisões são sempre divisões, independente dos motivos, trazem situações tristes e complicadas. O Iraque, que está localizado onde antigamente foi o jardim do Éden, hoje é o palco de grandes crises políticas e internacionais. Os xiitas ganharam a primeira eleição democrática no país, mas ganharam por que em meio a muitas divisões dentro do próprio país, eles são a maioria literalmente falando. São divisões que ocorrem como subproduto de gente desvairada e sem direção, que buscam resolver as crises que enfrentam sozinhos e sem nada em que possam, mesmo diante das profundas inquietações, encontrar paz.

E aqui chego onde quero, para falar do evangelho de Jesus, que evidentemente é o evangelho da paz, uma paz real e inexaurível, uma paz inexplicável e de grandes proporções, mas que chega a separar pais de filhos, noras de sogras (o que não é difícil), amigos, parentes e religiões. Neste sentido, trago como argumento que firma minha tese um texto bíblico encontrado em At 28.28,29, onde vemos Paulo evangelizando os judeus em Roma e vendo sua mensagem absolutamente magistral e profunda, criando celeuma na religião judaica, fato que pode ser observado desde o versículo 23 do mesmo capítulo.

Paulo fala de Cristo,anuncia a mensagem da salvação encravada na palavra eterna de Deus; e alguns judeus, que desde muito tempo tinham essa palavra, não enxergavam que era assim que as coisas aconteceriam, apontando para o Senhor Jesus, único nome capaz de nos dar a salvação. Alguns outros pela graça magnífica de Deus foram convencidos daquilo que Paulo falava como sendo verdade de Deus, algo que os fez apaixonarem-se ainda mais por Cristo, e isso gerou discussõesentre eles, fato confirmado nos versículos 24 e 29. O evangelho da paz é da paz, porque nos reconcilia com Deus e Deus conosco, mas nem sempre o evangelho da paz, trás paz no sentido de calmaria e tranquilidade entre nós e a sociedade construída de pessoas, na qual nós vivemos.

Portanto, no que depender de nós temos que ter paz com todas as pessoas, mas, no que depende das pessoas, nem sempre, por causa do evangelho da paz, elas terão ou viverão em unidade de amor conosco.

O evangelho da paz tira os tumultos do nosso coração, limpando nossa consciência das ofensas e perversidades que praticamos contra Deus. As guerras maiores que travamos em nossa alma são o termômetro para mostrar o quanto precisamos de Cristo cada vez mais. Que o evangelho da paz nos una uns aos outros.

Rev. Nelson G. Abreu Júnior

Nenhum comentário ainda.

Deixe uma Resposta