Será que o cristianismo é radical?

Logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim; e esse viver que, agora, tenho na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e a si mesmo se entregou por mim. (Gl 2.20).

Tenho percebido que a nossa geração rejeita tudo que pareça muito radical, prefere um estilo de vida que pregue a tolerância e que lhe permita conviver pacificamente com todos os outros estilos e princípios vigentes na sociedade. A primeira vista isso parece ser bom, mas também pode ser catastrófico.

Esta geração não gosta muito de fazer escolhas excludentes e nem mesmo de tomar posições que exijam confrontos diretos e que revele de qual lado está combatendo; por essa razão falamos tanto sobre ecumenismo religioso, sobre aceitação e convivência com as diferenças; sejam essas diferenças provocadas por deficiências físicas, desigualdades sociais, culturais, escolhas sexuais ou até mesmo diferenças raciais. Porém, é importante notar que este pacifismo nem sempre leva em consideração os valores morais, éticos e espirituais agregados em cada escolha e estilo de vida, ele apenas nos estimula a aceitação do “diferente” sem se importa com as mudanças de valores que essa tolerância nos causará.

Todos os dias somos bombardeados para deixarmos o estilo de vida que defenda radicalmente a verdade verdadeira, que defende a santidade moral e a centralidade de Deus em nossas escolhas. E quando nos mantemos firmes em nossas posturas bíblicas somos acusados de retrógrados, antiquados, preconceituosos, intolerantes, fundamentalistas, tão somente porque assumimos posturas contra o pecado, seja ele da homossexualidade, do sexo fora do casamento, do namoro na adolescência e outros. Por outro lado, somos estimulados a abandonar todos os absolutos morais e espirituais e aceitar sem peso na consciência o estilo de “vida paz e amor”, ainda que ele seja alicerçado no relativismo moral, religioso e ético.

Infelizmente, a maioria das pessoas não consegue perceber a impossibilidade de manter-se na neutralidade diante das escolhas que fazem diariamente. Elas se esquecem ou não sabem que todas as suas escolhas têm valores agregados.

Mas é possível conviver com as diferenças sem negociar os princípios da Palavra de Deus? É possível viver sem ser radical nas escolhas diárias? Quando tomamos decisões, sejam elas quais forem, será que não há um radicalismo intrínseco nessas escolhas?

Observe que quando falo sobre um Cristianismo radical refiro-me a necessidade que cada cristão tem de assumir princípios e posicionamentos verdadeiramente Bíblicos e que utilize esforços extremos e concretos para viver essa nova vida que agrada a Deus. E isso é diferente de fanatismo religioso. O fanatismo é uma paixão cega que leva alguém a cometer e fazer escolhas irracionais.

Sendo assim, não temos nenhuma dificuldade de afirmamos que ser cristão é assumir um estilo de vida radical. Fundamentado num Cristo que radicalmente defendeu a verdade, que radicalmente se posicionou contra o pecado, que não tolerou o farisaísmo e o legalismo religioso, que pregou contra a negligência na adoração, que foi radical em sua obediência ao Pai durante toda a sua vida até a morte de cruz. Um Cristo radical com aqueles que desejavam segui-lo, exigindo uma fé viva, acompanhada de um testemunho claro de transformação progressiva. Podemos citar vários textos bíblicos para comprovar essa verdade.

Quando abrimos as Escrituras percebemos que Cristo não ficou em cima do muro em suas posições e defesa da verdade.Ao falar com os Fariseus Ele os chama de sepulcros caiados, raça de víboras. Quando Jesus foi questionado por um jovem rico sobre o que precisava fazer para ter a vida eterna, mandou que o jovem o seguisse, mas que antes vendesse tudo que possuía e que desse aos pobres, uma vez que Cristo conhecia o coração daquele jovem e sabia o que ele considerava seu “maior tesouro”. Ao falar com os discípulos Ele disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16.24). Em outro texto ainda Ele fala: “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim” (Mt 10.37). No sermão do monte Ele argumenta: “E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois seres lançado no inferno, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga.” (Mc 9.47,48). E o que dizer do altíssimo padrão estabelecido por Ele no sermão do monte, quando disse: “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt 5.44), ou ainda “qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela” (Mt 5.28). Você vai dizer que isso não é radicalismo?

Cristo está estabelecendo princípios que não podem ser questionados e nem quebrado por aqueles que desejam segui-lo. Cristo está mostrando que os seus seguidores precisam fazer escolhas radicais, as quais envolvem abrir mão de todos os princípios ideológicos, filosóficos, religiosos, éticos e morais que sejam contrários às Escrituras.

Não é possível servir a dois senhores, não é possível amar a Deus e odiar o próximo, não é possível servir a Deus e ao adultério, não é possível servir a Cristo e ao dinheiro, não é possível andar de braços dados com Cristo e com os pés no mundo, não é possível amar a Cristo e viver com o coração na fornicação, na pornografia, na lascívia, no namoro impuro, nas amizades ímpias, no julgo desigual no namoro. Não é possível ser amigo de Deus e amigo do mundo ao mesmo tempo. Cristo requer exclusividade. Ele não aceita um coração dividido.

A verdade é que você já fez a sua escolha, neutro você não é. A grande questão é quem você está servindo. Talvez você ainda esteja vivendo na ilusão, pensando que está com Cristo, mas esta distante dEle, exatamente porque Ele exige exclusividade e você não tem vivido assim. E aí! vai permanecer em cima do muro?

Portanto, reveja o seu caminho. Análise a quem você tem dado o seu coração. Se arrependa. Volte para as Escritura. Procure fazer escolhas que agradem a Deus e que honre ao Senhor Jesus Cristo. Seja radical quando tiver que defender os princípios das Escrituras, não negocie o inegociável, não seja tolerante com o pecado, rompa radicalmente com as coisas que não agradam a Deus na sua vida. Deus abençoe você.

Rev. Eurípedes de Araújo Dantas

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