Um verdadeiro ponto de referência para nossa alegria

“Não existe nenhum juiz ou controlador divino”. “O mundo é tudo o que existe, nossa existência é tudo o que temos”. Essas frases anunciadas pelo filósofo Jean Paul Sartre, nascido na França em 1905-1980, foram fundamentais na criação de um termo que tornou-se uma filosofia de vida chamada existencialismo. Em sua famosa peça, intitulada No Exit (Sem Saída), uma personagem destila a crença do existencialismo na seguinte frase: “Você é a sua vida, e isso é tudo o que você é”.

De acordo com esse tipo de pensamento, não existe nenhum propósito objetivo ou elevado para vida. A vida é sem significado e sem sentido, pelo qual se deve viver, sonhar, rir, amar, perdoar e mesmo morrer. Esse tipo de pensamento acabou por levar o homem ao entendimento de que a vida é um absurdo e, como absurdo que é, ao mesmo tempo, ela também é uma vida sem alternativas, sem direção e mesmo sem algo que gere em nós, ou nos sobreviventes ambulantes desse mundo, a verdadeira alegria.

Nos anos 60, tanto a filosofia de Sartre como de seu grande aliado, o também francês Alberto Camus (1913-1960), ganharam notoriedade e popularidade entre os intelectuais e estudantes universitários. Se a ciência naturalista alimenta a ideia de que a vida humana é um absurdo existencial e não existe nenhum propósito objetivo para vida por que não procurar fontes alternativas de significado, prazer e alegria para tentar amenizar a dor que é viver? Desta forma, surgiu a busca desenfreada nas drogas, bebidas e sexo, como ponto de referência de alegria que nada, exceto isso, poderia proporcionar aos homens e mulheres esfomeados por sentir alívio de uma existência tão tensa e dolorosa.

Foi introduzida no mundo uma cosmovisão de desespero total em que pessoas intelectuais, universitários, gente simples e de pouca instrução começaram, sob forte influência do pensamento existencialista, correr atrás de encontrar sentido e alegria para sua vida repleta de absurdos e angústias. Vemos o homem busca prazer nas glórias deste mundo, preso ao dinheiro, ao prazer motivado pelo conhecimento, o que eleva a soberba de muitos, vemos os homens tentando de todas as formas encontrarem alívio a sua dor, a sua tristeza, ao seu sofrimento e as inquietações mais profundas de sua alma, porém, em nada disso, vemos a crise existencial do homem ser amenizada.

O prazer sincero e verdadeiro que nos faz encontrar um ponto de contato com a alegria real não está alicerçado na subjetividade humana, mas sim no Deus todo poderoso que é o verdadeiro princípio de prazer que causa unificação no homem dividido e desesperado pelo pecado e pela dor, conforme o Sl 1.2: “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”. É em Deus e em sua palavra que encontramos a verdadeira fonte de prazer e, consequentemente, a verdadeira alegria. Em Deus e seu filho Jesus Cristo através do Espírito Santo, encontramos um verdadeiro ponto de referência para nossa alegria.

Quando o texto diz: “Antes, o seu prazer está na lei do SENHOR, e na sua lei medita de dia e de noite”, aprendemos:

1) Que existe uma fonte de prazer real. Prazer e alegria são coisas que fazem parte de uma mesma realidade. Portanto, a lei de Deus, sua Santa e bendita Palavra, é o ponto de restauração da nossa vida quando vivemos momentos de angústia, dor e tristeza. Quando perdemos a referência de paz e de alegria, quando deixamos o sofrimento e a angústia falarem mais alto, gerando contorções em nossa alma como consequência da perda de paz e gozo na alma, precisamos urgentemente voltar à palavra de Deus, pois é nela que encontraremos Deus falando conosco dizendo; “vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). A angústia está apertando sua alma, há problemas que você não consegue resolver e isso gera tristeza e angústia em seu coração? Troque isso pela palavra de Deus, coloque seu prazer em sua palavra e descanse seu coração em suas promessas.

2) Esta fonte de prazer tem um dono, o Senhor é quem nos deu sua palavra como autoridade suprema sobre todas as coisas e, portanto, nossa existência não existe sozinha num universo autônomo. O universo, o mundo, não é tudo o que temos, o mundo é o mundo de Deus. Por isso, as coisas que nele existem têm uma existência real e providencial porque Deus está no controle deste mundo e de tudo que nele está. O existencialismo de Sartre dizia que: “o mundo é tudo o que temos”, isso não é verdade e, nesse sentido, temos o Deus que é Senhor do mundo, que nos deu seu filho amado que sofreu em nosso lugar para que pudéssemos desfrutar da alegria de viver em comunhão com ele, a ponto de nada poder nos separar desta mais nobre alegria. Rm 8.38 diz que nada poderá nos separar do amor de Deus, nem morte e nem o mundo porvir, nem a altura e nem a profundidade. No mundo de Deus temos alguém que cuida de nós, que entende nossos dramas e penetra o mais profundo de nossa alma trazendo-nos alegria em meio à dor e mesmo em meio às lagrimas. Nem eu e nem você estamos sozinhos neste mundo, creia que em Deus, por meio do Espírito Santo, sua paz e sono podem ser restaurados, confie naquele que consola seu povo.

3) Cabe a nós fazer da fonte de prazer dada a nós pelo Senhor, nosso alvo constante. Muitas vezes sentamos à mesa de nossas casas, em nossas varandas, em nossos sofás, poltronas ou mesmo em nossas camas nem sempre para refletir na santa palavra do Senhor, mas muitas vezes, para refletir e meditar sobre nossas preocupações e os motivos que nos levaram a perder o sono, a levantar mais cedo, a acordar assustado, a ter que dormir sob a base de remédios e assim por diante. Perdemos a alegria de viver sempre que enfatizamos nossos dramas e lamuriamos nossas dores, sentados ou deitados sobre os móveis de nossa casa ou de qualquer outro ambiente, remoendo em nosso coração o sofrimento ou decisões difíceis que precisamos tomar ou algum problema sério que necessitamos resolver. Penso que devíamos buscar nas Sagradas letras, o consolo necessário e real para nossas vidas. É no refletir na palavra de Deus, constantemente, que encontraremos paz para nossa alma e força para agirmos tomando sempre decisões importantes e que nos conduzirão novamente a alegria. Fl 4.4 diz: “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos.”. O sentido desta palavra “alegrai-vos” aqui é: ficai extremamente contentes, alegres. Ou seja, na meditação e na reflexão bíblica, encontramos a palavra da alegria para nosso coração.

Nossa existência não é um absurdo e nem mesmo devemos perder o otimismo e a alegria da vida, mas vamos buscar no Senhor, fonte real de paz e consolo, o conforto para nossa vida. Nele temos esperança de que nossa vida não é um amontoado de mim mesmo, mas uma expressão da graça e do amor de Deus. O Senhor é nossa verdadeira alegria.

Rev. Nelson G. Abreu Júnior

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